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 London Calling (Cap. I - XVIII)

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ritalavalerie.
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Feminino Número de Mensagens : 167
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Hobbies : being more of a flamming queer than the whole 'queer eye for the straight guy' crew.
Eu digo : "I live in a state between maleness and femaleness." "Which is?" "Fabulousness."
Data de inscrição : 09/12/2008

MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIII) 2/2   Seg Dez 15, 2008 7:41 pm

CAP. XIII - CONTINUAÇÃO (2/2)


“O que é que andas a fazer pela casa nesses preparos, rapaz? Vai vestir qualquer coisa, querido! Ainda apanhas uma pneumonia!”

Tom riu quando ouviu o exagero da mãe, mas não pode evitar sentir o calor que aqueceu o seu coração. Era bom ter alguém que se preocupasse com ele mesmo que estivesse a mais de um oceano de distância dos seus pais adoptivos, as únicas pessoas que até aí se tinham preocupado com ele, por mais trivial que o motivo de preocupação fosse. Até há bem pouco tempo ele nunca tinha pensado que isso fosse mudar – a maioria dos seus familiares aparte da sua prima Anna e da mãe dela, a tia Devorah, nunca o haviam aceitado como um deles, parte porque era adoptado, parte porque vários se tinham oposto ao casamento dos seus pais, ideia que foi reforçada quando descobriram que a sua mãe não poderia engravidar. Mas agora ele tinha uma nova mãe, um padrasto definitivamente fixe, novos amigos com muito mais conteúdo que os seus velhos colegas, um novo irmão...

Um novo irmão. Ora aí estava algo que Tom nunca esperava ter, e de repente cai-lhe um do céu, e logo gémeo. E, não esquecendo, mais gay que um concerto da Cher em San Francisco. Não que ele alguma vez tivesse ido a um concerto da Cher. Ou a San Francisco. Muito menos àquela(1) parte da cidade! Não, ele não fazia ideia se andavam por lá rapazes como ele, com cabelos tão longos ou roupa tão justa ou um rabinho tão—OI PAROU.

Quando deu por si estava a olhar fixamente para a porta do seu próprio quarto com uma expressão penosa, a ideia de entrar e ver um Bill semi-nu quase tão aliciante como aterradora. E ele não tinha acabado de usar as palavras Bill, semi-nu e aliciante na mesma linha de pensamento. Nope.

Acabou por bater à porta, porque aquela situação já estava a passar o limiar do ridículo e felizmente quem lhe abriu a porta foi um Bill muito mais composto, usando umas calças de malha cinza com um aspecto muito confortável, uma t-shirt preta um bocadinho mais larga que o normal e o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo subido.

“Pareces uma cheerleader numa festa do pijama.” Tom comentou com um sorriso amigável na cara. Bill apenas fingiu que lhe ia dar com a porta na cara e Tom bloqueou o obstáculo com um dedo, sorrindo ainda mais ao ver o arzinho petulante com que o irmão caminhou até a sua cama e se lançou para cima dela, virando de imediato a cabeça para o atacar com um olhar intenso.

“Fecha a porta à chave.”

Antes que pudesse evitar Tom sentiu o seu coração a disparar. Foi mas forte do que ele, o cérebro dele ainda estava à espera que algo completamente inesperado fosse acontecer e não o estava a deixar pensar racionalmente. O único som que abandonou a sua boca foi algo entre um grunhido e um ‘what the fuck’ que lhe ficou preso na garganta. Bill suspirou e continuou a prendê-lo com o olhar até que o cérebro de Tom finalmente conseguiu comunicar com os seus membros e o rapaz lá fechou a porta.

“Agora vai ali à minha mala e tira-me um cigarro, sim? Passei a tarde toda a fumar e agora estou com uma traça insuportável depois de tanta correria.”

A única resposta que ele levou foi uma inspiração profunda vinda do irmão, seguida de um riso sarcástico assim para libertar a tensão. Um cigarro, ok. Tudo bem, ele podia baixar-se, pegar na mala do Bill, tirar um cigarro, não, um não, DOIS—

“E, uh, Tom.”

O que foi agora, Magestade?” Tom falou entre dentes, o mantra ‘mantém a calma’ a fazer loop incessantemente na sua cabeça.

“Veste qualquer coisa.” Bill ordenou rispidamente, desviando o olhar pela primeira vez desde que Tom havia entrado no quarto. “Ainda apanhas uma pneumonia.”

Fazendo uma pobre imitação de vénia Tom assentiu, suspirando um “Sim, mãe.” Quando se foi apoiar no parapeito da janela para acompanhar o outro no vício, Bill já lá estava a fumar um cigarro como se a sua vida dependesse disso, olhando pela janela como se as gotas de chuva a cair fossem mais interessantes que a Oprah em dia de programação especial.

A visão de um rabo perfeitamente apetecível quando o sujeito ao qual este pertence se põe de cócoras e o deixa ali, mesmo ALI, à disposição do freguês, costuma fazer isso a pessoas sensíveis.


- - -


Os dois dias que se seguiram foram para Bill o que ele viria a chamar “A Grande Fuga ao Camille”. Na terça não teve nenhuma aula com ele, mas foi obrigado a esquivar-se nos corredores e a tentar arrastar a Cameron e o Tom para cantos refundidos da escola, não fosse o Messieur aparecer e tentar falar com ele, coisa que Bill se iria recusar a fazer, pois claro. Na quarta foi mais difícil. Bill conseguia sentir o olhar do outro rapaz a fazer-lhe um furo na cabeça durante a aula de Inglês que teve logo de manhã, e por pouco não conseguia sair da sala antes que o outro rapaz o apanhasse! O atraso foi perdoado porque afinal era a primeira aula da manhã e Bill não tinha o costume de chegar adiantado mesmo, e os bilhetes com “Precisamos de falar” escritos a caneta azul, preta e finalmente vermelha que a Lizzie da mesa de trás lhe passou com cara de poucos amigos foram lidos e imediatamente amarrotados e abandonados no chão.

As mensagens e tentativas de chamadas já o estavam a irritar, mas nada que ele não conseguisse aguentar.

Nesse mesmo dia teve tarde livre e como queria passear, mas não se queria cruzar com o outro rapaz, acabou por ir a Camden Town e levar as suas duas companhias de todas as horas. Lá iam-se encontrar com o Devon para almoçar nas ruas do mercado e depois iam dar umas voltas e quem sabe beber umas cervejas num Pub. Sim, porque Bill nunca mais ia beber chá na sua vida, muito menos num Pub!

A tarde estava a correr bem. Estavam todos a comer batatas recheadas(2), Tom estava a adorar o sítio e Bill já tinha perdido a conta às pessoas que o Devon tinha cumprimentado desde que lá chegaram.

“Ele é um amor, não é?” Devon comentou com uma expressão completamente babada após ter dado dois beijinhos a um rapaz loiro com tanto cor-de-rosa na roupa que o fazia parecer um anúncio para uma nova Barbie. “Mas vá, contem novidades! Algo de interessante se passou desde a última vez que falamos?”

E foi aí que as coisas começaram a descambar. Cameron soltou uns risinhos involuntários e fez uma expressão tão suspeita que Devon não descansou enquanto não soube o que a tinha posto naquele estado. Bill já estava mesmo a ver o que se ia passar e sim, após longos minutos em que Bill lhe lançou olhares mortais e Tom apenas olhou para o chão e tentou não prestar atenção à conversa, a rapariga lá contou tudo o que se tinha passado na segunda-feira dessa semana.

“Oh, my God, Cam! Tu e o Tommy são um perigo juntos, ok. Lembra-me de nunca vos contar quando tiver um encontro romântico com o meu Theo!”

“Hey, não exageres.” Tom falou em sua defesa. “A rapariga que estava ao balcão disse que ele se estava a sentir mal!”

“Aquela Becky é mesmo tapada.” Cameron comentou com uma expressão condescendente, não só dirigido à falta de intelecto da rapariga como à falta de raciocínio de Tom naquela situação.

“Anyway.” Devon falou com um movimento de mãos a acompanhar. “Quem foi o feliz contemplado a uns momentos de puro deleite com o nosso caro Billy, hmm?”

“O rapaz chama-se Camille e—” Cameron ia continuar, mas foi interrompida por Devon que quase tropeçou numa banca de bijuteria montada no chão do mercado.

“Camille?”

“Sim, eu sei que é nome de menina, mas—” Bill começou a explicar, mas Devon interrompeu-o também a ele com um “Ai, não posso!” muito agudo seguido de uma expressão completamente escandalizada, o que para Devon poderia significar que ele estava apenas espantado. Exagero nas emoções era uma especialidade dele. Bill revirou os olhos e fixou-o com um olhar inquisidor.

"Billy, desculpa lá, mas eu estou parvo para a vida, ok? Dá-me um momentinho só enquanto eu me recomponho... Ok, estou recomposto, agora conta-me lá. Camille Coxon, uh?"

"Sim, Camille Co--Hey! Como é que sabes o último nome dele?" Bill perguntou quando reparou que não lhe tinha chegado a dar esse pedaço de informação. Foi então a vez de Devon revirar os olhos e lançar-lhe um sorrisinho altivo.

"Hello? Ele é lindo, completamente fab e muito, MUITO GAY. Achas que eu não o ia conhecer?"

"Devon..."

"Oh, está bem, pronto!” ele exclamou quando notou que Bill não se estava a deixar levar pelo seu discurso. “Também tivemos uma coisinha. Ele é um bocadinho putinha, Bill, mas já deves ter percebido isso, suponho."

Bill sorriu friamente. "Sim. Agora sim."

"E então, como foi?" Devon perguntou com um sorriso predador, com certeza mortinho por saber detalhes escabrosos. Então ele já não tinha andado lá a dar umas voltinhas? Para que é que precisava de uma descrição, podia imaginar tudo, com certeza que não ia diferir muito da realidade!

"Não te vou contar, é pessoal!” foi a resposta que ele recebeu, mas Bill não conseguia resistir aquele olhar por muito tempo. “Ooh, está bem. Foi... insatisfatório. O sítio não era nada propício também e—” ele falou num tom cada vez mais incomodado, parte por estar a relembrar a experiência, parte por estar na presença do irmão que por alguma razão transcendente era a única pessoa à frente da qual ele tinha problemas em falar nas suas relações amorosas. Devon, porém, não tinha papas na língua e começou logo a contestar os seus pobres argumentos que até ele tinha dúvidas se eram credíveis ou não.

"Oh Bill, não me venhas com coisas. Quando uma pessoa está mesmo interessada em alguém, a última coisa que vai pensar é no sítio onde estão. E então, conta-me lá quem mais é que está a ocupar essa tua cabecinha."

E foi aí que Bill olhou para o chão com uma expressão incomodada e Tom deixou de olhar para o chão e se voltou para o irmão. Outro? Será que era o amigo do Devon, ou até—

"Ninguém!” Bill exclamou, não fazendo contacto visual com ninguém para não se denunciar. “O que é que te deu essa ideia?"

"Além do facto do Camille ser lindo, culto, e ter um talento especial para apreciar um bom sarcasmo, o que o torna um dos rapazes mais perfeitos para ti que conheço, e mesmo assim tu o teres mandado dar uma volta?" Devon enumerou com uma expressão penetrante, quase tão penetrante como aquele olhar que a Cameron lhe dava sempre que duvidava dele.

"Ah é? Então se ele é assim tão perfeito porque é que nunca nos apresentaste?"

"Porque ele também é perigoso. Ele podia muito bem usar-te e deitar-te fora e pelo caminho levar o teu coração por arrasto. Não serias o primeiro."

"Tu... foste um deles?" Cameron perguntou ao rapaz que pela primeira vez parecia um bocadinho incomodado com o assunto. Devon voltou a sorrir e levou uma mão ao peito.

"Oh Cam, por favor, achas mesmo que EU me ia deixar levar por aquele pirralho? Tu já me conheces, eu posso parecer esta bolinha de energia com uma cabeça de vento, mas ao contrário do Bill, eu VEJO muito bem as pessoas."

"Que seja.” Bill anunciou, já com uma carinha amuada que fez Devon sorrir ainda mais. “Ele não me levou nada 'por arrasto', fica descansado."

"Eu estou descansado. Quanto ao Camille estou. Agora quanto a esse outro rapaz que tu não queres admitir que existe é que já tenho as minhas dúvidas. Mas bom, se a interrupção por obra do belo plano do Tom e da Cam foi para o melhor, vou-os poupar a ambos de levarem um bom sermão, sim?"

Tom deu um sorriso ao rapaz e Cameron agarrou-o pelo braço e deu-lhe um beijo repenicado na bochecha. Devon retribuiu com um abraço e os dois continuaram agarrados pelo mercado fora, enquanto que Tom observava o ambiente novo à sua volta e Bill continuava amuado.

Hmph. Não existe outro rapaz. Nem em sonhos!


1) San Francisco é conhecida como a cidade de sonho para qualquer homossexual, principalmente porque possui um dos maiores bairros gay do mundo. Além disso, pertence ao estado da Califórnia, um dos poucos estados dos USA em que o casamento homossexual é permitido.

2) Em Londres existem banquinhas de rua que vendem batatas recheadas com uma variedade de ingredientes. Pelo que dizem são deliciosas e quando lá for irei provar uma, sem dúvida xD

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIV) 1/3   Seg Dez 15, 2008 7:42 pm

Título: London Calling (Cap. XIV)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: (Lots of) -
Classificação: PG-17
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.] + para a Colette Coxon usei uma foto da modelo Porphyria, agência Wicked Talent.

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XIV

Os quatro amigos que já tinham dado uma volta pelo mercado estavam agora no Elephants Head(1), um pub em Camden à frente do edifício da MTV, rodeados por pessoas de todos os gêneros e feitios, literalmente. Tom, habituado a uma vida pacata nos subúrbios de Chicago, nunca tinha visto nada assim. Ele, que sempre tinha sido uma “ave rara” no ambiente em que se movimentava, sentia-se a pessoa mais normal ali. Penteados, maquilhagem, piercings, roupas, tudo era interessante e diferente do que estava habituado a ver. Tão distraído estava que acabou por se excluir da conversa, por isso foi surpreendido pelo tom de voz elevado que Devon usou para se fazer ouvir sobre a música que lá tocava às alturas em plena tarde.

“Importam-se de dar um saltinho comigo à loja do Theo?”

Bill, outro distraído, mas por razões completamente diferentes – o ar fascinado que Tom tinha na cara desde que chegaram ao mercado era simplesmente adorável – observou o amigo com uma expressão curiosa. “O Theodore tem uma loja aqui em Camden?”

“Não tem uma loja. Trabalha numa loja.” Devon explicou com um sorriso completamente babado. “Fica uns metros a seguir à Cyberdog(2). É uma Body Art Shop. Ele é aprendiz do Tattoo Artist e a irmã do Camille faz piercings.”

Bill deu por si a arregalar os olhos de espanto. “A irmã do Camille? Bem me parecia que tinha de haver uma explição mais lógica para tu o conheceres...”

Devon deixou-se levar pelos seus instintos mais infantis e apresentou-lhe a língua, fazendo Bill retribuir na mesma moeda e Tom já estava a ver a coisa a dar para o torto com AQUELE piercing ali—

“Sim, a irmã do Camille. Mademoiselle Colette, aposto que aqui a nossa Cameron já ouviu falar dela, n’est pas?”

Pela expressão dela, era obvio que ela já a conhecia, e não pelas melhores razões. “Colette, the Cunt Collector.” ela falou com um tom de voz vagamente misterioso, como uma criança que conta uma história de terror. “Pode-se dizer que também já faço parte da colecção há coisa de dois anos. Ela ainda era nova na cidade quando a conheci, muitas aspas no conheci, note-se, mas pelo que ouvi ela já andou a correr grande parte da população feminina de Londres desde então, lésbica, bissexual e algumas heteros!”

Devon deu um risinho e abanou a mão na direcção da amiga. “Ah, vais dizer que nunca comeste uma hetero.”

Cameron pareceu ficar atrapalhada pela primeira vez na tarde—não, pela primeira vez em MUITO TEMPO, mas recuperou rápido. “Não propriamente, não...”

Bill lançou-lhe uma expressão que dizia com todas as letras ‘Eu sei que estás a mentir.’ e Tom observou aquela troca com interesse. Porém a rapariga pareceu ser abençoada pelos céus que lhe resolveram dar um plano de escape. Segundos depois estava ela a bater no vidro do pub até que uma rapariga loira que ia a passar na rua virasse a cara. Era Julie, que quando os viu a todos sorriu e voltou para trás, entrando pela porta do pub com um sorriso ainda maior.

“Hey!”

“Julie!” Cameron exclamou, levantando-se para envolver a amiga – Ou algo mais? – num abraço forte. “Não estava à espera de te encontrar aqui!”

A rapariga continuava com aquele sorriso doce tão característico dela e puxou uma cadeira para se sentar com o resto do grupo. “Vim fazer umas compras. Então e vocês?”

“Estamos a pensar em ir à loja de Body Art onde o namorado do Devon trabalha.” Cameron explicou, voltando também a sentar-se na sua cadeira. “Acompanhas-nos?”

A rapariga fez uma cara e não pareceu muito animada com a ideia. “What, aquela acima da Ciberdog?”

“Err, sim...”

“Oh não, o medo!” ela exclamou de repente, ao mesmo tempo com uma expressão cómica na cara, levando as mãos à cabeça e arregalando os seus enormes olhos cor-de-mel. “Cam, promete que te agarras a mim quando lá entrarmos! Não, melhor, posso-me agarrar a ti uh—”

Tom reparou que ela se estava a dirigir a ele, mas demorou um bocadinho para reagir. “Tom.”

“Isso, Tom. Posso? É que tipo, a Colette é—”

E aí ficou tudo explicado. Devon, Cameron e Bill desmancharam-se a rir, enquanto que Tom os observava com um sorriso na cara. Mas essa Colette era assim tão assustadora? Se bem que para ser irmã de quem é...

“Sim, nós sabemos Julie.” Cameron falou num tom de voz condescendente, colocando ao mesmo tempo um braço por cima dos ombros da outra rapariga. “Não te preocupes que está aqui gente suficiente para proteger a tua virtude.”

“A nossa!”

“Ah, doce Julie, a minha já a perdi há muito tempo! Mas obrigada pela preocupação, aquece-me o coração.”

Os risos do grupo ouviram-se pelo pub todo apesar do barulho e os cinco ficaram mais um pouco a conversar. Quando abandonaram o local ficou combinado que as duas raparigas eram fortes para encarar a fera que dava pelo nome de Colette, por isso coube ao Devon abrir caminho até à Body Art Shop onde o namorado trabalhava.

“Então vocês as duas já foram vítimas da Colette, certo?” ele perguntou quando já estavam a andar pela rua onde a loja se situava, ao que as duas raparigas suspiraram e assentiram com uma expressão resignada.

“Certo.”

“Oh God, parece-me que o ambiente vai estar tenso dentro daquela loja... Então se o Camille estiver lá, nem quero pensar...”

E foi aí que Bill estacou no meio da rua e começou a falar num tom de voz elevado, chamando atenção de algumas pessoas que iam a passar. “O QUÊ? Mas há a possibilidade de ele estar lá?”

“Claro, dear.” Devon falou como se fosse a coisa mais normal do mundo. O que não era! Bill estava prestes a matá-lo por não lhe ter dito uma coisa tão importante. Então e a Grande Fuga ao Camille? Missão abortada? Nem pensar! “Ele e a irmã moram juntos desde que ele veio fazer o Sixth Form para Londres. Nada de pais ou parentes chatos... deve ser o céu!”

“O Camille pode estar lá e tu só me avisas quando já estamos quase à porta da loja.” Bill falou lentamente, não era uma pergunta. Devon continuou com a sua atitude despreocupada, mas podia-se ver um pequeno sorriso maroto a tentar formar-se na sua cara.

“Ah, não avisei antes? Olha, escapou-se-me! Mas podes ficar à porta, Billy, niguém te proíbe!”

Bill respirou fundo e pensou seriamente no assunto, coisa que lhe levou uns, vá, 10 segundos. Mas bastou-lhe imaginar aquela expressão presunçosa e irritante do outro convencido para se decidir.

És homem ou não és homem, Bill? Encara-o, vá!

“Ah, que se lixe.”

E com isso Bill surpreendeu toda a gente e foi o primeiro a entrar pela loja adentro, fazendo com que uma campainha anunciasse a sua chegada.

Mal entrou, deu por si a olhar em volta instintivamente, procurando por algum sinal da presença da última pessoa que queria ver. Respirou fundo. Não estava ninguém do sexo masculino sequer, apenas duas clientes e uma rapariga atrás do balcão de cabelos negros com nuances verdes, provavelmente a irmã do Camille se os mesmos olhos azuis electrizantes fossem algum sinal. Colette sorria com todos os dentes para as outras duas raparigas, uma ruiva com o cabelo apanhado numa confusão de rastas de cabelo natural misturado com algumas coloridas e outra completamente vestida de preto com cabelos loiros tão longos que quase lhe chegavam ao fundo das costas. Bill conhecia aquele sorriso, mas de o ver numa outra cara. Era o sorriso predador que Camille lhe dava de cada vez que o seduzia. Sim, aquela era definitivamente a Colette.

“Uh, desculpem, só um momento. Hey, posso-te ajudar?”

Bill acordou dos seus pensamentos e olhou para a rapariga com um sorriso falso. Ia responder, dizer que não, que não precisava de ajuda, mas ela nem o deixou falar.

“Esperas só um bocadinho? Eu já te atendo, rapidinho, juro! Isto hoje está ocupadíssimo, não fazes ideia, não costuma ser assim, mas o dono da loja não pôde vir e tem sido complicado. O Theodore está lá atrás a fazer uns trabalhinhos simples, aquilo que ele já sabe, mas se queres uma tatuagem mais complicada hoje não vai dar... Mas espera, eu arranjo já alguém que te ajude, pelo menos podes ir vendo os catálogos ou tirar algumas dúvidas, não é?” ela falou muito rápido, e Bill podia ver que ela era definitivamente uma faladora. Ele nem teve tempo de dizer nada e a rapariga já estava a virar-se para a porta que dava para a sala onde provavelmente se faziam as tatuagens e a gritar pelo—

“Camille!”

NÃO! Bill só queria GRITAR, dizer-lhe que POR FAVOR não chamasse aquele idiota que dava pelo nome de “Camille! Vien ici, chéri! Tenho aqui um cliente que precisa de ajuda mas eu estou ocupada com umas meninas e—”

“E desde quando é que tu não estás ocupada com meninas, mon coeur?” soou a voz sarcástica que Bill queria nunca mais ouvir na sua vida se fosse possível. Principalmente porque ainda o deixava um bocadinho incomodado. Damn it. Mas o pior é que segundos depois ele, Camille Coxon, estava ali, do outro lado do balcão, a olhar para a irmã, completamente ignorante da sua presença. “Além disso eu venho para aqui para matar tempo, não para fazer o TEU trabalho. Partilha mais o teu ordenado com o teu querido irmão e talvez eu pense no teu caso, estamos entendi—”

E foi aí que Camille FINALMENTE notou a presença do outro rapaz dentro da loja, seguido por um grupo de pessoas que não lhe eram nada estranhas a entrar pela porta. Os seus olhos arregalaram de surpresa.

“É claro que podemos sempre fazer excepções, não é verdade?” ele acabou por dizer quando se recompôs, caminhando apressadamente na direcção de Bill até o encarar frente a frente. E ele nem teve tempo para reparar no que estava a acontecer até ser puxado para trás do balcão e para dentro da sala de onde o outro rapaz tinha saído.


- - -


Todos os presentes na loja observaram, surpresos, Bill a ser puxado porta adentro contra a sua vontade pelo outro rapaz.

“O que é que foi aquilo?” Devon perguntou segundos depois, apontando para a porta fechada atrás de Colette. Tom também não sabia o que é que tinha sido aquilo, mas não estava a gostar nada. Tanto não estava a gostar que já estava pronto para ir atrás daquele idiota metido a francês e—“Nu-uh, fica. Nem penses que vais voltar a repetir a proeza de segunda-feira, Tommy! Aqueles dois precisam de falar.”

“Mas—“

“Nem mas, nem meio mas!” Devon finalizou, caminhando logo de seguida em direcção ao balcão. “Colette, dear, como vai? Podia chamar o Theodore para mim, por favor?”

Colette deu-lhe um sorrisinho coquete. “Neste momento creio que seja impossível, meu caro. O seu amado está ocupado com uma... tarefa de extrema importância.”

“Tudo bem, eu espero.”

“E esperas em muito boa companhia!” Colette disse num tom sugestivo, já de olhos postos nas duas raparigas que tinham acabado de entrar na loja. “Eu não vos conheço?”

Cameron e Julie tiveram de se controlar para não lhe lançarem um olhar de ‘Deves estar a gozar com a minha cara’. Em vez disso, Cameron respirou fundo e deu-lhe um sorrisinho falso. “Eu sou a Cameron e ela é a Julie. Penso que te conheci à coisa de dois anos se não estou em erro. Até te dava o meu número de referência, mas não sei como é que manténs o registo de todas as tuas relações furtivas, por isso não te posso ajudar.”

“Eu penso que devo estar algures entre o 330 e o 450.” Julie rematou, dando-lhe de seguida um sorrisinho doce e inocente que de honesto tinha pouco. Colette olhou-as a ambas com uma expressão completamente ilegível por longos momentos, até que desatou a rir às gargalhadas.

“Oh, God!” ela exclamou tentando controlar o riso. “Nunca ninguém tinha sido tão... honesto comigo. Sabem que mais? Eu gosto de vocês.”

Cameron e Julie olharam-se com expressões preocupadas. Aquilo não estava a correr muito bem! Finalmente Cameron resolveu por em prática o seu plano de emergência, agarrando-se a Julie como se a sua própria vida dependesse disso para surpresa da outra rapariga.

“Sim, eu também gosto muito dela!” ela disse do nada, mas mesmo assim lá conseguiu ser convincente. Colette arregalou um pouco os seus olhos carregados de maquilhagem e arqueou uma sobrancelha, também essa furada assim como o nariz e o lábio inferior.

“Oh, vocês as duas são namoradas?”

“Não!” Julie exclamou, ao mesmo tempo que Cameron dizia “Sim!”. Colette apenas continuou a olhar para as duas raparigas que estavam agora um bocado atrapalhadas, mas Cameron conseguiu mais uma vez disfarçar, puxando ainda mais a outra rapariga para junto de si, de tal forma que as duas clientes que estavam ao balcão soltaram uns risinhos histéricos como se estivessem a observar a coisa mais adorável que alguma vez tinham visto.

“Sim, estamos competamente apaixonadas.” Cameron continuou, usando todo o seu poder de improviso. “Já andamos juntas há... um ano! E somos muito ciumentas! Nada de relações a três ou... threesomes. Nope. Nem pensar!”

“Certo...” Colette assentiu, continuando a observar as duas raparigas com uma expressão estranha, mas nem por isso contestando o que Cameron tinha acabado de dizer. Quando se voltou a dirigir às duas clientes que estava a atender, Cameron e Julie puderam finalmente respirar de alívio.

Enquanto isso, Tom e Devon estavam a fazer o melhor que podiam para não se desmancharem a rir na cara delas.

CONTINUA...

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Última edição por ritalavalerie. em Seg Dez 15, 2008 7:44 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIV) 2/3   Seg Dez 15, 2008 7:44 pm

Continuação - Cap. XIV (2/3)

“Precisamos de falar.” foi a única coisa que Camille disse quando finalmente fechou a porta atrás de si e Bill já estava pronto para ficar chateado, MUITO CHATEADO, porque como é que ele se atrevia a—

“Bill!”

“Oh hey, Theo. Tudo bem?” ele perguntou ao rapaz que estava sentado ao fundo da sala, provavelmente a trabalhar na tatuagem do outro miúdo sentado a seu lado com uma infinidade de piercings na cara que rivalizavam os da Colette – e provavelmente tinham sido feitos por ela.

“Não te metas, Theodore!” Camille gritou-lhe para logo de seguida voltar a encarar Bill com uma expressão decidida. Mas Bill não estava para o aturar, por muito que aqueles olhos o afectassem! Não, ele ia virar-se para ele e dizer-lhe que nunca mais o queria ver na vida e que ele era um idiota chapado e—

“Desculpa.”

