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 London Calling (Cap. I - XVIII)

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ritalavalerie.
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Feminino Número de Mensagens : 167
Idade : 27
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Hobbies : being more of a flamming queer than the whole 'queer eye for the straight guy' crew.
Eu digo : "I live in a state between maleness and femaleness." "Which is?" "Fabulousness."
Data de inscrição : 09/12/2008

MensagemAssunto: London Calling (Cap. I - XVIII)   Sex Dez 12, 2008 6:18 pm



Título: London Calling (Cap. I)
Tipo: por capítulos.
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13 (poderá eventualmente ser PG-17)
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: Estes meninos não me pertencem. Quanto muito são da maezinha deles que merece todo o mérito, vá. A Cameron é minha (my preciousssss…), mas a Ellen Page (actriz que utilizei na foto da Cameron) não me pertence. Infelizmente. Muito, muito infelizmente. O resto do enredo e personagens secundárias pertence-me, até porque isto é UA, o que significa que não há Tokio Hotel propriamente ditos e que as vidas deles foram completamente modificadas. Sim, eu gosto MESMO de dar asas à imaginação (daí o meu vício por UAs).

Fotos e descrição das personagens AQUI (para apreciarem o efeito surpresa de cada personagem, leiam as descrições após cada uma ter aparecido na história. Trust me, dears, it's for the best xD)

Cap. I

“… e depois ela teve a lata de insinuar que eu a estava a comer com os olhos! Por amor de Deus, Bill, eu tenho padrões, não ando por aí a salivar por qualquer lambisgóia que me apareça à frente ou coisa que o valha!”

“Aham…”

“Sinceramente, estas criaturas devem pensar que eu não tenho mais por onde escolher… Pois sim! Tenho mais e melhor do que elas alguma vez virão a ter! A começar por aqueles anormais que elas fazem questão de inspeccionar as amígdalas, se é que eles ainda as têm. Ouviste o que é que aquele anormal do Connor disse hoje?”

“Sim, sim…”

“Ele qualquer dia vai ouvir das boas, ah vai, vai!”

“Claro…”

Um momento de silêncio arrastou-se enquanto uma Cameron Boynton visivelmente mais calma observava a expressão apática do amigo, seguindo-se de uma exalação profunda. Cameron odiava quando Bill se fechava em si mesmo. Ela tinha cara de vidente ou assim?

Ele está a esconder qualquer coisa. “Estás a esconder qualquer coisa.”

À voz da amiga, Bill acordou do transe com um pequeno salto e olhou-a por vários segundos antes de conseguir articular uma frase que não fosse constituída por onomatopeias ou repetição de uma palavra com menos de duas sílabas.

“Eu? Eu não escondo nada.”

“Vais-me obrigar a perguntar, Bill?” Cameron perguntou, olhando-o de soslaio com uma cara de poucos amigos não muito convincente. Normalmente seria mais eficaz, mas era Bill, um dos poucos pontos fracos dela.

Puto sem emenda…

“Não, claro que não.” Bill respondeu com um leve sorriso nos lábios. “Podes sempre tentar adivinhar…”

“Bill…”

Oh, não, o tom maternal enfurecido. Era melhor ele deixar-se de coisas mesmo e falar de uma vez por todas. Mas como, se nem ele próprio tinha assimilado completamente a informação? Ainda lhe custava falar sobre o assunto, até pensar, se bem que este último é um pouco mais incontrolável. Daí a cabeça em água que o levou ao estado de apatia tão pouco usual em que se encontrava.

“Eu…”

Encontrei o teu irmão gémeo.

O meu quê? Desculpa, por momentos pensei que tinhas dito que—

Foi isso mesmo que ouviste, filho.

Eu… eu tenho um irmão gémeo?


“Eu tenho um irmão gémeo.”

Cameron olhou-o por momentos, com uma expressão que perguntava com todas as letras se ele a achava burra.

“Ah. Ah. Ah. Que piada.” Ela falou com um sorriso visivelmente falso. “Podias ter inventado uma melhor, sinceramente.”

“Mas… eu não estou a mentir! Achas que eu estava assim se o meu cão tivesse comido o meu trabalho de casa ou quê? Eu nem sequer tenho um cão!”

O olhar de Cameron tornou-se mais sério e fixou-se nele por longos momentos. A ideia de que ele realmente não estava a mentir tornava-se cada vez mais clara na sua mente. Mas como?

“Tu… Tu tens um irmão gémeo?” ela perguntou a medo, ao que Bill acenou em confirmação. “Meu Deus… Definitivamente, com tudo o que te tem acontecido, daqui para a frente vou passar a acreditar piamente em tudo o que me disseres! Quer dizer, primeiro dizes-me que és gay(1), depois descobres que foste adoptado, depois a tua mãe biológica está a vir para Londres, e agora tens um irmão gémeo?”

Bill respirou fundo, tentando engolir em seco toda a realidade da sua vida tão simplificadamente descrita pelas palavras de Cameron, e acenou novamente.

“E não fica por aqui, ele vem para Londres passar uns tempos com a nossa mãe, directamente dos Estados Unidos—”

“Ele mora na América?”

“Aparentemente… Chicago, se não me engano.”

Cameron moveu os pés de cima do sofá para o chão e aproximou-se dele, colocando uma mão no seu ombro e outra no saco de batatas fritas que estava em cima da mesa da sala para se servir.

“Nome?”

“Tom Kaulitz Dekker.”

“Hmm… Então suponho que Kaulitz não seja bem um segundo nome que a Senhora Eleanor te resolveu dar…”

“Exacto. Foi a única condição que a nossa mãe biológica colocou quando nos deu para adopção, para o caso de nos querer encontrar no futuro.”

Cameron pensou um pouco e decidiu que toda aquela história começava a fazer sentido.

“Então como é que ele foi parar aos Estados Unidos e tu estás aqui?”

“Sim, é estranho. Inicialmente eu pensava que a rede de adopção ilegal que negociou com a minha mãe também trabalhava fora da Europa, mas ao que parece isso não acontece… Só posso tentar adivinhar, e a mim soa-me a emigração.”

Cameron acenou com a cabeça, concordando com o amigo. “É o mais certo. E onde é que ele vai ficar enquanto aqui estiver?”

“Perto da estação de New Cross Gate(2).” Bill respondeu, acrescentando depois “Vamos.”

“Como assim “vamos”? Tu também?”

“Sim, para mal dos meus pecados.” Bill confirmou, suspirando. “A nossa mãe comprou um apartamento lá perto para passarmos lá uns tempos. Os três.”

Por mais que lhe tivesse custado dizer tudo aquilo, o sorriso que Cameron esboçou quase pagou por todos os inconvenientes que a mudança iria trazer.

“Isso quer dizer que vamos ser vizinhos!”

“Sim, e também quer dizer que vou ter que trocar de linha de metro umas mil vezes para chegar a Camden(3), que só por acaso é onde faço toda a minha vida social!” Bill retorquiu amargamente.

“São três vezes. E vê o lado positivo, ao menos ficas mais perto da escola…” Cameron acrescentou com uma expressão esperançosa.

“Oh, sim, grande melhoria! Agora todos os anormais que lá andam vão saber onde moro, absolutamente fantástico.”

“Ah, para de dramatizar!” Cameron exclamou, atirando-se contra o encosto do sofá. “Tenta ver o lado positivo da coisa! Olha, eu sempre quis ter um irmão…”

“Pois eu não! Ainda para mais gémeo! Imagina que ele se veste mal ou que tem um penteado completamente nojento – vai-me estragar a imagem!”

“Drama Queen…” Cameron disse mais para si mesma do que para o amigo que quase furava o sofá com as unhas de tanto nervosismo.

“Eu ouvi isso!” Bill falou, exaltado, lançando um olhar zangado para Cameron, que não o chegou a ver porque já tinha tratado de fechar os olhos. Á voz do amigo, abriu-os lentamente e respirou fundo.

Isto não vai ser fácil.

“Bill… Acalma-te, okay? Vai correr tudo bem, vais ver que ainda te habituas à ideia.”

“Nunca!” Bill retorquiu, levantando-se logo de seguida para começar a andar pela sala de estar da sua casa como um louco.

Nada fácil.


1) Sim, o meu Bill é assumido. Não estou a acusar o rapaz de nada, apenas é necessário para esta história (mas aposto que muitas de vocês não se importavam nada que ele fosse… pervs xD)
2) A New Cross Gate Station existe na realidade. É uma estação de metro que fica perto da escola que vou usar como escola do Bill (e posteriormente do Tom).
3) Camden Town, ou Camden Market, um mercado em Londres por onde anda o pessoal mais alternativo da cidade. Além do mercado ao ar livre tem várias lojas, pubs, clubs, etc.

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Última edição por ritalavalerie. em Seg Dez 15, 2008 8:32 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: London Calling (Cap. II)   Sex Dez 12, 2008 6:21 pm

Título: London Calling (Cap. II)
Tipo: por capítulos.
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13 (poderá eventualmente ser PG-17)
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: Os meninos não me pertencem (sorte a deles, ‘cause I’m a wicked bastard, ehe.) As outras personagens são minhas, incluindo a Cameron, mas a menina da foto (Ellen Page, actriz) não me pertence. Thank you.

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. II

Bill não estava de bom humor. Aliás, ele estava de péssimo humor. E como se não bastasse ainda estava mais cansado que mal-humorado. Definitivamente, mudanças eram muito mais excitantes quando se é mais novo e não te obrigam a fazer a mala. Quando era um menino e se mudou de Surrey Quays para Kennington(1), nem sequer tocou numa peça de roupa! Também não poderia dizer que estava propriamente feliz nessa altura, pois iria passar a viver muito mais longe dos seus amigos (ou amiga, se formos sinceros) mesmo que continuasse a frequentar a mesma escola (após de muito esperniar para não o afastarem da Deptford Green School). Mas pelo menos não teve de andar a nadar numa gaveta cheia de camisolas que lhe davam vontade de enterrar a cabeça no chão de vergonha por ainda as ter guardadas. Ou vomitar em cima delas.

“Oh. Meu. Deus. O que é isto?”

E aparentemente Cameron também concordava.

“Não digas nada, okay? Não digas nada.” Bill pediu, escondendo a cara com as mãos enquanto se perguntava pela milésima vez o que é que o fazia insistir em ter a amiga sempre por perto se a única coisa que ela fazia era gozar com a cara dele, entre outras coisas que as amigas fazem. Deviam ser essas outras coisas, com certeza.

“Como é que eu não posso dizer nada?” ela perguntou entre risos. “Verde fluorescente, Bill!”

“Podes encarar isso como uma peça de roupa bastante Cyber…” Bill apontou, tentando convencer Cameron e a si próprio que a dita camisola verde fluorescente não era a coisa mais foleira que alguma vez tinham visto.

“Cyber a puxar para Teletubbie, só se for.” Cameron retorquiu ironicamente, olhando o amigo de lado com aquele olhar sarcástico só dela. Há muitos anos atrás esse olhar intimidava-o, mas agora só o fazia revirar os olhos e sorrir carinhosamente quando ela não estava a ver. “Qual era mesmo, aquele verde-ranho? Tinky Winky?”

“Dipsy.” Bill corrigiu antes que pudesse pensar no que tinha dito, arrancando involuntariamente mais gargalhadas da amiga. “Ah, que dia perfeito, cansaço, mau humor, e completa humilhação. O que pode um jovem rapaz pedir mais?”

“Oh, Billy, não fiques assim!” Cameron falou num tom de carinho exagerado, acariciando o seu ombro e fazendo uma expressão que ele iria achar cómica se não fosse ele dirigida a ele. “Vais ver que depois de deitarmos isto ao lixo vais-te sentir muito melhor!”

“Espero bem que sim.” Bill murmurou para si mesmo, sem conseguir evitar em sentir-se um pouco céptico. Sinceramente, não conseguia ter esperança de que algo novo fosse acontecer na sua vida sem a mudar para pior.


- - -


“Então, o que achas da casa?” perguntou Simone, olhando orgulhosa para as decorações da novíssima sala de estar.

“É muito bonita.” Bill respondeu, e com sinceridade. A casa era um T2 não muito grande, mas estava decorada com muito bom gosto. Na sala as cores eram ricas, como o vermelho e ocre das paredes coberta por papel de parede vintage ou o sofá de veludo negro com almofadas a combinar com esse papel, contrastando com as cortinas de um tecido creme semitransparente. De um lado do sofá estava uma grande televisão, um leitor de DVD’s e um aparelho Hi-Fi, do outro, uma mesa de jantar para 6 pessoas com velas e uma jarra bastante original no centro. As paredes estavam cheias de fotografias muito bonitas, muitas delas de Simone e Gordon em concertos, viagens e dias especiais. Bill achou tudo muito aconchegante e familiar. Ao menos isso iria ser agradável.

“Vamos ver o vosso quarto?”

Vosso quarto. Vosso quarto. Dava para ver pela reacção a essas duas palavras tão simples que Bill não estava minimamente preparado para ter um irmão. Muito menos um irmão que seria supostamente idêntico a ele. Como duas gotas de água! Simone dizia sempre. E agora que a realidade se aproximava cada vez mais, parecia mais e mais irreal.

O quarto também era bastante agradável. Se Bill ignorasse o facto das duas camas, até poderia dizer que estava muito bem decorado. A colcha e as cortinas eram de cores neutras, pretos e cinzas, principalmente, e as paredes tinham muito espaço para colocar posters, já que eram ocupadas apenas por uma cómoda com 4 grandes gavetas e um roupeiro gigante completamente espelhado. O seu lado vaidoso sorriu em satisfação.

“Estou a ver que gostas.” Simone falou com um pequeno sorriso nos lábios. Era surpreendente como apesar de nunca ter tido mais filhos, ela conseguia ser tão maternal. Após os primeiros conflitos, os porquês, as fugas, as negações, Bill até já conseguia pensar nela como mãe, embora lhe custasse trata-la como tal. Eleanor guardava esse lugar cativo no seu coração, sendo adoptiva ou não.

“Sim. Tem bastante espaço para os meus posters e fotografias.”

“O Gordon é que sugeriu que deixássemos as paredes livres, exactamente para esse efeito. Ele compreende-vos. É um eterno adolescente, aquele homem!”

Bill sorriu e moveu-se no quarto, aproximando-se da secretária com espaço para dois que se encontrava num canto perto da janela. Por cima estavam apenas duas grandes prateleiras, ainda vazias, mas que iriam servir muito bem para colocar livros e cadernos. Bill não era do tipo estudioso, mesmo.

“Está muito agradável, obrigada.”

Simone aproximou-se dele e colocou uma mão no seu ombro, olhando-o ternamente. “Não tens de quê, filho. Eu é que agradeço por me teres dado esta segunda oportunidade após tudo o que eu fiz. Só espero que o teu irmão seja tão compreensivo como tu…”

Percebendo a angústia da mãe, Bill olhou-a nos olhos como poucas vezes tinha feito antes e agarrou a mão que estava no seu ombro em sinal de apoio.

“Ele vai compreender. As coisas não foram fáceis para ti. Fizeste a escolha mais acertada, mãe.”

A palavra mãe fez o truque e em momentos Bill encontrou-se enlaçado pelos braços de uma Simone bastante comovida. Teve que confessar para si mesmo que não era uma sensação nada má, contando que já não abraçava a sua mãe adoptiva há algum tempo. A última vez tinha sido quando descobriram que a sua mãe biológica estava a caminho de Londres e Eleanor pensou que iria ser abandonada. Não poderia estar mais longe da verdade, claro. Mesmo vindo viver uns tempos com Simone e o companheiro, Bill fez questão de prometer à sua mãe adoptiva que a iria visitar várias vezes por semana, como um bom filho deve fazer.

“Bom, chega de lamechices.” Simone anunciou, recuando um pouco para ajeitar as pontas da colcha de uma das camas. “Precisas de ajuda nas arrumações?”

“Não, obrigada.” Bill respondeu. Numa circunstância normal iria sentir-se tentado a aceitar, mas para celebrar a sua mudança para a zona residencial de New Cross, Cameron tinha prometido que aparecia por lá para o ajudar a arrumar as coisas. “Posso telefonar a uma amiga para ela vir até aqui?”

“Oh, claro, está avontade. É aquela menina muito simpática, a Cameron, certo?”

“Sim,” Bill confirmou, já se sentando na beira da cama para pegar no telefone que estava numa mesa-de-cabeceira. “Ela mora aqui perto e disse que passava por aqui para me ajudar a arrumar as coisas.”

“Ah, muito bem. Queres que prepare um lanche?”

“Por mim não, mas pensando bem, podes preparar qualquer coisa para a Cameron, ela está sempre com fome.” Bill respondeu sinceramente, sorrindo, ao que Simone acenou com a cabeça, saindo do quarto com um sorriso idêntico.


- - -


Dias passaram, dia 1 de Setembro de 2006 chegou. Bill devia estar a levar aquele dia como um outro qualquer, nunca tinha feito grande alarido no seu aniversário, mas as razões que o mantinham nervoso eram completamente diferentes.

O seu irmão estava a chegar ao Aeroporto de Londres a qualquer momento.

Dizer que estava nervoso era favor, ele estava completamente histérico! Mas só por dentro, por fora mantinha uma máscara impávida e serena, ou tentava fazê-lo, de qualquer maneira. Simone estava ainda mais nervosa que ele, tremia por todos os lados, e Bill tinha que ser forte.

“O avião dele acabou de chegar. Vai sair pela porta 3, se não me engano.” Simone avisou, já com os olhos postos na porta ainda vazia. Bill assentiu com a cabeça e tentou manter as mãos quietas. Segundos e minutos arrastaram-se a um passo insuportável e o bater do sapato de Simone contra o chão estava a irritá-lo profundamente. O seu cérebro estava num tal turbilhão de pensamentos que tudo lhe vinha à cabeça – desde as conversas que teve com Cameron sobre o assunto até à reacção que o irmão iria ter quando visse que o seu gémeo tinha um penteado extravagante e usava maquilhagem. Esses pensamentos foram felizmente interrompidos pela voz de Simone “Tom!”

Só com uma palavra Bill conseguiu perceber o sentimento da mãe, tal era a carga de emoção no seu tom de voz. E quando, por instinto, olhou na direcção do olhar dela, teve o choque da sua vida. Aquele não poderia ser…

Como duas gotas de água…

Como duas gotas de água? Mais como dois flocos de neve, se tivermos em conta a teoria de que todos os flocos de neve são diferentes. Para resumir, ele e Tom poderiam ser descritos como opostos. Em contraste com o seu cabelo meticulosamente penteado, as rastas do seu suposto irmão gémeo não poderia ser mais diferentes, e enquanto que a sua roupa era basicamente composta por peças justas, Tom desaparecia dentro das suas calças largas e camisola uns bons números acima.

Bill questionou-se seriamente como é que Simone conseguiu distinguir o seu filho por entre os restantes passageiros.

“Oh, Tom…” Bill ouviu a sua mãe dizer novamente antes de se aproximar do rapaz e o abraçar. “Finalmente… os meus dois meninos…”

Pelo seu ângulo de visão Bill conseguia perceber que Tom estava um pouco confuso, talvez por não poder devolver o abraço com tanto carinho como a sua mãe. Aconteceu-lhe o mesmo quando a conheceu: criou demasiadas expectativas, pensou que a ligação de mãe e filho iria ser imediatamente palpável, mas enganou-se. Foram precisos vários meses para que se habituasse a ter uma estranha como mãe, depois a não a ver como uma estranha, e finalmente a criar um carinho especial por ela.

Quando olhou novamente em direcção ao irmão, ainda envolvido pelos braços de Simone, viu que este estava a observá-lo por cima do ombro dela com uma expressão um tanto ou quanto chocada. Bill já conhecia aquele olhar – recebeu-o várias vezes na escola quando resolveu mudar de imagem – por isso respondeu da única maneira que sabia, retribuindo com um outro lancinante, mostrando que não tinha problemas em ser observado e curvando o lábio superior num sorriso sarcástico, até que Tom finalmente desviou o olhar.

Quando Simone largou o rapaz para o apresentar ao seu suposto irmão gémeo, Bill já estava convencido de que sim, definitivamente nada de bom lhe iria acontecer nos próximos milénios.


1) Surrey Qays e Kennington são duas zonas de Londres, sendo que Surrey Quays fica mais perto de New Cross, e Kennington de Camden Town.

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Última edição por ritalavalerie. em Sex Dez 12, 2008 6:25 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: London Calling (Cap. III)   Sex Dez 12, 2008 6:22 pm

Título: London Calling (Cap. III)
Tipo: por capítulos.
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Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
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Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores] (Oooh, lazy!me xD)

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. III

Para quem se achava muito confortável na quietude do silêncio, Bill não podia esperar por abandonar o silêncio de cortar à faca que se instalara dentro do carro e colocar uma música qualquer no volume máximo para não ter que lidar com tudo o que se estava a passar. Depois de uma apresentação em que ambos se sentiram na obrigação de pelo menos apertar a mão, Bill conseguiu sentir a tensão que existia entre eles, detectá-la no toque da outra mão contra a sua, no olhar de estranheza, na postura do outro rapaz – como se lhe quisesse provar algo.

É certo que o olhar de desafio que Bill lhe lançou no aeroporto também não ajudou muito, mas ele não ia admitir ser olhado daquela maneira pelo próprio irmão. Ele mesmo controlou-se para não torcer o nariz à diferença entre eles. E que diferença. Quem os visse, mesmo juntos, nunca diria que eram irmãos gémeos. Talvez se olhassem com muita atenção, Bill supôs, encontrassem semelhanças, mas até àquele momento ainda não se tinha dedicado a tal coisa.

Por várias vezes Simone tentou puxar conversa com Tom, mas o rapaz parecia ser tão especialista em onomatopeias como um Bill angustiado. Pelos seus grunhidos e acenos de cabeça Bill ficou a saber – da boca da mãe, e de Gordon, que ia a conduzir o carro – que Tom tocava guitarra (por alguma razão a mala do instrumento que Tom levava ao ombro tinha-lhe escapado até ver Gordon a guardá-la na mala do carro), andava de skate, gostava bastante de basquetebol, e os seus pais, Alan e Jane Dekker, eram pessoas fantásticas. Bill sentiu algo estranho dentro de si quando ouviu Simone a falar do senhor Alan Dekker, tão preocupado com o seu filho, totalmente o oposto do seu. Martin abandonou Eleanor 4 anos depois de o terem adoptado – em esperança de salvar o casamento – para se juntar com outra mulher. Bill odiava-a com todas as suas forças e nunca soube bem porquê. De qualquer forma poderia estar grato que o senhor Martin Skinner nunca se tivesse lembrado de ter outro filho com a nova esposa – um filho daquela mulher iria ser uma criatura desprezível, com certeza, e Bill nunca pediu irmãos, muito menos meios-irmãos adoptivos.

E muito menos um irmão gémeo.

“Podes usar a garagem para treinar se quiseres estar mais avontade, mas o isolamento sonoro da casa é bastante bom.” Gordon acrescentou após um longo monólogo sobre guitarras. “Está avontade, okay?”

“Obrigada.” Tom respondeu numa voz quase inaudível. Bill deu por si a reparar que aquela tinha sido a primeira palavra que ouviu da boca do irmão.

E iria ser a única durante o resto da viagem.

Já em casa, Bill mais uma vez sentiu-se na obrigação de se oferecer para ajudar Tom a arrumar as suas coisas mas o rapaz recusou. Não tendo mais nada que fazer, sentou-se no sofá da sala com o seu portátil ao colo para combinar uma saída. Precisava mesmo de espairecer e era tradição sair à noite com os seus amigos no dia do seu aniversário. Cameron foi a primeira a responder e sugeriu uma noite numa discoteca de Camden à escolha do grupo.

Quando deu por si já eram horas de jantar, e mais uma vez a tensão voltara em força. O barulho dos talheres a bater contra a louça dos pratos estava a tornar-se cada vez mais insuportável, e as tentativas de conversa de Simone e Gordon eram muito mal correspondidas. Se Bill respondia com palavras curtas, os acenos de cabeça de Tom eram ainda mais evidentes de que a relação entre ele e os restantes membros da “família” se mantinha na estaca zero.

Felizmente alguém teve a excelente ideia de o salvar e tocou à campainha.

“Desculpe, parece que cheguei cedo demais…” Cameron falou para Simone que lhe abrira a porta e a conduzia para a sala.

“Oh, nada disso! Íamos agora mesmo cantar os parabéns aos aniversariantes!”

Ao ouvir a palavra aniversariantes, plural, Cameron olhou imediatamente para a figura ao lado do seu melhor amigo. E ficou chocadíssima, claro está. Aquele é que era o Tom?

“Então… ahm… tu é que és o Tom?” Cameron perguntou a medo e Bill olhou-a com cara de poucos amigos. Ela devia mesmo aprender guardar os seus pensamentos para si mesma!

Tom, porém, levantou o olhar do prato à sua frente pelo que deveria ter sido a primeira vez naquela noite e acenou com a cabeça. “E tu és…?”

Wow, uma frase. Bill estava mesmo para ver o que vinha a seguir.

“Cameron Boynton,” ela respondeu, aproximando-se e oferecendo a mão. “Amiga do Bill.”

Tom apertou-lhe a mão e até sorriu levemente! Bill ficou chocado para a vida e Simone parecia estar a rebentar pelas costuras de felicidade por ver o seu filho finalmente esboçando um sorriso.

A chegada de Cameron veio-se provar um mandado dos Deuses quando todos cantaram os parabéns, coisa que lhe estava a soar a outro momento constrangedor mas que na verdade, com a presença da amiga, se tornou muito mais fácil. No final ainda comeram bolo, incluindo Tom que mal tinha tocado na comida.

“Bom, acho que já está na nossa hora, não é Cam?” Bill perguntou-lhe, porque por mais que a situação tivesse melhorado, não via a hora de sair daquele apartamento e se enfiar num metro cheio de desconhecidos.

“Sim, tens razão.” Ela concordou. “Já devem estar todos a ir para Camden.”

“Nós vamos então.” Bill anunciou, tentando não se sentir novamente na obrigação de fazer algo completamente estúpido como convidar Tom para ir com eles.

“Vens connosco, Tom?”

Aparentemente Cameron tornara-se repentinamente numa perita em leitura de mentes e resolveu tomar o assunto nas suas próprias mãos.

“Oh, não… Prefiro ficar por aqui.” Tom recusou educadamente, e Bill quase que sentiu remorso pelo alívio que essas palavras lhe proporcionaram. Quase.


- - -


“Cameron, tens noção que merecias uma prenda por seres um anjo que me caiu do céu?”

“Claro, eu mereço isso e muito mais! Por falar em prenda, tenho aqui a tua.”

“Um CD? Tanta originalidade…”

“Para de te queixar, eu sei do que é que tu gostas.”

“You know me better than I know myself…”

“Róisín Murphy? God, se tu não és a coisa mais gay deste mundo(1)… Ouch, essa doeu!”


- - -


Eram já altas horas da madrugada quando Tom ouviu um barulho de risos contidos que o acordou de um sono tão difícil de conseguir. Passos de várias pessoas ressoaram, não muito audíveis a não ser para quem estava completamente desperto como ele, e de seguida a porta do quarto onde dormia rangeu e abriu.

“Ssh! Cuidado com a porta!” sussurrou uma voz feminina que Tom tinha a certeza que já tinha ouvido antes. Provavelmente era a amiga de Bill.

“Onde está a minha cama? Uh? Quero a minha cama!”

Era Bill. E pela sua voz dava para perceber que estava completamente bêbado. Tom arrependeu-se amargamente de ter recusado o convite de Cameron porque estava realmente a precisar de se distrair com qualquer coisa e álcool sempre funcionou bem. É claro que nunca na vida ficou como o irmão estava naquele momento, mas com tudo o que lhe acontecera em tão pouco tempo, e contando que o irmão devesse estar a passar por algo parecido, era perfeitamente compreensível.

“Está aqui à tua direita… sim, isso.” Falou outra voz feminina desconhecida. Duas raparigas? Tom deu por si a pensar se o seu irmão tinha assim tanta saída com o sexo oposto.

“Cama…” murmurou Bill novamente, antes de se lançar para cima da cama, fazendo com que as molas do colchão chiassem.

“Bom, já estás entregue…” anunciou Cameron que parecia estar a dirigir-se para a porta do quarto.

“Sim, nem penses que te vamos vestir o pijama!” disse a outra rapariga, ao que Bill respondeu com risinhos histéricos. Só mesmo alguém completamente embriagado para deixar duas raparigas escapar assim.

“Ssh! Ainda acordas o Tom.” Avisou a amiga, fazendo com que Bill parasse de rir e se movesse na cama, provavelmente para olhar para o suposto Tom adormecido na cama ao lado.

“Oh, desculpa.”

Tom não percebeu se as desculpas eram para si ou para as amigas, mas de qualquer forma jogou pelo seguro e continuou a fingir que dormia. As raparigas deram as boas noites e saíram do apartamento fazendo muito menos barulho do que quando entraram, e quando Tom teve a certeza de que Bill já dormia, tentou fazer o mesmo.


- - -


Dor. Palavra bonita, tão utilizada para descrever sentimentos, emoções. Mas às nove horas da manhã, após uma noite de farra e quatro horas de sono, a dor que Bill sentia a apoderar-se da sua cabeça era tudo menos emocional. De facto, era uma dor bastante física.

Nada como comemorar os doces 16 anos com uma bela de uma ressaca.

As suas pálpebras pesavam como se dedos invisíveis as pressionassem, e a luz que vinha da janela – sem duvida aberta recentemente, sendo provavelmente a razão para ter acordado tão cedo – não contribuía nada para acalmar a dor. Concentrando-se um pouco mais conseguiu ouvir barulho do seu lado esquerdo, provavelmente Tom a procurar alguma coisa no roupeiro. Quando ao fechar de uma porta, um suave odor a perfume masculino transportado pelo ar atingiu as suas narinas, Bill teve a certeza de que sim, era Tom quem estava no quarto.

Alguns segundos depois, quando não ouviu passos em direcção à porta, Bill sentiu um arrepio na espinha e soube que estava a ser observado. Podia sentir os olhos do irmão a percorrer-lhe a silhueta escondida pelos lençóis como se procurasse alguma semelhança consigo mesmo. Se estivesse numa condição menos precária até tentaria olhar na direcção do outro rapaz para dar a entender que não gostava de ser observado à socapa, mas naquele momento a única coisa que lhe ocorreu foi manter os olhos fechados e fingir que dormia.


1) Róisín Murphy, vocalista dos Moloko, lançou recentemente um novo álbum (o segundo a solo) que está fantástico. Uma das músicas é aquela que o meu Bill canta para a Cameron, You Know Me Better. A Róisín faz música bastante dançável e com vocais femininos por isso é bastante popular entre a comunidade gay. Mas deixem-se estar que o nosso querido Bill também não fica nada atrás! Toda a gente sabe que o ídolo dele é a Nena e ela é tipo a Madonna alemã pelo que percebi. E o que é a Madonna? The Queen of Queers! Ok, parei xD

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Última edição por ritalavalerie. em Sex Dez 12, 2008 6:25 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: London Calling (Cap. IV) 1/2   Sex Dez 12, 2008 6:25 pm

Título: London Calling (Cap. IV)
Tipo: por capítulos.
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13 (poderá eventualmente ser PG-17)
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores] e as novas personagens que irei referir neste capítulo também são criação minha, porém a foto que usei para a Guinevere Johnston foi tirada da modelo Sophie, agência Models 1, como Julie escolhi a modelo Philippa Bywater da mesma agência, a foto do Sick Boy é do actor Macaulay Culkin, e para a Eddie usei uma foto da modelo Imogen, agência Storm Models.

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. IV

A tarde de sábado do dia 2 de Setembro estava calma, até demais. Tom parecia gostar bastante da televisão, visto que se sentou à frente desta e nunca mais se levantou. Bill, não querendo lidar com a tensão que se formava sempre que os dois eram deixados sozinhos, chamou Cameron e os dois fecharam-se no quarto a conversar sobre a noite anterior.

“Eu não me lembro de metade do que fiz ontem…” comentou Bill agarrando a cabeça que ainda doía, mesmo já com uma aspirina em cima e mais duas horas de sono bem merecidas.

“Pois devias! Eu e a Julie é que tivemos de te trazer a casa porque decidiste beber até cair!” Cameron falou numa tentativa de tom reprovador, mas que só o fez rir do ridículo da situação.

“Fui assim tão chato?”

“Nem imaginas! Primeiro que conseguíssemos chegar ao quarto sem acordar a casa toda foi o cargo dos trabalhos…”

“Desculpa lá…” Bill disse num tom que mostrava claramente que o arrependimento dele não era muito. Em dúvida, o sorrisinho que tentava esconder deixava claro que sim, ele realmente estava a achar piada à situação. “Mas… disseste que a Julie também veio?”

“Sim…” Cameron respondeu simplesmente, já desconfiada daquela carinha.

“E…?”

“E o quê?” Cameron perguntou, tentando fazer-se de inocente. Bill tinha a certeza de que ela havia percebido a pergunta dele desde o início.

“E o que é que se passou antes e depois? Conta, vá!” Bill pediu, já a perder a paciência com tanto suspense. “A minha memória está altamente afectada e como teu melhor amigo mereço detalhes, muitos detalhes.”

Cameron respirou fundo e revirou os olhos. Nada do que ela fizesse poderia ser um segredo para Bill, não era mesmo?

“Tudo bem, tudo bem, eu conto. Bom, para começar não te preocupes que a única coisa que fizeste além de beber foi… beber. Ah, e vomitar, sim.”

“Ew.” Bill torceu o nariz ao perceber a razão do péssimo hálito matinal que tinha quando acordou. “Okay, continua.”

“Entretanto a Julie apareceu, acho que te lembras dessa parte.” Bill acenou com a cabeça. É claro que ele se lembrava, ainda estava bastante sóbrio. Julie era uma rapariga loira de cabelos curtos e olhos cor de mel, muito bonita e com um estilo muito próprio, bastante clássico mas ao mesmo tempo diferente, e uma delícia de companhia. “Estávamos todos a dançar, excepto tu, o Sick Boy e a namorada que já não estavam lá muito bem – sabes como são aqueles dois, não perdem uma oportunidade para apanhar a bebedeira.”

É claro que ele sabia. O nome verdadeiro do Sick Boy era Colin, mas decidiram começar a chamá-lo assim quando alguém disse que ele parecia mesmo o Sick Boy do Trainspotting(1). Além do sotaque escocês herdado da mãe e do cabelo loiro, Sick Boy era um menino do Haberdasher Aske's Hatcham College que aparentemente parecia ser um exemplo a seguir, mas que secretamente frequentava sítios onde nem Bill ou Cameron se atreviam a ir, além de consumir drogas. Ainda não estava no nível do verdadeiro Sick Boy, jurando a pés juntos que da erva não passava, mas já havia quem dissesse que o tinha visto em ácidos. A namorada, Eddie, diminutivo de um nome vergonhoso qualquer que ninguém sabia, era outra que tal.

“Sim, já era de esperar.” Bill comentou depois da sua reflexão, incitando a amiga a continuar.

“Bom, lá para as três da manhã, já estavas tu a cair de bêbado num sofá, a Julie perguntou-me se ia com ela ao quarto de banho. Eu olhei para ti, pedi ao Devon para te vigiar – mas duvido que ele o tenha feito porque estava demasiado distraído lá com o novo amigo – e fui. O resto acho que já consegues adivinhar. Aconteceram coisas aí, aconteceram coisas na pista de dança e ainda aconteceram coisas em minha casa, depois de virmos aqui trazer o menino. Não me peças mais detalhes, por favor.”

Bill reflectiu um pouco para assimilar os acontecimentos e decidiu que era melhor não pedir mais detalhes mesmo. Pormenores íntimos entre duas raparigas era coisa que não lhe interessava de todo.

“Quer dizer que tu e ela…?” ele inquiriu, só para ter a certeza de que tinha percebido bem.

“Demos uns beijos, sim, e não, não fizemos mais nada. Ela faz o meu género fisicamente, mas…”

Bill esboçou um sorrisinho maquiavélico logo que reparou na oportunidade fantástica que tinha para tentar arrancar da amiga a única coisa que ela nunca admitira, nem a si própria. “Mas o quê? Demasiado boazinha para ti? Precisas de alguém mais… bitchy?”

Cameron ia começar a responder com alguma coisa como ‘Demasiado interessada, não deu luta nenhuma…’ mas rapidamente calou-se e lançou um olhar mortífero ao seu suposto melhor amigo. Lá ia ele começar com as bocas foleiras acerca da rivalidade dela com a idiota da Guinevere Johnston! Elas ODIAVAM-SE desde os 12 anos, será que Bill não conseguia entender isso? Cameron e Guinevere eram totalmente o oposto uma da outra! E lá por ela gostar de loiras, não queria dizer que tivesse obrigatoriamente de ter um fraquinho pela rapariga mais convencida e interesseira de toda a escola.

“Eu nem vou comentar, okay, Bill?”

Bill revirou os olhos e para o bem da humanidade, mudou rapidamente de assunto.


- - -


Se na noite anterior Bill caiu na cama e adormeceu quase instantaneamente, agora completamente sóbrio e com a consciência de que estava outra pessoa a dormir no mesmo quarto, ainda para mais o seu irmão gémeo, o mesmo já não aconteceu. Não é que a presença de Tom o incomodasse mas só o barulho da outra respiração fazia com que o seu cérebro trabalhasse a mil à hora, bombardeando-o com pensamentos totalmente desnecessários.

As aulas na Deptford Green School(2) iriam começar na segunda-feira. Será que a notícia de que os dois eram gémeos se iria espalhar? Talvez não. A única pessoa da escola a saber disso era a Cameron, visto que todos os seus amigos mais próximos frequentavam outras escolas, e as semelhanças entre eles não eram de todo visíveis. Quanto melhor. Tom não iria gostar de ser associado com o anormal que usa maquilhagem e gosta de rapazes.

Minutos passaram tão lentamente que pareciam horas e Bill já estava a desesperar por não conseguir dormir. Finalmente, cedendo à tentação que já o assaltava desde o momento em que viu o irmão pela primeira vez, decidiu procurar pelas semelhanças entre eles. Não podia passar mais um dia a tentar olhar de soslaio para ver se captava alguma coisa, e agora que o outro rapaz dormia era a oportunidade ideal. Tentando ser o mais silencioso possível, Bill levantou-se e contornou a cama do irmão até à janela que lhe iluminava levemente a face por entre pequenos feixes de luz. Lentamente baixou-se e sentou-se no chão, perto dos pés da cama onde o outro rapaz dormia, e finalmente pôde-se concentrar e observar uma face que um dia fora idêntica à sua.

Começou por reparar no formato do queixo. O do irmão não era tão magro como o seu, mas isso tanto poderia ser traço natural como o resultado de uma alimentação pouco saudável. Sabe-se lá o que o outro adolescente andava a comer nos Estados Unidos… Fast-food, muito provavelmente! Quanto aos lábios… Bill poderia jurar que eram iguais aos seus, mas o piercing que Tom tinha no lábio inferior – e como é que Bill não tinha reparado nele antes? – modificava um pouco o conjunto. O nariz era definitivamente diferente, sendo o seu certamente mais fino. Ele não tinha um nariz assim, pois não? E os olhos…

Os olhos estavam abertos.

Bill ficou paralisado. Apanhado em flagrante pelo rapaz que observava tão atentamente, deu por si a não conseguir mexer um músculo, nem sequer afastar o olhar. Tão abstraído estava, que demorou um pouco para assimilar que Tom estava a falar para si.

“Também não consegues dormir?”

Bill só conseguiu acenar com a cabeça e finalmente desviar o olhar para os fracos raios de luz vinda do exterior reflectidos na sua cama.

“Nem eu… E tenho fome. Será que há alguma coisa de jeito na cozinha?”

Reunindo toda a sua força de vontade e coragem para não começar a corar e a gaguejar como uma menina de 10 anos quando está perto do objecto dos seus afectos, Bill olhou para o irmão e respondeu com um simples “Não sei.”

“Bem, só há uma maneira de saber.” Disse Tom descontraidamente, já a levantar-se da cama. Bill viu-se obrigado a fazer o mesmo para abrir caminho enquanto se debatia interiormente para tentar perceber o porquê de tal choque. Está bem, tinha sido apanhado, mas isso não era assim tão mau pois não? Afinal ele só queria confirmar se os dois tinham assim tantas parecenças e—

“Vens ou não?”

Aquela casualidade de Tom perturbava-o. Parecia que no curto espaço de tempo entre o jantar e o momento em que acordou tinha passado por uma transformação qualquer. Mas e daí este Tom descontraído já tinha aparecido brevemente na noite anterior com a interacção com a Cameron, por isso talvez fosse preciso apenas um pequeno incentivo para o pôr comunicativo. Talvez ele precisasse de alguém para falar? Quando Bill encontrou Simone precisou imenso da melhor amiga para o ajudar a lidar com tudo, por isso talvez fosse o seu dever como irmão de o ajudar. É isso.

“Vou, vou.”

Na cozinha, Bill sentou-se imediatamente, colocando as mãos por cima da pequena mesa porque não sabia o que fazer com elas. Do outro lado, Tom mexia e remexia nos armários inferiores, procurando por algo.

“Sabes onde estão as bolachas? Elas devem estar por aqui, a… mãe perguntou-me se queria algumas ainda hoje.”

A dificuldade com que Tom se referiu a Simone como mãe era notória, mas já era um progresso muito grande. Bill lembrou-se dos seus próprios conflitos interiores, quando não sabia como se referir a Simone, porque chamá-la pelo primeiro nome poderia soar vulgar mas tratá-la como mãe parecia-lhe um pouco precipitado.