Ok, ele não estava à espera daquilo. Camille tinha cara de tudo menos de alguém que pedisse desculpas.

“De quê?” Bill acabou por perguntar com ar suspeito, e Camille deu por si a olhar para o chão, as palavras a falharem-lhe pela primeira vez em muito tempo.

“Eu... eu sei lá! Tu foste um idiota, eu fui um idiota, fomos os dois, mas porra, precisavas de cortar comigo assim?” ele perguntou com uma expressão quase desesperada, surpreendendo o outro rapaz que não estava à espera dessa reacção. “Quer dizer, eu pensava que tu querias aquilo, li mal os sinais, admito, mas o que me disseste antes de ir embora doeu, ok? E o facto de me teres evitado nestes últimos dias também não ajudou nada, e tu sabes bem disso. A mim não me importa se não queres mais nada comigo, ou se preferes o tipo do guarda-chuva ou se queres ficar virgem para o resto da vida, mas o que eu sei é que não vou abrir mão da única pessoa decente que conheci naquela escola só por causa daquela ninharia, estamos entendidos?”

Bill observou-o por longos momentos, ponderando no que tinha acabado de ouvir. Mas desde quando é que ele tinha sido um idiota? Ok, talvez ele tivesse exagerado um bocadinho. Talvez. Mas não lhe ia dar a satisfação de admitir isso assim tão rápido, não, nem pensar. Camille continuava a olhá-lo com aqueles olhos azuis penetrantes e a tensão naquela sala era palpável—

—até ser cortada por palmas e um assobio vindos da direcção do aprendiz de tatuador. “Aí, grande Camille!”

“Eu já disse para não te meteres, Theodo—”

“Tudo bem.” Bill interrompeu, silenciando os dois rapazes de uma vez.

“O quê?” Camille perguntou e Bill voltou a repetir a resposta.

“Eu disse, tudo bem. Mas nada de me tentar comer outra vez, ok?”

Camille deu-lhe um enorme sorriso e conteve-se para não o abraçar. “Nem um bocadinho?” E aquela expressãozinha provocante estava de volta. Mas o rapaz não tinha emenda mesmo?

“Não. Nem um bocadinho. Estou muito bem sozinho, obrigada.” Bill anunciou, mentindo com todos os dentes até a si próprio, mas longe de admitir a verdade. “Agora vamos embora daqui que já lhes demos espectáculo suficiente.”

“Hey, não se prendam por nós! Aposto que aqui o Jimmy também não se importa, não é puto?” Theodore deu uma palmada no ombro do outro rapaz, fazendo com que ele gritasse de dor visto que era aí que a tatuagem de uma estrela estava a ser feita. Theodore desfez-se prontamente em desculpas e concentrou-se em continuar o seu trabalho, e com isso deu uma oportunidade aos outros dois rapazes para escaparem dali.


- - -


“Então e o que é que aquele rapaz teve com o meu irmão exactamente?” Colette perguntou já depois das duas clientes se terem ido embora com a promessa de voltarem no dia seguinte. Devon estava sentado em cima do balcão com a perna cruzada, Tom apoiava o seu cotovelo na mesma superfície, e Cameron e Julie continuavam de pé, agarradas e definitivamente LONGE da outra rapariga, não fosse o diabo tecê-las.

“Parece que os dois tiveram um ‘percalço’ numa casa-de-banho pública na segunda-feira.” Devon respondeu claramente, habituado à relação completamente aberta e à ausência de segredos entre Colette e Camille. A rapariga soltou um risinho e lançou-lhe uma expressão atrevida.

“Uh-uh, estou a ver. E quando é que se conheceram?”

“Segunda-feira.”

“Esta?” ela voltou a inquirir, cada vez mais sorridente. Quando Devon lhe deu um olhar que confirmou as suas suspeitas, Colette desmanchou-se a rir. “A-ah! É assim mesmo! Também tem a quem sair, não é verdade?”

Devon deixou escapar um riso seco e um sorrisinho falso. Ai não me digas, filha.

“Sim, isso realmente não contesto.”

Tom que tinha estado a ouvir a conversa podia pensar numa ou duas razões para contestar o comportamento do outro rapaz. A começar pelo descaramento dele, passando pelo facto de que tentou corromper o Bill e acabando naqueles olhinhos que eram azuis demais para o seu gosto. Sim, havia muita coisa errada com ele e Tom estava certo de que Bill nunca iria fazer as pazes com ele. Absolutamente.

“Está tudo resolvido!” uma voz masculina anunciou para todos os presentes na loja, acordando Tom dos seus pensamentos, e qual é a sua surpresa quando não só tinha sido o outro idiota a dizê-lo, como também tinha sido ele a pôr aquele sorriso na cara do Bill. Sim, aquele sorriso que era atractivo demais para ser verdade, e que até àquele momento só ele, Tom, o irmão gémeo do dono daquele sorriso, é que o tinha conseguido colocar naquela cara. E por mais que ele tentasse encontrar uma razão plausível, porque tinha de haver uma, para aquele aperto no estômago que o estava a deixar extremamente desconfortável, Tom estava sem ideias.

Restou-lhe amuar secretamente e não dizer palavra até que o Theodore chegasse para dar atenção ao namorado e eles pudessem finalmente ir embora. E levar o Bill. Sim, porque eles moravam na mesma casa. E dormiam no mesmo quarto.

Suck on that, asshole.

CONTINUA...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIV) 3/3   Seg Dez 15, 2008 7:56 pm

Cotinuação - Cap. XIV (3/3)

O caminho de volta a casa foi silencioso. Tão silencioso que Bill já estava a estranhar, não porque Tom fosse de falar muito, isso cabia-lhe a ele, mas porque o outro rapaz estava claramente a evitar proferir uma palavra que fosse. Após terem deixado Cameron à porta do seu prédio e de mais uns metros num silêncio cada vez mais tenso, Bill decidiu que não ia aguentar nem mais um segundo sem saber o motivo de todo aquele amuo.

“O que é que se passa?”

Tom virou a cara repentinamente, como se estivesse a acordar de um pensamento especialmente profundo, e fixou-o com um olhar confuso. “O quê?”

“Não, te faças de desentendido, Tom.” Bill disse numa voz firme, controlando-se para não lhe apontar um dedo acusatório. “Desde que saímos da loja que não dizes uma palavra. Não, minto, desde que saímos do Elephants Head que não dizes uma palavra! O gato comeu-te a língua, foi?”

Tom não respondeu, apenas virou a cara mal Bill lhe sorriu para tentar acalmar os ânimos, fazendo com que ele ficasse ainda mais irritado com aquela situação.

“Não me apeteceu falar, pronto.” ele acabou por dizer, suspirando logo de seguida. Algo não estava bem e Bill estava cada vez mais intrigado.

“Mas passa-se alguma coisa, eu sei que sim. Tu estás estranho. Triste. Não sei bem dizer.”

Tom acelerou o passo e voltou a falar sem olhar para trás “E do que é que isso te interessa? Não estás feliz com o teu namoradinho de volta? Aquele que era um idiota e um indecente, mas que mesmo assim tu voltaste para ele? Para que é que queres saber da minha felicidade? Nós conhecemo-nos há quê... duas semanas, três no máximo?”

Quando Tom finalmente parou de falar e continuou com os olhos presos na rua à sua frente, Bill reparou que tinha parado de andar e que estava a ficar para trás. Rapidamente ordenou aos seus pés que se movessem e tentou não deixar que a sua cabeça o traísse. Mas por mais que tentasse não conseguia apagar da sua mente aquela vozinha irritante que lhe dizia ‘Ele está com ciúmes, ele está com ciúmes!’, nem que ele contra-atacasse com argumentos como, ‘Ele só está com inveja, não do Camille, mas de ti por teres alguém e ele não. Se bem que tu não tens ninguém. Porque tu e o Camille não são namorados, graças a Deus e a todas as divindades. Whatever.’

“Não me digas que estás com inveja!” ele acabou por falar em voz alta quando alcançou o outro rapaz que caminhava à sua frente, porque sinceramente das duas opções era a mais plausível. Mal acabou de falar, Tom lançou um “ah!” para o ar e voltou-se para trás, observando-o com uma expressão indignada.

“Eu, inveja? De quem?”

Bill imitou a expressão do irmão e colocou uma mão na anca, dizendo “Do Camille é que não é de certeza.”, mas ao mesmo tempo desejando com todas as suas forças que fosse, mesmo que nunca o conseguisse admitir em voz alta. Tom deu duas risadas falsas e voltou-se outra vez, caminhando na direcção do prédio onde os dois moravam.

“Ah, ah, que piada. E não, não tenho inveja de ti. Ficas a saber que aqui o Tom pode ter qualquer miúda que quiser, quando quiser, onde quiser.”

“Ah é?” Bill perguntou com uma sobrancelha arqueada e o lábio superior levantado numa expressão que dizia com todas as letras ‘Conta-me outra, por favor.’

“Estou-te a dizer!” Tom insistiu, tentando ignorar aquela carinha arrogante que em qualquer rapariga o deixaria irritado, mas que no irmão só o deixava ainda mais confuso. Mas Bill não o deixou em paz, oh não.

“Então porque é que ainda não engataste nenhuma miúda lá na escola ou na noite, posso saber?”

Bom, aí estava um grande problema. Tom não fazia a mínima ideia do que é que se passava com ele. Normalmente por esta altura ele já tinha saído com pelo menos umas duas ou três raparigas e uma delas provavelmente ia acabar por ir com ele para a cama, mas desde que chegara a Londres que qualquer ideia que envolvesse outro espécime do sexo feminino tinha voado da sua cabeça, salvo a excepção de várias raparigas bonitas que viu pela rua. Mas isso já era parte dele, algo que fazia sem pensar.

“Não vais responder outra vez?” Bill voltou a perguntar com aquele sorrisinho maldoso. “Pois eu acho que essas tuas roupas escondem demasiado o que está por baixo, e é por isso que tu não consegues que nenhuma miúda se faça a ti. As londrinas devem gostar de ver o pacote todo, não achas?”

Tom não pôde evitar que uma gargalhada escapasse da sua boca. “Quê, achas que o meu ‘pacote’ é de boa qualidade e não devia ser escondido por roupas largas? Não sabia que tinhas andado a espiar-me, maninho.”

Ok, esta bateu mesmo à porta., Bill pensou enquanto tentava manter uma expressão impávida e serena, mesmo que o seu coração batesse a mil à hora.

“Claro que não. Mas nós somos gémeos, não é verdade? E eu sei muito bem o que tenho.”

Tom apenas continuou a rir, embora fosse apenas para descarregar o nervoso miudinho que tinha acumulando desde que aquela conversa começou. “Tu? Tu és muito mais magro que eu. E tens um cu de gaja.”

Bill abriu a boca e levou a mão ao peito. Como é que ele se atrevia? A única coisa que salvou Tom de levar uma estalada na cabeça foi o facto de que já estavam à porta do prédio e era ele quem tinha as chaves.

“Eu não tenho um cu de gaja.” Bill falou quando entraram no elevador. Tom deu-lhe um sorrisinho maroto e baixou a cabeça, olhando na direcção do rabo do irmão e silenciosamente agradecendo o facto de ele não estar de costas. Ou amaldiçoando. Tom ainda estava por decidir isso.

“Tens sim!”

“Não tenho nada.”

“Tens!”

Quando entraram pela porta, a discussão continuava e só parou para ambos os rapazes cumprimentarem Simone e Gordon. Mal fecharam a porta do quarto que ambos partilhavam, Bill colocou-se à frente do espelho gigante cravado na porta do guarda-roupa e sem qualquer aviso, baixou as calças, ficando ali de boxers a olhar para o seu próprio rabo.

Tom engoliu em seco.

“O que é que estás a fazer?”

“Eu disse que não tinha cu de gaja! Vês? Anda cá e desce as calças.”

“O QUÊ?” Tom quase que gritou, mas tentou controlar-se um bocadinho. Afinal não seria muito agradável se os outros dois residentes da casa entrassem pelo quarto adentro e os encontrassem ali de calças na mão. Literalmente.

“Não me vais obrigar a repetir-me, vais?” Bill falou com um ar tão casual que Tom demorou uns segundos para processar o que tinha acabado de ouvir. Finalmente, e já farto daquele joguinho, Tom colocou-se ao lado do irmão e baixou as calças, ficando também ele de boxers a tentar ver o seu próprio rabo. Deviam fazer um belo par, não haja dúvida.

“E então, encontras alguma diferença?”

Tom tentou observar o rabo do irmão de uma forma absolutamente estética e DEFINITIVAMENTE não o associando ao resto do pacote, e a sua opinião manteve-se.

“Olha bem, Bill. Olha e diz-me se o teu rabo ao lado do meu não parece um rabo de gaja.”

Bill voltou-se para ele, indignado, e de seguida voltou a observar ambos os traseiros reflectidos lado a lado na superfície do espelho.

“Tu estás é a ver coisas.”

“O quê? EU estou a ver coisas? Vá lá, Bill, tens que concordar comigo. Ainda para mais com essa t-shirt justa e o cabelo comprido! Parece MESMO um rabo de uma gaja.” Tom falou com uma convicção imensa, ou se calhar era ele que estava a tentar convencer-se a si próprio de que a única razão porque estava a gostar tanto de olhar para o rabo do irmão era porque há muito tempo que não observava o rabo de uma rapariga tão... abertamente. Claro.

“Não parece nada! Só dizes isso porque estás a compará-lo com o teu e é claro que com essa t-shirt que basicamente o cobre...”

“Tudo bem, eu tiro a t-shirt!” Tom anunciou e alguma coisa no cérebro do outro rapaz gritava ‘Horray, Tom sem camisola!’. Bill fez o melhor que pôde para ignorar isso e o estado de semi-nudez em si, embora o último tenha sido practicamente impossível. “E agora? Já achas que é por causa da camisola?”

Bill viu-se obrigado a concordar. O rabo do irmão parecia muito mais masculino que o seu apesar de ambos serem de proporções practicamente idênticas.

“Deve ser da tua... aura.” Bill acabou por anunciar, mas continuando a não concordar em voz alta. Tom sentou-se na cama, ainda com as calças pelos joelhos, e riu-se.

“Aura? Qual aura?”

“Essa tua aura de... masculinidade. Aquela que diz que provavelmente cheiras a cavalo e arrotas que nem um porco.”

A vaidade de Tom que tinha aumentado imenso com o comentário anterior, desapareceu com a última frase que Bill proferiu, dando lugar a uma expressão indignada. Mas Tom não a conseguiu manter por muito tempo visto que segundos depois estava a rir outra vez.

“O quê? Tu sabes muito bem que eu não cheiro a cavalo!”

“Ah cheiras sim!” Bill retorquiu, caminhando em direcção à prateleira onde mantinha os seus perfumes. “Aliás,” ele continuou, pegando discretamente numa garrafa “acho que precisas de levar um banho de perfume!”

E em segundos Tom estava a rebolar pela cama para se defender dos ataques perfumados do irmão. Tanto rebolou que acabou por cair no chão e teve que se livrar das calças, para logo a seguir se levantar e pegar no seu próprio frasco de perfume, atacando o outro da mesma forma.

Bill guinchou um bocadinho e fugiu pelo quarto, também ele tirando as calças para poder correr mais livremente. Porém o espaço era pouco e os dois acabaram a usar as camas como muralhas de defesa e campo de batalha.

“Pára, pára, já chega!” Bill gritou, mas Tom não parava, como sempre. Com isso, Bill acabou por se distrair e quando deu por si, Tom já estava de pé na mesma cama que ele, lançando sprays frios e perfumados para dentro da sua t-shirt. Apenas lhe restou lançar-se para cima dele até que os dois caíssem em cima da cama e o perfume ficasse preso entre ambos os corpos. Quando isso aconteceu, Bill exclamou em triunfo.

“Aha! Agora quem é que vai pedir misericórdia, uh?” e com isso deu um último spray atrás da orelha do irmão. Tom foi apanhado de surpresa e tentou puxar o braço das garras do irmão para retribuir, mas Bill apenas fez mais peso para prender o frasco entre as duas barrigas.

O que ele não estava à espera de encontrar era uma saliência um pouco abaixo da dita barriga. Pelo menos não tão... proeminente.

Enquanto que Bill ficou dividido entre fugir, ficar completamente histérico ou pressionar ainda mais para voltar a sentir o arrepio que percorreu a sua espinha quando o fez a primeira vez, Tom estava definitivamente a entrar em pânico. Bill conseguia sentir a respiração do irmão a aumentar de velocidade e a tornar-se cada vez mais profunda, bafos irregulares a acariciar os seus lábios. E foi aí que Bill decidiu que ia aproveitar aquela situação ao máximo.

“Oops, parece que o pequeno Tom acordou.”

“Isto não é o que parece.” Tom falou, fechando os olhos e tentando culpar todo aquele movimento contra as suas partes baixas, aliado a muita falta de sexo, como razão para tal acontecimento completamente inexplicável. Bill apenas lhe deu um sorrisinho maroto e sussurrou-lhe ao ouvido.

“Claro que não. Eu compreendo-te, Tommy. Todos nós temos as nossas necessidades não é? Se quiseres eu até te... dou uma ajudinha. Não é isso que os irmãos fazem?”

Tom parou qualquer movimento, todos os seus músculos cada vez mais tensos, e abriu um olho devagar. “Sempre me disseram que eram os primos.”

“Vai dar tudo ao mesmo.” Bill murmurou, e Tom tinha a certeza que conseguia senti-lo a revirar os olhos. “E como estamos ambos descomprometidos...”

“E o Camille?”

“Ficamos só amigos.”

Tom controlou-se para não suspirar de alívio e concentrou-se na ideia completamente surreal do irmão. Sim, porque aquilo não lhe podia estar a acontecer. Mas estava. Estava tão a acontecer que o fez entender que a coisa que ele mais queria naquele momento era que Bill avançasse com o seu plano maluco de ‘ajuda mútua’ entre irmãos. Como se tal coisa existisse!

“Tom?” a voz de Bill voltou a soar tão perto do seu ouvido que ele não pode evitar o tremor que lhe percorreu o corpo. “Essa garrafa está a começar a magoar-me. Se a tirares daí e não me atacares com ela, eu ajudo-te com o teu... problema. Temos um acordo?”

Tom queria dizer NÃO, porque era a coisa mais acertada a fazer, mas uma mordidela na orelha ajudou-o a decidir. Sem dizer uma palavra, apenas assentiu uma vez, e isso foi necessário para que Bill levantasse um pouco o tronco, mas nunca totalmente, mantendo aquela fricção que o estava a deixar completamente louco. E pelos vistos não era ele o único que estava a gostar.

“Tu também estás.” Tom falou sem pensar depois de atirar o frasco para a outra cama. Bill pareceu um pouco atrapalhado até voltar à sua faceta atrevida, mas foi o suficiente para Tom perceber que não era o único a sentir-se nervoso. E isso deixou-o ainda mais excitado. Merda.

“Estou o quê?” Bill perguntou, fazendo-se de desentendido, mas ao mesmo tempo empurrando a sua erecção contra a do irmão, fazendo o que já queria ter feito quando acordou com a mesma a pressionar contra o seu rabo. Tom gemeu baixinho e não se preocupou com responder. “Lindo menino.”

Tom ainda pensou em dizer qualquer coisa inteligente em relação àquele último comentário, mas qualquer palavra ficou-lhe presa na garganta quando Bill mudou de posições e tocou-o por cima dos boxers, sorrindo quando ouviu uma arfada a abandonar a sua boca. E aquele olhar atrevido... Tom tinha a certeza que era capaz de ir ao céu e voltar só com aquele olhar. Mas mais eficaz ia ser sem dúvida a mão do dono desse olhar, que brincava com o elástico dos seus boxers enquanto que a outra passeava por entre as suas pernas, sempre perto, mas nunca o tocando onde ele mais desejava.

“Vais parar de provocar e despachar-te com isso?”

Bill deu um risinho adorável e parou de mover as mãos, sendo que uma ficou pousada mesmo no interior da sua cocha e outra na barriga.

“Ah, afinal já queres?”

“Eu larguei o frasco, não larguei?” Tom ripostou, impaciente, controlando-se para não elevar as ancas porque isso iria parecer um acto de completo desespero. E ele não estava desesperado!

“Hmm, tens razão.” Bill respondeu, e sem qualquer aviso enfiou uma mão dentro dos boxers do irmão, fazendo-o gemer mais alto do que devia. “Ssh, não faças barulho.”

Tom ia dizer ‘Estou a tentar.’ mas nenhuma palavra abandonou a sua boca. Em vez disso, concentrou-se em respirar fundo e controlar os gemidos incoerentes que queriam fazer-se soar. Enquanto isso, Bill continuou a tocá-lo, não resistindo a baixar a cabeça e cobrir o seu peito nu com beijos. Tom estava tão extasiado que nem contestou tal acto de carinho, contentando-se em acariciar os cabelos do irmão de volta. No início ainda tentou pensar que quem lhe estava a fazer aquilo era uma rapariga com longos cabelos negros, mas rapidamente percebeu que aquela situação, aquele momento, com aquela pessoa, era o que o estava a levar à loucura.

Quando por fim Tom se deixou levar pelo prazer, foi o nome do irmão que escapou dos seus lábios num último suspiro.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIV) - notas   Seg Dez 15, 2008 7:56 pm

1) Pub muito bom e bem frequentado em Camden, mesmo à frente do edifício da MTV. (exterior)

2) Uma marca de roupa cyber, muito famosa em Camden pela decoração obscura da loja, apenas iluminada por luzes neon e pelas roupas.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XV) 1/3   Seg Dez 15, 2008 7:58 pm

Título: London Calling (Cap. XV)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.]

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XV

Os dias que se seguiram foram um inferno.

Não, correcção, as semanas que se seguiram foram um purgatório com a promessa de um inferno que ainda estava para vir.

Enquanto que Tom não conseguiu dormir porque o cheiro do perfume do irmão parecia estar entranhado na sua colcha – onde tudo se tinha passado e ele ainda não queria acreditar que aquilo se tinha passado, gosh – Bill não conseguiu dormir porque sabia que o irmão também estava acordado e consequentemente punha-se a imaginar cenários em que Tom se levantava da cama num acto de pura frustração derivada de tensão sexual aguda e o atacava com beijos e quem sabe algo mais—para logo de seguida se bater mentalmente e tentar pensar noutra coisa que não fosse incestuosa, sexual, ou ambas.

Porém, os dias lá foram passando, e a falta de sono aliada à confusão que ia nas duas cabeças começou a dar ares de si.

Surpreendentemente, Cameron não foi a primeira a reparar na ruptura na relação dos gémeos, muito menos Simone que não poderia sonhar sequer com o que tinha acontecido. A surpresa foi um Camille Coxon, egocêntrico extraordinaire, que decidiu reparar em mais alguma coisa para além de si e das suas conquistas. O que viu deixou-o um bocadinho intrigado.

Ok, não intrigado. No início deixou-o com ainda mais certezas de que o rapaz do guarda-chuva era quem ocupava o coração do seu novo melhor amigo. O que o deixou mesmo intrigado foi o que aconteceu quando decidiu confrontar Bill com as suas observações.

“Então, tu e o rapaz do guarda-chuva ainda não foderam?” Camille perguntou com uma naturalidade surpreendente quando iam a sair da aula de Inglês na segunda-feira da semana seguinte. Tanta abertura para conversar sobre esses assuntos era completamente normal para ele, mas aparentemente Bill não estava habituado porque do nada ficou com uma expressão horrorizada, queixo quase a roçar no chão e olhos esbugalhados.

“Wah—fala mais baixo! Isso são coisas que se digam à porta de uma sala de aula?”

Camille apenas revirou os olhos e fitou o amigo com um olhar aborrecido, esperando resposta. Bill imitou o olhar que lhe era dirigido e respondeu com simplicidade.

“Não. Eu não ando a foder o rapaz do guarda-chuva, porque o rapaz do guarda-chuva – que já agora se chama Tom – é meu irmão. Gémeo. Satisfeito?”

Num espaço de segundos a expressão facial de Camille mudou de indignação, para surpresa e finalmente, choque.

“Tu andas enrolado com o teu irmão gémeo?”

Bill estava preparado para tudo, menos para aquilo. E faltava muito pouco para ele começar a ficar homicida. Não que Camille não estivesse a dizer a verdade – Foi só uma vez! – mas era completamente impossível ele saber disso, certo? Aquilo era só a imaginação completamente focada em sexo dele a fazer curto-circuito, só podia ser!

“Camille, eu acabei de te dizer que não o ando a fo—“

“Sim, sim,” Camille interrompeu, gesticulando com a mão para calar o outro rapaz. “eu percebi essa parte. Mas não me venhas dizer que a aura de tensão que vos rodeia nestes últimos dias é pura coincidência! Aliás, a Cameron deve andar mesmo no mundo da lua para não ter reparado, ok. A não ser que... por acaso o Tom não te apanhou a fazer coisas indecentes com o teu novo loverboy, pois não?”

“Mas qual loverboy, qual quê!” Bill explodiu, fazendo com que alguns alunos que iam a passar pelo corredor lhe dirigissem o olhar. Embaraçado, o rapaz lá se aproximou do amigo e baixou o tom de voz. “Eu já te disse que não tenho ninguém. Estou bem sozinho, sim? Tu é que andas a ver coisas.”

Camille arqueou uma sobrancelha perfeitamente esculpida enquanto que os seus lábios formaram uma linha estreita, como se ele se estivesse a controlar para não falar, falar, falar até que o outro rapaz finalmente desistisse de lhe mentir. Sim, porque ele não estava a acreditar em uma palavra sequer do que Bill lhe tinha dito. Ali havia gato.

“Quer dizer que me posso fazer a ele?”

“O Tom é hetero.”

“Oh. A sério?”

Nesse exacto momento, o mantra que ia na cabeça de Bill era qualquer coisa como: Não matarás, não matarás, não matarás...

E ele nem sequer era religioso.


- - -


Cameron foi a segunda pessoa a reparar que algo se passava. Tal coisa não lhe ia escapar durante muito tempo, e mal Bill sabia que o feitiço se ia virar contra o feiticeiro quando ele resolveu dar uma de melhor-amigo-preocupado. Ele devia era ter dado graças aos céus e a todas as divindades por ela ter andado mais distraída do que o normal naqueles dias, mas não, lá tinha ele de ir e estragar tudo com a sua atitude solidária e CORRECTA. E no final deu merda, pois claro.

“O que é que se passa contigo, Cam?” ele perguntou numa manhã de quinta-feira, quando estavam os dois no sofá da sala a estudar História enquanto que Tom tocava guitarra na garagem para não os incomodar. A matéria não era complicada, mas Cameron parecia estar noutro planeta e Bill já tinha perdido a conta às vezes que a tinha chamado à atenção. Ao ser inquirida, a rapariga apenas encolheu os ombros e sorriu ligeiramente.

“Nada de especial.”

“Claro, claro, e eu sou o vocalista de uma banda de sucesso.” Bill retorquiu num tom sarcástico. “Vá lá, Cam, eu já te conheço há muitos anos, não me venhas com essas respostas ambíguas. Se há coisa que eu não sou é ambíguo, sim?” Esse tipo de coisa deixa-se para certas pessoas que se dizem grandes garanhões, mas depois é o que se vê...

Após uns momentos de silêncio com ela a olhar pela janela da sala e Bill a olhá-la com ar impaciente, Cameron suspirou e lá se preparou para contar o que se passava.

“Outro dia... quando tu estavas a falar com o Camille, a Colette tentou fazer-se a mim e à Julie.” Cameron começou, revirando os olhos para constatar o óbvio da situação. “Então nós estávamos lá todas horrorizadas e tal, e eu tive a ideia de dizer à Mademoiselle que eu e a Julie éramos namoradas. Funcionou tudo muito bem, a Colette descolou rapidinho, mas nesse mesmo dia recebi uma chamada da Julie. Ela queria resolver a nossa situação, se é que me faço entender.”

Bill arqueou uma sobrancelha. “Mas qual situação?”

“Exacto, não há situação nenhuma. Mas ela queria que houvesse. Eu é que não posso retribuir os sentimentos dela, percebes? Ela ficou com ideias depois do que se passou na loja, mas eu simplesmente...”

Cameron apoiou a cara nas mãos e Bill aproximou-se dela, acariciando-lhe o ombro com a mão em movimentos suaves. “Eu sei que ela não é ‘a tal’.” Ele sussurrou ao ouvido da amiga. “Pensei que já tínhamos chegado a essa conclusão, querida.”

“Sim, já...” ela continuou com uma expressão penosa. “Mas... quando é que vai chegar ‘a tal’? Quer dizer, eu tenho 16 anos e toda a gente à minha volta já teve uma paixão, uma atracção para lá de física, até tu!”

“Eu? O Sick não conta Cam...”

“É claro que conta! Tu sentias-te atraído por ele como um todo, não só pela aparência, certo?”

Bill não gostava de recordar os tempos em que andava com uma paixoneta ridícula pelo Sick Boy, até porque foi a coisa mais cliché que alguma vez lhe podia ter acontecido. Quer dizer, apaixonado pelo melhor amigo hetero? Completamente previsível. O que lhe valeu foi quando Colin adquiriu os hábitos menos próprios e arranjou uma namorada. Em um mês e pouco Bill já estava recuperado e pronto para outra!

Mas... “Certo, tens razão. E tu nunca te sentiste assim?”

Cameron olhou-o com uma expressão com a pergunta ‘O que é que achas?’ estampada.

“Não, eu nunca me senti assim. Quer dizer, já tive paixões platónicas, mas quando conhecia as pessoas ficava sempre desiludida com as suas personalidades e a coisa morria. Ou mesmo quando a personalidade me agrada, sei lá, não há aquela faísca, percebes? Não sinto nada, até posso querer continuar a amizade como foi o caso da Julie, mas para além disso...”

Bill observou a amiga, que continuava a suspirar e a olhar para o nada com um ar miserável. E sim, também continuava a mentir a si própria, como sempre.

“Tens a certeza de que nunca sentiste essa... faísca com ninguém?”

“É claro que—hey, não venhas, ok? Eu vou fazer de conta que nem te ouvi. Por falar em fazer de conta, não penses que eu não reparei na tua tentativa falhada de esconder a tensão entre ti e o Tom!”

E lá estava ela a desconversar outra vez. Bill já tinha desistido de a trazer à razão, mas naquele momento a última coisa que ele precisava era que a conversa fosse para aquele assunto. Não, definitivamente não era algo que ele quisesse discutir nos próximos, vá, MILÉNIOS.

“Mas qual tensão?”

“A tensão à vossa volta que se consegue ver a milhas, mas que por causa desta minha crise existencial estúpida foi preciso o Camille me vir chamar à atenção. O que é completamente imperdoável, mas pronto, agora não me escapas, Bill!”

“O Camille foi falar contigo?” Bill perguntou com uma expressão indignada, já prontinho para ir até à casa daquele idiota, onde quer que fosse, e arrancar-lhe a língua com as unhas. “E tu estás à espera que eu te conte alguma coisa depois de saber que foste enviada por ele?”

Foi aí a vez de Cameron mostrar a sua indignação com uma estalada no braço do amigo. Bill soltou um “Outch!” mais de surpresa que de outra coisa, mas a rapariga não parecia ter acalmado. “Foi falar comigo e fez ele muito bem! Eu sou a única pessoa em quem podes confiar, certo? E por alguma razão isso é, não achas? Por amor de quem é que eu ia contar alguma coisa àquela amostra de queijo Emmental, mesmo que—”

“Queijo Emmental não é francês, é suíço.”

“Que seja!” Cameron gritou, tentando parecer severamente irritada, mas mesmo assim deixando escapar um pequeno sorriso. “A moral da coisa é que o rapaz tem umas faltinhas lá dentro, uns buracos, tal e qual a irmãzinha dele, e pode ser muito bom para companhia, mas sinceramente ainda precisa de levar muito na cabeça para se tornar num amigo confiável. EU sou a amiga confiável aqui. Por isso vá, desembucha.”

Bill ainda tentou arranjar argumentos para se livrar de ter de dizer em voz alta tudo o que se tinha passado na semana anterior, mas por mais que pensasse os argumentos de Cameron pareciam irrefutáveis.

“Tudo bem, ganhaste.”

Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XV) 2/3   Seg Dez 15, 2008 7:59 pm

Continuação - Cap. XV (2/3)

Minutos depois Cameron estava a olhar para ele com uma expressão de choque total.

“Tu e o Tom—”

“Sim, eu e o Tom!” Bill exclamou, olhando logo de seguida para a porta, não fosse o outro ter entrado no apartamento e ele não ter reparado.

“Oh, my God!” Cameron practicamente guinchou e de repente parecia já ter superado completamente a sua crise existencial, porque desatou aos saltos pela sala a dizer “Eu sabia, eu sabia, eu sabia!” com um sorriso monumental na cara.

“Cameron Boynton!” Bill exclamou, completamente chocado com a reacção da amiga. “Tu és oficialmente uma grandessíssima TARADONA e eu juro pela minha alma que nunca mais te conto nada—hey! Como é que sabias?”

Cameron parou de saltar e de rebolar no sofá e outras coisas completamente ridículas e olhou-o com uma expressão maquiavélica. E Bill estava com medo, muito medo.

“Eu não SABIA, mas tinha as minhas suspeitas. Quer dizer, o Tom é a coisa mais óbvia de sempre e—”

“O Tom é óbvio? Pensei que isso me cabia a mim...” Bill comentou sem pensar muito bem no que estava a dizer, mas Cameron não o deixou escapar.

“Sim, tu também és muito óbvio, mas o Tom é definitivamente o caso mais flagrante.” Cameron declarou num tom decidido, sorrindo à expressão completamente extasiada do amigo. E extasiado ele realmente estava, porque por mais que se tivesse tentado convencer a si mesmo de que o que se tinha passado na semana anterior tinha sido uma situação pontual, agora seria impossível negar que talvez ele não tivesse sido o único a sonhar com algo do género durante as semanas que antecederam esse acontecimento.

“Achas que o Tom—oh, merda, mas o que é que tu me estás a fazer pensar, Cameron!” Bill exclamou de repente, a parte racional do seu cérebro finalmente começando a funcionar. “Ele é meu irmão gémeo! Isto é a coisa mais errada que alguma vez me podia ter passado pela cabeça...”

“E depois?” Cameron falou num tom desesperado, já saturada das ideias do amigo que lhe haviam sido impostas por uma sociedade onde sentimentos são ignorados em favor da decência. Ah, que se lixe a decência! “Tu por acaso OLHAS para ele como um irmão? E achas que ele faz o mesmo?”

“Eu...”

“Bem me parecia que não.” Cameron retorquiu, aproximando-se então do amigo e envolvendo-o num abraço enquanto que acariciava o seu cabelo. “Bill, não é vergonha nenhuma. Aconteceu. Ele chegou aqui há pouco tempo, mas despertou em ti alguma coisa que te fez tomar a iniciativa - e sabe Deus como tu NUNCA dás o primeiro passo. Se isso quer dizer que algo de especial poderia dar-se entre vocês, para que é que vais dar importância a uma coisa que só a nossa sociedade é que condena? Vocês nunca criaram laços de família, estavas à espera que eles aparecessem do nada e que passasses a olhar para ele como o teu irmão gémeo em vez da pessoa que te fez sentir alguma coisa aí dentro? Vais ignorar isto, Bill? Eu digo-te, se queres saber o que eu acho, a última coisa que sentes por ele é 'amor de irmão'. Cá para mim nunca foi isso. Estou certa?”

Bill escondeu ainda mais a sua cara no peito da amiga, agarrando-lhe o ombro como se a sua vida dependesse disso. Por fim, num sussurro, Bill libertou o que estava preso no seu coração há muito tempo.

“Tu e a tua mania de ter sempre razão em tudo.”


- - -


A garagem estava fria e Tom conseguia ver uma réstia da sua própria respiração a pairar no ar de cada vez que expirava, mas o seu corpo estava quente de tanto tocar guitarra por isso não se sentia desconfortável. Não, felizmente o seu irmão gémeo estava vários andares acima, por isso todo o desconforto havia sido escondido no fundo da sua mente por umas horas.

Já os pensamentos que o assombraram durante a última semana teimavam em não desaparecer da sua cabeça. A todas as horas lembrava-se das mãos de Bill a percorrerem o seu corpo e tinha de se controlar para não se mexer incessantemente até que aquele arrepio na espinha passasse. Mas a imagem cravada na sua mente parecia ser a expressão facial na cara do outro rapaz, mesmo antes deste sair apressadamente da cama com uma desculpa qualquer e se enfiar na casa-de-banho sem o deixar retribuir o favor. Era uma expressão enigmática, mas que ao mesmo tempo parecia dizer tanto... e Tom não sabia explicar bem o quê. A única coisa que sabia é que nunca tinha tido um orgasmo tão intenso, e que quando olhou para a cara do irmão os seus olhares cruzaram-se e Bill parecia estar a memorizar todo aquele momento, como se fosse a última vez.

E vai ser a última vez, certo?

Tom queria acreditar que sim, queria pensar para si mesmo que o que tinha acontecido seria uma vez sem exemplo e que dali para a frente ele iria com certeza arranjar outra forma de aliviar as suas necessidades. Mas qualquer coisa dentro de si dizia-lhe que aquilo tinha sido mais que uma necessidade. Qualquer coisa que lhe dava vontade de agarrar na cara de Bill e beijá-lo, algo que não tinha feito por medo, mas que teria dado a alma ao diabo para que tivesse acontecido na semana anterior. Sim, naquele exacto momento em que o seu olhar se cruzou com o do outro rapaz, Tom teve a certeza de que o queria beijar.

Surpreendentemente o facto de Bill ser um rapaz não o deixava minimamente preocupado, coisa que o chocaria imenso se lhe tivesse acontecido há um mês atrás. Mas e os laços de sangue que os uniam? Bill não sentia o mesmo que ele, de certeza. Só uma coisa de ‘irmãos’, como ele tinha dito, uma ‘ajudinha’.

Mas essa ajudinha fez com que a relação deles voltasse à estaca zero e isso Tom não conseguia compreender. Sentia-se sozinho num sítio onde não pertencia. Sentia-se um estranho.

People are strange when you’re a stranger, faces look ugly when you’re alone...”(1)


- - -


No final dessa semana, e por muito que tenham tentado evitar estar na mesma sala por mais que uns segundos, Bill e Tom viram-se obrigados a sentarem-se lado a lado e, surpreendentemente, a falar. Tinham um trabalho de Estudos Gerais para fazer, e Tom sentia-se ainda mais atarantado visto que era sobre o Racismo e a Xenofobia no Reino Unido. Bill já tinha perdido a conta das disciplinas onde já tinha feito trabalhos à volta desse tema – todos os estudantes pelo mundo fora provavelmente se queixariam do mesmo – por isso decidiu que ia deixar de se comportar como uma criança e ajudar o irmão que mal tinha chegado ao país, logo não poderia saber o seu estado social ou coisa que o valha.

Estavam os dois sentados na secretária que tinham no quarto, o mais longe possível um do outro, mas sem parecer muito flagrante, quando o telemóvel de Bill o avisou que tinha recebido uma mensagem.

Adivinha kem é k vai ser obrigado a vestir 1 fatinho ridiculo pa festa dos 130 anos do colegio

Era o Sick Boy. Como Bill era o seu único amigo que compreendia o ódio dele pelo Haberdasher Aske's Hatcham College, normalmente Colin mantinha-o informado sempre que acontecia alguma coisa de relevante que o deixava especialmente feliz ou fulo. Neste caso parecia ser a segunda opção.

Wot? O Jones vai dar 1 festa? Bill perguntou, surpreendido que Mr. Jones, o director do colégio cujo lema parecia ser ‘Estou muito ocupado agora’, tivesse organizado uma coisa tão superficial como uma festa. A resposta não tardou a chegar.

Yup. No pepys, claro, com akeles betinhos tds armados em pinguins. A Mrs Gearing achou k era 1 boa ideia dedica-la a doida da Griffin. E a croma da eddie tb ker ir cmg, agora e k n me safo!

Claro que a festa iria ser no Pepys Site(2), afinal era o edifício mais antigo do colégio, e consequentemente o mais pomposo e adequado para albergar uma festa cheia de ‘betinhos armados em pinguins’, como o Sick Boy tinha dito tão eloquentemente. E é claro que tinha de ser ideia da Mrs. Gearing, actual cabeça da associação de antigas alunas do colégio, as Haberdashers Aske’s Girls (HAGS, e que nome tão adequado visto que todas elas não passavam de snobby old hags). Mrs. Griffin, a antiga presidente desse grupo de senhoras de bem, tinha morrido no ano anterior. Bill por acaso até gostava dela. Tinha sido sua professora de música no único ano em que ele lá esteve e parecia ter muito gosto em incentivá-lo a cantar. Podia ser um bocadinho maluquinha, sim, mas tinha bom coração.

E Bill estava mesmo com vontade de ir a essa festa.

Não porque era em honra da sua antiga professora de música, não, mas porque iria rever os seus antigos colegas que tanto o descriminavam por ser uma criança diferente das outras. E poderia mostrar-lhes o quão feliz era. Poderia esfregar na cara daqueles betinhos que nem sempre andar por aí como quem tem um pau espetado no cu é a melhor forma de viver. E o novo Bill relaxado e confortável na sua pele precisava de dar uma lição àquela gente. E era isso que ele iria fazer.

N t preocupes, eu vou c/ vcs e levo companhia pa nao apanhares 1 seca. Em q dia é?

Dia 1 d outubro. Mas vais cmo? Tu ja n es aluno do colegio, ond e k vais arranjar os convites?

Bill sorriu para o telemóvel com uma carinha marota que fez com que Tom finalmente parasse de fazer de conta que não o estava a observar à socapa e enviou a resposta.

Eu ca m arranjo, Sick, n t preocupes. Byez.

“Woho!” Bill saltou da cadeira onde estava sentado e começou a rodopiar pelo quarto enquanto que Tom o olhava com uma expressão curiosa. “Dia 1 de Outubro temos uma festa, Tom!”

Tom tentou ignorar o seu coração que batia mais forte simplesmente porque o irmão lhe estava a sorrir e falseou um ar desinteressado. “Ah é?”

“Ya, o Sick Boy acabou de me informar que o meu antigo colégio vai dar uma festa com toda a pompa e circunstância. E eu simplesmente não posso faltar!” Bill falou num tom de voz excitado, movendo as mãos incessantemente à sua frente. Tom achou aquela atitude, que mais uma vez sempre achara irritante em raparigas, a coisa mais adorável de sempre. E quando Bill se sentou numa das camas e continuou aos saltinhos mesmo sentado, Tom teve de se controlar para não lhe agarrar naquelas mãozinhas que não paravam quietas e usá-las para puxar o outro rapaz para si e—

E nada. Tom não estava a pensar em nada daquilo. O pior é que estava mesmo. Mudança de assunto, por favor.

“E não podes faltar porquê? Fiquei com a ideia que não gostavas muito do colégio.”

“E não gosto.” Bill retorquiu, revirando os olhos. “Mas vão estar lá aquelas criaturas todas de mente fechada que me tratavam mal só porque tinha ideias diferentes. Ali, todos vestidinhos de gala, estás a ver o filme? E chegamos lá nós, nos nossos fatinhos personalizados—”

“Chegamos?” Tom exclamou quando começou a perceber a ideia do irmão, que não lhe estava a agradar nada. “Tu não estás à espera que eu vá contigo a esse jantar de fato, pois não? Porque se estás podes já começar a tirar o cavalinho da chuva.”

“Oh, vá lá Tom!” Bill implorou com aquele biquinho que Tom já estava a conhecer bem demais e ao qual estava a tornar-se cada vez mais difícil resistir. “Eu prometo que te arranjo assim um fato especial e um boné a condizer e tudo! Vais ficar tãaaao fixe, eu juro, vais adorar!”

Tom estava pronto para dizer não, porque onde é que já se viu, alguém de fato de cerimônia e boné? Seria no mínimo a coisa mais estranha de sempre! Mas quando Bill se levantou da cama e se voltou a sentar na cadeira a seu lado, agarrando-lhe numa mão e pedindo ‘por favor’ com os olhinhos mais amorosos de sempre, Tom sabia que estava perdido.

“Bah, tudo bem, eu vou.”

Bill não precisou de mais nada para lhe dar um sorriso gigante e lançar-se para cima dele, agarrando-o num forte abraço. “Obrigada, obrigada, obrigada! Não sabes o quanto isto significa para mim!”

Tom não sabia mesmo, até porque eles se conheciam há menos de um mês e grande parte do mistério que era Bill ainda estava para ser desvendada, mas sentir-se tão desejado num momento aparentemente tão importante para o irmão aqueceu-lhe o coração. Quando deu por si estava a abraçá-lo de volta com ainda mais força, e durante o que pareceu ao mesmo tempo uma eternidade e um segundo os dois ficaram assim, nem um nem outro a querer acabar com aquele momento.

“Tom?” Bill falou finalmente, a sua voz soando um pouco abafada nas rastas do irmão.

“Sim?” Tom disse num sussurro, como se tivesse medo que a sua voz quebrasse aquele momento. As suas mãos estavam paradas nas costas magras do outro rapaz, mas pareciam desejosas de movimento, como se pequenos choques eléctricos as estivessem a tentar incentivar para se moverem numa carícia contra aqueles cabelos negros que Tom ainda conseguia sentir entre os seus dedos, como se tivesse sido há segundos atrás, suaves, sedosos.

“Está tudo bem entre nós?” Bill perguntou a medo uns segundos depois, agarrando uma rasta entre os dedos e inspirando discretamente o perfume que o corpo colado ao seu emanava. Tom sorriu para si mesmo e assentiu com a cabeça, apertando Bill ainda mais contra si, sentindo os pulmões do outro a formarem um suspiro que sentiu contra a sua orelha, arrepiando-o.

“Sim.” ele falou, simplesmente para deixar claro que estava tudo bem. Como é que poderia não estar quando ele próprio tinha admitido para si mesmo a falta que o irmão lhe fazia? Ele podia já ter feito novos amigos, sim, mas sem Bill parecia que o mundo estava vazio. Tom não queria voltar a sentir isso, por mais estranho que fosse o sentimento que ele nutria pelo outro rapaz.

“Ainda bem.” Bill suspirou outra vez e Tom conseguiu sentir o canto da boca dele a curvar-se num sorriso contra a sua bochecha. Deixaram-se ficar assim por mais uns segundos, deixando que o silêncio os envolvesse antes que aquela tensão já comum entre eles se começasse a instalar. Quando Bill finalmente recuou, a sua face tinha um tom rosado e Tom tinha o pressentimento que a sua estava no mesmo estado, por isso não teceu nenhum comentário. Apenas sorriu e voltou-se para o trabalho que tinha estado a fazer nessa tarde.

“Vou mandar uma mensagem à Cam, ela não pode perder isto! Vou levá-la como meu par. E tu vê se arranjas um, sim?”

Mal aquelas palavras saíram da sua boca, Bill arrependeu-se terminantemente do que tinha dito. Ele não tinha acabado de sugerir ao objecto dos seus afectos que arranjasse um par para um baile, tinha? Ignorando o facto de o dito cujo ser o seu próprio irmão gémeo, Bill sentia que tinha feito a maior burrice da sua vida. Mas o mal estava feito e... talvez fosse altura de ele deixar de ter ideias completamente descabidas e ouvir a razão.

Cam, q e q dizes a 1 oportunidade pra xatear a Guinevere?

Digo “Ola Sra. Oportunidade! Obrigada por aparecer mas n preciso d si kthnxbye.”

Para d t armar em esperta e vem mas é ca a casa, precisamos d falar.


Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XV) 3/3   Seg Dez 15, 2008 8:01 pm

Continuação - Cap. XV (3/3)

Meia hora depois Bill, Tom e Cameron estavam sentados na sala, Cameron a olhar para Bill como se lhe tivesse nascido uma segunda cabeça e Bill a olhar para ela com um ar expectante.

“Tu estás completamente passado, só pode!” a rapariga exclamou, indignada. “Mas onde é que foste buscar a ideia de que eu por acaso estaria interessada em ir a essa festa de betinhos só porque a Guinevere vai lá estar? E além disso o que te garante que ela vai lá estar?”

Bill revirou os olhos e levou as mãos à anca. “Hello? Connor Hellington? Aluno do colégio? Namorado dela? Diz-te alguma coisa?”

Cameron deu-lhe um sorrisinho sarcástico do lugar que ocupava num lado do sofá e Tom, sentado do outro lado, não conseguiu evitar soltar uma risada perante aquela situação.

“Ah tu achas piada, é? Pois eu não acho piada nenhuma à ideia do teu maninho. Eu já não visto um vestido desde os 8 anos ou assim! E nem sequer sei andar de saltos!”

“Oh, coitadinha dela.” Bill falou num tom sarcástico, para logo a seguir se deitar no sofá com a cabeça no colo de Tom e os pés em cima das pernas da amiga. Cameron deu-lhe uma palmada num dos seus pés descalços e Bill acabou por dobrar as pernas, continuando assim com a sua cabeça apoiada nas do irmão. Tom teve mais uma vez que se controlar para não começar a acarinhar o cabelo de Bill como quem faz festinhas a um animal de estimação. Não, isso não ia calhar lá muito bem.

“Vá Cam, não sejas bebé. Ela vai MORRER quando te vir naquela festa, toda bela e perigosa. Aposto que se vai roer de inveja!”

“Sim, claro, porque eu sou cá uma beldade...” Cameron retorquiu num tom de voz carregado de ironia, que lhe valeu um ‘suave’ pontapé no ombro por parte do melhor amigo.

“Cale-se. A menina vai e acabou aqui a conversa.” Bill falou num tom decidido, ignorando o ‘Outch!’ da amiga. “Aliás, não acabou nada que nós precisamos de bilhetes e de dinheiro para a roupa.”

“Comigo não te precisas de preocupar,” Cameron falou, resignada com a situação. “A minha mãe vai morrer de felicidade quando lhe disser que quero comprar um vestido e depois vai ressuscitar e arrastar-me com ela para todas as lojas possíveis e imagináveis. Mas deixa-me adivinhar, vais ligar ao Martin?”

“Exacto.” Bill respondeu com um sorriso maquiavélico na cara, levantando então a cabeça do colo do irmão e pegando no telemóvel que tinha pousado na mesa de café à sua frente. “Está a chamar.”

Bill não teve que esperar muito para ser atendido. Quem falou, porém, não foi o seu pai, mas uma voz feminina, provavelmente da sua secretária ou até da sua nova amante. Bill não podia estar menos preocupado. Pediu à rapariga que lhe passa-se a chamada para o Mr. Martin Skinner e depois de se anunciar como filho, ela lá o encaminhou com uma formalidade que fez Bill crer que sim, realmente aquela era a secretária. Bill sabia que lhe podia ter ligado para o telemóvel, mas já estava mais que habituado que até ao fim-de-semana, a maneira mais simples de falar com o pai adoptivo era ligar-lhe directamente para a empresa.

”Sim?” soou a voz grave de Martin. Bill respirou fundo e preparou-se para descarregar a sua dose diária recomendada de falsidade.

“Pai! Então, tudo bem por aí?”

”Sim, sim, está tudo bem. E vocês?”

Martin só poderia estar a falar de Eleanor. Bill revirou os olhos à falta de preocupação do seu pai que nem sequer sabia que ele estava agora a viver com a mãe biológica e apenas respondeu com um simples ‘Também’.

”Óptimo, óptimo.” Martin falou num tom de voz que indicava perfeitamente a falta de atenção dele na conversa. ”Escuta filho, eu estou um bocado ocupado, tinhas alguma coisa de importante para me pedir?”

A pergunta chave. Martin sabia muito bem que Bill só lhe ligava quando precisava de alguma coisa e por muito mau que isso fosse, ele ficava feliz que o pai soubesse exactamente o lugar que ocupava na sua vida. E sem mais rodeios, Bill foi directo ao assunto.

“Bom, eu ouvi dizer que vai haver uma festa no Haberdasher e um amigo meu que conheci lá disse que seria agradável se eu fosse, mas como sabes eu não tenho como arranjar convites porque não sou aluno. Será que podias falar com o Mr. Jones e pedir-lhe... 4 convites? Eu depois envio os nomes por e-mail para a tua secretária.”

Do outro lado da linha só veio silêncio, até que Martin finalmente falou. ”Sim, a associação de antigos alunos já me convidou, mas eu não posso ir. Mas... quem é que vais levar contigo, Bill? Tu sabes bem que eu tenho uma imagem para manter e se o Jones me tem tão em conta é porque eu sempre fui um aluno que se preocupou em manter a imagem da escola. Se tu—”

Bill controlou-se para não começar a discutir com ele outra vez e preparou uma resposta que lhe garantisse os bilhetes. “Calma, pai, não te preocupes. Eu só quero fazer companhia ao Colin Blanche, lembras-te dele certo? O neto do Mr. Len Blanche?”

Bingo. Aquela não podia falhar. Len Blanche era um membro activo da Old Askeans and Hatcham Association, a tal associação de antigos alunos do colégio. O facto de o Sick Boy ser o neto dele não era pura sorte. Afinal tinha sido o próprio Martin que os tinha apresentado quando ainda eram crianças.

”Ah, o neto do Len? Tudo bem, eu falo com o Mr. Jones ou com o Mr. Dell da associação e quando a minha secretária receber os nomes eu peço para ela tratar de tudo. Precisas de mais alguma coisa?”

Bill sorriu para si mesmo àquela pergunta tão oportuna e continuou a sua farsa.

“Por acaso sim. Preciso de dinheiro para comprar um fato. Assim um fato bom, percebes? E uns sapatos. E o meu iPod está a dar o berro, por isso já que vais depositar na conta aproveita e—”

”Sim, sim, tudo bem." Martin concordou, claramente a despachá-lo. Mais umas palavrinhas cliché aqui e ali e Bill pôde finalmente desligar e começar a pular de alegria.

“Está tudo resolvido!”

Os sorrisos amarelos dos outros dois presentes na sala quase que o forçaram a dar uma estalada a cada um, mas Bill estava simplesmente demasiado feliz para se preocupar com isso.


1) Implica-se aqui que o Tom estava a tocar a música People Are Strange, dos The Doors.

2) Pepys Site é um dos vários edifícios do Haberdasher Aske's Hatcham College. (foto)

Notas adicionais: As duas associações de antigos alunos do colégio aqui retratadas existem, bem como os respectivos membros. O nome do actual director da escola também é o que aqui coloquei, sendo que a única coisa que inventei foi que o senhor Len Blanche é o avô do Sick Boy. Sei que o senhor tem idade para ser avô, mas não faço ideia se tem um neto loirinho e Junkie xD

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVI) 1/3   Seg Dez 15, 2008 8:03 pm

Título: London Calling (Cap. XVI)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.]

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XVI

As palavras do irmão ecoavam na cabeça de Tom como um disco riscado.

”Vou levá-la como meu par. E tu vê se arranjas um, sim?”

Arranjar um. Um par! Tom tinha que desencantar um par e só faltava uma semana e ele não sabia o que fazer. Ou melhor, sabia, arranjar miúdas não era um problema para ele. O problema é que nenhuma das que conhecera até aí lhe tinha despertado o interesse.

Também se pensarmos que a maioria são lésbicas ou comprometidas...

Mas isso não interessava. Ele tinha andado muito desleixado e isso era imperdoável. Mesmo com todos os problemas da descoberta da sua mãe biológica, da mudança de país, do facto de ele não conseguir olhar para o seu irmão gémeo como o que ele era realmente – o seu IRMÃO gémeo – mas sim como aquela criatura completamente contagiante e—

E ele não estava disposto a ir por aí. Ele tinha era que arranjar alguém para o distrair, e rápido. Tentou pensar numa rapariga. Cam? Lésbica. Julie? A mesma coisa. Guinevere? Aparentemente comprometida – e se a Cameron soubesse matava-o, cortava-o aos pedacinhos e enviava-os um por um em envelopes fechados hermeticamente para os States. Eddie? Definitivamente comprometida. E a outra... aquela muito gira, a empregada daquele pub, como é que ela se chamava? Bertie? Betty?

Nomes não importavam. Tom tinha que escolher quem seria a próxima sortuda a render-se aos encantos do Sex God expressamente enviado do outro lado do oceano para quebrar corações.

“Ai Tom, não penses tanto, parte-me o coração ver esse fumo todo a sair-te pelas as orelhas.”