“Ahm… procura nos armários de cima.” Bill aconselhou, ao que Tom assentiu com a cabeça e ergueu os braços para abrir os armários mais altos. Ao fazer isso os seus músculos das costas flectiram e aí sim, Bill reparou – e de que maneira – que o outro rapaz estava sem camisola. A primeira coisa que lhe ocorreu foi algo como ‘Wow, será que as minhas costas também são assim tão perfeitas?’ mas depois de um raciocínio mais aprofundado Bill deu por si a pensar histericamente ‘Eu não posso, e repito, não posso estar a referir-me às costas do meu próprio irmão gémeo como perfeitas!’.

Mas a verdade é que ele tinha acabado de o fazer. Imediatamente lembrou-se de agradecer a todas as divindades existentes o facto de a leitura de mentes ser uma coisa exclusiva para certas pessoas como a Cameron, por exemplo.

“Aha!” Tom exclamou triunfante segurando um pacote de bolachas na mão, acordando Bill dos seus pensamentos e consequentemente fazendo-lhe um enorme favor. Bill abriu o pacote das bolachas que Tom pousara na mesa para puxar uma cadeira à sua frente, e os dois mastigaram uma bolacha em silêncio.

“Até que somos parecidos quando não tens aquela maquilhagem toda.” Tom comentou uns momentos depois, fazendo com que Bill o olhasse instintivamente. Os seus olhares ficaram presos um no outro durante alguns segundos até que Bill decidiu desviar o seu e reparou que Tom tinha uns ombros bastante interessantes.

Oh, por amor de deus, isto só pode ser falta de sexo, é que só pode!

“Mas o teu nariz é mais fino…”

“Sim, também acho.” Bill concordou, tentando com todas as suas forças abstrair-se mais uma vez daquela linha de pensamento.

“Estavas a observar-me não estavas?”

“Oh?” Bill ficou tenso quase automaticamente e tentou pensar racionalmente. Tom não poderia por nada deste mundo saber que ele tinha olhado para as costas dele… daquela maneira, pois não? Ele estava visivelmente distraído a procurar pelas bolachas e daquele ângulo de visão era completamente impossível—

“No quarto.”

Ah. Isso. “Ahm… sim, estava.” Bill admitiu, agora muito mais descansado depois de todo o pânico anterior. Preferia mil vezes admitir que o estava a observar no quarto do que a apreciar a curva das costas dele que por acaso—não. Mau Bill! “Desculpa, mas é que a mãe estava sempre a dizer que éramos muito parecidos quando éramos bebés, e eu não conseguia achar nenhuma semelhança, por isso… Achei que se olhasse com atenção podia descobrir qualquer coisa.”

Tom sorriu levemente e assentiu com a cabeça. “Não tens que pedir desculpa, eu também passava a vida a tentar ver alguma semelhança entre nós. Agora sem a maquilhagem é muito mais fácil, como já tinha dito. O formato dos nossos olhos é quase idêntico, acho eu. Os lábios também.”

Bill olhou do formato dos olhos que realmente era parecidíssimo com o seu, para a boca adornada do irmão. E porque é que ele de repente sentia que rapazes com piercing no lábio eram uma das suas pancas?

CONTINUA...

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Última edição por ritalavalerie. em Sex Dez 12, 2008 6:28 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: London Calling (Cap. IV) 2/2   Sex Dez 12, 2008 6:27 pm

London Calling (Cap. IV - continuação 2/2)

“Cameron, isto não é normal!”

“Oh, calma! Pára de fazer uma tempestade num copo de água!”

Tempestade num copo de água? Bill estava completamente passado e não conseguia parar de andar às voltas pelo quarto mas DEFINITIVAMENTE não estava a exagerar. De todo!

“Sim, claro, porque ter pensamentos incestuosos com o meu próprio irmão gémeo é completamente normal!” Bill exclamou, proferindo as palavras irmão gémeo no mesmo tom que costumava dizer vagina ou qualquer outra coisa ligada ao órgão sexual feminino. Por alguma razão ele sempre tinha odiado Ciências.

“Bill, pára de ser um Drama Queen por um momento e ouve-me.” Cameron pediu com o máximo de calma que conseguiu, olhando o amigo nos olhos e segurando-o pelos ombros para o manter quieto. “Até há menos de um mês tu nem sequer fazias ideia de que tinhas um irmão gémeo por isso, para todos os efeitos, o Tom não é mais do que um rapaz que supostamente é parecido contigo e vive debaixo do mesmo tecto que tu, certo?”

Bill não sabia se ela estava certa ou errada porque nem ele próprio sabia como classificar o Tom mas, pelo bem da sua saúde mental, concordou com um aceno de cabeça.

“Certo. Além disso, ambos temos a certeza de pelo menos três factos: Um, tu já não tens alguém há muito tempo, e diga-se de passagem que não é por falta de candidatos, mas continuemos. Dois, a carne é fraca, e isso é tão verdade como, sei lá, o céu ser azul. Três, o Tom é completamente hot e se até eu consigo ver isso, acredita, ele é. MESMO.”

Quando Cameron terminou a sua longa palestra, Bill reflectiu. E reflectiu. E à medida que ia assimilando a teoria da amiga, as coisas começavam realmente a fazer sentido. É claro que só podia ser pela sua falta de relações, ele mesmo tinha pensado nisso no dia anterior! E o irmão era um rapaz bonito, isso não poderia negar.

“És um génio, Cam.”

“Meh, só sou boa a constatar o óbvio, ao contrário de certas pessoas.”

Bill ainda pensou em responder, mas como ela tinha sido uma ajuda tão grande, decidiu deixar passar. Só dessa vez.


- - -


É engraçado como durante as férias planejamos sempre tudo para o próximo ano lectivo na nossa cabeça, mas quando damos por nós o ano está prestes a começar e mal temos a mochila limpa desde que o ano anterior acabou. Bill deparava-se com esse problema, entre outros, enquanto tentava encontrar uma mochila no meio da sua colecção que estivesse mais decente do que a que tinha usado durante todas as férias. Aparentemente uma tarefa um tanto ou quanto impossível visto que faltavam exactamente 30 minutos para sair de casa e ainda nem sequer tinha colocado maquilhagem nenhuma. Não que pudesse usar muita na escola, mas se fosse um bocadinho mais discreto, já ninguém lhe dizia nada. Afinal as raparigas também usavam, proibi-lo de tal coisa iria ser considerado injustiça. Ou assim se tinha defendido ele aos 13 anos quando a directora da escola o chamou para ter uma conversa muito séria com ele.

“Sabes dar o nó na gravata?” perguntou uma voz inesperada, fazendo-o saltar. Quando olhou para o seu irmão directamente vindo do banho, parado à frente da porta do quarto com a camisa branca do uniforme aberta e uma gravata verde na mão, Bill teve de dar o seu melhor para se concentrar em nós de gravatas e não em barrigas demasiado apetecíveis para serem igual à sua.

Só pode ser do basket… Pára! Não vais pensar no teu irmão dessa maneira seu—

“Bill?” chamou Tom outra vez, fazendo com que o irmão praticamente lhe arrancasse a gravata da mão para fazer o nó no seu pescoço. Iria ficar melhor se fosse feito no pescoço dele mas Bill tinha a perfeita noção de que tal contacto não iria ajudar em nada a não ser em pô-lo com as mãos tão trémulas que iria provavelmente aparecer no seu primeiro dia do Sixth Form(3) com a pior maquilhagem de sempre.

“Toma,” disse Bill, devolvendo a gravata. “Vê se está bem.”

Tom colocou a gravata ao pescoço, apertando-a com a dificuldade de alguém que não está de todo habituado a usá-las, e sorriu-lhe em agradecimento.

“Não tenho que levar a camisa por dentro das calças, pois não? Estas calças não dão assim muito jeito…”

Foi então que Bill reparou que as calças do uniforme do irmão eram pelo menos uns dois números acima do normal. Como é que ele tinha convencido Simone a comprá-las nesse número era uma história que Bill estava definitivamente interessado em ouvir.

“Estou a ver que não tens emenda… Essas calças são larguíssimas!”

“Olha quem fala!” Tom retorquiu num tom divertido. “Aposto que mandaste apertar as tuas!”

Bill teve a graça de corar e revirar os olhos enquanto ajeitava a sua própria gravata. “Está bem, okay, estamos quites. E sim, podes usar a camisa por fora das calças, não ias ser o primeiro, mas cuidado com as sapatilhas e o boné. Bonés, só em preto, azul escuro ou verde escuro, e as sapatilhas têm que ser escuras e não muito vistosas ou caras. Digamos que a escola tem uma politica de… igualdade para todos.”

Tom suspirou. Definitivamente toda aquela indumentária não lhe estava a agradar nada. “Não posso usar nem uma correntezinha?”

“Não. E fica feliz por já te deixarem usar piercings! Pode-se dizer que eu tive uma intervençãozinha aqui há uns anos para convencer a directora. No Haberdasher Aske's Hatcham College(4),” Bill deixou o nome do colégio rolar na sua língua com um tom sarcástico e pomposo, imitando a maioria dos alunos desse colégio. “um colégio aqui perto, ninguém pode usar piercings, penteados estranhos, cabelos pintados, maquilhagem, ou até sapatilhas. É horrível! Andei lá um ano e mudei-me logo.”

“Se não fosse pelas disciplinas já estava a implorar para me levarem de volta para os Estados Unidos…” Tom comentou e Bill reparou imediatamente no tom amargo, talvez saudoso com que falava do seu país. Decidiu que o melhor era mudar de assunto.

“Quais são as disciplinas que escolheste?”

“Arte, Música, Fotografia e Educação Física.” Tom enumerou, enquanto Bill procurava pelo seu lápis dos olhos favorito na mala da maquilhagem. “Tu?”

“Temos Arte e Música juntos, as outras são Inglês e História.”

Tom fez uma cara feia ao ouvir o nome das duas últimas disciplinas. “História quase que compreendo mas… Inglês?”

“Eu gosto de escrever.” Bill respondeu simplesmente, já virado para o espelho, colocando com o máximo de cuidado possível o lápis preto. “Que horas são?”

“Oito e vinte e cinco.” Tom respondeu, fazendo com que os olhos de Bill esbugalhassem.

“Oito e vinte e cinco? Estamos atrasados! Rápido, veste o casaco! Já tomaste o pequeno-almoço?”

Tom levantou as mãos, pedindo por gestos para o outro rapaz manter a calma. “Hey, ainda faltam vinte minutos e a escola é mesmo ali ao virar da esquina—”

“Mas ainda vamos passar pela casa da Cameron antes!”

Tom sorriu de uma maneira que Bill reconhecia como a sua própria forma de sorrir quando achava que estava a ver subtexto nas palavras dos outros e murmurou qualquer coisa que soava suspeitosamente como ‘namoradinha’. Já habituado a esses comentários, Bill normalmente nem se preocupava em responder, mas naquele momento deu por si a fazê-lo.

“Ela é a minha melhor amiga e é o mínimo que posso fazer.”

Se fosse possível, o sorrisinho cúmplice de Tom ainda se acentuou mais. “Não precisas de explicar, é realmente o mínimo que podes fazer depois de ela te vir trazer a casa às tantas da madrugada quando estavas a cair de bêbado.”

Aquele buraco onde ele se queria enfiar podia aparecer bem naquele momento, seria tão, tão bem-vindo…

“Estavas acordado?”

“Oh, antes de começares a cambalear pela casa não…” Tom respondeu, e Bill ousou olhar para ele apenas para conferir se o outro rapaz estava aborrecido com ele. Pelo sorrisinho irritante que tinha na cara, era evidente que esse não era o caso.

“Para a próxima vou ver se começo a fazer barulho mal abra a porta, então.” Bill provocou com um sorriso sarcástico que tinha aprendido com muitos anos de convivência com a sua melhor amiga. Tom apenas o olhou com um ar de desafio não tão convincente até que Bill se lembrou de que já deviam estar a caminho. “Agora anda, já devíamos estar a sair!”

Tom provavelmente deveria estar a queixar-se de que não tinha tomado o pequeno-almoço, mas a única coisa que lhe atormentava a mente era muito mais intrigante.

Eu não posso ter um sorriso assim. Tinha conquistado o dobro das miúdas com um sorriso daqueles! É tão—okay, aquele era o meu irmão gémeo a sorrir e além disso ele é um rapaz. E isto é muito estranho. Ahm… fome? Sim, muita fome.



1) Trainspotting é um filme baseado num livro de Irvine Welsh, um escritor escocês, e é baseado na cultura trash da Escócia nos anos 90. Trata o uso de droga e o processo de a largar, ou de morrer por ela. Sick Boy é o loiro deste cartaz e era o tipo de rapaz bem vestido, sempre de fatinho e gravata, mas que no fundo era tão viciado em heroína como todos os outros.

2) A Deptford Green School fica perto da estação de metro de New Cross e é comunitária. É porém, obrigatório o uso de uniforme, mas descansem que é uma coisa discreta (pelo menos muito mais sóbria para os alunos mais velhos do que para os pequenos). É conhecida como multicultural e tem bastante participação na educação para a cidadania, blablabla. Resumindo, penso que piercings/penteados extravagantes/etc., são permitidos, o que é bué, bué fixe.

3) Esta fanfic passa-se em 2005/06, quando ambos os gémeos têm 16 anos. É mais fácil assim, não fazia muito sentido se o Tom fosse ter o 2º ano da disciplina de Fotografia quando na América isso não existe. Já no Reino Unido, no Sixth Form (11º e 12º anos em Portugal), o aluno pode escolher entre 4 disciplinas completamente distintas, desde que sejam as necessárias para seguir o curso que pretende. Os mais confusos poderão variar nas áreas como é o caso do Bill ou da Cameron (Artes e Humanidades). A disciplina de Estudos Gerais é obrigatória e serve para complementar a educação do aluno. Cada aluno tem 17 horas de aulas semanais, e cada um tem um horário à função das disciplinas que escolheu. Portanto, não existem turmas fixas.

4) O Haberdasher Aske's Hatcham College fica perto da Deptford Green School mas é muito mais snobe e controlador. As regras de indumentária são rígidas, assim como de apresentação do cabelo, etc. Além disso é um colégio privado.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. V)   Sex Dez 12, 2008 6:29 pm

Título: London Calling (Cap. V)
Tipo: por capítulos.
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13 (poderá eventualmente ser PG-17)
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
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Cap. V

Mal chegaram à escola, Bill soube que iria passar o resto do dia a levar com o mau humor de Cameron. Como se alguém lá em cima achasse que um mês e tal de descanso já era coisa a mais, Guinevere Johnston cruzou-se com eles no portão da entrada e não pôde deixar escapar uma oportunidade para lançar o seu veneno e confraternizar com o novo aluno que mal tinha posto um pé no recinto escolar e já estava a causar sensação. Tom, com o seu penteado diferente, fazia com que todos os olhos se dirigissem para si, ainda mais com as roupas que, vá-se lá saber porquê visto que eram uns bons números acima, o favoreciam ainda mais. Ao contrário de Bill, que foi automaticamente alvo de chacota nos primeiros meses da sua mudança de visual, Tom tinha um ar considerado cool, por isso era normal que não escapasse ao radar da rapariga.

“Bom dia!” saudou Guinevere num tom de voz tão falso como a sua personalidade. “Bill, Cameron, já não vos vejo desde aquela vez no Venue(1), não é?”

Ah, a fatídica noite no Venue Night Club. Bill lembrava-se muito bem, pois tinha sido exactamente no dia antes de Simone lhe ter comunicado a notícia de que tinha um irmão gémeo. Era uma noite especial de artista como lá faziam várias vezes, dedicada a David Bowie, e com algum esforço Bill conseguiu convencer Cameron a ir com ele. O Sick Boy e a namorada também estariam lá, com certeza, visto que ambos moram em New Cross e aquela sempre fora a disco mais badalada do sítio, mas tê-los como companhia era a mesma coisa que não ter nenhuma. Se não estivessem a curtir num sofá ou canto qualquer, já estariam bêbados demais para articular uma frase.

Mas Cameron tinha uma boa razão para se tentar esquivar: Guinevere Johnston e os seus coleguinhas da Deptford iriam estar lá, ela tinha a certeza. E não se enganou. A meio da noite, já um pouco embriagada – vindo posteriormente a culpar o seu estado ao facto da presença de Guinevere a irritar, quando Bill sabia perfeitamente que ela estava era completamente irritada que a mesma rapariga tivesse passado a noite a esfregar-se a um gajo qualquer – Cameron decidiu que o melhor era seguir a sua dita rival até à casa de banho, onde tiveram a pior discussão desde os seus, vá, 14 anos. Guinevere tratou de atacar a orientação sexual de Cameron, insinuando que esta tinha uma enorme crush por ela – algo com que Bill secretamente concordava – e só não acabaram à porrada porque Eddie, surpreendentemente sóbria, as separou. Mais tarde, Bill foi alvo de insultos nada agradáveis vindos do suposto acompanhante da noite de Guinevere, mas mais uma vez quem ficou mais sentida com isso acabou por ser Cameron, que no dia seguinte não se calava com ‘A Guinevere isto’ e ‘O Connor aquilo’.

Desde esse dia, Bill e Cameron juraram a pés juntos que se alguma vez saíssem à noite e ficassem por New Cross, deixariam o Venue de parte e refugiar-se-iam na New Cross Inn(2) que até tinha concertos bastante bons e um ambiente muito agradável.

“Então, não me vão apresentar o vosso… amigo?” perguntou a voz irritante de Guinevere, fazendo Cameron respirar fundo para não lhe responder mal. Bill já ia tratar de apresentar Tom para despachar a miúda quando o mesmo deu um passo em frente e o fez por ele.

“Tom Dekker.” Ele falou, com um sorriso que Bill achou charmoso demais para gastá-lo naquela criatura. “E tu és…?”

“Guinevere Johnston, colega de turma desses dois.” Ela respondeu, acrescentando um tom visivelmente amargo às últimas palavras. Dessa vez, Cameron não se conseguiu controlar.

Ex-colega de turma. Felizmente.”

Guinevere sorriu secamente e olhou-a de cima a baixo com ar de desdém. “Pela primeira vez na vida acho que concordo contigo.”

Bill tinha quase a certeza que mais um comentário daqueles e Cameron já estaria a querer arrancar-lhe os cabelos loiros um a um, mas felizmente a rapariga teve a decência de se despedir de Tom com um sorrisinho provocador, ignorando os outros dois, e ir embora.

“Gah, nem sabes o quando eu odeio aquela gaja!” Cameron vociferou, já a perder as estribeiras de uma forma que só Guinevere conseguia provocar.

Tom acotovelou Bill e lançou-lhe um olhar, questionando-o em silêncio sobre o que acabara de assistir. Bill fez-lhe um sinal com a mão para esperar, apontando de seguida para a figura mais do que irritada de Cameron, e Tom assentiu com a cabeça.

Toda aquela cumplicidade deixou Bill com um sentimento agradável mas não muito bem-vindo dentro de si, um sentimento que preferiu não questionar naquele momento. Deixou-se antes concentrar no caminho até à sala de Arte, tentando ignorar o facto de que toda a escola estava a observar o seu irmão.

“Eu não acredito…”

Nem Bill acreditava! Pensava ele que já tinha tido uma dose de discussão entre Cameron e Guinevere que chegasse para o resto do dia, pelo menos, quando a rapariga aparece exactamente à porta da sala de Arte. Aparentemente também havia escolhido essa disciplina.

“O que é que ela está aqui a fazer?” perguntou Cameron, continuando a sua demonstração de completo desagrado. “Como é que os queridos paizinhos dela a deixaram vir para Arte? Não era suposto obrigarem-na a fazer Ciências, Biologia ou assim?”

“Aparentemente não.” Comentou Bill simplesmente, só para que Cameron não se sentisse completamente ignorada. No fundo ele não sabia mesmo o que dizer, Cameron já tinha dito tudo. Os Johnstons tinham todo o aspecto de quem fizesse questão que a querida filha deles fizesse um curso que lhe abrisse portas para um qualquer emprego onde se ganhe muito dinheiro como médica ou coisa que tal. Arte era a última disciplina onde Bill imaginava encontrar a outra rapariga.

“Mas o que é que se passa entre ti a aquela miúda, afinal?” perguntou Tom, finalmente cedendo à tentação de satisfazer a sua curiosidade. Cameron suspirou e lançou outro olhar raivoso às costas de Guinevere, que falava com outra rapariga junto à porta da sala.

“Éramos melhores amigas, sabes, mas as coisas mudam. E toda a gente cresce fisicamente, mas mentalmente, leva o seu tempo. A mentalidade dessa aí ainda não mudou nem um bocadinho desde que me chateei com ela quando tínhamos 12 anos.”

Tom olhou Guinevere que falava animadamente, gesticulando com as mãos e sorrindo aqui e ali. “Não me pareceu má pessoa. Um pouco defensiva contigo mas—”

“Não te pareceu má pessoa?” Cameron quase que gritou, olhando para Tom como se lhe tivesse nascido uma segunda cabeça. “É claro, para quem lhe interessa ela sempre foi um amor de pessoa! Que o diga o Bill. Quando entrou nesta escola ele era o menino que veio do Haberdasher’s, tão inteligente e sofisticado. Aquela ficou completamente vidrada no facto de ele ter vindo da escola mais snobe das redondezas que nem se preocupou com mais nada. É a pessoa mais interesseira que já conheci!”

Tom começou a ter uma ideia do que se pudesse ter passado para que as duas estivessem em tão maus termos, mas preferiu não pressionar mais o assunto. Trazer tais problemas à superfície só ia arrastar ressentimentos com eles, e Cameron já ficava irritada só com a mera visão da outra rapariga, não precisava de maus pensamentos para ajudarem à missa. Finalmente a professora de Arte chegou e quaisquer problemas tiveram que ser esquecidos.


- - -


“O que é que vais ter a seguir?” perguntou Bill ao irmão que caminhava ao seu lado pelos corredores apinhados, sendo constantemente observado pelos restantes alunos.

“Fotografia.”

“Oh, eu também!” exclamou Cameron que felizmente já tinha animado com o humor louco da professora de Arte. “Felizmente não és aí como o careta do teu irmão. Inglês? Por favor…”

Bill fingiu um amuo e olhou a amiga de lado, cruzando os braços. “Ficas a saber que a literatura Inglesa é muito interessante. E tu sabes perfeitamente que eu gosto de escrever.”

“Oooh, os teus belos poemas…” Cameron falou num tom de troça, pestanejando incessantemente para tornar a sua encenação ainda mais dramática.

“Hey! Tu sabes que eles são bons!”

Cameron revirou os olhos e fez uma cara, recebendo um olhar inquisidor de Tom.

“São mesmo?”

“Hmm… talvez…” ela quase-que-admitiu porque sinceramente, um Bill de ego demasiado alto poderia ser perigoso. Foi a vez de Bill revirar os olhos e fazer uma cara à amiga, acenando com a mão logo de seguida para anunciar que se iria dirigir à sala de Inglês. Quando já ia a meio do corredor, olhou para trás e sorriu à amiga, certificando-a de que não tinha ficado sentido com a conversa anterior.

Tom tentou ignorar os efeitos que aquele sorriso lhe provocava, focando-se num assunto qualquer que Cameron tinha começado entretanto.


- - -


O resto da semana passou com poucas complicações. Bill e Tom formaram uma relação de cumplicidade daquelas que só duas pessoas que passam praticamente o dia todo juntas conseguem em tão pouco tempo. Parecia que bastava um gesto para se compreenderem um ao outro e por mais estranho que isso fosse, ambos culpavam-no à sua ligação como gémeos. Existiam coisas que nem o tempo deveria conseguir apagar, e além disso essa teoria era muito mais segura do que aquela que pairava pelo menos na mente de Bill. Este viu-se com uma grande dificuldade em esconder aquele sentimento que preferia não nomear visto que Tom parecia fazer questão de andar pela casa sem camisola. Bill achava isso de extremo mau gosto – Ou tu é que tens demasiado BOM GOSTO para não apreciar… dizia uma vozinha irritante na sua mente.

Bill ignorava-a terminantemente.

Cameron continuava a queixar-se de Guinevere mas isso era habitual. Ao que parecia a rapariga estava na turma de Psicologia dela, o que a desagradou visivelmente – e previsivelmente. Além disso, Guinevere ainda frequentava a mesma aula de Inglês de Bill, sendo que este se via alvo de perguntas sem fim e nexo por parte da melhor amiga, sempre iniciadas por alguma frase do género ‘Então, aquela criatura irritante já te lançou o seu veneno hoje?’. Se Bill não soubesse melhor, diria que Cameron estava com ciúmes dele – algo que Tom jurava a pés juntos se lhe perguntassem – mas no fundo ele sabia que ela só queria mais uma oportunidade para falar da outra rapariga. Bill já estava a ficar pelos cabelos de tanto ouvir coisas como ‘Ela fez isto’ ou ‘Ela disse aquilo’. Tom, porém, parecia achar todo aquele alarido terrivelmente cómico.

“Desculpa, mas é!” insistia ele mais uma vez.

“Não, não é. Experimenta passar tanto tempo com ela como eu para ver se achas tanta piada!”

“Hey, eu tenho passado tanto tempo com ela como tu!” retorquiu Tom do seu lugar na cama enquanto Bill olhava pela janela para os candeeiros que iluminavam a escuridão da noite.

“Sim, mas nas nossas conversas privadas ainda é pior. À tua frente ainda se controla mas quando está só comigo… E isto já vem de trás! É todos os anos assim. Se bem que este ano está especialmente pior… Gah, preciso de um cigarro!” Bill exclamou, batendo com a cabeça no vidro frio da janela e mantendo-a lá até formar uma mancha húmida e fosca perto da sua boca. Tom fingiu não reparar na boca entreaberta do irmão – porque também não havia razão para ele fazer tal coisa – e focou-se na conversa em questão.

“Um cigarro? Mas tu fumas?”

Bill ia acenar com a cabeça em negação, depois em afirmação, mas decidiu-se ficar por um “Às vezes.”

“Às vezes?” Tom repetiu, olhando-o de lado com um ar céptico, mesmo que Bill não o conseguisse ver na posição em que se encontrava.

“Sim. Socialmente ou quando tenho de lidar com muito stress.” Bill respondeu simplesmente. Não valia a pena mentir. “Não vais contar à mãe pois não?” Ele perguntou, desta vez virando-se para encarar o outro rapaz.

Tom deu-lhe aquele sorriso sarcástico que tinha andado a treinar à frente do espelho para ficar idêntico ao do irmão e estendeu a mão. “Só se tu não contares.”

Percebendo a dica, e não querendo lidar com os efeitos que aquela expressão tão sua na cara do irmão tinha nele, Bill deu-lhe um cigarro e os dois apoiaram os braços no parapeito da janela aberta, enfrentando o vento frio da noite a bater nas suas faces. Nenhum disse nada quando os seus ombros se tocaram e ficaram nessa posição, apenas o justificaram como um modo de combater o frio.

Mesmo que tal contacto lhes desse arrepios que nada tinham a ver com a temperatura.


1) O Venue Night Club é uma discoteca muito conhecida em New Cross, local onde os nossos protagonistas estão a viver. Pelo que pude pesquisar no site deles, têm muitas noites especiais dedicadas a artistas (a última foi George Michael se não me engano) e várias salas onde se pode dançar, beber, conviver, etc. A clientela é bastante geral, encontra-se lá de tudo, mas é basicamente a discoteca da moda daquela zona há anos.

2) New Cross Inn é uma espécie de bar em New Cross onde se fazem concertos de música principalmente indie. É frequentado por jovens da cena alternativa, principalmente, e teve grande influência na geração de New Cross, uma vaga de bandas indie que têm vindo a surgir, como The Klaxons, entre outros.

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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Dom Dez 14, 2008 8:21 am

Hey, Rita, eu já lia a tua fic e como já tinha dito arrependo-me de não a ler à mais tempo, está óptima, bem escrita, interessante, dá vontade de ler sem parar. Adoro a tua imaginação e forma como colocas os personagens a interagir uns com os outros.
Li sobre este fórum no ff.net e cá estou.
Talvez poste aqui mais uma fics minhas, e ia adorar saber a tua opinião sobre elas.
Vou continuar a seguir a London Calling, sem dúvida.
Beijinhos***
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Dom Dez 14, 2008 9:39 am



    Jasmin escreveu:
    Hey, Rita, eu já lia a tua fic e como já tinha dito arrependo-me de não a ler à mais tempo, está óptima, bem escrita, interessante, dá vontade de ler sem parar. Adoro a tua imaginação e forma como colocas os personagens a interagir uns com os outros.
    Li sobre este fórum no ff.net e cá estou.
    Talvez poste aqui mais uma fics minhas, e ia adorar saber a tua opinião sobre elas.
    Vou continuar a seguir a London Calling, sem dúvida.
    Beijinhos***

    Yay GLAD YOU LIKE IT eager
    Eu já estou quase a terminar o capítulo 18, por isso não acabei d postar o resto dos capítulos (distraída e talz), mas quando terminar posto tudinho aqui ^^ podes comentar WHEREVER U WANT.

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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Dom Dez 14, 2008 9:49 am

Querida, eu vou comentar everywhere! It's worth it! =D

kiss***
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Dom Dez 14, 2008 10:26 am

JÁ LI ISTO TUDO, PÁ ! Laughing
Best twincest FF ever, as I'm always saying. Wink

Cmon, cmon, keep it, keep it. <3
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Seg Dez 15, 2008 11:55 am

a danie. escreveu:
JÁ LI ISTO TUDO, PÁ ! Laughing
Best twincest FF ever, as I'm always saying. Wink

Cmon, cmon, keep it, keep it. <3
Agree, agree, agree!!!
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Seg Dez 15, 2008 4:31 pm

oh my God. oh my dog. oh my shoe.

best twc fic ever.
sem dúvida alguma.

i'm gahgah over this ff!
e sou uma desgraça porque devia comentar, mas sou tãooo preguiçosa!! no outro forum ando mesmo em atraso, e devia comentar porque esta fic merece. tenho uma tremenda falta de tempo *sighs* . anyway, this is the best twc fic ever. ever ever. que venham as outras todas esta está excelente e vou-te gabar até não ter mais palavras para o fazer. gosto da tua escrita cordial e do teu á vontade com o inglês e com a cidade londrina; as descrições são de chorar por mais e nunca em excesso. o ritmo da história idem, está simplesmente suberbo. estou mais que rendida.

i mean it. it's like woow, i get hysterical each time i read more.

está p-e-r-f-e-i-t-a. really really. eu, geralmente, gosto de ler twc e GG em inglês, mas tu fizeste-me pensar duas vezes over it.

continuaaa please!! i love it!

=*


Última edição por Bri em Seg Dez 15, 2008 4:50 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: London Calling (Cap. I - XVIII)   Seg Dez 15, 2008 4:49 pm

wow! A d o r e i ! ! !

E viva o twincest!
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MensagemAssunto: London Calling (Cap. VI) 1/2   Seg Dez 15, 2008 7:21 pm

Título: London Calling (Cap. VI)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13 (poderá eventualmente ser PG-17)
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores, plz.]

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. VI

“Onde vais?” Perguntou Tom quando viu Bill a dirigir-se à porta do apartamento na tarde de sábado.

“Buscar o meu piano.”

Tom olhou o irmão com ar de espanto e deu-lhe um pequeno sorriso. “Tu tocas piano?”

Bill revirou os olhos e aproximou-se do sofá onde Tom estava sentado ao mesmo tempo que gesticulava com as mãos como se a resposta fosse óbvia.

“É claro. É o meu instrumento. Ou pensavas que ia para a disciplina de música sem saber tocar nada?”

“Não, não é isso. Simplesmente parece que tens a capacidade de me surpreender quando menos espero.” Tom admitiu, fazendo com que Bill sentisse aquela sensação que, apesar de ser de contentamento, por razões obvias não era muito bem vinda. “Quer dizer, já tivemos duas aulas de música e até agora a única coisa que fizeste foi cantar.”

“Podemos dizer que a voz é o meu ‘instrumento’ principal, mas também toco piano. Estou só um bocadinho enferrujado, mas encontrei a professora na quinta-feira, quando estava a ir para a aula de História, e ela aconselhou-me a treinar.” Bill explicou ao que Tom assentiu com a cabeça.

“Faz sentido. Precisas de companhia?”

Bill sentia-se tentado a aceitar, nem que fosse só pela companhia, mas como iria, além de buscar o piano, visitar Eleanor, achou que era melhor fazer daquela tarde um momento de mãe e filho. Podia ser que Simone também aproveitasse a tarde e fizesse o mesmo com Tom.

“Não, obrigada. Vou visitar a minha mãe e devo ficar até tarde.”

Tom pareceu um pouco desanimado, algo que mais uma vez lhe provocou aquele sentimento de histeria incontrolável. Felizmente a vida tinha-lhe ensinado como ninguém a esconder emoções indesejadas e Bill conseguiu fechar a porta atrás de si antes de se deixar sorrir como um idiota.

E que idiota.


- - -


Por muito confortante que tivesse sido a tarde com Eleanor, Bill não via a hora de voltar para casa, vestir qualquer coisa mais produzida e que definitivamente não fosse o uniforme escolar, telefonar à Cameron e sair para se divertir. Era algo que o libertava, e como não tinha saído no dia anterior, sábado seria a sua última oportunidade até à semana seguinte.

Foi o que fez. Calças justas, pretas, um casaco de carapuço azul-turquesa com pormenores em preto, um gorro igualmente negro e umas sapatilhas com pormenores azul-turquesa e vermelho completavam toda a indumentária, rematada por acessórios como um cinto e várias wristbands. Quando Cameron tocou à campainha, Bill já estava a dar os últimos retoques na maquilhagem e Tom arranjava o boné, visto que dessa vez não negou uma saída. Obviamente que também já estava a precisar de se divertir.

“Meninas!” Cameron saudou mal entrou no quarto e viu os dois rapazes especados em frente ao espelho. “Estou a ver que afinal têm mais me comum do que eu pensava…”

“Eu ouvi isso, Miss Boynton.” Bill avisou enquanto lhe lançava um olhar lancinante pelo espelho.

“Era para ouvir, Miss Skinner.” Cameron retorquiu, ao que Tom deu uma risada e trocou olhares com uma Cameron sorridente. Bill revirou os olhos antes de dar os últimos retoques com o eyeliner e de seguida pousou todos os artigos de maquilhagem em cima da secretária. Quando chegasse arrumava tudo, eventualmente.

“Então, onde é que vamos hoje? Camden?” ele perguntou à amiga e ela deu-lhe um sorrisinho de quem sabia algo de que ele com certeza não fazia ideia. “Que carinha é essa?”

“Ahm…” Cameron começou, olhando de soslaio para Tom. Este percebeu a dica e anunciou que ia sair do quarto.

“Eu estou à espera na sala.”

Quando a porta se fechou atrás dele, Cameron sentou-se imediatamente na primeira cama que lhe apareceu à frente que acabou por ser a do Tom, e Bill acabou sentado na sua, de frente para ela. “Desembucha.”

“Adivinha quem é que vai levar um amigo novo na cidade hoje?” Cameron começou com um brilhozinho maroto nos olhos. Ao olhar neutro de Bill, ela continuou. “Vá lá, não é assim tão difícil!”

Bill deu-se ao trabalho de pensar um pouco. Quem é que normalmente levava amigos novos quando iam a Camden? O Sick Boy ou a Eddie não seriam de certeza e… Devon. É claro, só podia ser o Devon.

“Quem é que o Devon vai levar desta vez, então?” Bill deu por si a perguntar num tom desinteressado, mas pela primeira vez desde que se lembrava sendo completamente sincero em relação ao seu interesse na pessoa em questão, que naquele momento era nulo.

“O nome dele é Sebastian, e pelo que o Devon me disse é completamente lindo.” Cameron falou, levantando uma sobrancelha de modo sugestivo. Bill continuou a não demonstrar interesse nenhum no tal Sebastian. Normalmente os amigos do Devon acabavam sempre a noite com o Devon. “Ah, e a parte melhor? O Devon anda com aquele rapaz da semana passada – lembras-te dele? – por isso o Sebastian vai acompanhá-lo como amigo, e nada mais.”

“O Devon, comprometido? Aí está algo que eu pensava que não ia viver o suficiente para ver…” Bill comentou, lembrando-se do historial de ‘relações’ do outro rapaz. “Mas não interessa. Eu não vou ficar com os restos dele, muito obrigado.”

Cameron suspirou e olhou o amigo com cara de quem já dava por perdida a batalha. “Tu não tens mesmo emenda… Mas bem, ao menos sempre tens um gajo bom a andar sem camisola pela casa! Nem todos podem ter esse privilégio.”

Logo que Cameron acabou de dizer esse frase – Bill já lhe ia pedir para se deixar de parvoíces – um estrondo soou perto da porta do quarto, e ouviu-se a voz de Simone.

“Tom! O que é que aconteceu?”

“Nada, nada, foi só uma jarra que caiu. Mas não partiu.”

Dava para notar pelo som da sua voz que Tom estava muito perto da porta e provavelmente tinha feito tombar uma jarra decorativa que estava num canto ali perto. Foi então que Bill e Cameron repararam ao mesmo tempo que a porta não estava completamente fechada, sendo que se podia ver uma pequena frincha que não permitia grande visão do quarto mas que deixava perfeitamente passar o som.

“MERDA!”

“Shh, tem calma Bill, tem calma!” Cameron pediu numa voz baixa, já de pé, dirigindo-se para fechar a porta correctamente. “Ele não ia andar aí a ouvir atrás das portas, não achas?”

Bill não estava calmo e não, não achava. “É claro que ele estava a ouvir a nossa conversa! Porque é que achas que ele quase que partiu uma jarra quando ouviu o nome dele metido ao barulho? Aposto que já percebeu tudo…”

“Também, quem é que te mandou guardar segredo?” Cameron retorquiu num tom de voz de ‘Eu bem te disse’. “Ele é o teu irmão gémeo, já devias ter tido uma conversa séria com ele acerca da tua orientação sexual, não achas?”

“Oh sim, ia correr mesmo bem!” Bill disse numa voz irónica e zangada, já em pé e a percorrer o quarto de nervosismo. Quando ele falou em Tom ter percebido tudo, não era exactamente à sua orientação que se referia, mas sempre era melhor isso que a sua ideia original. Se Tom se apercebesse que o seu próprio irmão não era só homossexual mas também tinha andado a sentir coisas de cada vez que o via sem camisola, o caldo estaria completamente entornado.

Cameron, porém, parecia determinada em convencê-lo a esclarecer tudo.

Vai correr bem. Tu vais é falar com ele agora e acabar com isto de uma vez por todas.”

“Mas…”

“Nem mas nem meio mas. Vai, vai! E só me apareças aqui quando estiver tudo em pratos limpos!”

Bill acabou por acatar a ordem da amiga, visto que realmente essa seria a única opção plausível, e dirigiu-se para a sala.

Tom estava sentado no sofá com Gordon e Simone, os três a ver um filme qualquer que estava a passar na televisão. Embora todos tivessem notado a sua entrada, apenas Tom manteve o olhar colado no aparelho à sua frente, ignorando Bill completamente.

“Tom, podemos falar?”

Aí, Tom viu-se obrigado a olhar para o irmão, e a expressão de preocupação de Bill era tão evidente que ele não teve escolha senão assentir com a cabeça e dirigir-se à cozinha, seguindo-o. Quando entraram, Bill fechou a porta correctamente, resistindo à tentação de a fechar à chave, e encostou-se à mesma.

“Posso saber porque é que estavas a ouvir atrás da porta?”

Tom encostou-se ao balcão da cozinha e encolheu as costas como se estivesse tentando se defender da acusação de Bill. “Não sei.”

Bill olhou para o chão, respirou fundo, e voltou a encarar o irmão. “Mas estavas. Ouviste coisas que não devias. Eu estava a ter uma conversa privada ali, percebes?”

Ao ouvir o tom de voz ainda mais desesperado de Bill, Tom levantou a cabeça e finalmente se dignou a encarar aquele olhar angustiado. Sentia-se um intruso, sabia que não deveria ter feito aquilo, mas naquele momento já não havia nada a fazer a não ser pedir perdão.

“Desculpa. Eu só… É que tu e a Cameron são tão próximos e eu sempre pensei que vocês… Eu só queria saber se vocês eram só amigos ou não.” Tom admitiu finalmente e após respirar fundo, concluiu. “Mas parece que me enganei completamente.”

Bill fixou o olhar no irmão, incrédulo. “Eu e a Cameron? Mas nós somos amigos desde os 12 anos e eu…”

“E tu és gay.” Tom interrompeu, sendo tão frontal que Bill viu-se obrigado a desviar o olhar para conseguir aguentar aquela conversa. Já estava mais do que habituado a levar tudo aquilo com naturalidade, mas aquele era o seu irmão gémeo! Tom ignorou a sua reacção e continuou o seu discurso. “Eu já percebi tudo e só queria que soubesses que não tem problema nenhum. Afinal estamos no século XXI, não é nada a que já não estejamos habituados, não é?” Tom perguntou como se precisasse de alguma confirmação. Bill continuou a observar as suas sapatilhas e Tom tomou isso como um sinal para continuar a falar. “Eu até tenho uma prima que é lésbica e é uma das raparigas mais fixes que conheço. A sério, está tudo na boa, não te precisas de preocupar. Além disso—”

“Pára, pára, eu já percebi!” Bill finalmente exclamou, interrompendo o irmão a meio da sua longa narrativa e ganhando coragem para o olhar nos olhos. “Obrigado pela… compreensão. Significa muito para mim.”

“Oh, não foi nada. Afinal eu sou teu irmão gémeo, não é verdade?” Tom disse sorrindo suavemente, porém mantendo a sua posição, afastado de Bill tanto quanto o balcão deixava.