Pode-se dizer que depois daquele comentário, Tom teve que usar toda a sua força de vontade para manter uma expressão impávida e serena. E o facto de Bill estar com o cabelo molhado e apenas uma toalha enrolada à volta da cinta também não estava a ajudar nada.

“Uh?” foi o único som que Tom conseguiu emitir. Muito eloquente, não haja dúvida.

“Vá, vai lá tomar banho que hoje vamos às compras.” Bill ordenou, dirigindo-se para o guarda-roupa e abrindo-o, remexendo as várias cruzetas para encontrar o par de calças perfeito que provavelmente lhe ia ficar melhor do que devia ser permitido por lei. “O Martin já me pôs o dinheiro na conta, finalmente.”

E Tom foi sem sequer contestar, porque qualquer coisa era melhor do que ficar ali a olhar feito parvo para as pequenas gotas de água que desciam pelas costas do outro rapaz, incitando-o a olhar ainda mais abaixo. Sim, definitivamente ele tinha de sair dali.


- - -


Uma hora depois os dois rapazes estavam especados ao lado de uma paragem de autocarro.

“O que é que estamos aqui a fazer?” Tom perguntou, confuso, porque desde que chegara à cidade tinha sempre usado o metro.

“Estamos à espera do autocarro.” Bill respondeu simplesmente, dando-lhe um daqueles sorrisos misteriosos que sempre fizeram Tom perguntar-se a si mesmo como é que o irmão não tinha o mundo a seus pés.

“Ah, ah. É que eu não tinha percebido isso nem nada.”

“Calma,” Bill falou, continuando a sorrir mais para si mesmo que outra coisa. “vais já ver.”

Momentos depois Tom encontrava-se no andar exterior de um autocarro vermelho a levar com o vento na cara e com o irmão ao lado a sorrir como uma criança numa loja de doces, e teve que admitir que aquilo tinha superado as suas expectativas. Se havia coisa que ele sempre tinha achado interessante na fria e majestosa Inglaterra, eram aqueles autocarros vermelhos. O céu estava cinzento, como se o país de Sua Majestade estivesse empenhado em dar-lhe um dia tipicamente Inglês, mas mesmo assim Tom não conseguia deixar de apreciar aquela viagem.

“Então, estás a gostar?” Bill perguntou-lhe, olhando-o com um sorriso satisfeito. Tom assentiu com a cabeça e sorriu de volta.

“Obrigada.”

“Oh, não tens que agradecer.” Bill falou, revirando os olhos e corando um bocadinho. Tom sorriu ainda mais, mas sem deixar o irmão perceber que o tinha apanhado a corar. Limitou-se a apreciar a viagem, observando o ambiente das diferentes ruas que o autocarro percorria. Há muito tempo que não se sentia tão em paz consigo mesmo, muito menos na presença do irmão que só o deixava ainda mais confuso.

Foi por isso surpreendido quando sentiu uma mão a agarrar a sua timidamente, quase como uma pergunta silenciosa. E Tom não sabia como responder. Lentamente olhou para a sua mão coberta por outra de dimensões idênticas, mas em muito melhor estado de conservação – cordas de guitarra nunca foram muito amigas das mãos. O contraste era notório, dava perfeitamente para ver que pertenciam a duas pessoas diferentes, e naquele momento Tom sentiu que por muito que gostasse da pessoa ao seu lado, não a conseguia ver como o seu irmão gémeo, sangue do seu sangue. Era apenas Bill, o rapaz que se tinha transformado no centro do seu mundo de um dia para o outro e que naquele momento estava a tocar na sua mão como se ela fosse de vidro, algo bastante irónico porque ele é que parecia tão frágil como o mais fino dos vidros.

Sem pensar muito no que estava a fazer, Tom deu por si a agarrar a mão do irmão, prendendo-a definitivamente entre os seus dedos. Só aí é que ousou olhar para o rosto do outro rapaz, e o que viu deu-lhe uma sensação estranha na barriga que definitivamente não devia estar lá. Bill olhava as suas mãos entrelaçadas com a boca entreaberta, como se estivesse a sentir a necessidade de dizer tudo e nada, o seu peito subindo e descendo visivelmente. Tom apertou a mão do outro com mais força, obrigando Bill a reagir, e quando ganhou a atenção do irmão, sorriu-lhe.

Está tudo bem, Tom pensou mas não falou. Mas Bill pareceu perceber porque sorriu de volta e manteve a sua mão enlaçada com a dele durante o resto da viagem. Quando saíram do autocarro e voltaram às posições normais, Tom à direita de Bill, tentando caminhar tão rápido como ele pelo meio da multidão em Oxford Street(1), a tensão que estavam a prever não se instalou e, por momentos, ambos se deixaram levar pela esperança de que tudo estava realmente bem.


- - -



“Ok, para começar vamos comprar um boné preto e uma headband vermelha, que quando formos comprar o resto quero já ter as coisas à mão para ver o efeito. Depois o meu toquezinho especial, depois o fato e por fim... temos que te arranjar uns sapatos.”

Era de prever que Bill já tivesse tudo pensado. Nos últimos dias não tinha falado de outra coisa e até já tinha conseguido convencer Tom e Cameron a irem vestidos de preto, vermelho ou branco. Tom achava aquilo tudo um exagero, mas desde que não fosse cor-de-rosa, por ele tudo bem. Mas... um momento, ele não tinha dito—

“Sapatos?” Uh-oh.

“Sim, Tom, sapatos.” Bill retorquiu num tom paciente, como se estivesse falar para uma criança. “Eu sei que lá na escola deixam-te andar de sapatilhas e com aquele uniforme largueirão completamente deplorável, mas nós vamos ter que arranjar uma maneira qualquer para fazer isto funcionar, ok? Tens que parecer formal e informal ao mesmo tempo, percebes? Não apenas 'Peguei no primeiro tuxedo que me apareceu à frente e pedi para me darem o número maior e um cinto para segurar as calças'.”

Tom controlou o impulso de levar as mãos à cabeça e suspirar profundamente, limitando-se a um “Guh, ok, tudo bem.”

Depois de uma corrida por várias lojas em Oxford Street e mais umas poucas em Regent Street onde finalmente encontraram o boné perfeito, Tom já tinha um boné, uma headband vermelha e uma camisola de lã preta sem mangas, com losangulos vermelhos e brancos(2), num estilo mais ‘school boy’ do que propriamente ‘festa de gala’.

“Podes-me explicar para que é que eu preciso disto?” Tom perguntou pela milésima vez, mas Bill estava empenhado em manter o mistério da coisa.

E o mistério foi mantido, sim, até ao momento em que Tom deu por si num fato preto, simples e bastante largo, mas que surpreendentemente lhe assentava bem e fazia uma combinação peculiar com a camisa branca que usava por baixo da camisola sem mangas e com a gravata vermelha que Bill lhe tinha colocado com o maior dos cuidados, dizendo que os dias dele de andar com gravatas alargadas no pescoço tinham que acabar. A camisola aos losangulos era larga e comprida, cobrindo por completo a cintura das calças do fato para lhe dar um ar mais composto, e o boné só vinha dar um ar ainda mais excêntrico à coisa. Tom tinha que admitir que, com aquele conjunto, parecia saído de um desfile de alta costura.

“Wow.”

“Vês?” Bill falou com um sorriso de orgulho estampado na cara. “Eu disse-te para confiares em mim. Não ficou fabuloso?”

Tom não teve outra opção a não ser concordar. E parecia que o jovem rapaz que os tinha atendido, no início com uma expressão completamente céptica quando ouviu as ideias do irmão, também já se tinha rendido ao talento nato de Bill para combinações de roupa.

“Eu tenho que admitir, essa sua ideia de usar uma camisola por baixo de um tuxedo não me estava a agradar nada, mas o resultado ficou fantástico!”

Bill olhou para o rapaz e deu-lhe um sorrisinho falso. Sim porque nunca na vida aquele sorrisinho angelical poderia parecer outra coisa a não ser forçado. Tom deu por si a perguntar a si mesmo quando é que as emoções de Bill se tinham tornado tão fáceis de ler.

“Claro que ficou. Eu sabia que os meus gostos não podiam falhar! Agora, se nos dá licença...”


- - -


Bill manteve o seu sorriso básico e sim, definitivamente falso, até conseguir arrastar Tom para o provador mais próximo. E aí adoptou uma postura aborrecida, encostando-se ao espelho e fingindo que inspecionava as unhas.

“Vá, tira o fato e veste-te. Está a ficar tarde.”

“Mas tu ainda não escolheste o teu fato.”

“Já sim.” Bill retorquiu com um arzinho presunçoso. “Eu posso demorar horrores a vestir-me, mas sou super decidido no que toca a escolher roupa. E enquanto que tu tentavas adivinhar como é que os botões de punho funcionavam, eu já tinha experimentado o meu fato e combinado os acertos com o empregado. Amanhã enviam tudo lá para casa.”

“Uh.” E Tom voltara à sua eloquência fantástica que já o estava a irritar. Rapidamente tentou ignorar o facto de estar a ser observado pelo irmão – E já agora, porque é que ele estava ali? – e tirou o casaco e a camisola, lutando um bocadinho com a gravata que estava definitivamente apertada demais.

“Deixa eu—” Bill aproximou-se e ajudou-o a livrar-se da gravata, tudo muito lentamente, deixando Tom apenas com a opção de olhar para a cara do irmão, para aqueles olhos que pareciam querer furar a sua pele de tão intensos que estavam.

“Ele estava TÃO a comer-te com os olhos.”

Tom ‘acordou’ dos seus pensamentos e tentou não observar o movimento da boca do irmão enquanto este falava. Escusado será dizer que falhou completamente.

“O quê? Um tipo daqueles? Só se for pedófilo...”

Bill retirou-lhe a gravata por completo e pendurou-a no cabide atrás dele, mas não se afastou. Em vez disso, aproximou-se ainda mais, sempre com um sorrisinho provocador a tentar dar sinais de si nos cantos daquela boca que estava definitivamente demasiado perto.

“Não sejas parvo. Eu não lhe dou mais de 19, sinceramente. Provavelmente é aluno da Saint Martin's(3) e precisa de um part-time.”

“Se tu o dizes...” Tom falou, ansioso para que Bill lhe desse espaço. Ou que fizesse desaparecer aquele espaço entre eles e—NÃO. Tom nem sequer queria ir por aí. Ele queria espaço. Certo.

“Digo, pois. E com muita razão. Afinal tu estás um espanto. E tudo graças ao meu bom gosto!”

Ao ouvir o comentário do irmão, deu por si a revirar os olhos.

“Desculpa? Quer dizer que eu não sou um espanto todos os dias? E eu aqui a pensar que tu achavas exactamente o contrário...”

Ok, se calhar aquilo saiu-lhe um bocadinho mais provocante do que o que ele tinha planeado, mas o outro rapaz não se pareceu importar. Em vez disso aproximou-se AINDA MAIS, aquela carinha marota a notar-se cada vez mais nas expressões dele, e Tom estava a ter uma sensação de dejá-vu bastante peculiar. Isso e indícios de um ataque de claustrofobia. Ou então era Bill que o deixava zonzo. Decidiu deixar as opções em aberto.

“Eu não disse isso. Aliás, ficas a saber que eu até te acho bastante... agradável ao olhar.” Bill falou e Tom deu por si a arquear uma sobrancelha, algo que tinha a certeza que nunca tinha feito até conhecer o outro rapaz.

“Só isso?”

Bill deu uma risada seca e segurou-lhe o queixo com uma mão fria e aveludada, o seu olhar intercalando entre os olhos e a boca que tinha à sua frente. E Tom apenas ficou ali, parado, à espera do próximo movimento do outro rapaz. Guh, se ele fosse outra pessoa que não o seu irmão gémeo já estava entre ele e a parede mais próxima e—

“Não te estiques, Tommy. Se te portares bem, até pode ser que um dia destes tenhas uma... recompensa.” E com aquela sugestão dita tão perto da sua boca que Tom sentiu o bafo do outro contra os seus lábios, Bill abandonou o provador. Tom demorou um bocadinho a recompor-se e a única resposta que conseguiu arranjar foi ridícula e completamente infantil.

“Ah! Quero ver isso!”

Bill ouviu o comentário do outro lado, mas tentou ignorar o significado que a sua cabecinha lhe estava a querer dar. Isso e as suas mãos que não paravam de tremer.

“Vocês fazem um casal tão adorável.” disse o empregado da loja com um sorriso babado. Gosh, mas será que o mundo todo tinha virado gay e esqueceram-se de o avisar? E já agora, porque é que toda a gente pensava que eles eram um casal? Apesar de ter a cabeça num tumulto, Bill apenas sorriu mais uma vez, tão falsamente como da primeira e tentou reprimir um suspiro.

“É, dizem que sim.”

Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVI) 2/3   Seg Dez 15, 2008 8:04 pm

Continuação - Cap. XVI (2/3)

O final da tarde encontrou-os no Deptford Arms com o Camille e a Cameron, a falar das compras que tinham feito, entre outras coisas. Bill voltou a partilhar um bule de chá com o outro rapaz e Tom voltou a não dizer uma palavra que fosse, para surpresa de Bill que tinha apreciado muito a sua companhia durante aquela tarde. Em vez disso bebia uma cola e parecia muito interessado em observar o ambiente à sua volta. Bill perguntou-se se tal má disposição se devia à presença do Camille. Afinal ele não era uma pessoa fácil de gostar. Mas também o Tom escusava de ser rude, não?

“Vão querer mais alguma coisa?” perguntou a empregada, Becky, com um dos seus sorrisos habituais. Todos disseram que não, mas surpreendentemente, Tom falou.

“Hmm, não sei... Posso pedir qualquer coisa?” ele disse num tom suspeito, e Bill já não estava a gostar nada daquilo. A rapariga, porém, continuou na sua inocência como já era habitual.

“Se eu puder ajudar...”

Tom sorriu misteriosamente e olhou para o irmão. Bill continuava a não gostar nada daquilo.

“Bom, aqui o Bill arranjou convites para uma festa de gala no Haberdasher e eu estava a pensar se tu me poderias dar a honra de te levar como acompanhante.”

E foi aí que caiu tudo a todos os presentes naquela mesa. Bill por pouco não cuspia o chá que tinha acabado de beber por cima de toda a gente, Cameron estava a fazer de tudo para controlar o riso e Camille parecia querer furar buracos na cabeça do rapaz à sua frente.

“Uma festa de gala e tu não me convidaste?” Camille perguntou ao amigo com um ar indignado enquanto que Cameron escondia a boca atrás da sua chávena de chocolate quente e Bill o ignorava terminantemente a favor da conversa que estava a acontecer entre o irmão e a outra rapariga. Becky parecia maravilhada com o convite, claro.

“Oh, my God! Estás a falar a sério?” ela perguntou, baixando-se um bocadinho e apoiando as mãos na mesa. Bill deu graças por ela não estar a usar um decote.

“U-uh. Sério, sério.” Tom respondeu, sorrindo presunçosamente à reacção de todos à sua volta.

“Eu—eu—adorava! Uau! Uma festa no Haberdasher!” Becky falou rápido e num tom de voz agudo e excitado. Notava-se que se estava a controlar para não se por aos saltinhos no meio do Pub. “Aceito, com todo o prazer.”

“Óptimo! Está combinado então!” Tom finalizou, e Bill usou e abusou de todo o seu auto-controle para manter uma expressão impávida e serena quando de seguida se dirigiu à rapariga.

“Uh, Becky? Certifica-te que vais vestida dentro dos vermelhos, pretos e brancos.” ele falou calmamente, ignorando os risinhos de Cameron e os olhares mortíferos de Camille. “Não te esqueças, sim?”

“Uh, ok Bill, sem problema!” a rapariga concordou e, após ter acenado com a mão num estilo muito coquete para todos os presentes na mesa – em especial para Tom que parecia muito satisfeito consigo próprio –, voltou para trás do balcão.

Sem demoras um clima muito estranho se instalou na mesa, no qual Camille olhava para Bill com um ar magoado, Bill fazia de conta que não estava a lançar o mesmo olhar ao irmão e Cameron simplesmente explodia de riso, tentando não dar muito nas vistas, claro.

“O que é que foi?” Tom acabou por perguntar com um ar aborrecido, dirigindo a pergunta especialmente à rapariga sentada à sua frente que não parava de dar risinhos histéricos.

“Uh, nada, nada.” Cameron falou, tentando recompor a postura. “Mas sinceramente, Tom. A Becky Brown? Não sabia que apreciavas falta de cérebro.”

Tom encolheu os ombros e tentou não fazer contacto visual com a outra rapariga. Sabe-se lá o que é que ela, com aqueles super poderes de médium dela, poderia descobrir. Como o facto de que Tom só a convidou porque foi a primeira miúda suficientemente gira para os gostos dele que lhe apareceu a frente. Não, Cameron definitivamente não precisava de saber disso.

“Não é como se me fosse casar com ela ou coisa do género...” ele acabou por falar num tom casual. Cameron revirou os olhos e observou todos os rapazes à sua volta com um ar interessado, prendendo-se por mais uns segundos na expressão calma e definitivamente muito falsa do seu melhor amigo.

“Whatever, tu é que sabes.”


- - -


O dia da festa pareceu demorar anos a chegar, mas quando Bill acordou numa manhã sábado, dia 1 de Outubro, com um sorriso enorme na cara, a sensação de excitação que lhe corria pelo corpo fez com que a espera tivesse valido a pena. Ele sabia que nada podia correr mal.

Bem, quase nada. Com o decorrer dos dias Bill lá se foi habituando à ideia de que Tom estava a seguir com a sua vida – E porque é que haveria ele de não fazer tal coisa? – da forma mais heterossexual possível, mas por mais que tentasse não se conseguia livrar daquele ciúme completamente impróprio que o corrompia por dentro. Ele não queria nada de mal à rapariga, não mesmo, mas de cada vez que pensava nela com ele... Guh, lá estava ele outra vez a estragar a disposição tão agradável com que tinha acordado.

E as coisas só tinham piorado depois do episódio no autocarro. Foi muito bonito na altura, de sonho, aliás, mas cada vez que Bill se lembrava do olhar do irmão colado ao seu, da mão dele que agarrava a sua com tanta certeza... Mas não, ele só podia estar a imaginar coisas. O hábito dele de não conseguir resistir aos encantos do outro rapaz tinha que parar, se não pelas razões óbvias, então ao menos pela sua ÓBVIA heterossexualidade. Ou pelo menos era dessa certeza que Bill precisava para não dar em maluco.

“Não acham que é melhor começarem-se a arranjar para a festa?” Simone perguntou-lhes a meio da tarde quando estavam todos a ver TV na sala. Bill espreguiçou-se um bocadinho, ficando um pouco mais em cima do irmão sentado ao seu lado do que devia – Tu disseste que ias parar! – e assentiu com a cabeça.

“Ok. Posso usar o vosso quarto-de-banho?”

Simone deu-lhe um meio-sorriso desconfiado, mas disse prontamente que sim, voltando de seguida ao filme que estava a ver com Gordon. Bill sorriu para si mesmo e foi preparar um longo banho de imersão na grande banheira que tinha cobiçado desde que viera visitar a casa pela primeira vez. Encheu-a de espuma, acendeu as velas aromáticas espalhadas pelo espaço e por fim acendeu um cigarro.

“Ah,” ele suspirou quando por fim se encontrou dentro daquele banho relaxante com fumo a sair-lhe pela boca, uma mistura de cheiros exóticos vindos das velas aromáticas a chegarem-lhe às narinas. “eu sou um gênio.”

O tempo passou e ele nem deu por isso, deixando-se ficar no banho e perdendo a conta aos cigarros que tinha fumado, acreditando que provavelmente tudo aquilo era por causa daquele nervoso miudinho que ameaçava em aumentar à medida que os minutos iam passando e a hora da festa se ia aproximando. Tão distraído estava com os seus pensamentos que só reparou na presença de outra pessoa no quarto-de-banho quando a voz de Tom ecoou nas paredes de azulejo.

“Bill!”

“O que foi?” Bill falou com um tom despreocupado, mas ao mesmo tempo observando o irmão que já estava quase vestido, apenas o casaco parecia ausente da sua indumentária. E sim, ele tinha feito um bom trabalho, definitivamente.

“O que é que ainda estás aqui a fazer?” Tom perguntou com um ar impaciente, observando o aparato à sua volta. “Daqui a uma hora a Cameron está aqui! E eu preciso de ajuda para apertar os botões de punho. Estas coisas deviam vir com manual de instruções...”

Bill sorriu para si mesmo e apagou na água o último cigarro que ainda fumava. “Estou a relaxar. A banheira é enorme e isto está cheio de velas aromáticas, perfeitas para esconder o cheiro a tabaco. E eu estava mesmo a precisar...” ele respondeu, esticando os braços por trás da cabeça e finalmente preparando-se para sair da banheira. “Chegas-me uma toalha, por favor?”

Tom parecia muito empenhado em olhar para outra coisa que não ele e dirigiu-se prontamente ao armário por baixo do lavatório para procurar o que lhe tinha sido pedido. Quando voltou a olhar para ele com o braço estendido e uma toalha branca na mão, Bill já estava fora da banheira. Completamente nu. Ok, ele não devia mesmo ter feito aquilo, mas o tom rosado que se espalhou pelas bochechas do irmão logo que ele o viu sem uma peça de roupa no corpo para manter a decência valeu muito a pena. Rapidamente enxugou-se e enrolou a toalha à volta da cinta, reparando que Tom não estava propriamente a olhar para ele, mas também não estava com intenções de sair dali. E aquela corzinha na cara dele a tornar-se cada vez mais intensa? Bill não podia evitar perguntar-se porque é que o irmão parecia tão constrangido. Será que o episódio pontual e que nunca mais iria voltar a acontecer, sim, esse, ainda o estava a afectar?

“Deixa cá ver isso.” ele acabou por falar, pegando no pulso do irmão e definitivamente apanhando-o de surpresa. Tom deu um pequeno salto inconscientemente, mas quando viu que Bill apenas lhe ia apertar os botões de punho, pareceu relaxar.

“Vês?” Bill disse baixinho quando acabou de colocar os dois botões. “Não é assim tão difícil.”

Tom deu-lhe um sorriso tímido, aquele tom rosado ainda muito presente nas suas bochechas, e Bill viu-se tentado a mandar a moral e tudo o resto para um sítio menos próprio. Aliás, ele estava mesmo certo de que já tinha faltado mais para tal coisa acontecer. Principalmente se Tom continuasse a olhar para ele daquela maneira que sinceramente não era muito heterossexual e definitivamente nada... casta.

“Gostas do que vês?” ele perguntou do nada, porque foi mais forte do que ele, mas mesmo assim manteve um tom leve e minimamente provocador. O que ele não estava à espera era a incoerência da resposta do irmão que não passou de um ‘Uh?’ assustado, como se ele fosse um puto que tinha sido apanhado a ver a irmã mais velha a tomar banho pela frincha da porta. Mas neste caso ele estava do outro lado da porta e o irmão era definitivamente muito homem, não estivesse o símbolo da sua masculinidade a dar sinais de si naquele exacto momento.

E foi aí que Bill, incentivado por todas aquelas reacções completamente óbvias – e porque é que ele não tinha dado ouvidos à Cameron? – mandou a moral toda pela janela e colou a sua boca à do irmão que continuava semi-aberta, agarrando-o pelos ombros como que por instinto. O beijo não passou de um leve movimento de lábios contra outros imóveis e Tom nem sequer teve tempo para reagir, mas foi o suficiente para deixar Bill com vontade de enfiar a língua naquele espaço por entre os lábios que acabara de beijar. Acabou por não o fazer.

“O—o que é que foi isto?” foram as primeiras palavras que soaram por entre respirações aceleradas, surpreendentemente vindas da boca de Tom que parecia envolvido num grande dilema para decidir se olhava ou não para a cara de Bill. A sua expressão, porém, não expressava repulsa ou ira, mas antes confusão. Bill suspirou de alívio por dentro e deu-lhe um pequeno sorriso, assegurando o outro rapaz com uma mentira fácil estampada na sua cara.

“Tens te portado muito bem, Tommy. Esta foi a tua recompensa.” ele falou calmamente, sem perder a compostura, sempre sorrindo. Tom observou-o, incrédulo, a sua boca ainda entreaberta, e Bill sabia que definitivamente tinha que sair dali. “Vamos?”

E ele foi, sim, mas não esperou que Tom fosse atrás dele antes de sair do quarto e fechar a porta atrás de si.

Gosh, o que é que eu fui fazer?

Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVI) 3/3   Seg Dez 15, 2008 8:06 pm

Continuação - Cap. XVI (3/3)

Quando Bill entrou no quarto que partilhava com o irmão após ter secado o cabelo no outro quarto-de-banho, estava à espera de o encontrar vazio, dando-lhe um momento para pensar REALMENTE no que tinha feito e decidir se tinha sido a pior coisa de sempre ou se apenas ocupava um lugar no top 5 de piores coisas que ele alguma vez tinha feito em toda a sua vida.

O que ele não esperava era de encontrar lá uma rapariga que parecia tirada da capa de uma revista.

“Cam?”

Cameron olhou para o amigo e sorriu aquele mesmo sorriso despreocupado de sempre. Ok, aquela era ela, pronto, mas—

“Tu—”

“Que é que foi?” ela perguntou de repente com os olhos arregalados. “Estou assim tão horrível? Eu disse à minha mãe que o vestido era curto demais, mas ela—”

“Não, não, não, estás óptima!” Bill interrompeu, caminhando até ela e abraçando-a, ausência de roupa incluída. “E... isto é batom? Oh, my god!”

“Guh, até parece que nunca uso maquilhagem.” Cameron comentou, revirando os olhos que estavam perfeitamente maquilhados com rímel e sombra incluída, mas mantendo um aspecto natural que combinava muito bem com ela. Para os lábios ela tinha colocado um gloss com um bocadinho de cor que combinava perfeitamente com os sapatos dela – vermelhos, completamente lindos, e quem quer que a tenha convencido a pôr-se em cima de um par de tacões merecia o prémio Nobel – e que faziam um belo conjunto com um vestido sem alças, preto e muito simples, mas que lhe assentava que nem uma luva.

“Estás linda, Cameron.” Bill voltou a elogiar a amiga, que já estava definitivamente a ficar sem jeito. “E isto são as tuas pernas? Gosh, acho que já não as via desde a última vez que fui dormir a tua casa!”

A rapariga revirou os olhos e corou um bocadinho. “Então aproveita que não as vais voltar a ver nos próximos milénios. Damn, sinto-me tão desconfortável!”

“Pois fica sabendo que não tens razão para isso!” Bill exclamou, agarrando-lhe numa mão e fazendo-a dar uma volta. “Tenho a certeza de que vou ter o par mais fabuloso da festa toda, ok.”

“Eu é que já não posso dizer o mesmo. Então decidiste ir nu e nem me avisas? E eu nem sequer estou assim tão interessada em ver as tuas pernas, muito obrigada.” Cameron comentou com um sorrisinho sarcástico. “Agora vou virar-me para a janela antes que essa toalha te caia da cinta, sim? E vê se te despachas, lá porque cheguei mais cedo não quer dizer que não estejas atrasado!”

Bill livrou-se da toalha à volta da cinta e vestiu um par de boxers. “Já podes olhar.” ele avisou, fitando a amiga com uma expressão presunçosa quando esta se voltou para ele. “E eu não estou atrasado.”

“Mas daqui a nada vais estar. O carro que tu pediste ao teu pai – que já agora foi uma óptima ideia – deve estar quase a chegar e ainda temos que passar por casa da Becky.”

“Becky...” Bill repetiu num suspiro, voltando a recordar-se do par que o irmão tinha escolhido.

“Onde é que ele se foi meter...” Cameron comentou, sentando-se numa cama enquanto que Bill colocava o seu fato peça por peça em cima da outra.

“Na cabeça dela? Aposto que tem lá muito espaço para ele passar lá uns dias, julgando pelo tamanho do cérebro dela.” ele comentou, revirando os olhos e tentando manter a calma. Mas depois do que se tinha passado... “Olha, podia ser que ele ficasse lá uns tempos e quando voltasse, por obra de um milagre, já não parecesse o pecado personificado. God, eu vou morrer. Se fosse religioso já me estava a internar num convento!”