“Sim, mas… obrigado na mesma. Ah e já agora, não precisas de manter tanta distância, aquele comentário que a Cameron fez foi completamente descabido. Tu és meu irmão gémeo, não ia andar aí a apreciar-te. Seria um pouco egocêntrico da minha parte, não achas?” Bill falou, sentindo-se a criatura mais hipócrita do mundo.

Tom recordou-se de que apesar de serem gémeos eram muito diferentes mas preferiu ignorar esse facto e acatar a desculpa do outro. Era mais seguro assim.

“Certo. Vamos?”

“Vamos.”

CONTINUA...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. VI) 2/2   Seg Dez 15, 2008 7:22 pm

London Calling (Cap. VI - continuação 2/2)

Em Camden Town a escolha de bares e clubs era muita, mas acabaram por se decidir pelo Electric Ballroom(1), visto que era noite de Shake e todos concordaram que uns oldies dançáveis não calhavam nada mal. Há muito tempo que aquela noite deixara de ser apenas para adultos saudosos dos seus anos de juventude e passara a ser um dos eventos mais populares daquele Club, visto que os anos 70 e 80, principalmente, voltaram a estar em voga. Além disso, todos os outros locais estavam marcados com concertos como já era habitual, e provavelmente nenhum faria o género de Tom. No Electric Ballroom sempre poderia ser que tivesse sorte e apanhasse um bocadinho de Rap Old School, que até é bastante dançável.

Da estação de metro de New Cross saíram Bill, Tom, Cameron, Sick Boy e Eddie, e pelo caminho combinaram o local de encontro com Devon e o amigo por telemóvel. A viagem até lá levava o seu tempo, algo a que Bill ainda se tinha de habituar, mas a companhia ajudou. Sick Boy e Tom acabaram a falar de videojogos depois de alguém avistar um anúncio da Playstation pela janela do metro e iniciar o tema – aquele rapaz tinha mesmo os vícios todos –, enquanto Eddie apoiava a cabeça no ombro do namorado – provavelmente já tinha saído na noite anterior e não tinha descansado o suficiente. Bill e Cameron, após terminarem as combinações com Devon, ficaram sentados nuns bancos um pouco afastados a conversar sobre banalidades, sem faltar, é claro, a típica referência a Guinevere aqui e ali. Bill tinha a certeza que o seu lugarzinho no céu já estava prometido, tamanha era a sua paciência de Job.

“Então, ainda não mudaste de ideias em relação ao Sebastian?” perguntou Cameron, dando um colorido especial á pronúncia do nome do rapaz e sorrindo travessamente.

“Não.” Bill respondeu simplesmente. Abordagem directa era a melhor coisa nestas situações. “Estou lá eu com paciência para me enrolar com um tipo qualquer à frente do meu irmão quando acabei de lhe contar tudo…” ele falou entre dentes, certificando-se de que ninguém ouvia a conversa.

“Mais uma razão para repensares a coisa, ora!” exclamou a rapariga, ao que Bill arregalou os olhos, incitando-a a falar mais baixo. “Se o Tom já sabe de tudo—Ah. Estou a ver,” a voz dela desceu vários decibéis e ela aproximou-se ainda mais de Bill. “não queres que ele fique com ciúmes, não é?”

“Cameron!” Bill gritou e sussurrou ao mesmo tempo, fazendo com que a sua voz soasse estranhamente esganiçada. “Deixa-te de piadinhas. Lá por eu ter achado piada aos ombros dele…”

“E ao sorriso…”

“Não tem nada a ver com nada. Ele é meu irmão! Isto é tudo falta de sexo, como tu já apontaste.” Ele concluiu orgulhoso, mas arrependeu-se amargamente quando se deparou com o olhar presunçoso da amiga.

“Vês? Mais uma razão para dares uma oportunidade ao amigo do Devon…”

“E quem te garante que ele vai sequer querer alguma coisa comigo?”

“Por favor, quem é que NÃO QUER alguma coisa contigo?” Cameron indagou, revirando os olhos e gesticulando com as mãos, já habituada ao caso sem emenda que tinha à sua frente mas nunca resignada com facto de não o conseguir mudar. “É claro que ele vai querer alguma coisa contigo. Além disso, estás particularmente sexy, hoje. Já te disse que adoro quando usas gorro?”

Bill levou a mão instintivamente ao gorro preto que usava e sorriu apesar de tudo. “É claro que vou morrer de calor e quando o tirar o meu cabelo vai ficar nojento, mas enfim…”

“Meh, não vai nada, com o cabelo todo rebelde é que não vai haver nenhuma hipótese do rapaz te resistir!”

“Não. Quero. Saber.” Bill falou muito lenta e pausadamente para deixar a situação bem clara. Pela expressão condescendente de Cameron, não parecia ter sido muito eficaz, mas ao menos tentou.


1) Electric Ballroom é um club em Camden Town com dois andares mais cave (piso inferior é o bar, primeiro piso é a pista de dança e o último piso é uma lounge com uma grande vista sobre a cidade circundante). Além de ter uma pista de dança gigantesca, tem ainda um espaço para concertos onde já actuaram bandas de vários géneros, nomeadamente Indie, Electro, etc. Aos sábados é a noite “Shake”, com música principalmente dos anos 70/80/90.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. VII)   Seg Dez 15, 2008 7:23 pm

Título: London Calling (Cap. VII)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13 (poderá eventualmente ser PG-17)
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores] A foto que usei para o Theodore é do modelo Marcus Goodwille, agência Models 1.

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. VII

Mal chegaram ao Electric Ballroom, o grupo separou-se. Sick Boy e a namorada foram comprar bebidas – como o faziam só eles sabiam, visto que nem um nem outro tinham 18 anos, mas era um facto que eram sempre eles que arranjavam as bebidas a quem quer que fosse –, enquanto que Bill e Cameron, seguidos de Tom, foram procurar pelo Devon e o amigo. Devon era fácil de avistar, já que era bastante alto e os seus cabelos loiros chamavam à atenção no meio de uma multidão. Foram-no encontrar sentado numa das poucas mesas para dois, iluminado pelas luzes vermelhas sobra a sua cabeça, acompanhado de um rapaz que era sem dúvida bastante atraente. Era com certeza uns dois ou três anos mais velho que eles, mas tinha um ar inocente acentuado pelo seu cabelo escuro mas natural com um corte bastante simples e pelas roupas escuras e discretas, porém de muito bom gosto.

“Billy! Cam!” Devon saudou enquanto os envolvia a ambos num grande abraço. Só havia passado uma semana desde que se viram pela última vez, mas Devon era mesmo assim, feliz na sua extravagância e excentricidade praticamente permanentes. “Venham, quero apresentar-vos o Sebastian! Sebastian, estes são o Bill e a Cameron.” ele apresentou-os, colocando um braço por cima dos ombros de cada um e sorrindo ao amigo. Sebastian acenou a ambos e sorriu timidamente, ainda sentado no seu lugar. Devon fez então uma cara ao ver o novo convidado e dirigiu-se aos outros dois. “Então, não me vão apresentar a vossa companhia? Namorado novo, hmm?”

Bill revirou os olhos e deu graças àquela luz vermelha que com alguma sorte ainda lhe esconderia a coloração da face, visto que estava certo de que a tinha completamente corada.

“É o Tom. E não, não é meu namorado, é meu irmão.”

Devon olhou Tom com um ar confuso e focou-se nos traços faciais de ambos. “Mas ele parece ter a tua idade…”

“Isso é porque somos gémeos.” Bill explicou calmamente, ao que Devon colocou a mão à frente da boca instantaneamente e arregalou os olhos em sinal de surpresa.

“Ai, não posso. Caiu-me tudo agora, desculpa! Mas onde é que o estiveste a esconder durante este tempo todo, Billy boy? Um de ti já é óptimo agora dois…”

Tom pareceu achar piada à situação porque sorriu e deu uma pequena risada, chamando a atenção de Devon para si.

“Ai adoro o teu cabelo!” Devon exclamou novamente, já a querer tocar nas rastas de Tom, mas Bill resolveu desmistificar o assunto de uma vez por todas para fazer com que o amigo acalmasse um bocadinho.

“Ele vivia nos Estados Unidos. Só soube da existência dele há uns meses e só o conheço há uma semana. Emocionante, uh?” ele falou com o sorriso sarcástico que fazia com que Tom esquecesse tudo à sua volta mas se tornasse totalmente sensível àqueles sentimentos que preferia esquecer. Ainda mais agora que… não. Ele não podia de maneira nenhuma estar a pensar no seu próprio irmão daquela maneira. Ele gostava de miúdas!

“Hmm, isso deve ter mais história por trás mas hoje estamos aqui é para nos divertirmos, não é mesmo?” Devon comentou, sorrindo principalmente para Sebastian que revirou os olhos e manteve-se sentado. “Sim, sim, tu também Sevvie! Nem penses que te deixo ficar aí sentado a noite toda! Ainda temos longas horas de dança pela nossa frente, quer aqui, quer no Heaven(1).”

O nome do último bar que Devon referiu chamou a atenção de Bill, que lançou logo um olhar inquisidor ao loiro, arqueando uma sobrancelha. “Tu vais ao Heaven?”

“Claro!” Devon exclamou, como se fosse algo que fizesse todos os dias. Conhecendo-o bem, era bem provável que assim fosse. “Isto fecha às quê? 3 horas? Achas que vou para casa às 3 horas da manhã? Por favor! Saio daqui às duas e meia e o Sebastian, que é um querido, conduz até lá, não é? O Theo está lá à minha espera.”

Theo, ou Theodore, era o namorado do Devon, um rapaz ruivo com aspecto de quem não parte um prato, mas que na verdade mostrou ter um humor fantástico e uma grande aptidão para se adaptar a qualquer ambiente. Bill suspeitava que essa sua última faceta teria sido o que mais atraiu o seu amigo, visto que Devon já tinha estado com rapazes muito mais atraentes. Contudo, Theo tinha o seu Je ne sais quoi. Bill esperava sinceramente que o seu amigo se esforçasse para manter a relação.

“Vocês podiam vir também…” comentou Devon, já lançando um olharzinho manipulador a Bill que torcia o nariz à ideia.

“Oh sim, estou mesmo a ver o Tom no Heaven… Além disso nem sequer tenho idade para lá entrar.”

Devon deu uma risada e olhou para Bill como se ele estivesse a gozar com a cara dele. “Não tens idade? Por favor, eu já vou lá desde os 15 anos e ainda faltam dois meses para eu ter realmente idade para lá entrar. Confia em mim, se tens uma carinha bonita e/ou conhecimentos, não tens qualquer problema! E olhando bem para vocês, acho que o primeiro ponto não será um problema de todo.” Ele comentou com um sorrisinho especialmente dirigido ao Tom. Bill lançou um olhar de desagrado a Devon, sem saber bem porquê mas este não pareceu notar. “Quanto aos conhecimentos, tens-me a mim que conheço quase todo o staff daquela discoteca e alguns dos clientes mais assíduos.”

“Tu és um dos clientes mais assíduos.” Cameron acrescentou com um pequeno sorriso.

“Exacto! Vês?” Devon falou dirigindo-se a Bill. “Não há qualquer problema. A não ser que o Tom se importe, claro…”

Tom olhou para todos à sua volta e ia dizer que não, claro que não se importava, mas Bill agarrou-lhe o braço e puxou-o para si.

“Só para que fique esclarecido, o Heaven é um bar gay.” Bill sussurrou, tão perto do seu ouvido que Tom conseguia sentir o ar quente que saía da sua boca. “É claro que pode entrar quem quiser e ao contrário do que muita gente pensa não te vão comer com os olhos só porque tens uma pila no meio das pernas, mas mesmo assim ficas já avisado.”

Tom pensou um bocado, o que se estava a tornar complicado com tanto… corpo colado ao seu. Isto só pode ser das mudanças por que tenho passado ultimamente… Já não estou com uma rapariga há quê? Dois meses? E agora estou carente. Claro, é totalmente compreensível que—

“Tom? Então?”

“Eu vou!” ele exclamou sem pensar, só para se poder afastar do outro rapaz o mais rápido possível.

“Vais?” Bill perguntou, franzindo o sobrolho.

“Vou, vou. Não tenho problemas com… isso.”

“Pois…” Bill falou, olhando-o ainda com ar de desconfiado. Só espero que isto não dê para o torto…


- - -


Passado umas horas, devia passar pouco das duas da manhã, Bill deixou-se cair num sofá enquanto uma música qualquer dos anos 90, daquelas que se ouvia por todo o lado na sua infância, soava por todo o edifício. Cameron tinha encontrado Julie e as duas falavam como boas amigas, como se não tivesse acontecido nada entre elas. Tom, até se tinha revelado um dançarino entusiástico, mas há mais de meia hora que Bill não o via.

“Ele ‘tá a olhar p’ra ti...” Sussurrou uma voz do seu lado esquerdo, arrepiando-o. Bill virou a cara para encarar o irmão e arrependeu-se no segundo seguinte. Eles estavam tão próximos que bastava um pequeno movimento e—

“Quem?”

“O Seb… Sebastian.” Tom falou um pouco mais alto, já a tropeçar nas palavras devido à bebida. Com o habitual incentivo do Sick Boy aliado à nova adoração que Devon parecia ter por ele, Tom já tinha sido induzido a beber mais do que para além da conta. Bill também já não estava muito sóbrio, mas pelo menos ainda conseguia pensar racionalmente.

Ao notar que as rastas do irmão estavam tão próximas de si que as podia sentir contra a sua pele, no pescoço e até na face, desejou que o seu pensamento racional não estivesse tão activo.

“Deixa-o olhar.”

“Ele ‘tá intre… intere… interessado!” Tom disse ainda mais alto, virando-se outra vez para encarar Bill, e desta vez não eram as rastas que lhe acariciavam a pele, mas a respiração do outro. Só o cheiro do álcool já o deixava um pouco tonto, ou pelo menos ele queria acreditar que era esse o motivo.

“E depois?” Bill perguntou, tentando soar desinteressado, mas ao mesmo tempo pensando que talvez o rapaz que tanto o olhava fosse a resposta para parar de responder a qualquer estímulo, até vindo do seu irmão gémeo.

Ultimamente só tens respondido aos estímulos de uma certa pessoa que é, surpreendentemente, o teu irmão gémeo... lembrou-lhe a vozinha irritante da sua consciência.

Bill ignorou-a terminantemente.

“Tu não estás?” Tom perguntou-lhe mais seriamente, mas observando-o com um olhar um pouco disperso, natural de alguém já pouco sóbrio.

“Talvez.” Bill admitiu, mas decidiu mudar logo de assunto. Falar sobre isso com Tom era estranho demais, por mais bêbado que o outro rapaz estivesse. “E tu, por onde andaste?”

“Ahm… por aí. Umas miúdas vieram falar comigo e ‘tivemos a… a falar.”

Oh, tanta eloquência. Bill pensou ao mesmo tempo que tentava ignorar o aperto que sentiu quando ouviu a explicação do irmão.

“Só falar?” ele acabou por perguntar, tentando mostrar-se totalmente desinteressado e dando graças pela primeira vez naquela noite ao estado de embriaguez do irmão, que com certeza reduzia a sua capacidade de observação.

“Sim! Não eram nada de especial…” Tom respondeu com um gesto vago de mão, torcendo o nariz de uma forma tão adorável que Bill viu-se obrigado a desviar o olhar outra vez. “E daqui a um bocado já vamos embora, o Devon disse-me.”

“Espero que tenhas noção de que no sítio para onde vamos não vais poder fazer conversinha com meninas…” Bill retorquiu num tom amargo demais para o seu gosto, sem conseguir evitar. Tom olhou-o atentamente e por momentos Bill temeu que o irmão tivesse percebido tudo – não que existisse alguma coisa para perceber, ou que devesse existir pelo menos – mas passados alguns segundos Tom encolheu os ombros e refastelou-se ainda mais no sofá.

“Não tem mal.” Falou numa voz sonolenta e segundos depois a sua cabeça pesada estava pressionada contra o ombro de Bill, fazendo-o estremecer do contacto tão repentino. Ainda mais quando reparou que a mão do irmão estava mesmo ao lado da sua, fazendo com que a pusesse rapidamente no colo como se o sofá queimasse. A carinha cansada de Tom, que sorria suavemente enquanto mantinha os olhos fechados, não estava a ajudar em nada.

É oficial: quando morrer vou parar directamente ao inferno.


- - -


A viagem até ao Heaven foi calma. Tom dormiu quase o caminho todo, ironicamente colado a Bill que estava agora certo de que conseguia reconhecê-lo só pelo perfume, o que o irritava profundamente. Cameron por sua vez estava suspeitosamente agarrada à Julie, que não a tinha largado a noite toda. Bill pressentia que a rapariga esperava mais da sua melhor amiga do que ela poderia dar, mas não lhe competia a ele resolver esse caso. Sick Boy e Eddie já tinham ido para casa, provavelmente divertirem-se sozinhos, e Devon ia no banco da frente, ao lado de Sebastian, que conduzia o carro.

Quando chegaram, foram imediatamente recebidos por um Theodore bastante sorridente. Devon olhou para o seu namorado cujos caracóis ruivos eram movidos pelo vento e não resistiu a abraça-lo e beijá-lo rapidamente no meio da rua. Bill olhou instintivamente para o irmão, que surpreendentemente não parecia afectado quanto interessado pelo beijo. E seria aquilo um pequeno sorriso?

“Eu… hmm… gosto de ver as pessoas felizes.” Tom comentou sem Bill lhe perguntar quando reparou que este o olhava. Bill apenas assentiu com a cabeça e voltou-se para os dois rapazes, agora um pouco separados, que olhavam os restantes presentes. Devon tratou de apresentar as novas companhias, Tom e Julie, com quem Theodore foi obviamente simpático e apenas deu um sorriso maroto quando soube que nenhum tinha idade suficiente para entrar no Heaven legalmente a não ser ele e Sebastian.

“Bom, eu e o Devon já temos umas técnicas infalíveis por isso sigam-me, okay?” Theodore falou e todos o seguiram até à porta do club. “Bom, vocês os dois,” ele apontou para Bill e Tom “tentem tapar as vossas caras com o cabelo ou o boné e agarrem-se um ao outro. Vocês as duas façam o mesmo, sim.”

A última parte foi dirigida a Cameron e Julie, mas Bill não ouviu porque estava demasiado preocupado com o facto de que iria ter que se agarrar a Tom. Agarrar!

“Agarrar como?” Tom perguntou, já puxando a pala do boné para baixo.

Theodore deu-lhe um sorriso, revirou os olhos como quem diz ‘Como é que haveria de ser?’ e pegou no braço dele. Tom arregalou os olhos enquanto viu o seu braço ser direccionado para a cintura do seu irmão. “Assim.”

“Mas—”

“Ah, deixa-te de coisas!” Bill exclamou de repente, agarrando-o também pela cintura e pegando-lhe na outra mão, enlaçando-a com a sua. Após recuperar do momento de decisão repentina, Bill teve a lata de olhar para o chão e corar. Corar! Como se já não bastasse o contacto ele tinha de parecer vulnerável e—NÃO. E pensava eu que tinha ficado mais sóbrio pelo caminho…

“É isso mesmo! Gosto de pessoas decididas.” Comentou Theodore com uma expressão de contentamento.

“Diria mais ‘impulsivas’.” Cameron comentou com um sorrisinho provocador, ao que Bill respondeu com um olhar cortante. Infelizmente, com uma mão repentinamente suada agarrada à sua, cada movimento despertando reacções em cadeia dentro de si, Bill reparou que o olhar perdera todo o efeito. Cameron olhou para o chão e colocou uma mão “discretamente” à frente da boca para controlar o riso.

Eu vou mesmo para o inferno. E arrasto-te comigo Cameron Boynton!


1) Heaven é o maior bar gay de Londres. É mesmo gigante e é dos poucos estabelecimentos em Londres que fica aberto até às 6h da manhã. Está cheio de pessoas de todos os sexos e sexualidades mas os homossexuais ganham em número. A técnica do Theodore baseia-se na ideia de que ninguém consegue negar a entrada a um casal tão amoroso como o Bill e o Tom *evil smirk* e por isso, acompanhados por dois maiores de idade e pelo Devon que é basicamente uma das estrelas do sítio, não irão ter qualquer problema.

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Última edição por ritalavalerie. em Seg Dez 15, 2008 7:24 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: London Calling (Cap. VIII) 1/2   Seg Dez 15, 2008 7:24 pm

Título: London Calling (Cap. VIII)
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Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. VIII

Theo tinha razão e todos entraram no bar sem qualquer problema, Bill e Tom recebendo olhares apreciativos que os deixaram um pouco desconfortáveis. Normalmente Bill não se importaria mas com Tom tão perto de si a afectar o seu sistema nervoso, qualquer coisa o afectava. A partir do momento em que percebeu o efeito que o toque do irmão tinha nele, Bill desistiu de tentar mentir para si próprio e concentrou-se em fazer os possíveis para o esconder do outro rapaz. Cameron tinha razão, ele era humano. Era totalmente normal. Ele precisava apenas de alguém para o distrair.

“Ahm, Bill?” Tom chamou de repente, apanhando-o de surpresa e acordando-o dos seus pensamentos tão fora de contexto para o local de festa onde se encontrava.

“Sim?” Bill falou, tentando fixar o olhar nos variados holofotes espalhados pela sala e não na boca de Tom, tão perto da sua que bastava um pequeno movimento e—

“Já me podes largar.”

Oh. Que óptimo começo a esconder.

Numa questão de momentos, Bill estava desprendido do irmão e a uma distância respeitável, afastando-se tão rápido que foi embater directamente contra outra pessoa.

“Hey… hum, cuidado.” falou uma voz não irritada mas preocupada, embora um pouco tímida. Bill não a reconhecia, mas quando se virou e deu de caras com a face adorável de Sebastian, não hesitou em sorrir-lhe.

“Desculpa, estava distraído…” Bill disse numa voz sedutora, prendendo o lábio inferior com os dentes logo de seguida e mantendo a escassa distância entre eles. O outro rapaz corou e Bill achou tremendamente atraente que um rapaz mais velho que ele fosse tão fácil de seduzir. Sem pensar duas vezes, decidiu prosseguir com o plano. “Queres dançar?”

“Uh, okay.” Sebastian concordou, sorrindo um pouco. Por momentos Bill sentiu que não iria ser assim tão difícil tirar Tom da cabeça.

Tom.

“Tom, eu vou dançar. Não te importas que te deixe aqui pois não?”

Por momentos pareceu-lhe ver uma réstia de desagrado na expressão de Tom, mas segundos depois decidiu atribuí-la à sua imaginação demasiado fértil. Entretanto Cameron tinha-se aproximado e enlaçado um braço por cima dos ombros do outro rapaz, lançando um sorriso maroto ao melhor amigo.

“Eu e a Julie tomamos conta dele, não te preocupes.” ela assegurou, dando duas palmadinhas nas costas de Tom. “Não somos nenhumas beldades mas pelo menos podemos ajuda-lo a proteger o seu fantástico rabo.”

Tom riu quando ouviu o elogio e Bill revirou os olhos enquanto concordava em segredo que sim, para mal dos seus pecados, Tom tinha realmente um rabo fantástico.

Concentração, Bill, concentração. Olha para o Sebastian, aposto que também tem um rabo completamente apetecível!

Bill enlaçou a sua mão com a do outro rapaz, e puxou-o para o meio da multidão de corpos suados, não olhando nem uma vez para trás, para Tom, que por alguma razão que o transcendia era aquele que lhe havia despertado mais interesse nos últimos tempos. Dizem que os opostos se atraem, mas o que é que havia ele de fazer quando o seu oposto – e por outro lado seu igual – era o seu próprio irmão gémeo?


- - -


“Nós vamos dançar, não queres vir?”

Cameron e Julie olhavam-no, agarradas, e Tom apenas acenou com a cabeça, recusando o convite. Depois de saber da homossexualidade do irmão e de ver Cameron tão próxima da outra rapariga não foi muito difícil juntar um mais um e chegar à conclusão de que nenhuma daquelas raparigas estaria interessada nele. O mais assustador era o facto de ele também ter perdido qualquer interesse em raparigas bonitas depois de ter visto o sorriso do irmão e—

Não estava certo. Era tudo errado, tudo o contrário do que ele tinha acreditado até ali. Deu por si a pensar se aquela vontade de se aproximar de Bill e estudá-lo mais de perto não seria devido à ligação de sangue que partilhava com ele. Depois de tantos anos separados era normal que precisassem de recuperar pelo tempo perdido! Irmãos e ainda para mais gémeos? Só podia ser por isso. Tom estava certo de que uma relação entre irmãos gémeos devia ser muito diferente de uma relação de irmãos normal, como a que a sua prima Anna tinha com a sua irmã mais velha. Será que se a Anna tivesse uma irmã gémea também sentiria estas coisas? Afinal ela gosta de raparigas e—

E tu gostas de rapazes?

Não, é claro que não! Okay, então, até houve aquela vez nos balneários e—Não. Nada disso. Tom simplesmente gostava de raparigas e não havia discussão. Talvez outro vodka com limão resolvesse o assunto, quem sabe até um Bacardi, ou um whisky-cola…


- - -


Bill definitivamente não tinha bebido o suficiente.

Dançar com o outro rapaz era sem dúvida agradável, mas Bill não conseguia parar de olhar em volta à procura de sabia lá ele o quê.

Tu sabes…

Okay, ele sabia. Mas não iria admitir tão cedo, simplesmente. Especialmente quando o outro rapaz o agarrava com tanto cuidado, uma mão na sua anca, outra a mexer no seu cabelo de uma forma completamente fantástica. Sebastian fazia definitivamente o género dele.

E mesmo assim Bill precisava de outra bebida ou não iriam sair dali, simplesmente. A timidez sempre foi seu maior problema e como o outro rapaz era ainda mais acanhado que ele, a coisa não estava fácil.

“Vamos buscar outra bebida?” Bill sugeriu com um sorriso agradável, ao que Sebastian acenou em concordância. Agarrando-o pela mão, Bill guiou o outro rapaz até ao balcão mais próximo, onde foi logo atendido por um barman sorridente.

“O que vai ser?”

Bill ia pedir dois vodkas com limão para ele e para o seu companheiro que também parecia precisar de um, mas alguém falou antes dele numa voz que se tinha tornado familiar nos últimos dias.

“Um vodka com limão, por favor.”

Bill respirou fundo e olhou para a figura ao seu lado, que parecia ainda não ter reparado na sua presença. Tom estava definitivamente a caminhar outra vez para um estado de embriaguês, apoiando-se no balcão de tal forma que era evidente a sua perda de equilíbrio.

“Não achas que já bebeste demais, Tom?”

O olhar desfocado do irmão prendeu-se no seu e Tom sorriu levemente. “E qual é o problema?”

Bill semicerrou os olhos e tentou manter a calma. Tom nem sequer estava a ser mal educado e ele já queria partir para cima dele, tirá-lo dali e tentar enfiar-lhe algum juízo na cabeça!

“Talvez eu não queira chegar contigo a casa num estado tão deplorável que deixe a mãe mal impressionada logo na primeira vez em que saímos juntos.”

“Quero lá saber! Não lhe devo satisfações nenhumas!” Tom quase que gritou, deixando-se levar pela revolta que se tinha acumulado dentro de si. Bill pensou em dar-lhe uma estalada porque sinceramente era o que ele merecia, mas depois lembrou-se de que o irmão ainda tinha um longo caminho a percorrer para aceitar Simone como sua mãe. Era normal que com um bocadinho de álcool a verdade se revelasse.

Bill não via outra solução senão tirá-lo daquela confusão e ter uma conversa séria com ele. Seria o mais acertado a fazer. Por outro lado... Deixar o Sebastian ali sozinho não seria muito correcto. Mas não havia outro remédio!

“Tu vens comigo.” ele disse num tom autoritário, surpreendendo o irmão. “Desculpa, Sebastian, mas tenho que resolver isto. Problemas de família. Tu compreendes, certo?”

Embora lhe tivesse dado o seu melhor sorriso, Bill não podia evitar sentir remorsos e uma tremenda irritação com o seu irmão que mal tinha entrado na sua vida e já lhe estava a destruir a vida amorosa. Sebastian retribuiu com um pequeno sorriso e um “Claro, não há problema.”, mas a sua desilusão era notória. Bill estava definitivamente a ficar cada vez mais homicida!

“Anda!” ele ordenou, agarrando Tom pelo pulso e puxando-o para o WC. “Vais lavar a cara para resolvermos um bocadinho este teu estado deplorável.”

Tom ainda ripostou, mas nenhuma palavra inteligível saiu da sua boca. Depois de finalmente ter feito o que o irmão lhe mandou, foi puxado outra vez até ao balcão de pagamento, onde felizmente foram atendidos de imediato, e por fim até à saída.

A noite estava fria, ajudando-os a ambos a refrescar os pensamentos. O vento batia suavemente contra os cabelos suados de Bill, fazendo-o arrepiar. Tom, por sua vez, tratou de se encostar à parede mais próxima, inclinando a cabeça para trás e respirando o ar gélido da rua. As luzes alaranjadas banhavam as suas feições húmidas e por momentos Bill não pode evitar senão prender o seu olhar nessa visão. Uma rajada de vento mais forte acordou-o para a realidade e num impulso de última hora Bill pegou na caixa de cigarros que tinha no bolso e acendeu um.

“Já te sentes mais consciente?” ele perguntou finalmente, expirando o fumo do tabaco logo de seguida.

“Eu estou consciente.”

“Óptimo.”

Encostando-se também à parede, Bill respirou fundo e pensou no que poderia ele dizer naquele momento. ‘Eu sei como te sentes.’ parecia demasiado clichê. ‘Foste muito incorrecto naquilo que disseste.’ seria como falar para a mesma parede em que ambos se apoiavam, visto que Tom ainda não estava preparado para perceber isso.

“Ela ama-te.” Ele disse finalmente, porque foi a única coisa que lhe ocorreu. Tom virou o rosto para o encarar.

“Quem?”

“A mãe. Ela passou por muito para nos encontrar.”

Tom mostrou-se indignado e por momentos pareceu ficar sem palavras. Quando falou finalmente, a sua voz estava carregada de raiva reprimida. “Ela que não nos tivesse abandonado! Quantas mães passam por dificuldades e não abandonam os seus filhos? Ela soube desde o início que não ia ficar connosco, ela planeou tudo!”

“Porque ela não viu outra escolha!” Bill exclamou em defesa da mulher que tinha aprendido a aceitar e perdoar, o cigarro já esquecido no chão. “Ela era jovem e inocente, a rede aproveitou-se dela e... No fundo penso que foi o melhor para nós. Preferias ter vivido na pobreza com uma mãe que mal sabia como lidar com uma criança, quanto mais duas, ou numa família feliz como a tua? Eu até posso ter razões de queixa porque o meu pai é um cabrão de merda e a minha mãe passa a vida em depressões, mas tu tens uma família que te adora, mãe, pai, primos, tios e avós, todas essas pessoas que te aceitam como membro da mesma família. Diz-me o que preferias, diz-me!”

No final do seu discurso, Bill estava ofegante e não conseguia desviar o olhar da expressão surpreendida do irmão.

“Desculpa.” Tom finalmente disse, olhando para o chão. “Acho que percebo onde queres chegar.” Silêncio abateu-se entre os dois. Finalmente Tom voltou a falar, dessa vez muito mais calmo. “Mas então... porque é que ela nos deu a famílias diferentes? Se ela nos separou, porque é que não ficou com um de nós e deu o outro para adopção?”

“Ela não te contou?” Bill perguntou, confuso, ao que Tom acenou com a cabeça em negação.

“Não. Ela contou-me a história por alto quando estávamos só os dois sozinhos no fim-de-semana, acho que estavas em casa da Cameron. Mas entre choro e pedidos de desculpa não consegui perceber muito mais do que o que já sabia.”

“Ah.” Estava tudo explicado. “Ela foi enganada, sabes. Era suposto que fossemos dados para adopção à mesma família, por isso é que ela não ficou com um de nós, porque não nos queria separar. Mas como já deves ter percebido as coisas não correram como planeado. Quando ela me encontrou e me perguntou se eu tinha irmãos, eu respondi-lhe que não, e que estava muito bem assim. Depois disso ela demorou meses até ganhar coragem para me contar que afinal eu tinha um irmão gémeo perdido no mundo.”

Após ter digerido tudo o que o irmão havia dito, Tom parecia muito mais calmo, porém avassalado por todas aquelas revelações. Uma lágrima percorreu a sua face e Bill sentiu-se tentado a limpá-la com a mão, porém não o fez. Logicamente que ficou totalmente surpreendido quando Tom se deixou levar pelos seus impulsos e quase o esmagou com um abraço.

“Leva-me para casa.” Tom sussurrou-lhe ao ouvido, fazendo com que um arrepio lhe percorresse a espinha. Bill finalmente retribuiu o abraço, acariciando-lhe as costas com a palma da mão, e assentiu com a cabeça.

“Ok.”


- - -


Devon era conhecido por ser um bocadinho distraído. Ok, talvez mais que um bocadinho. Mas numa coisa ele tinha reparado: o seu querido Sebastian andava a vaguear sozinho pelo bar há tempo demais.

“Onde está o Bill, Sevvie?”

“Com o outro rapaz.” Sebastian respondeu num tom de voz monótono.

“Qual outro rapaz? Não me digas que o deixaste escapar!”

“O irmão.”

“Ah, esse!” Devon exclamou, aliviado. Bill parecia sinceramente interessado no seu amigo, por isso seria uma pena se todos os seus esforços para os apresentar tivessem sido em vão! “E não volta?”

“Eu acho que não.” Sebastian falou, olhando em volta para confirmar as suas suspeitas. “Problemas de família.”

Ou assim Bill tinha dito. Se ele não soubesse que os dois eram irmãos, Sebastian juraria a pés juntos que um dia aquilo ainda iria dar coisa, mas é claro que com a ligação familiar isso seria completamente impossível.

Certo?


CONTINUA...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. VIII) 2/2   Seg Dez 15, 2008 7:26 pm

CONTINUAÇÃO (2/2)


“Ssh, não faças barulho!” Bill sussurrou mal entraram em casa. “Tira as sapatilhas.”

Tom assim fez e segundos depois estavam a entrar no quarto, fechando a porta com o máximo de cuidado para não acordar ninguém.

“Queres comer alguma coisa?”

“Nah.” Tom respondeu, já puxando pela camisola para a tirar enquanto se espreguiçava ao mesmo tempo. “Agora só quero dormir.”

Bill acentiu com a cabeça e tratou de se virar de costas para tirar também a roupa e vestir a t-shirt enorme que usava como pijama nas noites mais frias. Quando se voltou Tom olhava-o com um pequeno sorriso capaz de derreter um iceberg. Já para não falar de que vestia apenas um par de boxers.

Oh, mundo cruel.

“Será que ainda há bolachas na cozinha?”

Bill acordou do transe induzido por um Tom semi-nu e respondeu o mais rápido que pôde. “Disseste que não querias comer nada.”

“Mudei de idéias.” Tom respondeu simplesmente, já a dirigir-se para a porta do quarto.

“Não faças barulho!” Bill avisou baixinho, ao que Tom deu uma risadinha.

“Já é a segunda vez que me dizes isso hoje.”

Bill revirou os olhos mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso. “É bom saber que a bebida não te afecta a memória.”

Tom saiu e momentos depois apareceu com um pacote de bolachas de chocolate e dois copos de leite. Bill ainda pensou em dizer que não gostava de leite só para o irritar, mas estaria a mentir. Teve de se sucumbir ao facto de que o irmão parecia estar a aprender a conhecê-lo.

“Anda, senta-te aqui.” Tom disse quando já estava sentado de pernas esticadas no lado mais afastado da sua cama, um copo de leite em punho. Bill teve de se apoiar em todo o seu autocontrole para não dizer o que tal sugestão lhe trazia à memória, nomeadamente cenas menos próprias como peitorais definidos banhados em leite fresco e... NÃO!

“Ok.”

Quando já estavam os dois bem instalados, cada um a beber do seu copo e a embeber as bolachas no leite, Tom falou num tom surpreendentemente sério.

“Obrigada.”

Bill teve uma vontade incontrolável de sorrir e dessa vez não se reprimiu. Em vez disso olhou o outro nos olhos e sorriu honestamente, sentindo-se realizado por o ter ajudado. “Não tens de quê. É para isso que os irmãos servem, certo?”

Tom estava a sorrir também, um sorriso tão genuíno que fazia com que a barriga de Bill se assemelhasse a uma montanha-russa. Mas naquele momento Bill decidiu ignorar todos aqueles sentimentos supérfluos e deixar-se levar pela ligação que estava a criar com o seu irmão, não o rapaz completamente lindo que partilhava a mesma casa com ele. Se isso iria melhorar ou piorar a situação ele não sabia, mas naquele momento pareceu a coisa mais acertada a fazer.


- - -


Na manhã seguinte Simone encontrou os seus dois meninos a partilhar a mesma cama, numa confusão de pernas e braços, e não sabia se havia de rir ou chorar de felicidade.

Acabou por fazer ambos.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. IX)   Seg Dez 15, 2008 7:29 pm

Título: London Calling (Cap. IX)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-17 (OMG!), o que quer dizer que menores podem ler e comentar, mas pelo menos foram avisados xD
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.]

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. IX

O Sol já raiava há largas horas quando Bill finalmente acordou estranhamente bem disposto. Há muito tempo que não acordava com um sorriso na cara, e por breves momentos apenas continuou a aproveitar o calor que o aconchegava naquela manhã de domingo. Sim, realmente tinha de dar os parabéns a Simone pela escolha da colcha da cama! Decidiu então espreguiçar-se um pouco e—

E a ‘colcha’ mecheu-se.

Em segundos o corpo de Bill ficou tenso, mal se mexia, e ao mesmo tempo as memórias da noite anterior fizeram a sua entrada triunfal, deixando-o de olhos arregalados e com a respiração tão presa que por momentos pensou que o ar lhe pudesse faltar. Quando Tom – sim porque nunca na vida uma colcha poderia ter aquilo que estava naquele preciso momento em contacto com a sua parte traseira, GOD – se mexeu outra vez, Bill não precisou de pensar duas vezes até praticamente saltar da cama e quase cair redondo no chão. Acabou por cair de quatro, o que não era de nenhum modo mais digno, mas pelo menos era uma posição mais fácil para se levantar o mais rápido possível e fugir para a casa de banho.

Já com a segurança de uma porta trancada à chave, Bill deixou-se finalmente relaxar, e consequentemente tomar consciência do que se tinha passado.

“FUCK! Fuck, fuck, fuck! Shiiiiit. Fucking shit!”

Okay, talvez não tanto tomar consciência como... libertar energias. Sim, porque ele não tinha acabado de acordar com a ERECÇÃO MATINAL DO PRÓPRIO IRMÃO CONTRA O SEU RABO.

Mas é claro que há um certo tempo limite em que uma pessoa pode continuar a negar o óbvio, e o dele era pouco. Talvez se ele conseguisse pensar apenas com a cabeça de cima, esse tempo limite pudesse ser mais extenso, mas não, o símbolo da sua masculinidade, como Cameron gostava de o chamar, tinha de dar sinais de vida. Claro. E com a sorte dele tinha que ser logo por causa do Tom.

“Matem-me, por favor.”

Mas não estava lá ninguém para o matar, e como Bill não era – surpreendentemente – masoquista (pelo menos não por vontade própria), lá teve ele de resolver o problema com as suas próprias mãos. Literalmente.

E quanto mais ele tentava convencer-se a si próprio de que era errado e de que ele não devia definitivamente estar a tocar-se tão intimamente e a desejar que fosse a mão áspera de Tom a fazê-lo gemer, mais toda aquela situação se tornava um dos momentos mais eróticos da sua vida. Só a sensação da parede do chuveiro, fria e húmida contra as suas costas, e a idéia de que do outro lado dessa parede Tom estava deitado na cama onde apenas uns minutos antes ele tinha dormido, aconchegado por aqueles braços fortes e musculados, já o deixava com dificuldade de se manter em pé, quanto mais de manter qualquer ritmo para se livrar de todo aquele desejo o mais rápido possível.

Mas nada o impediu de continuar, ou pelo menos a sua consciência parecia ter emigrado para terras distantes, porque no final Bill deu por si a mandar tudo para um sítio menos próprio e a deixar-se levar pela sensação da sua mão que se movia num compasso frenético e da água deliciosamente quente que deslizava pelo seu corpo.

Quando um gemido final, quase um grito, abandonou a sua boca, Bill decidiu que não estava para se preocupar se tinha sido demasiado barulhento. A vergonha do que tinha acabado de fazer já ocupava demasiado espaço na sua mente.


- - -


Quando Tom acordou, a primeira coisa que fez foi suspirar de alívio.

Não que ele tivesse alguma coisa contra dormir, não, longe disso, mas é um pouco constrangedor para um rapaz completamente heterossexual acordar de um sonho que envolva dois rapazes e uma das situações mais eróticas que ele possa ter presenciado. Em sonho ou não, isso é irrelevante. Mas não acaba aí! Como se não bastasse, os dois rapazes envolvidos eram BILL, sim, o seu próprio IRMÃO, e aquele rapaz com quem ele dançou a noite toda. E no sonho Tom estava ali mesmo à frente deles, enquanto eles... ARGH.

Alguma coisa estava definitivamente errada com ele, e Tom não entendia o quê.

Principalmente porque as memórias mais vivas que tinha do sonho eram as expressões de prazer e os gemidos e suspiros de Bill enquanto o outro rapaz o possuía contra o sofá do Venue, onde ambos tinham estado sentados na noite anterior.

“FUUUCK.” Tom gritou para o colchão, ao mesmo tempo que cobria a cabeça com a almofada. Bill era o gay dos dois, não ele. Ele era completamente heterossexual. Ele gostava de raparigas. Tudo aquilo era produto do seu subconsciente! Larga exposição a homossexualidade devia fazer isso a uma pessoa, com certeza...