“Bill! Deixa-te de dramas!” Cameron exclamou, ignorando o facto de que Bill tinha mais que uma razão para dramatizar. Porque ela não sabia. E ele precisava de lhe contar, mas não lhe estava a apetecer mesmo nada falar daquilo e— “Tu és um animal racional, com a peculiaridade da atracção por outros do mesmo sexo. É completamente normal que sintas essas coisas quando um espécime perfeitamente atraente insiste em andar pela casa onde tu vives como se estivesse nas Bahamas e depois ainda te deixa fazer-lhe um—”

“Eu beijei-o.” Bill acabou por admitir, num sussurro tão baixo que Cameron quase não ouviu. Mas quando ouviu, os olhos da rapariga arregalaram e uma mão cobriu a sua boca que abria em surpresa.

“Tu—”

“Eu beijei-o, ok. Há pouco, quando estava a sair do banho. Mas foi só um chocho e eu não quero falar mais nisso, ok?” Bill terminou, virando-se para o outro lado e ocupando-se a apertar os botões da camisa. Cameron, já habituada às fases de negação do amigo, resolveu não lhe estragar a noite.

“Ok, como queiras, vamos mudar de assunto. Onde é que estávamos?”

“Becky Brown?” Bill falou, ainda de costas, mas a observar a amiga pela porta espelhada do guarda-roupa.

“Isso, Becky Brown.” Cameron assentiu, procurando a linha de pensamento que tinha perdido. “Ás vezes dou por mim a pensar se ela tem alguma coisa parecida com um cérebro dentro daquele crânio.” ela acabou por comentar, porque foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça ao pensar no nome da rapariga. Bill deu uma risada seca. “Juro que não a consigo ouvir falar por mais de 5 minutos sem ficar a pensar se ria ou se chore!”

“Sim, mas ela é linda.” Bill comentou enquanto apertava um laço vermelho à volta da camisa branca que já tinha vestido. “Até eu consigo ver isso.”

“Se é! Eu juro que não tinha reparado nela até há 1 ou 2 anos, mas quando reparei... Aqueles lábios são surreais! E o arzinho inocente...” Cameron falou com um ar demasiado babado para o gosto de Bill que a ultima coisa que queria era ouvir falar do par de Tom daquela forma. Ou de qualquer rapariga, ponto.

“Ok, já percebi, podes parar! Já vi que ias totalmente lá, mas podes poupar-me dos detalhes.”

Cameron torceu o nariz e sorriu um bocadinho. “Eu? Ir lá? À Becky? Nah... Hey, isso é um casaco de cauda?” ela perguntou, mas Bill ignorou-a a favor de um comentário certeiro que não resistiu em escapar da sua boca.

“Ah sim, peço desculpa, como é que me pude esquecer. Demasiado morena para ti, não é?”

O sorriso que Cameron tinha na cara desapareceu rapidamente, sendo substituído pelo olhar de uma mulher em fúria. “Bill Skinner, não comeces!”

“Estou mesmo a ver o slogan do filme da tua vida:” Bill continuou, alheio às ameaças da amiga. “Os homens preferem as loiras - Cameron Boynton também!”

“You fucker!” foi a última coisa que Bill ouviu antes de levar com um ataque de cócegas. Cameron sabia que ele odiava cócegas! Rapidamente tentou fugir usando a cama como defesa, mas nada parecia parar Cameron que, ao contrário de Bill, não parecia minimamente preocupada se o seu cabelo curto e perfeitamente alisado ficava despenteado ou não. Felizmente os céus estavam do lado dele, ou talvez não, se pensarmos em quem entrou pela porta, mas a verdade é que Tom o salvou de uma morte certa por cócegas.

“Hey, Cam—” o outro rapaz ia dizer, mas foi apanhado de surpresa pelo novo visual da rapariga. “Eh lá! Sim senhor, tu estás... um espanto!” ele elogiou, ganhando um sorriso da amiga que rapidamente parecia ficar mais confiante e até deu uma pequena volta nos seus tacões. “Então, estão a discutir sobre o quê?”

“Sobre o teu par para o baile, claro.” Cameron respondeu com sinceridade, mas Bill podia ver que ela o estava a fazer como vingança. A única coisa que ele conseguiu fazer foi exclamar em ultraje.

“Cameron!”

“O quê? É verdade! Eu simplesmente não consigo entender porquê.”

Oh. Ok, ela tinha decidido ser boazinha. Bill respirou de alívio por dentro e voltou a preocupar-se com o fato que ainda tinha de vestir, mas foi interrompido pela resposta vaga do irmão.

“Porque ela disse que sim.”

Bill dirigiu o olhar para Tom que lhe sorriu como se nada tivesse acontecido e teve que usar todo o seu poder de auto-controle para não lhe mandar uma estalada bem no meio daquela cara. Cameron apenas riu e observou o outro rapaz com um ar céptico.

“Ah é só preciso dizer ‘sim’? Bom, então vamos dar graças a Deus por a Katrina Drain não se ter cruzado contigo a dizer 'Sim', caso contrário estavas completamente morto.” Cameron comentou antes de abrir a porta do quarto, preparando-se para sair. Tom seguiu-a e Bill agradeceu-lhe em silêncio por pensar em tudo, nomeadamente que a última coisa que ele queria era estar a fazer conversa barata com o outro rapaz, por muito sorridente que ele estivesse.

“Katrina? Quem é essa?”

“Não queiras saber.”

“Não, a sério, quem é a Katrina Drain? Agora quero saber!”

“Ssh! Os Deuses do Acne e da Gordura podem ouvir-te!”

Quando a porta do quarto se fechou atrás deles, Bill respirou fundo e voltou à sua tarefa de vestir o fato, apenas um pensamento na sua cabeça.

Vês? Ele está a cumprir a promessa dele e a agir como se nada tivesse acontecido. Porque é que não fazes o mesmo, idiota?


1) Oxford Street, rua em Londres com moooontes de lojas. Regent Street fica lá perto também e é assim na mesma base com umas lojas especializadas aqui e ali.

2) Tipo ESTA, mas mais larga e em vermelho, preto e branco, got it? xD Argyle Sweater Vest. Em português, camisola de lã sem mangas aos losangulos 8D a nossa língua é tao lame, sometimes.

3) St. Martin's é uma escola de artes super conceituada em Londres, que é especialmente conhecida pelo seu curso de design de moda.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVII) 1/3   Seg Dez 15, 2008 8:08 pm

Título: London Calling (Cap. XVII)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-17
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores] + para o Connor Hellington usei uma foto do actor Brady Corbet.

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XVII

As luzes do grande salão de festas brilhavam e pequenas velas iluminavam mesas redondas espalhadas pelo recinto. A um canto, uma banda tocava o que Tom suspeitava ser Jazz e Bill e uma das raparigas mais bonitas da festa estavam no meio do salão a atrair os olhares de todos os presentes com uma dança bastante elaborada, mesmo que não muito perfeita.

Como se o fato dele – casaco de cauda, colete vermelho com um padrão vintage e laço ao pescoço a combinar, calças que lhe ficavam mais justas no rabo do que o que devia ser permitido por lei e sapatos pretos com detalhes brancos – já não chamasse à atenção o suficiente. Ao menos já não estava com a cartola.

Não que a cartola lhe ficasse mal, mas aparentemente não era boa educação andar com a cartola em espaços fechados – apesar de Bill não ter contestado quando ele disse que não tirava o boné. Aliás, quando Bill entrou pela sala do apartamento com o seu fato que o fazia parecer uma estrela de rock e a cartola que lhe dava um ar irrefutavelmente sexy, Tom teve de se controlar para não ficar ali a olhar para ele feito parvo, com um fiozinho de baba a escorrer-lhe pela boca, para não falar da tentativa frustrada de puxar todos os pensamentos do incidente na casa-de-banho para os fundos da sua mente. O mesmo aconteceu quando a Becky entrou pela limusine – Limusine! – adentro com um vestido vermelho com um decote até ao umbigo e uns tacões agulha pretos que lhe davam um ar completamente matador, se bem que não com tanta intensidade devido à ausência de acontecimentos prévios para lhe atormentar a consciência.

Talvez fosse essa a única consolação dele ao ver Bill a dançar com ela: ao menos tinha uma desculpa para olhar. O facto de que a expressão sorridente do irmão fazia com que o coração dele batesse mais rápido e não as pernas da Becky que, valha-me Deus, eram boas como tudo, não importava para o caso.

Quanto a Cameron, essa estava sentada ao lado dele, porque ninguém a ia apanhar a dançar aquilo agarrada a um rapaz, jurou ela a pés juntos, e parecia fazer de conta que não estava a seguir todos os passos da loira vestida de branco que rodopiava pelo salão nos braços do tão aclamado Connor – um rapaz alto e bem constituído de cabelos castanho-claros ondulados e definitivamente bem parecido, que parecia estar a divertir-se mais a dançar que Guinevere, o seu par.

“Não te importas que o Bill te tenha roubado o par?” ela perguntou-lhe, brincando com o copo que tinha à sua frente.

“Nah.” Tom respondeu, encolhendo os ombros. A verdade é que até estava aliviado, visto que basicamente tinha dois pés esquerdos no que tocava a passos de dança. Cameron continuou a passar o dedo na borda do seu copo de água meio-cheio, suspirando logo de seguida.

“Porra, o que é que uma rapariga tem que fazer para arranjar álcool nesta festa? Onde é que o Sick e a Eddie se foram meter, já agora?”

Tom voltou a encolher os ombros e olhou em volta. Sick Boy e a namorada não pareciam estar à vista, mas felizmente estiveram no início para lhes darem as boas vindas com entusiasmo. Também foram os únicos, os restantes presentes na festa começaram um burburinho que não parou até o que o Director Jones deu início ao seu ‘pequeno’ discurso antes de começar o jantar. Quando isso aconteceu, todos tentaram não dar nas vistas enquanto cochichavam sobre os quatro desconhecidos que tinham aparecido na festa sem mais nem para o quê, incluindo a rival da rapariga sentada ao seu lado, quase fazendo com que Cameron se levantasse do lugar para lhe dar umas palavrinhas. Com sorte os restantes cinco presentes na mesa conseguiram controlá-la. Isso tinha sido há uma ou duas horas atrás e depois de terem sido servidos os pratos, Eddie pegou o namorado pela mão e ambos desapareceram para sabe Deus onde. E agora Bill e Becky pareciam estar a divertir-se à grande, Cameron parecia estar a planear um homicídio e Tom parecia estar a morrer de aborrecimento. Não, ele estava a morrer de aborrecimento, ponto.

“Olha, eles vêm aí.” Cameron anunciou, apontando para Eddie que já vinha a cambalear nos seus tacões, vestido azul turquesa a combinar com a gravata do namorado já um pouco fora do sítio. Acabou por se sentar ao lado da amiga, desatando imediatamente aos risinhos, seguida por Sick Boy que se apoiava no ombro dela.

“Conseguimos roubar álcool na cozinha. Mas ssh, nós somos menores!” Eddie falou não propriamente baixo, levando um dedo à frente da boca e continuando a sorrir. “Não digam a ninguém!”

“Não é preciso dizer, vocês já estão completamente bêbados!” Cameron exclamou, virando-se depois para o outro rapaz com uma expressão preocupada. “E se os teus pais te vêm?”

Sick Boy levantou a cabeça de onde a apoiava, colada ao pescoço da namorada, e deu uma risada embriagada. “Eles já bazaram, relaxa.”

“E o teu avô?”

“Ui, esse então já foi embora antes de servirem as sobremesas. Bebeu demais e já não se aguentava em pé.”

Cameron revirou os olhos e abanou a cabeça. “Bom, ao menos sabemos que já tens a quem sair.”

Sick e Eddie desataram a rir feitos doidos, como se Cameron tivesse dito a piada mais engraçada do século. Quando finalmente pararam, Eddie lançou um olhar maroto aos outros dois presentes na mesa.

“Mas vocês querem álcool ou não? Guardamos duas garrafas de vinho atrás de um arbusto nos jardins, eh.”

Cameron e Tom trocaram olhares sépticos, mas dois recém chegados da pista de dança interromperam-lhes a linha de pensamento.

“Então,” Bill perguntou, bochechas coradas de tanto dançar, com um braço por cima dos ombros da Becky. “onde é que está esse álcool, Sick?”

E assim foi feita a decisão.


- - -


Os seis amigos acabaram sentados numas escadas nos jardins traseiros do edifício, e Cameron estava a começar a perceber a lógica da expressão ‘beber para esquecer’, definitivamente. Normalmente ninguém a apanhava com os copos, mas existiam certas situações onde não havia volta a dar.

Hoje era uma delas.

E ela nem ia pensar porquê. Também não precisava de pensar muito, diga-se de passagem, bastava-lhe fechar os olhos e a primeira coisa que via era aquele narizinho empinado torcido numa expressão de nojo. Era suposto ela não se sentir afectada, mas era um bocadinho difícil passar mais que duas horas na mesma sala que a sua inimiga de quatro anos e não ficar com vontade de lhe arrancar aqueles cabelos loiros um a um de cada vez que os seus olhares se cruzavam.

E ainda para mais ela tinha que aparecer lá vestida de branco. Branco! O cérebro de Cameron não conseguiu parar de puxar por todas aquelas memórias escondidas da sua infância, em que ela ajudava Guinevere a colocar o vestido de casamento da mãe e fazia de conta que era o Rei Artur, e ela era Guinevere, rainha de Camelot. Quando estavam cansadas acabavam deitadas na primeira superfície confortável que lhes aparecesse à frente, Guinevere com a cabeça no colo de Cameron enquanto que ela lhe acariciava os cabelos e às vezes penteava-os com uma escova prateada que tinham encontrado no sótão de uma das avós da loira, Cameron já não se lembrava bem qual. Depois Guinevere olhava-a com aqueles olhos azul-indigo que nessa altura ainda eram a epítome da inocência e pedia-lhe para cantar a canção dela(1), uma que a mãe já lhe cantava desde pequenina e que Cameron tinha aprendido de propósito por causa da amiga. E Cameron cantava, baixinho, a letra que já sabia de cor, pensando que quando Guinevere fosse adulta iria ser igualzinha à imagem que ela tinha na cabeça da famosa Guinevere, Rainha de Camelot.

Guinevere of the royal court of Arthur
Draped in white velvet, silk and lace.
The rustle of her gown on the marble staircase,
Sparkles on fingers, slender and pale...


A música estava a tocar na mente dela num loop infindável, coisa que já não lhe acontecia há anos. Mas aquele vestido de seda branca que brilhava com a luz das velas por cima de cada mesa, o os cabelos loiros e alisados na perfeição...

Indigo eyes in the flickering candlelight,
Such is the silence o'er royal Camelot...


PÁRA, ela gritava para si mesma. As conversas à sua volta eram-lhe alheias, nem sabia do que é que Bill tinha estado a falar nos últimos cinco minutos, provavelmente para ela. Tentou distrair-se com alguma coisa mais concreta que lhe tirasse da cabeça aqueles pensamentos inúteis, já que o álcool não parecia estar a ajudar apesar de ela ter aviado quase metade de uma garrafa, alegando que o Sick e a Eddie já tinham bebido demais por isso não tinham direito. E realmente notava-se bem o estado de embriaguez deles, que pareciam muito distraídos um com o outro uns degraus abaixo. Bill não parava de falar e de beber, Becky ria-se de todas as piadas estúpidas que lhe diziam, e Tom estava sentado entre os dois, parecendo um bocadinho atrapalhado visto que quer Bill, quer Becky estavam practicamente em cima dele. Cameron riu-se e deu mais um gole do vinho—

—logo para ser interrompida por algo que quase a fez cuspir tudo para cima do vestido.

“Eu vi-os a vir para aqui, tenho a certeza!” ouviu-se de repente uma voz, cada vez mais perto. Sick e Eddie pararam de se devorar e trocaram olhares de pânico, Tom levantou-se de repente e Becky seguiu-lhe o exemplo, agarrando-lhe no braço. Só Bill parecia completamente distraído com a sua conversa, continuando a falar como se nada tivesse acontecido.

“—e então eu escondi o eyeliner da minha mãe na pasta e antes de entrar na escola—”

“Ssh!” Cameron tentou calar o amigo, mas já foi tarde demais. Quando deram por isso duas figuras estavam no topo da escadaria, observando-os a eles e às garrafas e a tudo o que precisavam para os incriminar. Merda.

“Muito bem! Estou a ver que se estão a divertir muito.” falou uma voz carregada de cinismo, uma voz que Cameron reconheceria até de olhos fechados.

“Guinevere.”

“É bom saber que a bebedeira não te afectou a visão.” a outra rapariga retorquiu, mantendo-se no mesmo sítio com o namorado ao lado, que parecia pouco à vontade, como se quisesse sair dali o mais rápido possível. Cameron continuou a fitá-la com um olhar definitivamente homicida, subindo as escadas devagar e deixando todos os presentes a conter a respiração. Ninguém brinca com uma Cameron Boynton enervada.

“E é bom saber que tu vais dar meia volta, vais levar o teu namoradinho daqui para fora e vais fazer de conta que não viste nada.” Cameron falou muito lentamente mal acabou de subir o último degrau e pôde olhar a outra rapariga ao mesmo nível. Guinevere apenas deu uma risada seca, não parecendo minimamente preocupada com o facto de que Cameron não parava de flectir os punhos.

“Ah, vou? Tem graça, não me lembro de ter dito nada disso... Não estarás a ter alucinações?”

Cameron fez de tudo para ignorar aquele tom petulante, pensando que alucinações já tinha tido ela à custa daquele vestido branco, e que sinceramente não estava interessada em repetir, muito obrigada. Reunindo toda a calma que conseguiu arranjar naquele momento e pensando nos seus amigos que não mereciam que ela fizesse uma cena e chamasse ainda mais a atenção dos adultos, acabou por baixar os olhos e falar num tom ríspido.

“Vai-te embora daqui.”

“Não sem antes chamar o Director para ele ver o que é que os convidados ‘surpresa’ andaram a fazer.” Guinevere respondeu calmamente, sempre com um sorriso falso na cara. “Não é Connor?”

Connor parecia encabulado, sem saber o que dizer, mas acabou por assentir com a cabeça, mantendo uma expressão séria. Quando Cameron reparou, já todos os seus amigos tinham subido as escadas e estavam atrás de si, garrafas já desaparecidas e num estado de sobriedade quase completo. Situações de necessidade exigem medidas urgentes e, surpreendentemente, Sick Boy foi o primeiro a falar.

“Hey Connor, não te vais chibar, pois não? Somos colegas, sabes bem que eu não sou um santo, pá...”

O rapaz pareceu vacilar um pouco, mas depois de observar as companhias do ‘colega’, a sua expressão voltou a endurecer.

“Devias ter mais cuidado com as companhias. Essa... gente não te vai favorecer nada, só serve para criar boatos. E se queres saber a tua reputação no colégio já não é nada boa. Pode ser que um susto te ajude a... encontrar o bom caminho.”

Quando Connor terminou o seu discurso, tão ‘politicamente correcto’ como sempre, a única coisa que o Sick fez foi desatar a rir. “Quê? Achas que eu me importo se o pessoal anda para aí a dizer que eu sou gay, ou bi, ou o caralho? Eu sei muito bem o que se diz de mim, não preciso que me informes. E se queres mesmo saber o caminho que escolhi agrada-me muito, mas obrigada pela... preocupação.”

Enquanto que atrás de Cameron todos desataram a rir, os dois idiotas à sua frente não pareciam ter achado lá muita piada. “Então, perderam a língua?”

Guinevere escarneceu, o seu lábio superior curvado em desdém. “Eu até te mostrava a minha, mas tenho medo que penses que estou a oferecer.”

Ah! A lata dela! “Pergunto-me porque será que sempre que discutimos a conversa acaba neste tema. Não há nada que queiras contar ao teu menino, não?”


- - -


Bill estava a divertir-se imenso. Cameron estava a dar uma coça psicológica à outra rapariga e ainda para mais as indirectas sobre a orientação sexual da Cameron e a suposta heterossexualidade da Guinevere já tinham começado. Hmm, era definitivamente a parte favorita dele nas discussões delas. E estava tão entretido que quando deu por isso, as duas já estavam aos berros uma com a outra, Cameron a empurrar Guinevere com um dedo.

“Eu não sou como tu, graças a Deus!” Guinevere dizia, a sua cara distorcida numa expressão de ódio.

“Graças a Deus digo eu! Não quero ser confundida com gente da tua laia!”

E essa foi a última coisa que ela disse antes de se ouvir uma voz forte a vir de longe e vários sons de passos a ressoar no chão.

“Parem imediatamente!”

Uh-oh.


Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVII) 2/3   Seg Dez 15, 2008 8:10 pm

Cap. XVII - Continuação (2/3)

Era o Director Jones. E não só. Era o Director Jones, mais um montão de gente que tinha ouvido o alarido e vinha ver o que se passava. Bill deu-se por feliz por ter um pai tão ocupado – não convinha que ele o apanhasse envolvido em discussões nos jardins de um dos colégios mais conceituados do país. Cameron e Guinevere pararam, afastando-se uma da outra com olhares mortíferos, e voltaram-se para o homem alto e barrigudo que acabara de chegar e as olhava com severidade por detrás dos seus óculos rectangulares.

“O que é que se passa aqui?”

Ninguém respondeu. Ficaram todos apenas a olhar para o homem, até que Connor lhe dirigiu palavra como o menino bem comportado que era.

“Estes convidados que, devo dizer, não são ligados à escola de qualquer forma, estavam a provocar distúrbios. A minha namorada, Guinevere Johnston, decidiu intervir e esta menina começou uma discussão completamente infundada com ela.”

“Ah, infundada?” ouviu-se a voz de Cameron a falar com indignação. Bill decidiu que estava na altura de actuar – mas quem é que aquele betinho pensava que era para difamar assim a sua melhor amiga?

“Se me permite,” ele começou num tom extremamente educado, rivalizando o de Connor. “todos os presentes apresentaram um convite à entrada, o que significa que fomos convidados. E eu, como filho do ex-aluno Martin Skinner e ex-aluno desta escola, garanto-lhe que quem provocou esta situação não foi a minha acompanhante. Esse seu aluno e a namorada é que nos insultaram utilizando argumentos completamente infundados e atacando as nossas escolhas de vida, que sinceramente não dizem respeito a ninguém a não ser a nós próprios.”

O Director arregalou os olhos ao descobrir que aquele é que era o filho do respeitável Martin Skinner, mas mesmo assim dirigiu-se a Connor com cara de poucos amigos.

“O que o Mr. Skinner disse é verdade, Mr. Hellington?”

“Parcialmente, mas a minha namorada não tem nada a ver com—”

“A tua namorada tem tudo a ver com tudo!” Cameron falou, já a perder as estribeiras outra vez. “Se a conheces bem já deves estar habituado às insinuações que ela faz sobre mim, sobre o Bill...”

“Mas não são insinuações, são verdades!” Guinevere retorquiu numa voz esganiçada e completamente não habitual nela.

“Meninas!” o Director Jones vociferou, fazendo com que as duas raparigas fizessem silêncio. “Mr. Skinner, posso saber que ‘insinuações’ são essas que geraram esta confusão toda?”

Bill olhou em volta, sentindo o pânico a querer tomar conta de si. De repente parecia que estava ali o mundo todo, a querer ouvir a resposta dele. E estava muita gente, com certeza metade ainda se lembrava dele e do seu ano problemático naquela escola. Mas quando o seu olhar se cruzou com os dos seus amigos e, principalmente, o de Tom, Bill percebeu que estava rodeado de pessoas que o apoiavam, e o resto não importava. Quando Cameron assentiu com a cabeça, Bill não precisou de mais nada para avançar.

“Aqui o Mr. Hellington e a namorada insinuaram que eu e a minha acompanhante, Cameron Boynton, somos homossexuais.”

Houve uns segundos de silêncio absoluto até que o burburinho começou e o Director arregalou os olhos, pronto para retaliar o casal. Mas Bill não o deixou falar – afinal não era bem aquele o cerne da questão.

“Mas não é isso que está em causa, afinal eles não disseram mentira nenhuma.” Bill continuou, deixando todos os presentes ainda mais agitados e o Director completamente sem palavras. “O problema é que eles referiram-se a isso como se fosse algo condenável, como se fosse influenciar se somos ou não pessoas dignas de respeito. Pois eu digo-lhe, qualquer pessoa que não queira o mal a outra é digna de respeito. Da mesma forma, qualquer pessoa que discrimine outra apenas pelas escolhas que faz, que em nada vão afectar a vida dos outros, não merece qualquer tipo de respeito da minha parte. E como este colégio prima pela sua óptima qualidade de ensino, penso que qualquer aluno ou professor irá concordar comigo neste tema. Seria muito inconveniente se este estabelecimento fosse levado à praça pública com a fama de ‘intolerante’ e ‘homofóbico’, não acha?”

A última frase foi especialmente dirigida ao director, que Bill tinha a certeza que queria era manter a boa imagem da escola e, por isso, iria esquecer rapidamente o que é que se estava a discutir ali. Afinal o importante era encobrir todos os escândalos, não é verdade?

“Sim, sim, tem toda a razão, Mr. Skinner.” Jones concordou, com as bochechas um pouco vermelhas, mas continuando a sua faceta de líder. “Mr. Hellington, espero que tal coisa não volte a acontecer, estamos entendidos?”

Aquilo pareceu finalmente tirar alguma reacção do namorado de Guinevere, que parecia ainda mais irritado que ela.

“Mas... o Director vai deixar isto passar assim? Eles estavam aqui a embebedarem-se—”

“Isso é impossível, Connor, então não sabias que menores não estão autorizados a beber nesta festa?” Sick Boy falou num tom sério demais para ser sincero, mas o Director pareceu engolir a história, olhando o outro rapaz ainda com mais severidade.

“Pára de os defender, Colin! Se a tua imagem está manchada nesta escola é por causa dele, dessa aberração que no teu primeiro ano andava atrás de ti como um cachorrinho—”

“Aberração?” Tom finalmente falou, parecendo preparado para dar um murro na cara do outro rapaz. “Eu dou-te a aberração, seu—”

“Parem.” Bill falou calmamente, mas num tom decidido, levantando um braço para proibir o irmão de avançar. “Não vamos começar com a violência. Se ele não consegue ter respeito pelas outras pessoas, isso é problema dele. Palavras rotas não me afectam.”

“Palavras rotas?” o outro rapaz retorquiu, face vermelha de raiva e punhos cerrados. “Achas que tens o direito de falar assim comigo, como se fosses superior? Esse é o problema da gente da tua laia, acham-se melhores que os outros só porque tiveram a coragem de sair do armário.”

Bill controlou o impulso de começar a discursar até que o outro idiota entendesse o ponto dele, limitando-se a dizer a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

“Alguém me sabe dizer um sinônimo para REPRIMIDO?”

Cameron, habituada às suas respostas cortantes, apenas sorriu maliciosamente e colocou uma mão no ombro do amigo.

“Eu podia-te dizer MAIS QUE UM,” ela falou alto, fitando a loira enraivecida à sua frente. “mas creio que o que procuravas é... Connor?”

Bill sorriu secamente e agarrou a mão que repousava no seu ombro. “Exactamente. Obrigada, Cameron. Agora se nos desculpam, penso que seria melhor retirarmo-nos.”

E com isso começou a caminhar, passando pelo meio do casal à sua frente e apenas acenando com a cabeça ao Director em sinal de respeito, arrastando consigo Cameron e, consequentemente, todos os seus amigos, que o seguiram prontamente. Já estavam todos a subir a escadaria que dava para a entrada no edifício pelas traseiras, quando Sick Boy, num acto de rebeldia, se voltou para trás e começou a gritar.

“Aí, grande Bill! E vocês vão-se todos foder, seus betinhos de merda!”

Os outros cinco desataram a rir e começaram a correr, entrando no salão de festas e dirigindo-se para a grande porta de saída num passo apressado. Antes de fecharem as portas, ainda se conseguiu ouvir uma conversa entre Sick e a namorada.

“Ah, é tão bom ser gay.”

“... mas tu não és gay.”

“Tens razão. Eu não sou gay. Mas sei que todos os gays que conheço valem mais sozinhos que esses cocós todos juntos!”


- - -


Mal chegaram à rua, cansados da correria com uma breve paragem para recuperarem os casacos e chapéu, mas não menos felizes, desataram todos a festejar. Bill e Cameron deram um grande abraço enquanto que Sick Boy e Eddie se beijavam como se o mundo fosse acabar. E quando Bill se voltou para o irmão esperava também dar-lhe um abraço—

—mas parecia que alguém já tinha chegado antes e decidido que ele precisava era de um grande linguado.

Bill tentou não se sentir afectado pela visão de Tom a ser beijado intensamente pela Becky, mas a verdade é que só lhe apetecia chegar lá, arrancá-lo dos braços da rapariga e atirar-se ele para cima do irmão. Rapidamente virou-se de costas para não olhar, escondendo os olhos por baixo da aba da cartola, mas foi deparar-se com a expressão condescendente da melhor amiga. E isso era a última coisa que ele precisava, sinceramente. Ele precisava era que NINGUÉM reparasse no quão afectado ele estava para ser um bocadinho mais fácil tentar esquecer aquela dor no peito que não devia estar ali.

“Queres vir até minha casa? Até nem fica muito longe não é, o Bill e a Cam podem ficar com a limusine.”

Tom pareceu hesitar e até tentou olhar para Bill provavelmente para saber o que ele achava da ideia, mas como Bill se recusou a levantar a cabeça, Tom acabou por concordar. Quando Cameron fechou a porta da limusine e se sentou no banco de trás a seu lado, abraçando-o cuidadosamente, Bill fez os possíveis e os impossíveis para manter a compostura.

E porque é que os olhos dele teimavam em ficar húmidos?


Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVII) 3/3   Seg Dez 15, 2008 8:12 pm

Cap. XVII - Continuação (3/3)

Enquanto caminhava até à casa da Becky com a rapariga pelo braço a tentar não se queixar dos tacões, Tom estava cada vez mais dividido. Uma parte de si dizia que aquela tinha sido a melhor decisão que ele tinha tomado em meses, mas a outra pedia-lhe incessantemente para voltar para casa. Volta para casa, volta para casa, viste a cara do Bill? Ele tinha visto, mas tentava não tirar muito disso, porque o irmão não podia estar com ciúmes, simplesmente.

E o beijo?

O beijo tinha sido só uma brincadeira, ou pelo menos foi isso que ele disse a si mesmo durante todas aquelas horas em que tentou não pensar nisso. Tinha-o ajudado a encarar o irmão como se nada se tivesse passado, afinal ele não era rapaz de quebrar promessas, por isso não havia mal em continuar a acreditar, certo? E para que é que ele estava a pensar naquele beijinho insignificante, quando uma rapariga perfeitamente atraente o tinha beijado até às amígdalas há menos de cinco minutos?

“Err... queres entrar?” Becky perguntou-lhe, subitamente tímida e completamente adorável. Tom resolveu esquecer todas as suas preocupações e seguiu-a, descendo um vão de escadas em silêncio até chegarem ao que parecia uma cave. Quando Becky fechou a porta atrás de si e acendeu as luzes, Tom descobriu que a cave era até muito confortável, com um enorme sofá encostado a uma parede e uma televisão à sua frente.

“O meu irmão usa isto como salão de jogos. Eu costumo vir para aqui quando quero estar... mais à vontade.” ela comentou com um sorriso maroto, e sem mais demoras agarrou-o pelos ombros e beijou-o. Acabaram por cair para cima do sofá, Becky prendendo-o entre as suas pernas nuas, incitando Tom a tocá-la. E foi o que ele fez, deixando que as suas mãos explorassem o interior do vestido dela, aquele rabo perfeito, aquelas coxas...

“Com que então os boatos não são verdade, hmm?”

“Que boatos?” Tom perguntou vagamente, não muito interessado em falar.

“Que tu e o Bill são namorados.”

E aquilo foi como um balde de água fria a cair-lhe pela cabeça abaixo. De repente o corpo colado ao seu não lhe dizia nada, e a excitação que se tinha formado ali deixou-o vazio. Mas o que é que ele estava a fazer?

“Vocês não são, pois não?” Becky perguntou, uma expressão preocupada a aparecer no seu rosto de boneca. Tom desviou o olhar deixando a rapariga ainda mais inquietada.

“Não, de onde é que tiraste essa ideia?”

“Dos boatos. Mas não só.” ela admitiu seriamente, deixando o colo dele para se sentar no sofá a seu lado. “Eu sei que toda a gente pensa que eu sou um bocadinho burrinha e a verdade é que não sou a lâmpada mais brilhante da caixa, mas... eu tenho o coração ligado ao cérebro, percebes? Vejo bem os sentimentos das pessoas. E sempre achei que se passava alguma coisa entre ti e o Bill, mas sabes como é que são os boatos, uns diziam que vocês são primos, outros que são irmãos, outros que são só amigos... e quando tu me convidaste para a festa eu fiquei com esperanças. Há muito tempo que não conhecia um rapaz que valesse a pena, tu chegaste aqui com o teu sotaque dos States e eu pensei...”

Fez-se silêncio. Tom remoia as palavras dela até não aguentar mais. Mas afinal o que é que ele e o Bill eram? Nem ele o sabia. Só lhe apetecia esquecer aquilo tudo e concentrar-se na criatura tão atraente que tinha à sua frente, que aparentemente não era tão vazia como parecia e definitivamente merecia o máximo da sua atenção.

“Olha, eu e o Bill... não se passa nada entre nós.” ele acabou por dizer, agarrando as mãos da rapariga e guiando-as para os seus ombros. “Podemos continuar?”

Becky deu-lhe um pequeno sorriso e beijou-o outra vez, com mais gentileza que das duas outras vezes, mas não com menos fervor. Tom tentou deixar-se levar, tentou mesmo, porque ela merecia—

Ela merecia muito melhor que ele.

“Eu—eu não consigo, desculpa.” Tom falou rispidamente, levantando-se do sofá. Quando se voltou, esperou ver Becky irritada ou magoada, mas quando olhou para ela, o que encontrou nos olhos dela surpreendeu-o. Sabedoria. Será que aquele era o dia para todas as coisas mais inesperadas acontecerem ou era só impressão dele?

“E já me consegues dizer porquê?” ela perguntou com uma expressão desapontada, mesmo que estivesse a sorrir e com aquele brilhozinho sabedor nos olhos.

“Err... se calhar até se passa algo entre mim e o Bill.” ele acabou por admitir, sentindo-se tão aliviado que teve a sensação de que mais um bocadinho e começava a flutuar. Era bom dizer aquilo a alguém que não sabia das limitações da relação deles. Era bom simplesmente deitar tudo cá para fora. Quando deu por si estava a puxar a rapariga para si, apertando-a num abraço surpresa.

“Obrigada.”

“... de nada.” Becky respondeu, parecendo um bocadinho embasbacada com aquela reacção, mas não deixando de o abraçar de volta. Quando se afastou, olhou-o nos olhos e deu-lhe um pequeno sorriso. “Agora vai resolver a confusão que vai nessa cabecinha. E não te preocupes comigo, Yankees nunca foram muito a minha cena. Prefiro franceses!”

Tom já ia a caminho da porta, mas não conseguiu evitar um último comentário depois da risada que abandonou a sua boca. “Ah! Ninguém gosta dos franceses!”(2)


- - -


Mal Bill chegou a casa, a primeira coisa que fez foi livrar-se de toda a roupa que trazia no corpo a não ser a camisa e as calças, abrir a janela, e tirar um cigarro de uma mala que tinha deixado em cima da cama. A quantidade de tabaco que já tinha fumado naquele dia reflectia o turbilhão de emoções pelo qual ele tinha passado num tão curto espaço de tempo. Não sabia se havia de estar triste ou contente. Quando olhou para trás de si e viu o quarto vazio àquelas horas da noite, suspirou profundamente.

Triste, sem dúvida alguma.

A janela aberta estava a deixar com que o frio arrefecesse a temperatura do quarto, mas Bill não estava minimamente preocupado com isso. A única coisa que lhe preocupava era esquecer-se daquela fixação ridícula que tinha no próprio irmão, gémeo, por amor da virgem, e olhar em frente. Esquecer aqueles devaneios infantis, porque qual é a pessoa que no seu perfeito juízo se vai apaixonar—apaixonar? Não, ele não estava apaixonado. Era completamente impossível, incompreensível, inaceitável—

“Hey.”

“Ah!” Bill gritou, apanhado de surpresa por Tom que tinha acabado de entrar no quarto e fechado a porta.

Tom. No quarto. Fechado a porta. Alguma coisa não estava bem ali.

“T-Tom?” ele falou e MERDA, ele não podia estar a gaguejar. E os olhos dele não podiam estar a ficar húmidos outra vez, NEM PENSAR! “O que é que estás aqui a fazer?”

Tom não respondeu, apenas aproximou-se do parapeito da janela e apoiou-se lá com os braços, mesmo ao lado dele, a olhar pela janela como se nada tivesse acontecido.

“Tom?”

“Eu—eu não consegui.”

Bill demorou uns segundos a processar o que o outro tinha dito e mesmo assim ficou sem perceber muito bem o que se estava a passar ali. Mas não conseguiu pedir uma explicação, porque quando deu por si, Tom tinha-lhe tirado o cigarro da mão, dado uma passa e atirado-o janela fora. Não a ele. Ao cigarro. Gosh, a cabeça dele estava a funcionar a meio gás e tudo por causa daquele olhar que tinha aparecido na cara do irmão sem mais nem menos.

“Tom—” ele voltou a chamar, empenhado em exigir uma explicação concreta de uma vez por todas, mas com isso apenas ganhou um dedo suavemente pressionado contra a sua boca.

“Ssh.”

E assim, sem avisar, sem mais nem para o quê, Tom substituiu o dedo pela sua boca e beijou-o. Começou tal e qual como o beijo na casa-de-banho, excepto as posições invertidas, mas quando Tom prendeu lábio inferior do irmão entre os seus e puxou, Bill não viu outra solução a não ser render-se. Sim, porque naquele momento podiam começar a chover sapos dentro do quarto que Bill não ia voltar atrás nem largar o corpo que tinha acabado de agarrar contra o seu. Em segundos o beijo tornou-se profundo e desesperado, reflectindo toda aquela tensão que se tinha formado à volta deles. Tom agarrava-o pelo tronco e pressionava-o contra o parapeito da janela, enquanto que as mãos de Bill pareciam querer mapear toda a extensão das costas do outro, bem como aquele rabo fantástico que estava definitivamente coberto demais e precisava urgentemente de ser despido. Já.

Usando alguma força e muitas provocações incluindo, mas não só, trincadelas na orelha e apalpões no rabo, Bill lá conseguiu arrastar Tom para a cama mais próxima, onde tratou de rapidamente ajudá-lo a livrar de todas as suas roupas, conseguindo deixá-lo em tronco nu antes de ser novamente atacado. Quando deu por si preso entre aquele corpo que tanto tinha desejado e a cama, inundado por todos os lados por aquele cheiro que era tão caracteristicamente Tom, Bill não pode evitar um pequeno gemido que abandonou a sua boca. Esse deslize pareceu entusiasmar o outro rapaz, que não descansou enquanto não teve Bill deitado na cama, só em boxers, completamente à sua mercê.

“Tens a certeza que queres fazer isto?” Tom perguntou-lhe, olhando-o nos olhos enquanto lhe dava um pequeno beijo no nariz e esperava pela resposta. Bill fitou-o com um olhar limpo e seguro, e respondeu-lhe num tom decidido.

“Tenho.”

“Óptimo.” Tom sussurrou, sorrindo contra a sua boca semi-aberta. “Porque eu também.”

E sem mais demoras os beijos continuaram, assim como as mãos a tocar em todo o lado, braços, barrigas, costas, rostos, como se cada um estivesse a tentar absorver o máximo possível do outro, como se tivessem esperado por aquele momento durante toda a sua vida. Bill tinha a certeza de que nunca tinha sentido nada assim, e duvidava que alguma vez fosse. Aquele calor que também era excitação mas não só, aquela noção de ‘Wow, podia ficar aqui a noite toda, só a beijar.’

Mas parecia que Tom tinha outras ideias, porque de repente parou de o beijar e começou a puxar-lhe pelo elástico dos boxers, primeiro com uma mão, depois com as duas. Bill deu por si a gemer outra vez quando o ar frio que ainda entrava pela janela fez contacto com o seu membro já erecto, mas rapidamente passou a gemer por outra coisa totalmente diferente quando a mão de Tom o agarrou sem vacilar e começou a mover-se lentamente, torcendo um bocadinho na ponta, mesmo como ele gostava. E, oh my God, ele ia morrer ali, porque há séculos que ninguém o tocava assim e nunca na vida tinha sido tão especial e bom. Não era a expressão mais eloquente que lhe tinha passado pela cabeça, mas também pensar era a última coisa com que ele se queria preocupar quando a mão tão caracteristicamente masculina do irmão o tocava da forma mais perfeita possível e era nessas alturas que ele percebia porque é que gostava tanto de homens e mais um bocadinho, quase, quase—

“P-pára.”

Mas Tom não estava disposto a sair dali de mãos a abanar, porque quando os seus lábios roçaram no ouvido do irmão, uma simples frase abandonou a sua boca.

“Vem-te para mim.”

E que ninguém diga que ele não sabe obedecer a ordens. Com um último gemido que lhe saiu mais agudo do que o previsto, abafado pela boca de Tom, Bill estremeceu e deixou que o prazer lhe percorresse o corpo, agarrando-se com força aos ombros fortes do outro rapaz.

Quando aquela sensação fantástica esvaneceu e Tom manteve-se ali, ofegando tanto como ele e cobrindo-lhe o rosto de beijos molhados, Bill não conseguiu evitar e perguntou-se a si mesmo se tudo aquilo não tinha sido um sonho.

A pressão deliciosa contra o seu abdómen a precisar de atenção parecia real o suficiente, e Bill sorriu.


1) A canção da Guinevere tem o nome dela e é do cantor Donovan. Já é muito antiga e dá uma canção de embalar perfeita, por isso é normal que a mãe da rapariga a cantasse para ela. Ouvir AQUI.

2) Baseado no estereótipo muito falado nos países de língua inglesa, principalmente nos Estados Unidos, que diz que ninguém gosta dos franceses xD É estúpido, eu sei.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVIII) 1/3   Seg Dez 15, 2008 8:13 pm

Título: London Calling (Cap. XVIII)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-17 like woah.
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.]


Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XVIII

No final da tarde de Domingo, depois de tomar um duche, Tom decidiu sair do quarto em tronco nu para procurar uma camisola que provavelmente ainda estava na lavandaria e que de repente sentiu a necessidade de usar. Passou pela sala onde Bill estava a jogar consola com Gordon enquanto que Simone observava a cena e não parava de dizer que tinha três adolescentes em casa, e fez questão de prender o olhar do irmão com o seu.

Bill arregalou um bocadinho os olhos e corou. Sinceramente, só lhe faltava um fiozinho de baba no canto da boca! Sem mais rodeios, Tom apenas arqueou uma sobrancelha, deu-lhe um sorrisinho maroto e voltou a seguir o seu caminho, levando o seu tempo até chegar ao seu destino. Antes de entrar na cozinha ainda conseguiu ouvir Bill a anunciar que ia ‘comer qualquer coisa’.

Bingo.

Não teve que esperar muito tempo até sentir dois braços a circundarem-lhe a cintura e dentes cravados no seu pescoço. E ele ainda nem sequer tinha aberto a porta da lavandaria.

“Não devias ser tão impulsivo, Billy.” ele falou num tom leve e descontraído, não desejando nem por um segundo que Bill levasse o aviso a sério se tais impulsos o levavam a fazer-lhe coisas como as que ele estava a fazer ao pescoço dele naquele preciso momento. “Hmm.”

“E tu não devias provocar-me, Tommy.” Bill retorquiu antes de ser guiado até à porta da lavandaria em passos tortuosamente lentos. Quando Tom finalmente rodou a maçaneta e os dois entraram naquele espaço reduzido e frio, a única coisa que Bill teve tempo para fazer foi fechar a porta atrás de si antes de ser aprisionado entre ela e o corpo quente do irmão.

“Tens a certeza?” Tom perguntou-lhe num sussurro contra a sua orelha, trincando-a ao de leve e acariciando-a com a língua logo de seguida. Bill demorou uns momentos para responder e parecia ter alguma dificuldade em manter uma linha de pensamento. Acabou por responder com um simples ‘não’, porque sinceramente as provocações eram mais que bem vindas apesar de não serem muito apropriadas em certas alturas, e por fim conseguiu com que Tom aproximasse a sua boca da dele.

O beijo começou tão sôfrego como sempre, mas aos poucos foi-se transformando numa dança de língua contra língua, como se os dois competissem para descobrir quem é que conseguia fazer o outro arrepiar-se mais, agarrar mais, trincar mais, desejar mais. Só pela forma como Bill reagia a um movimento de língua em particular, tentando colar o seu corpo ainda mais contra o dele como se isso fosse possível, arrastando as unhas pelos seus ombros e possivelmente deixando marca, Tom conseguia sentir o quanto ele estava a gostar daquilo. E ele tinha a certeza de que nunca tinha sentido nada assim, não com nenhuma das raparigas submissas que beijou, não com os corpos voluptuosos que agarrou. Bill beijava-o como se a vida dele dependesse disso e Tom pagava-lhe na mesma moeda, porque era isso que se tornava tão viciante como o perfume daqueles cabelos negros ou o toque daquelas mãos magras e suaves.

Tom estava viciado no seu próprio irmão gémeo e sabia com todos os seus sentidos que Bill era viciado nele de volta.

Aquele fim-de-semana tinha sido basicamente passado assim. Um dos dois provocava, o outro ia atrás e acabavam aos beijos ou algo mais se tivessem tempo nos sítios mais improváveis da casa, desde por baixo da coberta da cama logo de manhã, até por detrás da porta do armário espelhado, sendo que a porta do quarto estava escancarada e qualquer pessoa poderia ter entrado e ouvido as suas respirações ofegantes. Ninguém ouviu, ninguém reparou, e por isso Tom e Bill passaram um dia inteiro fechados no seu pequeno mundo em que eram apenas duas pessoas que gostavam de passar tempo de qualidade uma com a outra.

Quando Bill lhe acariciou a fronte das calças com pressão suficiente para o fazer gemer e tratou de o deixar ali, completamente incoerente e a morrer de tesão, Tom sorriu porque sabia que não ia acabar ali. Que ia haver uma próxima vez. E que se tudo corresse bem, essa não iria ser a última.

As moralidades e coisas que tais tinham sido completamente descartadas para os fundos da sua mente.


- - -


Passou-se alguma coisa.

Foi isso que Cameron Boynton pensou mal viu aquele sorrisinho aluado na cara do melhor amigo e a forma como quer ele, quer Tom não conseguiam parar de trocar uns olhares muito estranhos. Sim, tinha-se passado alguma coisa e ela até podia especificar um ou dois exemplos.

Mas não eram só os olhares. As provocações verbais eram discretas, sim, mas não o suficiente e os toques ‘acidentais’, esses eram mais que óbvios. Até o subtexto que Bill metia no meio da simples frase ‘Posso usar o teu lápis?’ a deixava cada vez mais certa de que a noite não tinha acabado propriamente ali, com o seu amigo destroçado dentro de uma limusine branca.

Durante a aula de Arte, esses seus pensamentos eram intercalados pelo esforço psicológico que ela estava a exercer sobre si mesma para não se virar para trás, porque se ela o fizesse não se iria responsabilizar pelos dados causados a uma certa cabecinha loira. Ainda não a tinha visto, sequer, passando o tempo toda com os olhos presos na folha à sua frente onde era suposto estar a desenhar à vista um vaso de flores pousado umas mesas à frente, mas conseguia sentir a presença dela, ouvir os lápis a serem pousados e o pé da mesa a bater no chão de cada vez que a outra rapariga precisava de apagar alguma coisa.

Ela estava a dar em doida.

Mas o pior ainda estava para vir. Durante o intervalo, ela e os gémeos foram dar uma volta pelo pátio, aproveitar os poucos dias sem chuva que lhes restavam, quando um grupo de rapazes que ela apenas conhecia por serem um bando de idiotas passa por eles e desata a rir às gargalhadas. Não demorou muito para que bocas foleiras como ‘Paneleiro’ ou ‘Florzinha’ ditos entre tossidelas – e que originalidade – fossem ouvidas.

Ela e Bill já estavam habituados, era sempre assim de cada vez que um deles se envolvia em algum escândalo. Era como se ateassem um fogo que estava quase extinto. Mas aparentemente, Tom não estava a pensar em ficar-se por ali.

“Há algum problema?” ele perguntou em alto e bom som, virando-se de frente para o grupo. Uns riram-se mais um bocado, outros retribuíram o olhar ameaçador e incharam o peito, como se tivessem a constituição de um lutador de boxe. Nem de perto nem de longe, mas a verdade era que eles estavam em maioria. Porque é que o idiota do Tom se estava a armar? Aparentemente tinha-se esquecido de que já não tinha as costas quentes como em Chicago...

“Não era para ti, mano, mas se a carapuça te serviu...”

“O que te vai servir muito bem é um murro nessa cara se te pões com essas merdas outra vez, ouviste?” Tom retorquiu, avançando na direcção do grupo, sozinho. Bill parecia querer detê-lo, mas a amiga agarrou-o pelo ombro e colocou-se à frente dele. Mais gente metida ao barulho não ia mudar nada.

“Anda embora, Tom.” ela interviu a medo, tentando acalmar os ânimos. “Não sei como é que é lá nos states, mas por aqui este tipo de confusão dentro da escola só dá problemas...”

“Queres ver que a fufa agora também se vai meter ó barulho...” disse outro rapaz com uma cara de gozo tão irritante que Cameron teve que se controlar para não ir pelo mesmo caminho que Tom queria tomar.

“Saiam mas é daqui, e é se não querem que eu chame a atenção de alguém.” Cameron retorquiu com uma expressão séria, segurando Tom pelo braço e puxando-o para trás.

“Isto não fica assim.” um deles disse antes de se ir embora, seguido por todos os outros. Tom ainda tentou ir atrás deles, mas foi detido pelo irmão que prendeu a mão dele com a sua.

“Caga para aqueles cobardes.” Bill falou em voz baixa com uma expressão de sincera preocupação. “Se eu fosse dar uma coça a alguém de todas as vezes que gozam comigo por causa dessas merdas...”

Tom parecia querer contestar, mas bastou-lhe olhar para a cara do outro rapaz para acalmar um pouco. As suas mãos entrelaçadas mantiveram-se assim por mais uns momentos até que Cameron começou a caminhar em direcção à porta de entrada do edifício, relembrando-os de que estavam na escola.

Quando ia a subir as escadas, cruzou-se com Guinevere, reparando que a rapariga tinha assistido a toda aquela cena, provavelmente com o seu sorrisinho maldoso habitual. As duas trocaram olhares, e o de Cameron dizia com todas as letras Isto é tudo culpa tua.


- - -


Com o decorrer das aulas, os três amigos acabaram por se esquecer do assunto, por isso nada os preparava para o que aconteceu ao final do dia.

Saíram todos pelo portão a tentar fugir à chuva que tinha começado a cair nessa tarde, abrigados com um só guarda-chuva. Bill ia no meio porque fora o único que se lembrou de levar alguma coisa para proteger o seu cabelo e Cameron e Tom iam agarrados aos braços dele, um de cada lado, tentando acompanhar o seu passo apressado. E foi ao virar da esquina para uma outra rua que o caminho lhes foi barrado.

Era o grupo de rapazes que os tinha abordado na escola e pareciam prontos para armar confusão. Tom, obviamente, não se deixou ficar.

“O que é que querem?”

“A gente disse que isto não ia ficar assim.” um deles falou com um sorriso escarnecido na cara. Aparentemente devia ser o líder do grupo porque só ele se chegou à frente, tentando amedrontar Tom que se manteve parado e com um olhar desafiador preso no do outro rapaz. Bill tentou dar um passo em frente num acto de coragem impensada e estúpida, mas Cameron deteve-o. Ele nunca tinha sequer dado um murro a alguém, não era agora que ia começar.

“Ah é?” Tom perguntou, curvando o lábio superior com ar de desdém. “E o que é que me vais fazer? Dar-me porrada porque não sou um preconceituoso de merda como tu?”

Logo que Tom acabou de falar, o outro rapaz já estava a atirar-se para cima dele, agarrando-o pela cabeça e tentando acertar-lhe com o punho na barriga. Tom deu tão bem quanto recebeu apesar de ambos estarem com dificuldades por causa do piso molhado, e os outros rapazes apenas observavam a cena e incentivavam o amigo como se estivessem a ver uma luta de cães. Cameron sabia que todos eles eram cobardes demais e estavam apenas à espera que o ‘líder’ conseguisse deitar Tom ao chão para lhe irem lá todos dar uns pontapés. Mas isso não parecia estar a acontecer, e quando ela já estava a ficar cansada de deter Bill que teimava em querer meter-se no meio da confusão, uma voz feminina ouviu-se mais alto que todas as outras.

“CHEGA!”

Era Guinevere, sozinha, abrigada por um guarda-chuva branco, sem o seu grupinho de seguidoras sem cérebro. A sua expressão parecia assustada, mas no segundo seguinte voltou a ficar impávida e serena, como se não tivesse acabado de ver dois rapazes aos murros no meio de um passeio. Quando ela voltou a falar, a sua voz tinha passado daquele grito agudo e desesperado para um tom sério e autoritário.

“Parem, já foi o suficiente. Estamos quase à porta de uma escola, não querem arranjar problemas com a polícia, pois não?”

“Mas tu disseste que aqui—” um deles começou a falar, mas Guinevere interrompeu-o.

“E agora disse que já chega. Podem ir, amanhã falamos.”

Cameron observava a troca, tentando perceber o que se passava ali, enquanto que Bill tinha finalmente conseguido soltar-se das mãos dela e estava agora agarrado ao irmão, certificando-se de que ele estava bem. À parte de um nariz sangrento e um estômago dolorido, Tom parecia inteiro.

Quando o grupo de rapazes finalmente se foi embora, Guinevere seguiu o caminho dela sem sequer olhar para trás, mas Cameron acabou por se descartar do guarda-chuva, entregando-o aos outros dois que já estavam a ficar encharcados, e foi atrás dela, agarrando-a pelo braço e obrigando-a a encará-la.

“O que é que foi aquilo? Porque é que eles te obedeceram? Foste tu que os mandaste fazer isto, é? Sua cabra sem escrúpulos, eu—”

Guinevere interrompeu-a a ela também, soltando o seu braço com um puxão tão forte que o seu guarda-chuva acabou tombado no chão, e dando um passo atrás, fixando o olhar dela com um outro de igual intensidade.

“Não fales do que não sabes, sim? Se eles fizessem metade do que estavam a pensar fazer, ali o teu amigo ainda ia parar ao hospital e o escândalo só ia manchar a imagem de todos os que estiveram envolvidos na discussão de sábado. Eu apenas... os fiz acreditar que estavam a fazer isto como um favor para eu lhes arranjar uns encontros com umas miúdas. E não é que eles foram cabeças ocas o suficiente para acreditar em mim?” ela falou calmamente, mesmo que a força com que as suas mãos agarravam a saia do seu uniforme dissesse exactamente o contrário. E Cameron não estava a acreditar naquela história nem por um bocadinho, mas sinceramente naquele momento o mais importante era sair dali, de preferência para um sítio abrigado onde não tivesse pequenas gotas de água a escorrer pela face de porcelana da outra rapariga, distraindo-a da sua linha de pensamento.

“E fizeste isso tudo por causa da tua imagem?”

“E da do Connor. Não quero que pensem que ele anda envolvido com aquela gente.” ela retorquiu, empinando ainda mais o seu narizinho e parecendo visivelmente mais calma, apesar de estar a ficar completamente encharcada. Rapidamente baixou-se e apanhou o guarda-chuva, voltando a fixar-se na rapariga à sua frente com um olhar desafiador. Cameron olhou para trás, cruzou olhares com Bill que parecia mortinho por sair dali, e suspirou profundamente.

“Então não te envolvas tu.”

Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVIII) 2/3   Seg Dez 15, 2008 8:17 pm

Continuação - Cap. XVIII (2/3)

Quando chegaram ao apartamento, Bill deu graças por ter a casa vazia. Não estava com vontade de ter de explicar à Simone e ao Gordon o porquê de ter trazido consigo um rapaz a sangrar do nariz, sendo esse rapaz o seu irmão e, consequentemente, responsabilidade deles. Seria melhor tratar-lhe das feridas primeiro e pensar nas explicações depois. Cameron tinha ficado em casa, aparentemente demasiado abalada pela conversa que tivera com a loira para contestar quando Bill lhe garantiu que não precisava de ajuda. A verdade é que preferia estar a sós com Tom por uns momentos.