Okay, agora estás a ser incoerente e homofóbico, falou a voz da sua consciência, que soava estranhamente como a da sua prima Anna.

E sim, talvez ele estivesse a exagerar. É claro que ele não podia controlar o seu subconsciente, mas...

Mas ele estava a dar em doido. Até já ouvia os gemidos do irmão na sua cabeça! E podia jurar que os conseguia ouvir tão bem como se estivessem do outro lado da parede— Oh.

Os gemidos vinham do outro lado da parede. E acompanhados pelo som do chuveiro. A rapidez com que Tom conseguiu evocar a imagem do irmão debaixo do chuveiro, uma mão a mover-se contra a sua erecção e outra na parede, ajudando-o a manter o equilíbrio enquanto água lhe escorria pelo corpo, foi surpreendente. Mais surpreendente ainda foi descobrir que a erecção com que ele próprio tinha acordado voltara agora em força devido aos gemidos do irmão. E agora Tom tinha a certeza de que estava MUITO CONSCIENTE. Alguma coisa tinha que ser feita, e rápido.

Um banho frio?

Quando essa idéia fez com que a imagem de um Bill em toda a sua glória e completamente molhado voltasse à sua mente, provocando-lhe um arrepio de excitação, Tom decidiu que provavelmente era melhor pensar noutra coisa.

Enquanto deixava que os seus dedos trêmulos fizessem o seu caminho até ao interior dos seus boxers, Tom jurou que seria a primeira e última vez que aquilo iria acontecer, mesmo que tivesse sido um gemido particularmente longo que o tenha acabado e deixado com desejo de mais.


- - -


“Então meninos, têm estado muito calados ultimamente!” comentou Simone na manhã de segunda-feira, observando os seus filhos que tentavam devorar todo o pequeno-almoço o mais depressa possível, Bill já preparado para se levantar da cadeira.

“Uh, sério?” Bill perguntou-lhe, evidentemente surpreendido, pois parou a meio do processo de puxar a cadeira para trás e dirigiu-lhe um olhar confuso.

“Sim! Ontem mal disseram uma palavra durante o dia todo.” Simone continuou, tentando soar casual enquanto tomava um gole de café. “Não foi Gordon?”

Gordon, com a boca cheia de pão com manteiga, apenas acenou com a cabeça e arregalou os olhos comicamente, quase fazendo com que Tom cuspisse o café que ainda não tinha engolido numa tentativa forçada de conter o riso. Simone abanou a cabeça e murmurou alguma coisa sobre ter de aturar três adolescentes em vez de dois, ao mesmo tempo tentando também esconder um sorriso.

“Nah, foi só impressão tua.” Tom falou por fim, deixando Simone com um olhar desconfiado. Felizmente ninguém continuou a conversa, e os dois gémeos levantaram-se da mesa sem terem de passar por nenhum momento embaraçoso.

Enquanto se acabavam de arranjar para a escola em silêncio, nenhum dos dois comentou a razão para tal comportamento.


- - -


As aulas de Arte continuaram a decorrer calmamente, isto é, se alguém pudesse chamar calmamente a ter que levar com as paranóias de Cameron só porque Guinevere estava sentada na carteira exactamente atrás dela, provavelmente para a “assassinar pelas costas” segundo ela. Tom, que estava sentado na carteira ao lado de Guinevere e atrás de Bill, prometeu que mantinha um olho no “inimigo”, não fosse a rapariga, por algum motivo transcendente, tentar atacar a outra colega indefesa. Bill, por sua vez, continuava a insistir que Guinevere só se tinha sentado ali para tentar meter conversa com o novo aluno, Tom, ao mesmo tempo tentado esconder o tom de voz amargo que tentava escapar devido ao ciúme á preocupação pela integridade do irmão.

Mas o que é bom acaba depressa, e quando a professora sugeriu que cada aluno se virasse para trás e desenhasse um retrato a grafite do respectivo colega, Bill fechou os olhos e contou até dez.

1, 2, 3, 4...

“Ah... Tom?”

...5, 6, 7...

“Não queres trocar de lugar, não?”

“Ok, por mim tudo bem.”

...8, 9...

“Ms. Boynton! Mr. Dekker! O que é que estão a fazer de pé? Eu disse para se virarem para trás, não foi para se levantarem! Não quero troca de lugares aqui.”

Tirem-me daqui, por favor! foi o último pensamento que Bill teve antes de se mentalizar de que realmente não havia volta a dar. Cameron e Guinevere iriam a determinada altura armar escândalo, e ele ia passar o próximo bloco a observar Tom e a tentar fingir que o está a fazer de um ponto estritamente artístico. Perfeito.

Cameron e Tom voltaram aos seus lugares, e Cameron viu a sua vida a andar para trás quando, após pedir desculpa à professora, se virou para trás e se deparou com o seu pior pesadelo: Guinevere Johnston com um sorrisinho malicioso que só lhe dava vontade de ir lá e arrancá-lo à dentada.

Não! Má imagem mental, Cameron! Arrancar à... unhada. Isso. Com montes de sangue. Certo.

“Usem papel de formato A4 para começar e façam esboços com grafites de várias durezas. Na próxima aula iremos passar para formato A3.”

PRÓXIMA AULA? No pequeno grupo, apenas Guinevere não parecia perturbada com a ideia de mais uma aula a observar o rosto do parceiro que lhe foi imposto, sendo que Bill e Cameron estavam completamente aterrorizados, e Tom não estava propriamente feliz, acontecimentos passados no fim-de-semana anterior ainda frescos na sua mente. Porém não pareciam ter outra escolha, e cada um preparou o material para o trabalho que tinham pela frente.

Bill e Tom trocaram sorrisos nervosos e começaram a esboçar os traços do rosto de cada um. Tom começou pelo queixo do irmão – era sempre a parte que lhe custava mais a captar num retrato, mas assim que conseguisse o resto do trabalho seria muito mais fácil. Deu por si novamente fascinado com a elegância da face que desenhava e por momentos teve de se controlar para não pousar o lápis e ficar simplesmente a observar Bill, que o olhava com uma expressão absorta, voltando-se de seguida novamente para o papel, por vezes prendendo o lábio inferior entre os dentes em concentração. Mal sabia ele que o objecto de tal admiração estava a ter exactamente o mesmo problema. Ambos sentiam as mãos a humedecer à volta do lápis, um sabia exactamente porquê, outro não queria saber. Era melhor assim.

Cameron e Guinevere, por sua vez, estavam a ter um ligeiro problema.

“Podias levantar a cabeça um bocadinho?” Guinevere pediu sem levantar o olhar da folha onde já tentava esboçar o rosto da outra rapariga. Cameron também manteve o olhar afastado e não respondeu, mantendo-se quieta de lápis em mão. Ainda não tinha sequer começado a desenhar. Sinceramente, como é que ela o iria fazer se nem sequer conseguia olhar para a cara da outra?

“Podias levantar a cabeça, por favor?” Guinevere insistiu mais uma vez quando reparou que a rapariga sentada à sua frente não o tinha feito. Cameron continuou a ignorá-la, perdida nos seus pensamentos de desespero e raiva e—“Cameron!”

Ao som do seu nome a sair da boca daquela víbora – sim, víbora! – Cameron finalmente levantou a cabeça e olhou-a com desprezo.

“Está bem assim, sua alteza?”

“Podias tirar essa cara também, mudar para uma expressão mais... neutra. Se não for muito incomodo, claro.” A doçura do tom de voz de Guinevere era tão falso como o seu sorriso, e Cameron deu por si a ter outra visão em que danificava aquela carinha até não ter reparo. E se isso já a irritava terminantemente, o facto de que ela não conseguia manter-se NEUTRA na presença da outra rapariga deixava-a completamente lívida! Como é que ela se podia deixar afectar daquela forma?

Relutantemente e só porque não queria dar parte de fraca, Cameron tentou controlar a sua expressão facial e pôs mãos à obra. Se conseguisse apenas se concentrar na outra rapariga como um simples modelo para o seu desenho talvez não fosse assim tão difícil passar aquela aula...

“Não te mexas tanto!”

Ou não.

“Gah, e tu não podes parar de te queixar por uns momentos? Just stand there and look pretty, ok?”

Guinevere deu uma pequena risada e olhou-a com aquela expressão tão característica dela, exactamente entre anjo e diabo. “Pretty? Já te disse mais que uma vez que não sou àgua para o teu bico, dear.”

Cameron teve de recorrer a todas as forças possíveis e impossíveis para não lhe dar um berro no meio de todos os colegas e sair dalí. Em vez disso lançou-lhe um último olhar gelado e continuou a desenhar, desejando que passasse rápido o período de tempo que passaria a ser as mais longas duas horas da sua vida.

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. X)   Seg Dez 15, 2008 7:31 pm

Título: London Calling (Cap. X)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
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Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores] + para o Camille Coxon utilizei uma fotografia do modelo Lyden, agência Storm Models.

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. X

“Eu juro que aquelas foram as duas horas MAIS LONGAS da minha vida. Juro!”

Cameron caminhava fumegante pelos corredores da escola, seguida por um gémeo de cada lado, os dois trocando olhares vagamente aborrecidos. Quantas vezes é que já tinham ouvido aquilo? Tom começava a perceber a exasperação de Bill quanto à relação estranha que Cameron mantinha com a ex melhor amiga. Era no mínimo suspeito que ela mantivesse a chama daquele ódio tão acesa enquanto que Guinevere parecia completamente relaxada, mesmo que obviamente tomasse um gosto especial em deixar a outra rapariga a trepar pelas paredes de tanta raiva. Bill por sua vez não conseguia deixar de pensar na quantidade de tensão sexual que ia para ali.

“Bom, eu vou para a sala de Inglês.” Bill anunciou, lançando um olhar a Tom que dizia claramente ‘Muahahah, vou-te deixar sozinho com ela! Sofre!’. Tom ainda pensou em pedir-lhe para ficar mais um pouco, visto que só tinha passado cerca de metade do intervalo, mas isso ia parecer um bocadinho estranho demais, não?

Estranho porquê Tom? Ele é teu irmão, não é como se tivesses algum... INTERESSE ESPECIAL em tê-lo por perto, certo?

Certo. Claro que estava certo.

“Oh, já vais?” Tom finalmente perguntou, e tanto discutiu consigo próprio que acabou por soar desanimado demais pela idéia de ter de se afastar por duas horas do irmão. E como se não bastasse, podia ter a certeza de que o olhar surpreendido de Bill o estava a deixar ainda mais embaraçado, bochechas coradas incluídas.

Bill por sua vez estava a controlar-se para não saltar para cima de Tom, agarrar-se a ele qual lapa a uma rocha, e fazer-lhe juras de amor eterno, qualquer coisa como ‘Não, não vou! Nem agora nem nunca! Vou ficar contigo para sempre e—’

Oh, mas quem é que tu estás a enganar Bill? Ele só está preocupado em ficar sozinho com a Miss-Um-Dia-Destes-Morro-de-Tensão-Sexual, só isso! E as bochechas coradas devem ser por causa da—humidade! Or whatever...

“Uh... acho que posso ficar mais um pouco, sim.” Bill acabou por dizer, porque quem é que consegue resistir a um pedido sincero vindo do rapaz mais sexy daquela escola?

Não o seu irmão gémeo, com certeza.


- - -


Quando Tom e Cameron partiram para a aula de Fotografia, deixando-o na sala de Inglês pelo caminho, Bill não estava à espera de encontrá-la vazia. Ainda não tinha acabado o intervalo, mas os seus colegas naquela aula eram na maioria do tipo que chega sempre antes do toque. Decidiu então olhar para o visor do telemóvel e quando viu que ainda faltavam pelo menos dez minutos para o intervalo acabar, deu por si a emitir um som de desespero. Tudo culpa da Cameron e das suas paranóias!

Anda, Tom! Não me quero cruzar com aquela piranha nos corredores! Já não posso olhar para a cara dela! Nhe nhe nhe—” Bill começou a falar consigo mesmo, pensando que estava sozinho, mas quando olhou na direcção da porta viu que estava a ser observado por outra pessoa.

“—nhe.”

Oh, my god. Quem é este? Deve-se ter enganado na sala, nunca o vi na minha vida! E como é que isso é possível?

Sim, realmente como é que era possível ele não ter reparado na beldade de cabelo curto e olhos rasgados de um azul electrizante que tinha acabado de entrar na sala? Em que mundo é que andas a viver Bill Skinner? God!

“Hum... desculpa. Pensava que estava sozinho, ehe.” Bill finalmente deu por si a articular palavras, após um silêncio que parecia ter sido um pouco constrangedor para ambos. “Estás à procura de alguma sala ou assim?”

O rapaz apenas continuou a observá-lo com uma expressão estranha durante algum tempo, até finalmente falar num tom de voz que dizia com todas as letras ‘Eu sei que sou hot. Deal with it.’: “Uh, não? Esta é a minha sala.”

“Ah, sério?” Bill perguntou com um risinho nervoso que não devia definitivamente ter saído da sua boca. “Sorry there, nunca te tinha visto por aqui.”

“Bom, agora já viste.” O outro rapaz disse num tom de voz tão predatório que mais valia ele ter completado a frase com ‘e parece que gostaste do que viste’. Wow, o que é que estava a acontecer? Estavam mesmo a ter um momento ou era só a imaginação de Bill a pregar-lhe uma partida?

“Uh.” Bill vociferou eloquentemente, mas o rapaz não se deixou intimidar pela sua falta de articulação, aproximando-se com uma mão estendida.

“Camille Coxon, prazer.”

Nah, os olhares até podiam ter sido fruto da sua imaginação, mas aquela expressão de ‘estou-tão-a-despir-te-com-os-olhos’ não enganava ninguém. Bill podia ser jovem, mas não era de todo inexperiente, tendo sido alvo de tal olhar mais que uma vez, e esta era com certeza mais uma para acrescentar ao cartório.

Portanto, a conversa foi algo do gênero:

“Camille?”

“Sim. Com dois L’s.”

“Hmm, interessante.”

“E tu és?”

“Bill. Bill Skinner.”

“Hmm-hmm.”

Mas na sua cabeça Bill podia jurar que tinha sido qualquer coisa como:

“Tens nome de menina.”

“Não é de menina, é francês.”

“Oh, que bom para ti.”

“Paras de te armar em importante e dizes-me o teu nome? God, se não fosses tão sexy já te tinha mandado dar uma volta.”

“O meu nome é Bill. Bill Skinner. Hmm, aposto que neste momento fui mais sexy que qualquer James Bond. Hell, yeah.”

“God! Se não te tivesse acabado de conhecer já estavas em cima dessa mesa atrás de ti. Comigo por cima.”

Imagens mentais! Não! Eu quero sobreviver a esta aula sem ter que ir ao quarto-de-banho! God, odeio ser adolescente.

Por fim acabaram os dois por se sentar nos seus lugares habituais sem trocar mais uma palavra. Quando os outros alunos começaram a chegar Bill tentou não desviar o olhar para a mesa onde Camille estava sentado numa perfeita pose de modelo fotográfico, visto que a dita mesa era nos confins da sala e Bill costumava sentar-se na segunda fila a contar da frente.

Por isso é que nunca o tinha visto. Ele chega mais cedo e senta-se sempre atrás. Aluno novo, com certeza.

Porém, sentir-se observado não era de todo algo que Bill gostava, e a meio da aula deu por si a virar-se para trás. E lá estava ele, com um sorrisinho sedutor que devia ser proibido. Rapazes bonitos como Camille ou Tom deviam ser terminantemente proibidos de sorrir daquela maneira em frente dele!

E lá estás tu a pensar no Tom! Ele é o teu irmão gémeo, for God’s sake! Arranja outra distracção!

E a distracção tinha olhos penetrantes e lábios carnudos que davam vontade de trincar.


- - -


No final da aula, e motivado pelo seu novo plano para esquecer Tom de uma vez por todas, Bill esperou que o outro rapaz saísse e seguiu-o até um corredor um pouco mais vazio do que aquele onde se encontravam.

“Camille!”

Camille deu meia volta, claramente surpreendido por alguém o estar a chamar, mas rapidamente colocou a sua máscara de indiferença, juntamente com um olhar repleto de confiança. Algo nesse olhar deixava Bill um bocadinho de pé atrás, mas naquele momento nada o iria fazer vacilar.

“Bill.”

Ok. Lá estava o outro rapaz, à espera que Bill dissesse qualquer coisa. Mas o quê? Pensa Bill, pensa...

“Uh... conheces o Deptford Arms(1), certo?” Ok, uma pergunta um tanto ou quanto parva visto que estavam no Deptford Green College, mas como ele era novo na escola podia também ser novo na área, right?

“Sim, conheço. Porquê?”

“Porque eu estava a pensar se não querias ir lá tomar qualquer coisa. Comigo.”

“Ok. Tens a tarde livre?”

“Uh?” Bill não estava à espera de uma resposta tão imediata, mas rapidamente escondeu a surpresa e sorriu o seu sorriso mais charmoso. “Sim, tenho. Vemo-nos lá depois do almoço?”

“Hmm, tenho uma ideia melhor. Tomas lá o chá das cinco comigo?”

Bill resistiu à tentação de lançar um risinho histérico e apenas sorriu, torcendo um pouco o nariz a tal convite. “Tu tomas o chá das cinco? Mas quem és tu, a Rainha?”

Camille revirou os olhos e fingiu desagrado, mas rapidamente sorriu de volta. “Ah, ah, que piada. E sim, eu gosto de chá, se não gostas podes pedir outra coisa qualquer.”

“Não, não, eu acompanho-a, alteza!”

Os dois acabaram a rir no meio do corredor já vazio, as gargalhadas ecoando nas paredes cor de cal. Por fim trocaram olhares sugestivos – sim, porque Bill podia ver mais que uma sugestão por trás daquele olhar – e despediram-se, não sem antes Camille deixar a sua mão percorrer a extensão do peito do outro rapaz num gesto que valia mais que mil palavras.

“Até logo.”


- - -


“Onde é que andaste?” foi a primeira coisa que Bill ouviu mal chegou ao refeitório da escola. Não tinha mais aulas nessa tarde, mas Simone estava a trabalhar – como recepcionista num hotel, já que fala mais de três línguas fluentemente incluindo o Alemão, a sua língua-mãe – e como os dois irmãos eram demasiado preguiçosos para preparar qualquer coisa, acabaram por decidir que era melhor ficar na escola por mais uma hora e almoçar na companhia de Cameron, outra que não se entendia no meio de tachos e panelas.

“Uh, a ter aulas, talvez?”

Cameron lançou-lhe um dos seus olhares cortantes seguido do sorriso ‘eu-conheço-te-melhor-que-ninguém’. “Não sei se ainda não reparaste, mas eu e o Tom já estamos servidos há um bom bocado, o que quer dizer que também já chegamos aqui há mais tempo que tu. Não que me faça alguma diferença, só queria saber o que é que te prendeu na sala de Inglês.”

“Eu gostava era de saber o que é que te pôs lá em primeiro lugar.” Tom comentou quase que para si mesmo, mas ao mesmo tempo ciente de que não estava a ser propriamente silencioso. Com isto ganhou umas boas gargalhadas de Cameron e um olhar irritado de Bill que só o fez rir em conjunto com a rapariga sentada à sua frente. “Ok, ok, desculpa. Mas diz lá, agora também estou curioso. O que é que andaste a fazer?”

Bill hesitou um pouco, mas depois lembrou-se de se perguntar porque é que estava a hesitar. Não havia razão para isso, certo? Cameron e Tom sabiam que ele era gay, por isso não havia nenhum problema em contar-lhes sobre o encontro! O porquê da sua consciência estar tão alarmada só porque Tom estava ali passava-lhe totalmente ao lado. Certo.

“Estive a combinar umas coisas com um... amigo.” Não que eles fossem amigos, mas pareceu-lhe a palavra mais adequada a usar. Cameron, porém, não deixou passar tal gafe.

“Amigo? Mas desde quando é que tu tens amigos nesta escola além de mim, hmm?”

“Conhecemo-nos hoje.” Bill explicou simplesmente, encolhendo os ombros enquanto se sentava numa cadeira ao lado de Tom. Ainda não tinha ido buscar o almoço, mas já que lhe queriam fazer um interrogatório, era melhor pôr-se confortável.

“Nome?” Cameron continuou, olhando-o com um ar desconfiado. E não é que aquilo parecia mesmo um interrogatório? Só faltavam as luzes apontadas à cara dele! Geez!

“Camille.”

“Ah, é uma miúda?” Tom perguntou antes de tomar um gole de água.

“Não!” Bill exclamou, já irritado. “É um rapaz e nós temos um encontro esta tarde. E sim, estou interessado e penso que o interesse é mútuo. Mais alguma dúvida? GOD!”

Bill estava tão distraído com o seu próprio monólogo que nem reparou que Tom tinha cuspido metade da água que tinha bebido até este começar a tossir, face cada vez mais vermelha. Rapidamente fez a primeira coisa que lhe veio à cabeça, dando palmadas nas costas do irmão até este erguer a mão, indicando que já estava tudo bem.