“Fica aqui, eu vou buscar uma pomada para te passar nas pisaduras.” Bill falou calmamente, guiando Tom até a uma das camas e fazendo com que ele se sentasse. “O sangue já estancou?”

Tom assentiu com a cabeça, mas mesmo assim ainda fungava e não largou o lenço de papel que Bill lhe tinha dado logo que os animais que lhe bateram se foram embora. Bill abanou a cabeça e suspirou, dirigindo-se depois à casa-de-banho onde estava o material de primeiros socorros. Quando voltou depois de também dar um salto à cozinha para pegar um saco de gelo e uma garrafa de água, Tom continuava no mesmo sítio onde Bill o tinha deixado, prendendo ainda o lenço entre os dedos e o seu nariz ensanguentado.

“Deixa ver isso.” Bill pediu-lhe, segurando-lhe ao de leve na mão pressionada contra a sua face e afastando-a para ver o estado da lesão. À parte da tonalidade vermelha que se espalhava por toda a sua face, incluindo os seus lábios e grande parte das bochechas, nada parecia muito danificado. Talvez estivesse um bocadinho inchado, mas nada que um pouco de gelo não tratasse. Com uma bola de algodão embebida em água, Bill limpou a área coberta de sangue, tendo cuidado para não pressionar com muita força. Os olhos de Tom fecharam-se sozinhos e um suspiro abandonou a sua boca, fazendo com que o seu abdómen dolorido desse sinais de si. Tom tentou fazer-se de forte, mas o desconforto do irmão não escapou a Bill, que lhe levantou a camisola sem avisar.

“Hey!” Tom exclamou em ultraje, mas um sorriso apareceu na sua cara ao lembrar-se da última vez que Bill lhe tinha levantado a camisola. Se bem se lembrava as mãozinhas dele tinham feito um trabalhinho excepcional de o deixar a estremecer.

“Que carinha é essa?” Bill perguntou-lhe com uma sobrancelha arqueada e um arzinho de desconfiado que só podia ser descrito como adorável. “Ah, nem penses! Primeiro vamos tratar disto,” ele falou, pressionando uma das pisaduras que Tom tinha no abdómen com um dedo e fazendo-o gemer de dor. “e depois podemos pensar em tratar disso.”

E quando os dedos de Bill agarraram e apertaram aquela região já semi-erecta, deixando-se ficar por uns segundos num toque puramente provocador, Tom voltou a gemer, mas dessa vez, dor era a última coisa que lhe estava a passar pela cabeça.

Por fim, Bill acabou de limpar a face do irmão e passou-lhe o saco de gelo para a mão, levando-a até ao seu nariz. “Não tires o saco daqui e é se queres que o teu nariz não pareça uma batata.”

Tom fez uma cara de desagrado, mas obedeceu, pressionando o gelo no seu nariz com um ar aborrecido e petulante. Bill teve que se controlar para não lhe saltar para cima e ajudá-lo a livrar-se daquela carinha. Em vez disso, voltou a levantar-lhe a camisola, fazendo com que Tom se livrasse dela juntamente com o boné que usava na cabeça e lhe desse melhor acesso às pisaduras cada vez mais visíveis.

“Ouch! É melhor passar alguma coisa nisto. Deita-te para trás.”

Ao ver aquela expressão pervertida de volta, Bill apenas revirou os olhos e empurrou o irmão para trás, prendendo-o de seguida com as ancas entre as suas pernas.

“Fica quieto!”

“Eu estou quieto.” Tom respondeu-lhe, mas aquele sorriso maroto não abandonava a sua cara apesar do estado em que o corpo dele estava. Bill deu-lhe um olhar sério e Tom voltou a levar o saco de gelo ao nariz, mas o momento de distração foi o suficiente para ser apanhado de surpresa quando os dedos de Bill lhe tocaram ao de leve numa das pisaduras, espalhando algo gelado, mas agradável pelo seu peito e barriga. Ao ouvir o irmão a respirar fundo, foi a vez de Bill lhe dar um sorrisinho atrevido.

“É um gel para as pisaduras. Vais ficar como novo rapidinho.”

“Podias dar-me um beijinho para ficar melhor...” Tom disse num tom quase infantil, dando-lhe um olharzinho de cachorrinho abandonado e afastando o saco de gelo da sua cara, mas Bill sabia muito bem o que ele queria. Quando acabou de passar o gel, aproximou a sua face da outra à sua frente, com cuidado para não magoar o irmão, e deu-lhe um beijo repenicado no nariz.

“Onde dói mais, Tommy?” ele perguntou num sussurro, acariciando-lhe o nariz com o seu e prendendo-o com um olhar semi-serrado. Tom tinha a certeza de que não seria capaz de olhar para o lado se a sua vida dependesse disso.

“Uh... aqui?” Tom murmurou, colocando um dedo à frente da sua boca. Quando voltou a afastar o dedo, este foi substituído pelos lábios suaves de Bill que apenas depositaram um pequeno beijo nos seus, para logo de seguida se afastarem com um sorriso.

“Ainda dói aí, acho que vais ter que te esforçar mais um bocadinho.” Tom provocou, entrando na brincadeira do irmão. Bill deu uma risada seca e voltou a beijá-lo, dessa vez com mais força, mas apenas durante uns momentos, e com um toque de língua que não durou mais que um segundo antes de se voltar a afastar.

“Está melhor assim?” Bill perguntou, continuando a provocar. Tom não estava disposto a passar o resto da tarde a ser torturado, por isso decidiu agarrar a cabeça do irmão com a sua mão livre e puxá-lo para si. Bill não parecia contestar, até ao momento em que se lembrou que o abdómen do outro rapaz estava coberto de gel.

“Pára, pára! O gel ainda não absorveu.”

Tom bufou, mas não estava disposto a abrir mão dos mimos do irmão tão cedo. Desde o primeiro beijo que lhe deu, Tom percebera que o melhor era não pensar em mais nada a não ser na criatura perfeita à sua frente, e isso levava a que a sua linha de pensamento fosse um bocadinho limitada. E naquele momento a única coisa que ele queria era continuar com o que estavam a fazer, aproveitar os momentos que tinham antes que a casa ficasse outra vez demasiado perigosa para algo mais que um beijo roubado aqui e ali. Antes que a consciência começasse a pesar.

Não, isso não ia acontecer.

Sem mais demoras, Tom deitou-se ao comprido sobre a cama e deu uma palmada no espaço vazio ao seu lado, convidando o rapaz sorridente à sua frente a ocupar esse lugar. Bill sentou-se cuidadosamente e colocou uma mão na parte superior do peito do irmão que não estava coberta naquela substância brilhante, acariciando-o com um arzinho coquete enquanto lhe inalava o perfume atrás da orelha, sentindo-lhe a humidade das rastas, provavelmente por causa da chuva que tinham apanhado. Gosh, ele nem queria olhar para o seu cabelo.

“Bill.” Tom chamou o irmão, só por chamar, e Bill levantou um bocadinho a cabeça, olhando-o de novo com aquele olhar penetrante.

“Sim?”

Não foram precisas palavras para ambos perceberem o que queriam. Encontraram-se a meio, chocando boca contra boca, dessa vez sem interrupções e com muita língua à mistura. Minutos depois as roupas que vestiam, ainda um pouco húmidas, haviam sido descartadas, e o gel para as pisaduras tinha deixado de ser um obstáculo e passado a criar uma sensação surreal entre as suas barrigas, incitando a que ambos se movessem ainda mais um contra o outro. Tom estava certo de que mais um bocadinho e—

E de repente Bill parou, sem avisar, e com a ajuda do gel practicamente serpenteou até que a sua boca estivesse ao nível do peito do irmão. Tom não estava à espera que Bill fosse tão directo, por isso foi mais uma vez apanhado de surpresa quando sentiu lábios sobre o seu mamilo, seguidos de língua e dentes e Oh, my God, ele tinha mesmo jeito para aquilo. E ele a pensar que aquele tipo de coisa só agradava às miúdas...

Bill percorreu todo o seu tronco com beijos e quando Tom deu por si, tinha a cara do outro mesmo à frente da sua erecção proeminente apenas protegida por um par de boxers cinza. Não, ele não vai fazer o que eu estou a pensar que ele vai fazer, Tom pensou para si mesmo, mas as suas suspeitas foram confirmadas quando sentiu a respiração quente do irmão contra a sua pele. Bill tinha-lhe descido os boxers e observava o que acabara de revelar com um olhar tão penetrante e faminto que não deixava sombra de dúvidas para o que ele estava a pensar fazer.

Foi aí que Tom entrou em pânico.

“Bill, pára, não tens que—”

Bill limitou-se a prender o olhar dele com o seu e passou a língua pelos lábios uma vez, duas. Quando falou, a sua voz repleta de desejo, Tom teve que pensar duas vezes se seria ou não possível ejacular sem sequer ser tocado.

“Eu quero fazer isto.”

Tom nem precisou de instruções para rapidamente levantar as ancas, ajudando Bill a livrar-se do único obstáculo que o separava daquilo que já tinha tocado com as mãos, mas nunca... assim. Tinha a certeza de que conseguia sentir água na boca só de pensar no que estava prestes a fazer. Mas primeiro, um bocadinho de tortura. Os beijos continuaram no interior das coxas do irmão, cada vez mais perto daquilo que tanto ansiava, mas nunca lá. Tom estava a dar em doido, controlando-se para não espernear nem agarrar o irmão pelos cabelos, mas Bill continuava na sua exploração, calmamente, como se estivesse a experimentar o sabor de todo o seu corpo, milímetro por milímetro.

“Bill...” Tom gemeu, um toque de frustração a dar ares de si no seu tom de voz. Bill parou e levantou a cabeça, observando-o com um arzinho demasiado inocente para ser credível.

“Sim?” Bill perguntou, continuando a massajar o interior das cochas do irmão com os seus dedos compridos, cada vez mais perto. Tom apenas soltou um gemido incoerente, mas isso parecia não ser o suficiente para o rapaz deitado no meio das suas pernas. “O que queres que eu faça, Tommy? Hmm?”

Aquela última pergunta dizia tão pouco e ao mesmo tempo tudo o que Tom queria responder e talvez até mais, julgando pelo olhar completamente pervertido que Bill lhe estava a lançar, mas Tom não conseguia responder. Continuou a olhar o irmão nos olhos, gemendo de cada vez que aquelas mãos se mexiam contra a sua pele, mas nunca onde ele desejava que estivessem.

“Então, o gato comeu-te a língua, foi?” e deixando essa frase a pairar no ar, Bill fez o inesperado e baixou a cabeça, passando a língua exactamente onde Tom a desejava e arrancando dele um gemido forte demais para um gesto tão pequeno. Ele estava mesmo a dar com ele em doido, só podia.

“Uh, não me digas que queres que eu meta isto tudo na boca.” Bill falou num tom tão casual que Tom demorou uns segundos para absorver o que ele tinha acabado de dizer. E quando isso aconteceu, os seus olhos arregalaram e as suas ancas practicamente saltaram da cama involuntariamente, fazendo com que Bill pressionasse ainda mais com as mãos contra as suas pernas e desse uma risadinha. “Hmm, parece que tenho razão.”

E foi aí que qualquer pensamento coerente abandonou a sua cabeça, porque Bill decidiu que já o tinha torturado demais e entrou a matar, com mãos e boca, tudo ao mesmo tempo. Tom estava certo de que nunca na vida tinha sentido nada assim, mas não conseguia bem explicar porquê. A técnica dele era fantástica – e Tom teve que se controlar para não pensar onde é que o Bill tinha aprendido a fazer aquilo – mas o sentimento que ele punha em cada gesto... superava de longe qualquer um dos serviços mecânicos que várias raparigas lhe tinham feito. Não era de admirar que ele nunca tivesse sentido que realmente havia amor nas suas relações anteriores. Isto, o que Bill lhe estava a fazer... parecia que ele estava a dar tudo de si, e quando os seus olhos carregados de emoção se cruzaram, Tom só teve tempo de atirar a cabeça para trás e deixar acontecer o que fora sem dúvida o melhor orgasmo da sua vida até à data.

“Oh, meu Deus.” ele gemeu para si mesmo quando Bill caiu em cima dele com a cabeça apoiada no seu peito, exausto. Tom sentiu mais que ouviu uma risada contra o seu peito.

“Obrigada, mas podes-me tratar pelo meu primeiro nome.”

“Oh, Ah-Ah.” Tom surpreendeu-se a si próprio com a capacidade de compreender sarcasmo mesmo depois daquele turbilhão de emoções. “Já agora, não sabia que eras adepto de ‘dirty talking’ durante o acto, Billy.”

Bill levantou a cabeça lentamente e deu-lhe um olharzinho inocente, fazendo-se de desentendido. Mas quando Tom o começou a imitar com uma vozinha fininha que não era de todo como ele soava e a dizer ‘Oh, Tommy, não me digas que queres que meta isto tudo na boca.’, Bill não viu outra solução a não ser esconder as suas bochechas coradas no pescoço do irmão. Tom riu e rebolou-os na cama até ficar por cima do outro rapaz que teimava em esconder a cara com as mãos, e acabou por lhe prender os pulsos contra a colcha que continuava por cima dos lençóis.

“Vamos sujar a cama toda.” Bill acabou por falar, ainda com um tom rosado completamente adorável espalhado pelas suas bochechas.

“Banho?” Tom sugeriu, aproximando a boca da orelha do rapaz preso por baixo de si e dando-lhe uma lambidela. “Aproveitamos e tratamos disto lá.” ele sugeriu, reforçando a ideia com um movimento de ancas contra o volume proeminente nas partes baixas de Bill que fez com que ele soltasse um gemido involuntário contra o pescoço dele.

E pode-se dizer que Bill não encontrou nenhuma razão para contestar, porque após ter colocado as roupas e a colcha num estado mais apresentável – não fosse alguém chegar e encontrar o quarto naquele estado – deixou que Tom o guiasse até ao chuveiro.


Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XVIII) 3/3   Seg Dez 15, 2008 8:24 pm

Continuação - Cap. XVIII (3/3)

A campainha tocou quando estavam a sair do banho. Bill e Tom olharam-se por momentos numa pergunta silenciosa, e por fim Bill abriu a porta da casa-de-banho ainda sem roupa, apenas com uma toalha à volta da cinta, e dirigiu-se até ao intercomunicador.

“Sim?”

“É a Cameron.”

Bill revirou os olhos. Ás vezes Cameron podia ser tão previsível. É claro que ela não ia ser capaz de ficar o dia todo sozinha em casa a pensar no que se tinha passado e não dar um salto no apartamento dos gémeos para se certificar de que estava tudo bem e já agora para passar uma boa hora a difamar o nome de Guinevere Johnston. Quando lhe abriu a porta, ainda semi-nu, ganhou uma sobrancelha levantada e uma risada seca.

“Isso são preparos de se abrir a porta a uma menina?”

“Ah, cale-se e entre.” Bill retorquiu com um sorriso afectuoso, virando-se de seguida para trás e levantando a voz. “Podes vir Tom, esta aqui não te vai tirar nenhum pedaço!”

Tom saiu da casa de banho, na mesma indumentária que o irmão, ou seja, quase nu, e Cameron deu por si a revirar os olhos antes de se atirar para cima do sofá.

“Vocês são cá uns exibicionistas.” ela comentou, pegando no comando que estava pousado ao seu lado e ligando a televisão. “Divertiram-se muito enquanto eu estava em casa a preocupar-me com a saúde do menino Tom?”

Bill e Tom trocaram olhares nervosos, mas decidiram fazer-se de desentendidos. “Err, nem por isso. Eu tratei-lhe das feridas e depois fomos tomar banho.”

“Juntos?” Cameron perguntou num tom completamente casual, como quem pergunta as horas, mas o sorriso que tinha na cara dizia com todas as letras ‘Apanhei-vos’. “Vá, eu vou-vos poupar o constrangimento, ou pelo menos reduzi-lo um bocadinho, e vou directa ao assunto. Eu sei que vocês têm uma relação especial, e também sei que vocês sabem muito bem de que tipo de relação estou a falar, por isso não vale a pena porem-se com manobras de diversão. E antes que comecem a disparatar, ficam já a saber que por mim tudo bem, eu quero é ver-vos felizes, ok?”

Quando acabou o seu pequeno discurso, a última coisa que Cameron estava à espera era de levar com um Bill semi-nu em cima e um abraço apertado que quase lhe tirou o ar.

“Eu adoro-te, Cam.”

“Sim, sim, eu sei.” ela falou, tentando livrar-se daquele peso todo em cima de si, mas sem conseguir evitar que um sorriso se lhe escapasse dos lábios. “Tenham só cuidado, sim? Prometem?”

Ao ouvir as palavras da amiga, Bill voltou-se a levantar e agarrou Tom pela mão, puxando-o para mais perto de si.

“Prometemos.”

O olhar de determinação na face dos dois rapazes foi o suficiente para convencer a rapariga de que aquele caso estava longe de acabar. Bom, talvez a sua teoria não fosse tão irreal quanto isso.


N/A: OMG EU ESCREVI SMUT OUTRA VEZ E DIRTY TALKING EM PORTUGUÊS omfg *morre imenso* Juro que ainda estou parvinha para a vida! E este capítulo foi um bocadinho mais curto que os anteriores, mas hey, montes de acção, uh? Espero que tenha sido do vosso agrado. O próximo deve ser o antepenúltimo capítulo, not really sure, e pelo meio ainda vai haver um interlúdio especial prenda de Natal para MOI (lulz sou mesmo egocêntrica, mas não sei, eu escrevi-o para me divertir, não sei se vai ser do vosso agrado... OH WELL) e um Epílogo. Quanto ao enredo, esse já está programadíssimo! typerhappy

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MensagemAssunto: Respostas <3   Seg Dez 15, 2008 8:32 pm

Bri escreveu:
oh my God. oh my dog. oh my shoe.

best twc fic ever.
sem dúvida alguma.

i'm gahgah over this ff!
e sou uma desgraça porque devia comentar, mas sou tãooo preguiçosa!! no outro forum ando mesmo em atraso, e devia comentar porque esta fic merece. tenho uma tremenda falta de tempo *sighs* . anyway, this is the best twc fic ever. ever ever. que venham as outras todas esta está excelente e vou-te gabar até não ter mais palavras para o fazer. gosto da tua escrita cordial e do teu á vontade com o inglês e com a cidade londrina; as descrições são de chorar por mais e nunca em excesso. o ritmo da história idem, está simplesmente suberbo. estou mais que rendida.

i mean it. it's like woow, i get hysterical each time i read more.

está p-e-r-f-e-i-t-a. really really. eu, geralmente, gosto de ler twc e GG em inglês, mas tu fizeste-me pensar duas vezes over it.

continuaaa please!! i love it!

=*

OMG YY eu também só leio em inglês basicamente, qualquer fandom really, mas felizmente há escritores(as) que nos fazem mudar de ideias. fico SUPER feliz que me consideres uma delas blushes
quanto à minha relação com o inglês e com londres, well, parece impossível mas nunca pus lá os pés xDDD fiz imensa pesquisa, though, axo que se fosse lá amanhã me ia orientar muito bem com as linhas do metro e as ruas (juro, até isso fui pesquisar!). o inglês é tipo a minha segunda língua praí desde os 10, sou apaixonada por tudo o que é british há anos... no fundo não custou muito aww
obrigadissima pelos elogios darling glomp

Mollie escreveu:
wow! A d o r e i ! ! !

E viva o twincest!

HORRAY FOR TWINCEST!
w00t
e muito obrigada panda10

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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Ter Dez 16, 2008 10:54 am

ritalavalerie. escreveu:
“Uh, não me digas que queres que eu meta isto tudo na boca.”
  • I don't think this needs any comments
hump
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Ter Dez 16, 2008 2:16 pm

OMFG !!!!!
Riiiiiii(...)iitaaaa! Como não me apetece ir ao outro forum onde tens a fic [só porque coise, sou a ' Cookie *w* '], vou mesmee comentar aqui, yeez? Next.
Ao contrário de toda a gente, dita normal, o meu chapter favorito não é aquele em que eles começam a enrolar-se e bla bla bla.. É mesmo este! E porquê? Porque a parte do ' dirty talking ' mata-me eager
E eu acho a Cam super sweety ^^ [a miúda excita-me dance ]
Portanto, posta outro depressinha que a minha pessoa é CompletamenteViciadaNaTuaTwincest ^^
Beijinho, Anny.
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Ter Dez 23, 2008 12:09 pm

Anny escreveu:
OMFG !!!!!
Riiiiiii(...)iitaaaa! Como não me apetece ir ao outro forum onde tens a fic [só porque coise, sou a ' Cookie *w* '], vou mesmee comentar aqui, yeez? Next.
Ao contrário de toda a gente, dita normal, o meu chapter favorito não é aquele em que eles começam a enrolar-se e bla bla bla.. É mesmo este! E porquê? Porque a parte do ' dirty talking ' mata-me eager
E eu acho a Cam super sweety ^^ [a miúda excita-me dance ]
Portanto, posta outro depressinha que a minha pessoa é CompletamenteViciadaNaTuaTwincest ^^
Beijinho, Anny.

Thank yoooou!
Eu sei, a Cameron é o sexo. Eu mesma tenho uma crush nela ahahha xDDD Na minha própria personagem! Estou-me a sentir muito Stephanie Meyer assim de repemte wtf
anyway, obrigada pelos elogios, espero que continues a gostar, dear!

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIX) 1/3   Ter Dez 23, 2008 12:10 pm

Título: London Calling (Cap. XIX)
Tipo: por capítulos.
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.]


Fotos e descrição das personagens AQUI


Cap. XIX

Os dias passaram num turbilhão de emoções, risos, testes, festas, beijos, abraços, braços, pernas, correrias... os dias passaram e os meses também. Quando os gémeos deram por si, as aulas já estavam quase a acabar e toda a gente andava preocupada com as notas – excepto é claro o Sick Boy que parecia mais interessado em fazer uma festa para comemorar o final das aulas. Ou melhor, boicotar a festa que os pais dele ‘lhe’ davam todos os anos para comemorar o final do primeiro período.

“Os meus pais não vão estar em casa, meu! Esquece a festinha de convívio à tarde com Buffet servido ao lado da piscina ou no salão de festas – dependendo do dia da semana e das condições climatéricas que se apresentem,” o rapaz anunciou, usando uma vozinha irritante na última frase, provavelmente com o intuito de imitar a própria mãe. “e diz olá à festa nocturna do Sick com bebida à descrição, música nas alturas até às tantas da manhã e casa aberta, incluindo cozinha, casas-de-banho, e quartos.”

O último comentário fez com que a namorada, sentada ao seu lado na mesa que o grupo ocupava no Deptford Arms, lhe desse uma cotovelada. O rapaz, porém, não parecia nem um pouco incomodado e até lhe lançou um olharzinho provocante, deixando a rapariga a revirar os olhos de um modo condescendente.

Bill, Tom e Cameron tinham caminhado desde a Deptford Green School até lá acompanhados pelo casal, e Devon ainda estava para chegar com o namorado. Sick Boy tinha requisitado a presença de todos, mas obviamente não se conseguiu controlar e já havia contado todos os seus planos antes que Devon e Theodore tivessem sequer tempo de viajar desde Camden – onde Theodore trabalhava e Devon estudava – até New Cross. Mas pelo entusiasmo dele, não lhe ia custar nada voltar a repetir tudo.

“E os teus pais não vão reparar se a tua casa ficar num estado tão lastimável que vai parecer que uma manada de elefantes andou a correr por todas as divisões?” Cameron perguntou com um sorrisinho sarcástico, fazendo com que Bill e Eddie desatassem às gargalhadas.

“Deixa isso por minha conta, ok?” ele pediu numa atitude completamente despreocupada e ninguém se deu ao trabalho de contestar. Afinal era do conhecimento geral que o Sick conseguia sempre safar-se de todas as asneiras que fazia. Se pela negligência ou cegueira deliberada dos pais, esse ainda era um caso a desvendar.

Uns minutos e uns cafés depois, Devon entrou pelo pub adentro num turbilhão de branco e amarelo – ou talvez isso fosse apenas o seu fabuloso casaco que a outra pessoa poderia ficar mal, mas que a ele lhe assentava que nem uma luva, de um amarelo canário muito vistoso(1), que usava por cima de uma camisola branca de gola alta e umas calças de ganga preta e justas – seguido por não uma, não duas, mas mais três pessoas. Ele era mesmo um íman humano, disso não haviam dúvidas. Theodore entrou com um sorriso na cara, puxado pela mão pelo namorado, e atrás dele vinham Sebastian e Camille, que Bill não fazia ideia o que raio é que estavam ali a fazer. Olá Sr. Quase-caso e Menino Rapidinha-na-casa-de-banho, como estão? Quando Tom procurou pela mão dele debaixo da mesa e a agarrou com força, Bill teve que lidar com o dilema interior: sorrir de felicidade ou estremecer de medo? Eis a questão.

“Olá crianças, como estão?” Devon cumprimentou com um sorriso brilhante na cara, puxando uma cadeira de uma mesa ao lado e sentando-se entre Bill e Cameron. Theodore, o mesmo cavalheiro de sempre, acabou a juntar mesas com a ajuda de Sebastian para que todos se pudessem sentar. “Desculpem o atraso, mas sabem como é, encontrei o Sebastian na rua, ficamos na conversa, quando demos por nós já estávamos a chegar à loja do Theo e eu resolvi convidá-lo, não é, há muito tempo que não estávamos todos juntos! Depois ali a... criatura resolveu colar-se a nós e o Sevvie acabou por lhe dar boleia até aqui, o Theo trouxe-me no carro dele, claro. Espero que ele não te tenha feito sofrer muito, querido!”

Sebastian corou de imediato, dando a entender exactamente o tipo de conversa que Camille tinha tentado ter com ele no carro.

“Camille Coxon, o que é que fizeste ao meu pobre, inocente Sebastian?” Devon perguntou com uma expressão que só podia ser descrita como... maternalmente enfurecida. Camille limitou-se a sorrir misteriosamente como já era o seu hábito e sentou-se entre Eddie e Sebastian, que continuava com as bochechas rosadas e sem dizer uma palavra.

“Eu não lhe fiz nada, chéri. Mas não me ia importar nada de fazer...”

“Aiii seu...” Devon vociferou enquanto que o outro rapaz apenas se limitava a olhar em volta, ignorando completamente as investidas do menino Camille. Ora isso parecia não agradar nada ao sedutor-mor, que prendeu o olhar do loiro com o seu, como se o culpado daquilo tudo fosse Devon e não ele e a sua falta de subtilidade.

“Ai, parem de intimidar o rapaz, vocês os dois!” Eddie pediu-lhes, levando as mãos à cabeça coberta por um dos seus vários gorros que usava, sempre que possível, por cima dos seus longos cabelos castanhos. “O Sick tem uma novidade para contar, não é?”

E a pedido de um Devon completamente excitado, Sick Boy lá voltou a repetir o plano, dessa vez com mais detalhes incluindo, mas não só, todos os espaços da casa disponíveis, deixado o rapaz com os olhos a brilhar de antecipação.

“Oh, my God, estou a adorar a ideia! Isso vai ser perfeito para o nosso before-party, não achas Theo?”

“É claro que o senhor Devon Superstar não pode ficar uma noite toda no mesmo sítio, não é verdade?” Bill provocou com um sorrisinho que fazia com que o seu nariz enrugasse de uma forma completamente adorável. Tom continuava a brincar com a mão dele por baixo da mesa.

“Não sejas assim Billy! Vocês sabem que eu tenho sempre tempo para os meus amigos, mas eu e o Theodore queríamos ir dançar um bocadinho ao Heaven no final da noite, só para matar saudades. Nestes últimos tempos tem sido uma correria por causa da escola, nunca pensei que o último ano fosse tão cansativo! Eu já não estava com vocês desde quando? Desde o Halloween ou assim?”

Ah, o fantástico Halloween no Underworld(2). Ninguém diria que uma cave por baixo de um pub em plena Camden Town, recheada de ‘gós’ e outras ‘criaturas do dark’, lhes pudesse proporcionar noites tão fantásticas. Mas não havia dúvida que um dos Halloweens mais aterrorizantes de toda a Londres havia de ser lá, e por isso Devon conseguiu convencer o grupo todo a acompanhá-lo. Bill e Tom acabaram por discutir durante dias sobre o que haviam de levar vestido, até que Cameron lhes deu a ideia do Bem e do Mal. Tom insistiu em levar o disfarce de diabo – que basicamente consistia no seu fato do baile todo abandalhado, aliado a uma capa vermelha, uns cornos vermelhos presos a um dos seus gorros, uma cauda da mesma cor pendurada na traseira das calças e um tridente que acabou por perder a meio da noite – e Bill, que não queria andar por lá no meio daquelas criaturas da escuridão vestido de branco, acabou por se decidir por um Anjo Negro. Pode-se dizer que Tom teve que usar todo o seu auto-controle para não se babar completamente para cima daquele ser vestido em roupas justas e pretas dos pés à cabeça, com umas asas de penas que combinavam perfeitamente com os seus longos cabelos e lhe davam um ar quase do outro mundo, literalmente. Beijos roubados no meio da multidão que ondulava ao som de Dark Wave, cocktails com os nomes mais mórbidos de sempre e a visão de Cameron Boynton novamente num vestido preto curtinho que fazia parte do seu disfarce de Rainha Má da Branca de Neve Versão Sexy™️ by Bill Kaulitz Skinner tornaram aquela noite ainda mais memorável.

“Realmente...” Cameron comentou, acordando os dois gémeos dos seus pensamentos que aparentemente os haviam incitado a que ambos se aproximarem ainda mais nos seus lugares. Era suposto vocês serem discretos, uma vozinha irritante falou na mente de Bill. Uma carícia na sua mão fez com que finalmente se afastasse um pouco, mas não sem antes olhar o outro rapaz nos olhos e dar-lhe um dos seus sorrisos de derreter corações. Aquele olhar penetrante que Tom lhe lançou e que dizia com todas as letras ‘Para de provocar!’ só deixou Bill ainda mais sorridente.

“Então, vão querer alguma coisa?” Becky Brown, que se havia aproximado da mesa para anotar os pedidos, perguntou com o seu sorriso habitual aos recém-chegados. Devon pediu um sumo natural, Theodore uma cerveja, Sebastian um café e Camille ‘o mesmo que ele’ – entenda-se ‘Sebastian’.

“E eu vou querer que tu vás à minha festa no próximo sábado para comemorar o final das aulas.” Sick Boy pediu-lhe com uma expressão triunfante, começando cedo a publicitar a sua tão aclamada festa. Becky parecia felicíssima com o convite e sorriu ainda mais, principalmente a todos os presentes na festa do Haberdasher. Bill quase que a tinha perdoado completamente por causa daquele beijo. Quase.

“Oh, vocês são uns amores, sempre a convidar-me para festas... por acaso não estão a treinar para me embebedar e usar-me como objecto sexual, pois não?” ela perguntou com um ar de desconfiada muito pouco convincente e a mesa toda desatou a rir às gargalhadas. “Vá, contem comigo então.”

E lá foi ela buscar as bebidas no seu passo rápido e espevitado, o seu rabinho perfeitamente delineado a mover-se de uma forma que não podia de todo ser ignorada.

Cameron sentiu-se um bocadinho sozinha por ser a única pessoa naquela mesa capaz de apreciar com gosto a beleza daquele belíssimo traseiro.

“Para de olhar Sick, até parece que o meu rabo não é tão bom como o dela!”

Ou talvez não.


- - -


Nos últimos dias de aulas, fizeram-se planos para o Natal. Simone ia passá-las ao seu país de origem e Tom e Bill com as suas respectivas famílias adoptivas, algo que ambos ainda não queriam abdicar apesar das promessas de um Natal muito divertido na Alemanha, que pelos vistos levava a quadra muito a sério. Tal coisa estava a deixar os dois rapazes ainda mais decididos a passar todo o tempo possível e imaginário um com o outro, afinal iam ficar mais de uma semana separados um do outro, sendo que Tom iria voltar à Inglaterra apenas um dia antes da passagem de ano.

Essa última semana de aulas, principalmente, foi aproveitada ao máximo. Assim como nos últimos meses, nenhuma palavra foi dita acerca da relação deles, nem por eles mesmos, nem por Cameron que não tinha a coragem de deixar o melhor amigo a sofrer. Os dias iam passando, os dois continuavam a trocar beijos, carícias e até algo mais, sempre com o maior dos cuidados e sem precisar trocar uma única palavra para isso– ambos sabiam no que se estavam a meter e tinham a certeza de que o queriam. O resto do mundo só iria ter que continuar ignorante do motivo de felicidade deles. Apenas um pequeno preço a pagar por ela.

E os dois sabiam que tinham mudado muito naqueles últimos meses, tudo por causa daquela nova e fantástica relação. Tom, principalmente, deu por si a pensar no que o tinha levado a apaixonar-se por outro rapaz, mas de cada vez que olhava para o irmão, para as suas feições tão diferentes e tão iguais às suas, para os seus gestos adoráveis e as suas atitudes impulsivas e a sua maneira de falar, sempre com tanta determinação e segurança, todas as dúvidas abandonavam a sua cabeça. E Bill não poderia contestar que aquele corpo absolutamente perfeito e muito mais trabalhado que o seu o tinha atraído em primeiro lugar, mas no fundo, foi a personalidade forte e leal do outro rapaz que o prendeu. E ele não queria ser libertado, por muito que o seu coração apertasse de cada vez que queria tocar Tom e não podia. De cada vez que tinha de desviar o olhar para não dar muito nas vistas, de cada vez que—

“Olha para mim, Tommy.”

“Quê?” Tom falou do seu lugar à frente do computador, onde estava a jogar um jogo qualquer no computador. Começou por ser uma desculpa perfeita para os dois passarem longas horas fechados no quarto – afinal muitos dos adolescentes da idade deles eram viciados em jogos de computador – mas rapidamente Tom descobriu que até era divertido para matar tempo. E como Bill tinha estado ocupado a dar os últimos retoques num relatório de leitura para Inglês, os dois rapazes tinham passado aquela tarde num silêncio amigável. Até àquele momento, é claro, porque quando Tom finalmente virou a cara foi surpreendido pelo som de um obturador a disparar.

“Hey!” ele exclamou em ultraje quando reparou que Bill lhe tinha acabado de tirar uma foto com a máquina fotográfica analógica que a escola lhe tinha emprestado para um trabalho a fazer durante as férias. Bill apenas sorriu e tirou mais outra. “Hey, hey, calma aí com as fotos, menino, é suposto eu usar isso para algo mais... produtivo.”

Bill torceu o nariz e aproximou-se dele, colocando máquina na secretária e ao mesmo tempo envolvendo-o num abraço que foi obviamente muito bem recebido.

“Não pareces muito... entusiasmado com a disciplina. Precisas de algum incentivo, hm?” Bill sussurrou-lhe ao ouvido, acariciando-lhe a orelha com a ponta do nariz, de seguida com os lábios. Um arrepio percorreu todo o corpo do rapaz sentado na cadeira e envolvido por braços finos, mas aconchegantes, e foi-lhe um bocadinho difícil encontrar uma resposta que fizesse algum sentido.

“Não é... falta de entusiasmo, é mais falta de jeito. Eu vou fazendo a disciplina, mas outras pessoas, tipo a Cameron, por exemplo, parecem ter mesmo uma paixão por aquilo. Pergunto-me qual será o incentivo dela...” Tom comentou, colorindo aquela ultima sugestão com um sorrisinho maroto. Bill deu por si a rir e a apertar-lo ainda mais contra si.

“A Cameron, a sério? Hm, provavelmente o passatempo secreto dela é perseguir a Guinevere com uma máquina fotográfica, tipo paparazzi.”

Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIX) 2/3   Ter Dez 23, 2008 12:11 pm

Continuação - Cap. XIX (2/3)

Os dois acabaram a rir às gargalhadas, faces pressionadas uma contra a outra devido à posição em que se encontravam, mas rapidamente o abraço passou para carícias e os risos para beijos. Sim, porque Bill não tinha usado aquele tom provocante no início da conversa para sair dali de mãos a abanar! Momentos depois os dois trocavam beijos lentos e carregados de desejo, ambos muito cientes de que provavelmente não iam ficar por ali. Tom teve a sensação de que mais um bocadinho e ainda ficava com uma entorse, mas estava simplesmente demasiado ocupado a deliciar-se na boca do irmão para se preocupar com isso, até porque Bill já estava a dar sinais de que ia parar com o beijo, provavelmente para que ambos pudessem encontrar uma posição mais confortável, de preferência numa das camas, e realmente—

E realmente foi uma sorte que o beijo estivesse a acabar, porque iria ser muito mais difícil para ambos conseguirem ouvir a porta a abrir se estivessem mais concentrados noutra coisa. Mas assim que ouviram o som da maçaneta a rodar, Tom não gastou nem mais um segundo para virar a cara para o ecrã e Bill nem sequer olhou para ver quem tinha aberto a porta, apenas começou a disparatar sobre tácticas de jogo que não tinham nada a ver com aquele em questão.

“Vês, tens que ir a este menu, clicar aqui, e depois—ah, olá mãe!”

Simone apenas revirou os olhos, provavelmente a pensar ‘Estes adolescentes são todos os mesmos.’ e Bill teve que se controlar para não suspirar de alívio. Estavam salvos, pelo menos daquela vez, mas para a próxima teriam que ter mais atenção aos horários de trabalho da mãe e do padrasto, que já tinha voltado à Alemanha umas semanas antes, mas que iria acabar por voltar antes do ano novo.

Quando Simone saiu, uma nova e estranha tensão instalou-se naquele quarto. E Bill só percebeu o quanto o silêncio do irmão o estava a matar quando, durante a noite, sentiu um corpo a enlaçar-se com o seu debaixo das cobertas da cama e deu por si a inspirar fundo e a relaxar pela primeira vez em horas.

“Bill.” Tom chamou baixinho, num tom quase infantil, como uma criança que fez uma asneira, mas não quer contar.

“Sim.” foi o que Bill lhe disse. Não uma pergunta, mas uma resposta. Uma resposta a tudo o que Tom precisava de saber para o agarrar com força, como se agarra um homem, como ele gostava de o agarrar, como Bill gostava de ser agarrado.

Uma promessa.


- - -


Quando chegou o dia da festa na casa do Sick Boy, já ninguém pensava noutra coisa, pelo menos no grupo de amigos do dono da casa. Tom, que era para viajar para os Estados Unidos no Sábado, acabou adiando a viagem para o Domingo da manhã seguinte, e ninguém queria faltar àquela oportunidade de uma noite de diversão à pala do único herdeiro dos Blanche. Sendo assim, quando o anfitrião abriu as portas, os convidados começaram a entrar e pareciam nunca mais parar. E ele tinha a certeza que muitos deles nem sequer tinham sido convidados, mas o que era uma festa sem alguns penetras?

O que ninguém – muito menos Cameron que só se queria divertir, pelo amor de deus – estava à espera era de ver um certo casal a entrar pela porta, a rapariga, nem mais nem menos que Guinevere Johnston, a torcer o nariz à quantidade de gente com falta de nível que estava naquela casa. Ou pelo menos era isso que parecia. Talvez Cameron estivesse a ver coisas, raiva pode fazer isso às pessoas.

“Por amor de quem é que os convidaste, Sick? Eu vou-te matar!”

Sick Boy practicamente escondeu-se atrás da namorada e deu-lhe um sorrisinho para tentar apaziguar os ânimos.

“Não é como se eu tivesse escolha, ‘tá-se? Eu convido o gajo todos os anos, se não convidasse este os pais dele ainda ficavam lixados com os meus ou o caraças...”

“Sim, porque se esta festa acabar como eu estou a pensar que vai acabar e isso chegar aos ouvidos dos pais dele, não haja dúvida que eles vão ficar com uma óptima imagem de ti e da tua família!” Cameron comentou num tom sarcástico, voltando-se para observar o mar de gente abancada em todos os cantos da casa, incluindo do salão de festas onde todos dançavam e ela se encostava a uma das paredes, exactamente ao lado de uma mesa cheia de bebidas que lhe estavam a parecer a opção mais atractiva no momento. “Mas porque raio é que ela teve que vir? Nunca a vi numa das tuas festas, disso tenho a certeza!”

“Err, hello? Ela o ano passado não andava com o Connor, lembras-te?” Eddie falou, já com um copo na mão e passando-lhe outro. Cameron segurou-o imediatamente e não hesitou em beber um gole da bebida. Hmm, Martini, baby.

“Sim, tens razão. Também seria um milagre para ela, conseguir manter uma relação durante um ano.”

Se olhares matassem, o que Cameron estava a lançar à rapariga já a tinha atirado para o chão sem pulsação há muito tempo, mas naquele caso só fez Guinevere olhar de volta e curvar o lábio superior com um ar de desdém.

“Esta festa precisa de alguma coisa para animar.” Sick Boy anunciou para quem estivesse a ouvir. Por acaso até pareciam todos muito animados, Devon a dançar com o namorado e mais um grupo de amigos no meio do salão, Camille a conversar animadamente com o Sebastian que até nem parecia nada adverso à ideia de ter um rapaz tão giro a fazer-se a ele, e Bill e Tom a dar as boas-vindas à Becky que tinha acabado de chegar, mas se o Sick achava que a festa precisava de ainda mais animação, ninguém o iria impedir.

Quando o rapaz voltou com um megafone na mão e pediu ao DJ para baixar só um bocadinho o volume da música, olhares desconfiados começaram a ser trocados entre todos os presentes no salão. Cameron contemplou a ideia de fugir para a sala-de-estar onde haviam sofás confortáveis e não se tinha de preocupar em não olhar na direcção de Guinevere, mas a ideia do que poderiam estar a fazer em tais sofás tirou-lhe logo a vontade.

“Onde é que arranjaste isso?” Eddie perguntou-lhe, apontando para o aparelho que o namorado tinha na mão. Bill aproximou-se do grupo seguido de Tom e Becky e sorriu ao ver o que o amigo trazia.

“Oh, já não via isso há tanto tempo! Ainda toca a música da Celine Dion?” e bastou-lhe dizer isso para Sick Boy clicar num botãozinho e o megafone começar a emitir o som mais irritante de sempre, que aparentemente era suposto ser a música ‘My Heart Will Go On’(3). “Ok, ok, podes parar! Mas para que é isso?”

“Vão já ver.” o rapaz falou num tom misterioso com um sorrisinho suspeito na cara, e sem mais demoras aproximou o megafone da boca. “Ok pessoal, vamos jogar um jogo para animar isto! Quero ver toda a gente com um copo na mão, vamos jogar ao ‘Eu nunca’ todos juntos, ok? Acho que todos já sabem como isto funciona, mas para quem não sabe, eu passo a explicar. Eu, ou alguém que queira vir falar aqui ao megafone do Sick,” e a piadinha seca tinha que vir, claro. “diz uma coisa que tenham feito ou não com uma frase a começar por ‘Eu nunca’ e todas as pessoas que tenham feito essa coisa bebem um gole de bebida, de preferência alcoólica, ok? Quem não quer jogar pode continuar a dançar, encostar-se p’raí a um canto ou ir ocupar uma outra divisão qualquer da casa, estão à vontade. Podemos começar?”

Muita gente pareceu entusiasmada com a ideia, e a partir daí foi uma correria para os copos. Sick Boy e Eddie trataram de ajudar todos os presentes a encherem os seus copos o mais rápido possível, e por fim todos estavam prontos para o jogo começar. O DJ voltou a baixar um pouco o som da música que na altura era um Drum n’ Bass bastante agradável, e a voz do Sick Boy voltou a soar através do megafone.

“Ok, é agora! Eu nunca... bebi álcool!” e, como é obvio, todos beberam. Era bem claro que o objectivo do anfitrião da festa era pôr toda a gente bêbada, visto que as perguntas que se seguiram eram tão estúpidas como as primeiras e Eddie não parava de encher copos com várias bebidas para quando o álcool começasse a faltar nos copos dos convidados. Mais umas quantas perguntas sem sentido e já estavam pessoas a aproximar-se do megafone e a fazer ainda mais perguntas, primeiro completamente parvas, depois a puxar para os típicos assuntos sexuais. Com tantos adolescentes metidos na mesma divisão e com álcool à mistura, estavam à espera do quê?

“Eu nunca comi um gajo!” disse um dos amigos do Devon entre risos, fazendo com que todos os seus colegas gritassem feitos doidos e bebessem grandes golos. Bill também se juntou à festa, mas por pouco tempo. No estado em que Tom estava, foi por pouco que o irmão não o conseguiu parar de beber um golo também. Iam ter muita coisa para explicar se isso acontecesse.

“Pára, pára! Tu nunca comeste um gajo, lembras-te?” Bill disse-lhe num tom de preocupação exagerada, sendo tudo menos discreto e acabando por se desfazer em risinhos no ombro do outro rapaz.

“Oh, o que foi? Eu comi E GOSTEI!” Tom exclamou, tão bêbado como o irmão, e acabou agarrado a ele no meio da multidão, também a desmanchar-se a rir.

“Ok, agora vamos fazer um outro jogo ainda mais fixe!” Sick Boy anunciou passado uns minutos, e já estava toda a gente tão bêbada que apenas se limitaram a bater palmas e a ir buscar mais bebida. “Hey, hey, não tenham pressa, este não envolve bebida, necessariamente, mas vai ser um bocadinho mais... perigoso. O que dizem a um joguinho de Verdade ou Consequência? Ou melhor, vamos fazer como eu vi num filme(4) e jogar à Consequência ou Dupla Consequência. Se acham que estão dispostos a correr riscos, fiquem por aqui!”

Ninguém parecia disposto a ir embora, por isso acabaram todos por ficar no salão, uns encostados às paredes, outros sentados em cadeiras, a maioria em pé a dançar no meio da pista com um copo na mão.

“Ok, vamos começar! Consequência ou Dupla Consequência, errr, tu do vestido verde.”

E assim começou o jogo, com um rapaz sortudo a levar para casa um chupão no pescoço de uma ruiva bastante atraente. À medida que o jogo ia avançando as consequências iam girando à volta de beijos, chupões, beber copos cheios de uma bebida qualquer num só gole, mostrar alguma parte do corpo, entre outras coisas, algumas mais ousadas que outras, dependendo do grau de consequência que a pessoa escolhia.

E era de esperar que Cameron acabasse por beijar Julie que também tinha sido convidada, só para o deleite de muitos presentes do público masculino, que Sebastian acabasse por beijar Camille a pedido do próprio, cedendo finalmente aos encantos daquele sedutor incansável—e que quando calhasse a vez da Becky dar uma consequência ao Tom, essa consequência acabasse por ser alguma coisa como beijar Bill. O seu irmão gémeo. No meio daquela gente toda.

Que não sabia que eles eram irmãos, ou pelo menos grande parte não fazia ideia.

“Tudo bem.” ele aceitou, sob o olhar de um Bill completamente aterrorizado, isto é, até ser beijado com uma paixão tal que qualquer pensamento coerente abandonou a sua mente em poucos segundos. Se ser beijado daquela forma em privado já era especial, então à frente de tanta gente, podendo finalmente demonstrar o amor que sentiam um pelo outro sem serem julgados, era mágico. Bill tinha a certeza de que um dia ainda iria lutar para poder beijar Tom assim sempre que quisesse. Mas o beijo acabou cedo demais e voltou tudo ao normal, salvo a excepção de alguns olhares completamente maravilhados, nomeadamente o de Becky que parecia felicíssima da vida pelo que tinha feito.

“Ok, é a minha vez agora!” Bill gritou, aproximando-se de Sick Boy já a cambalear um bocadinho e tirando-lhe o megafone da mão que lhe tinha acabado de ser entregue pela Becky. “Como eu estou muito feliz, também quero ver toda a gente feliz, por isso... Guinevere Johnston, venha cá. Eu sei que tu andas por aí!” ele chamou e pôs-se a olhar em volta com um dedo apontado para todos os presentes na sala. Quando detectou a rapariga que procurava sentada num canto com o namorado ao lado, Bill deleitou-se ao ver o olhar horrorizado da rapariga.

“Ah, estás aí! Guinevere, eu desafio-te a beijares aqui a minha melhor amiga Cameron. Com língua, se faz favor.”

Bill sabia que tinha acabado de assinar a sua sentença de morte, a julgar pelo olhar estupefacto que Cameron lhe estava a dar, mas não podia evitar sentir-se muito bem consigo mesmo. Tinha a certeza de que estava a fazer uma boa acção, não haviam dúvidas.

Continua...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIX) 3/3   Ter Dez 23, 2008 12:13 pm

Continuação - Cap. XIX (3/3)

“O quê?” Guinevere gritou, aparentemente tão indignada como a outra rapariga. Até os estados de espírito estas duas partilham, pensou Bill para si no seu estado de embriaguês. São claramente feitas uma para a outra. “Mas tu nem sequer perguntaste se eu queria escolher consequência ou... ou a outra coisa!”

E aparentemente também estava tão ou mais bêbada que Cameron, a julgar discurso arrastado e as bochechas coradas. Óptimo.

“Quê, não me digas que queres PIOR que isso!” Bill perguntou-lhe, efectivamente calando a rapariga e deixando-a de olhos arregalados.

“Eu não vou fazer isto, Bill.” Cameron falou-lhe seriamente, puxando-o pelo braço e olhando-o nos olhos. Mas Bill estava com uma bebedeira tão grande que aparentemente não parecia afectado pelos efeitos do olhar ameaçador da melhor amiga.

“Ah, cala-te e beija a gaja, mas é, até parece que estás com medo!”

“Eu, medo?” Cameron exclamou, completamente indignada. Bill sabia que tinha acertado exactamente no ponto fraco dela. “Só se for de apanhar uma doença qualquer!”

Guinevere nem sequer se mexeu durante uns segundos, mas quando o fez, foi por pouco que não saltou para cima da outra rapariga. O fogo no olhar dela estava lá, e a vontade de o fazer não lhe parecia faltar.

“O que é que estás para aí a insinuar?” ela falou quando já estava suficiente próxima de Cameron para não ter que gritar, mas mesmo assim não baixando muito o tom de voz. Cameron por sua vez adoptou uma postura desafiadora, levantando a cabeça e não perdendo a compostura.

“Eu não preciso de insinuar nada, penso que todos os presentes nesta festa que sabem quem tu és também sabem da tua... fama?”

Ao ouvir aquelas palavras, a face pálida de Guinevere ficou ainda mais vermelha, tanto que parecia que a rapariga ia explodir a qualquer momento. Cameron parecia calma, mas os punhos cerrados e a postura defensiva traíam a faceta.

“Mas qual fama? Pior que a tua não deve ser, de certeza.” Guinevere acabou por retorquir num tom de voz cortante.

“O quê, que és igualzinha a um corrimão de escada, toda a gente põe a mão?” Cameron falou quase calmamente e com tamanho sarcasmo que Bill sentiu-se arrepiar. A sua melhor amiga podia ser um cubo de gelo quando queria.

“CALA-TE! Tu não sabes do que estás a falar! Não me conheces!”

Ao ouvir os gritos da loira, algo em Cameron acordou e Bill sentiu-se impressionado por Guinevere não estar a tremer de medo. Aquele olhar semicerrado era sinal de perigo. A rapariga devia estar muito bêbada, certamente.

“Eu não te conheço?” a voz de Cameron começou num sussurro e foi subindo assustadoramente de volume. “EU NÃO TE CONHEÇO? Depois de tudo... GAH!”

Como que por impulso Cameron agarrou a outra rapariga pelo pulso e puxou-a com força, deitando o copo que ela tinha na mão ao chão, sujando-lhe o vestido azul petróleo de um material acetinado e obrigando-a a segui-la. “Tu vens comigo, e vamos resolver isto a sós, ouviste? Não quero que esta gente toda fique a saber da vida de pessoas que não têm nada a ver com o assunto.”

A última parte foi quase sussurrada, mas mesmo assim Bill conseguiu ouvir. Segundos depois vir-se-ia a arrepender amargamente por ter deixado a amiga levar Guinevere para o WC mais próximo e fechá-lo à chave, mas quando reparou realmente no que se estava a passar já era tarde demais. O barulho estrondoso da porta do salão a fechar ressoou pela divisão toda que havia caído num completo silêncio, e Bill pôde ver que até o Sick Boy parecia preocupado.

“Eh pá, não achas que é melhor alguém ir atrás delas? Ainda me partem a casa!”

Eddie agarrou no braço do namorado que já se dirigia para a porta a porta por onde elas tinham saído e puxou-o para si. “Não vás Sick, elas precisam de resolver as cenas. Alguém liga a música? Temos que aproveitar esta merda enquanto ainda podemos fazer barulho!”

Bill entendeu a intenção da rapariga e ficou impressionado pelo tacto que ela teve naquele momento. Rapidamente fez um sinal ao DJ, que não demorou muito a passar uma música bem mexida para ajudar toda a gente a esquecer o incidente. Eddie sorriu-lhe em agradecimento e Bill acenou com a cabeça de volta, também sorrindo.

Só espero que pelo menos a Cam resolva o único problema da vida dela de uma vez por todas...

“Bom, já que estamos numa onda de beijos,” ressoou pelo salão a voz do Camille que aparentemente estava com vontade de jogar mais um bocadinho. “eu desafio ali o jeitoso de pólo azul a beijar o primeiro gajo bom que lhe apareça à frente. Estás mesmo com ar de quem precisa, amor!”

E o ‘jeitoso do pólo azul’ era nem mais nem menos que Connor Hellington, o namorado da rapariga que tinha acabado de ser raptada pela Cameron, e que parecia mais resignado com a situação que outra coisa. Porém, quando abordado por Camille, aparentemente entrou em pânico e não demorou muito para que abandonasse a sala, fechado a porta atrás de si com ainda mais força que as outras duas. Camille limitou-se a olhar em volta com uma expressão confusa.

“O que é que se passou? Ele é hetero?”

Ao receber acenos afirmativos de várias pessoas, o rapaz levou a mão à boca e arregalou os olhos.

“Ai só podes estar a gozar, eu podia JURAR que ele era mais gay que uma árvore de natal cor-de-rosa...”

“Para ti todos os rapazes giros são gays, Camille.” Bill comentou, revirando os olhos com um ar enfadado.

“Para mim ou por mim.”

“Claro, claro.”


1) Tipo ESTE mas um bocadinho mais Devon-esque e com outro tipo de calças. Agora imaginem que o modelo é um loiro super fab, et voilá!

2) Underworld, um club em Camden que fica por baixo de um pub, penso que com o mesmo nome. É onde para grande parte da gotiquisse de Londres, por isso achei que seria apropriado para uma festa de Halloween!

3) Uns tipos bué irritantes levaram um magafone quando eu fui de autocarro para Lloret que tocava um monofónico da música da Celine Dion. Era super irritante, mas viciante como tudo. Juro pela minha vida que ainda tenho a porra da música na cabeça! Tiriri tiririri tiririri tiriiiii, tiriri tiririri tiriri riiii riiiii! Tiiiiiiriiiiiii tiri tiriri...

4) Referência ao filme “The Hamiltons” que todas as pessoas que gostam de bons thrillers e filmes de terror devem ver. E fãs de twilight também, para ver se abrem os olhos xD E mais não digo.



N/A: okkkk, eu já tenho tipooo o próximo capítulo quase todo escrito em rascunhos, e grande parte dele era para fazer parte deste, mas parece que me estendi typerhappy Espero que os jogos não tenham sido muito cliché e tal, curiosamente escrevo muito sobre festas e jogos sempre que escrevo sobre adolescentes, mas prometo que na minha próxima TWC não vai haver nada disto. Falo dos jogos, porque de festas ninguém me afasta MWAHAHAH. E hey, próximo chappie vai ser tipo SUPER DECISIVO LIKE WOAH. E não desesperem se não querem que esta fic acabe porque eu já tenho outra planeada, na minha opinião ainda melhor que esta se querem mesmo saber mwahaha

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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Sab Dez 27, 2008 8:09 am

  • This fic is the best...
    Eu sei que ainda não comentei decentemente... mas vou comentar, prometo!

    BEIJO BOM NESSA BOCHECHA star_full
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   

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London Calling (Cap. I - XVIII)
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