“Então,” Bill falou numa voz muito mais calma, movendo a palma da sua mão contra as costas do irmão quase inconscientemente. “o que foi isso?”

Tom virou a cara para o olhar, tentando não se sentir afectado pela proximidade entre eles. Mas estava difícil. O que é que lhe tinha dado afinal? Nem ele sabia! A única coisa que tinha a certeza era de que a ideia de Bill num encontro com outro rapaz não lhe agradava nada. O porquê disso ele nem queria saber.

“Não foi nada. Engasguei-me na água sem querer.” E já paravas de massajar as minhas costas... ou talvez não. Hmm. OK PARA PARAPARAPARA—

“Tens de aprender a comer e beber como pessoas normais. A louça não foge!” Bill brincou, sorrindo aquele sorriso contagiante, e Tom não conseguia deixar de olhar. Chamar tal acto de ‘curiosidade’ parecia um tanto ou quanto puxado, mas o que é que poderia ser se não isso?

E enquanto Tom lutava com a sua consciência, Bill ia tomando consciência de que os dois estavam próximos demais, e que tudo aquilo estava a saber melhor do que devia. E o que é que o outro rapaz estava a fazer ali, a olhar para ele com aquela cara? Apenas meros segundos passaram desde que se tinha feito silêncio, mas para ambos pareceu uma eternidade. Bill foi o primeiro a reagir, voltando a sentar-se numa posição mais correcta no seu próprio lugar e deixando Tom a respirar fundo antes de tomar outro gole da água, desta vez sem nenhum percalço.

Nenhum dos dois reparou que Cameron não voltou a falar no assunto do Camille, e o resto do almoço foi passado tranquilamente, com a excepção de duas cabecinhas confusas.

Porém, quando Tom se levantou para entregar o tabuleiro, Cameron ficou para trás e não hesitou em olhar Bill nos olhos com um ar sabedor. E Bill já não estava a gostar nada daquilo.

“É de mim ou vocês tiveram um momento?”

“Eu e o Camille?”

“Tu e o Tom.”

Oh. “Não sejas parva, claro que não.”

“Claro.” Cameron disse simplesmente, mas a ela ninguém a enganava assim tão facilmente.

Eles tiveram um momento.


1) The Deptford Arms é uma espécie de bar, aberto das 11 AM à 1 AM. Á noite costuma ter concertos, mas de dia também é bastante frequentado. È da mesma gerência da New Cross Inn, aquele Bar-concerto de que falei no início desta fic. (fotos do interior/exterior)

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XI) 1/2   Seg Dez 15, 2008 7:32 pm

Título: London Calling (Cap. XI)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
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Classificação: PG-13
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.]

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XI

Tom estava no quarto que partilhava com o irmão, tentando não se sentir incomodado com a atmosfera que o rodeava. Tinha-se deitado na sua própria cama para descansar, mas quando se lembrou do que se tinha passado ali e todos os pensamentos que preferia não ter voltaram para o assombrar, percebeu que tinha de sair dali. Tentou então deitar-se na cama de Bill, mas não durou mais de 10 segundos. A cama cheirava à colónia suave e fresca que o seu cérebro identificava como ‘Bill’ e o seu inconsciente como ‘hmm... bom...’—NÃO. A rapidez com que Tom saltou da cama e se sentou no chão, já a entrar em pânico, foi quase sobre-humana. Podia muito bem sentar-se numa cadeira, mas essas estavam ali para quando algum dos dois queria usar o computador ou fazer os trabalhos de casa. Tom não queria nada disso. Tom não queria pensar porque pensar era MAU. Muito mau.

Sem pensar no que estava a fazer acabou encostado à parede enquanto agarrava a cabeça e se curvava numa bola. Mas nunca ninguém disse que tentar não pensar em nada é um bom plano, ou pelo menos ninguém devia ter dito, porque para Tom isso não estava a funcionar. Quanto mais tentava não pensar numa coisa, mais essa coisa aparecia na sua cabeça, e essa coisa era nada mais nada menos que o seu ataque de... homofobia...? OK, quem é que estás a tentar enganar Tom Kaulitz Dekker?

A verdade é que cada aventurazinha que Bill tinha com outro rapaz afectava-lhe cada vez mais, e Tom não conseguia explicar porquê. Não era homofobia, não, isso estava fora de questão. Tom não tinha nojo do irmão, ou de qualquer outro homossexual. Podia então ser... inveja?

Mas tu queres mesmo... fazer essas coisas? Com um rapaz?

NÃO. Não podia ser isso. Não podia. Ele simplesmente não podia estar com inveja das relações do irmão com outros rapazes, porque nunca na vida dele um rapaz lhe chamou a atenção. Pelo menos Tom não conseguia identificar alguma situação específica em que tal tenha acontecido. Com certeza que o facto de ele só conseguir ver porn quando o actor masculino é atraente não tem nada a ver com isso... certo?

OK, lá estava ele a divagar outra vez para coisas completamente sem sentido. Bill podia ser o gay dos dois, mas naquele momento Tom estava a ser a maior Drama Queen de sempre! Até já conseguia ouvir música de fundo e—

Oh.

A música de fundo vinha da sala, onde Bill tinha montado o seu piano. Provavelmente estava a praticar, visto que no dia seguinte iriam ter aula prática de música. E não é que ele até tinha jeito? A melodia suave e alegre(1) flutuava pelo ar e conseguiu finalmente colocar-lhe um sorriso na cara. Sem pensar duas vezes abriu a porta e abandonou o quarto, aproximando-se cada vez mais da sala.

E a certa altura Bill começou a cantar. E Tom não ficou surpreendido quando a voz que abandonou a boca do irmão não podia ser descrita de outra forma senão excepcional.

Little sister come and sit beside me, beside me. And well play a tune on this old piano, forte. Just for a while, just for a while, just for a while...

A letra falava de uma irmã mais nova. Será que Bill tinha uma irmã mais nova?

'Till your hair becomes a powdered wig and I become a total bastard, feet that hardly reach the pedal sold to a tremendous shadow. Ave, ave, history is on my side...

Não, Bill tinha ditto que era filho único. Mesmo assim era uma música adorável, e da sua posição, parado à porta da sala, transfixo pela imagem de Bill a tocar com o céu cinzento do outro lado da janela como cenário, tudo parecia mais brilhante. O céu, o sorriso do irmão...

So complain! Have no shame! And remember that your brooooo—SHIT!”

Rapidamente, e para bem dos seus pecados, Tom acordou como que de um transe, observando então com alguma curiosidade o desespero do rapaz sentado à frente do piano.

“Estavas a ir bem.” Ele comentou finalmente, porque era a verdade e porque não conseguia ver Bill com aquela cara após ter estado a sorrir tão brilhantemente. Bill por sua vez pareceu surpreendido, e de seguida embaraçado, escondendo a cara entre as mãos.

“Fui horríveeeel.” Bill queixou-se num tom de voz mimado após suspirar contra as palmas das suas mãos. “Confundi-me todo quando tive de trocar as mãos no piano e subir de tom ao mesmo tempo!”

“Hey, parece um pouco complicado.” Tom ajudou com um pequeno sorriso, ao que Bill tentou retribuir.

“O Rufus faz isto com uma perna às costas.”

“Rufus?” Mais uma das suas conquistas? Bem, ele não para mesmo! Tom pensou para si próprio, tentando ignorar aquela impressão na barriga que teimava em aparecer nos momentos mais inoportunos.

“Rufus Wainwright. A música que eu estava a cantar é dele, chama-se ‘Little Sister’.”

Ah. Claro.

“Little sister? Será que isso esconde algum desejo teu de ter uma irmã mais nova?” Tom perguntou, só por curiosidade, ao que Bill arregalou os olhos em espanto e abanou a cabeça.

“Não! Sempre gostei muito de ser filho único. Nunca na vida quis ter um irmão ou uma irmã.”

Tom sentiu-se um pouco afectado por essas palavras. Ele próprio sempre quis ter um irmão, mas teve de se contentar com um número infindável de primos. Para Bill, habituado a estar sozinho desde criança, não devia ter sido nada fácil descobrir que tinha um irmão, ainda para mais gémeo. Uma pessoa tão original como ele...

“Que cara é essa?” Bill perguntou, franzindo o sobrolho e inclinando a cabeça para o lado, como se procurasse respostas no olhar abatido do irmão. Momentos passaram e ele finalmente percebeu. “Oh, desculpa! Não queria ter soado daquela forma. É claro que não fiquei muito entusiasmado com a ideia de ter um irmão quando soube de ti, mas... mudei de ideias. Até não és mau de todo.” Ele falou com um pequeno sorriso e Tom não pode fazer outra coisa a não ser sorrir de volta, uma sensação de alívio extremo a crescer dentro de si de uma forma inexplicável.

“Oh... ok. Tu também és... fixe.”

“Fixe?” Bill inquiriu com um ar superior e um sorrisinho adorável, arqueando a sobrancelha em ar de desafio.

“Ya...” Tom respondeu, olhando para o chão e tentando esconder o embaraço. “Uh... não queres tentar outra vez?”

“O quê?”

“A música.”

“Ah.” Bill assentiu com a cabeça e voltou-se para o piano, olhando o teclado com determinação. “Ok. 1, 2, 3...”

E começou a tocar de novo, as primeiras notas deixando uma sensação bastante agradável no peito do irmão, como um raio de sol que o aquecia, o calor espalhando-se por todo o seu corpo. Tom era um amante de música, e embora aquele não fosse o seu tipo de registro, não podia deixar de apreciar quer o talento no piano, quer a voz melodiosa de Bill.

Por fim, e com bastante entusiasmo, Bill foi subindo de tom, tentando alcançar aquele tom que tinha falhado na tentativa anterior.

So complain! Have no shame! And remember that your brooooother is a boy!” O sorriso estampado na cara de Bill após ter conseguido atingir a nota mais alta daquele verso pareceu iluminar a sala. Tom ficou a observá-lo, transfixo, enquanto que aquela última frase se repetia na sua mente.

Remember that your brother is a boy. Your brother is a boy. Your brother—

Tom só reparou que Bill tinha parado de tocar quando outro som interrompeu os seus pensamentos. Era a campainha. Bill fez uma cara, uma indagação silenciosa. Quem será? Rapidamente levantou-se e dirigiu-se ao intercomunicador. A face da melhor amiga apareceu no ecrã e Bill sorriu.

“Cam!”

“Hey!”

Sem trocarem mais palavras Bill abriu a porta e Cameron subiu até ao andar onde uma outra porta já estava aberta, Bill encostado a ela.

“Vim fazer uma visitinha.” Cameron anunciou com um pequeno sorriso, já entrando pela porta adentro como sempre. Tom estava sentado no sofá e acenou com a cabeça.

“Hey.”

Cameron sentou-se também no sofá, e Bill seguiu-lhe o exemplo, deixando-a entre os dois rapazes como já se tinha tornado comum nas últimas semanas.

“Então, o que é que se faz por aqui?”

“Eu estava a tocar piano,” Bill explicou com um sorriso cheio de orgulho. “e eu consegui cantar a Little Sister do Rufus sem desafinar!”

“À segunda tentativa...” Tom disse com uma expressão de gozo, recebendo uma palmada no braço do irmão. O “Hey!” ultrajado de Cameron que também tinha levado por tabela deixou-os a rir até que a rapariga falou novamente, dando palmadinhas nas costas do melhor amigo.

“Deixa lá, Billy. O que importa é que conseguiste. Não queres tocar um bocadinho para mim?”

Bill torceu o nariz, mas a carinha adorável que Cameron tentou fazer deixou-o com pouca escolha. Não que aquela expressão fosse muito eficaz, mas o esforço da amiga, normalmente uma pessoa sisuda ou simplesmente séria, já era um ponto fraco seu.

“Está bem. Alguma preferência?”

“Oooh, a Missed Me(2)!” Cameron disse de imediato, sorrindo com entusiasmo, e Bill já devia ter previsto que ela iria escolher uma música cantada pela sua adorada Amanda Palmer, a vocalista dos Dresden Dolls que, segundo Cameron, era ‘o sexo personificado’.

Quando Bill se sentou ao piano, Tom estava à espera que também fosse ele a cantar, ficando surpreendido quando Cameron começou o primeiro verso da música numa voz baixa e insegura, porém tornando-se mais forte à medida que ia avançando.

Missed me, missed me, now you've got to kiss me, if you kiss me, mister, I might tell my sister, if I tell her, mister, she might tell my mother and my mother, mister, just might tell my father and my father, mister, he won't be too happy and he'll have his lawyer come up from the city and arrest you, mister, so I wouldn't miss me if you get me, mister, see?

Bill pausou um pouco e pressionou uma tecla no piano, produzindo um som agudo, e depois continuou, enquanto que Cameron abanava a cabeça ao ritmo da melodia. Tom não podia deixar de sorrir ao ouvir a letra da música. Aquela rapariga era mesmo adversa ao sexo masculino!

Por fim a música terminou, e Bill ganhou um aplauso da amiga e do espectador que não podia negar que o irmão tinha talento. Qualquer dia podiam fazer um dueto e—

“Oh, my God, as horas!” Bill exclamou de repente, olhando fixamente para o pulso da amiga onde ela tinha um relógio. “Tenho de estar no Deptford Arms daqui a meia hora e ainda não me arranjei!”

Ah, claro. O encontro. Tom já se tinha esquecido do facto de que o irmão tinha uma vida amorosa muito mais activa que a dele. Não era nada normal! Quem o viu e quem o vê...

“Eu vou indo então.” Cameron anunciou, já a levantar-se do sofá, mas ficou para trás quando Tom se dirigiu a ela pela primeira vez desde que tinha chegado.

“Podes ficar, eu não mordo!”

Cameron deu uma risada e lançou-lhe um olhar desconfiado. “É de mim ou estas a tentar seduzir-me Tommy? Então o teu irmão ainda não te disse que meninos não tem hipótese comigo, não?”

Tom riu de volta e olhou para o dito cujo do irmão, que “Não, não disse, mas eu percebi por mim mesmo. E não, é claro que não me estava a fazer a ti! Simplesmente estou farto de ficar sozinho nesta casa.” E a pensar em coisas que não devo...

“Hmm, ok, eu fico contigo então. Vai-te lá arranjar, princesa.” O último comentário foi dirigido a Bill, que se limitou a revirar os olhos e a sair da sala da forma mais afeminada possível, abanando o rabo de uma forma que deveria ser pecado. Provavelmente era.

É claro que Tom nem sequer reparou nisso, nem no facto do rabo do irmão ser melhor do que os de muitas raparigas. Não. Nem pensar.

“Hey, ele já foi.” Cameron comentou, acordando-o dos seus pensamentos. Quando reparou que tinha estado a olhar para o mesmo ponto onde segundos antes o irmão – e o rabo dele – tinham estado, Tom fez uma prece a todas as divindades para que, por favor, a face dele não adquirisse um tom suspeito, tipo, vermelho. Ou cor-de-rosa. Whatever.

“Uh?” foi a única coisa que abandonou a sua boca momentos depois, tendo ele optado pela técnica de se fazer de desentendido, para Cameron e para ele próprio. Porque ele não tinha acabado de apreciar o rabo do irmão. Impossível!

“Eu sei que ele tem um rabinho bom, não precisas de disfarçar. Melhor do que o de muitas raparigas, não é?”

Algo dentro da cabeça de Tom estava a gritar SIM!, mas ele não ia deixar que tal coisa saísse da sua boca! Limitou-se a encolher os ombros sobre o olhar suspeito de Cameron, que já o começava a irritar. Parecia que ela lhe estava a entrar na cabeça e a remexer nos factos mais escabrosos que encontrasse! Era assustador.

“Hey, não faças essa cara. Tu e ele não são propriamente irmãos, né?” Cameron começou, e Tom já não estava a gostar nada da conversa. Onde é que ela queria chegar? “I mean, podem ser irmãos de sangue, mas não existe qualquer ligação afectiva do ponto de vista familiar que te possa proibir de apreciar o aspecto dele... E vocês nem são parecidos, por isso não iria ser narcísico da tua parte.”

What?


CONTINUA...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XI) 2/2   Seg Dez 15, 2008 7:33 pm

Cap. XI - CONTINUAÇÃO (2/2)

Tom podia jurar que naquele momento estava a fazer a perfeita imitação de um peixe fora de água. Mas o que é que ela queria dizer com aquilo tudo? Ok, ela até podia ter a sua razão, mas Bill não deixava de ser seu irmão!

And remember that your brother is a boy...

E um rapaz!

“Eu não sou gay!” Tom por fim exclamou, surpreendendo-se a si mesmo e à rapariga sentada do outro lado do sofá. Após recuperar de tal explosão – Espero que o Bill não tenha ouvido isto! – Tom acabou a olhar para as suas pernas, procurando nódoas inexistentes na superfície das suas jeans. Graças a isso perdeu o sorriso triunfante que apareceu no rosto de Cameron.

Ele está embaraçado! Oh, my God, isto está muito mais complexo do que eu pensava...

“Nunca digas nunca...” Cameron acabou por dizer, sentindo-se como um vilão a mexer com a mente de um pobre inocente. Mas ela não conseguia evitar! Eram muitos anos a tentar arranjar o par perfeito para o melhor amigo e a falhar, falhar, falhar. Bill escolhia tanto que no final acabava por estragar tudo, qual dona de casa inexperiente a escolher fruta madura no supermercado. Então e se o seu par ideal fosse a junção do seu igual e do seu oposto? Um yin-yang tão equilibrado que poderia funcionar na perfeição?

Uh, Cameron... Eles são GÉMEOS! Tipo, IRMÃOS!

E quem é que quer saber disso? São irmãos de sangue, e depois? Não é como se fossem ter problemas se quisessem ter filhos ou coisa assim. Bill podia ser ‘girly’ mas não a esse ponto, for God’s sake!

Tão concentrada estava ela nos seus planos que nem reparou no olhar assustado que estava a receber do irmão do seu melhor amigo. Sim, porque Tom estava muito assustado. Para quem tinha pedido à rapariga para ficar porque não queria pensar n’O Assunto... O feitiço tinha-se virado contra o feiticeiro, e quando Bill voltou a entrar na sala para se dirigir ao Hall de entrada, Tom nem sequer conseguia olhar para a cara dele.

“E então? Que tal estou?” um Bill sorridente e vestido para matar perguntou, dando uma voltinha e desfilando até ficar parado à frente do sofá. Com isso Tom viu-se obrigado a olhar, o que não estava a ajudar nada à sua confusão porque Bill tinha-se esmerado mesmo. O seu cabelo continuava mais flat do que o normal, mas parecia ainda mais liso e sedoso, algo que Tom não podia deixar de apreciar. Ficava-lhe muito melhor assim do que quando ele o ripava até lhe dar imenso volume. E o casaco de cabedal preto por cima da camisa branca que provavelmente pertencia ao uniforme da escola devia ser PROIBIDO porque Bill ficava bem demais nele. Isso e aquela gravata preta e tão fina que Tom conseguia arranjar mais do que uma maneira para lhe dar melhor uso e—PARA. Tom Kaulitz Dekker, para de pensar assim, ele é o teu irmão gémeo! E para de olhar para as pernas dele, por mais justas que aquelas calças sejam! Fuck, ainda bem que ele não está virado de costas...

“Estás óptimo, babe. Não está, Tom?”

Era Cameron, que o olhava com um sorrisinho malvado. Tom só conseguiu acenar com a cabeça, para logo a seguir deter-se, mas já era tarde demais. Bill olhava-o com um ar entre o suspeito e o confuso, se é que isso era possível. Mas Tom conseguia ler os sentimentos do irmão como um livro, e nesse momento Bill irradiava suspeita e confusão.

“Aposto que o Camille vai adorar!” a rapariga comentou de seguida, e Tom podia jurar que ela o estava a observar, à espera de uma qualquer reacção ao nome do outro rapaz que Tom nunca sequer tinha visto. Ignorar aquele aperto na barriga não foi fácil, mas pelos vistos a tentativa foi bem sucedida. Bill nem pestanejou, limitando-se a caminhar em direcção à porta e Cameron desistiu de lhe tentar perfurar a cabeça e inspecionar o cérebro.

“Uh, certo. Eu vou então. Até logo!”

E deixando um rasto do seu perfume característico atrás de si, Bill foi.



1) ‘Little Sister’ do Rufus Wainwright é uma música totalmente adorável, se não clicaram no numerozinho lá em cima para ver o vídeo podem clicar AQUI. E ainda levam um bónus do Rufus a ser a mesma bixinha de sempre antes de começar a tocar! *drools*

2) ‘Missed Me’ dos The Dresden Dolls, uma banda fantástica composta por Amanda Palmer – completamente HOT OKKK – e Brian... something, esqueci do último nome dele, podem ir ver à Wikipédia xD Se não viram o vídeo acima, AQUI está ele. Podem ver como eles são fantásticos em palco e como a Amanda é the sexyness e o Brian é totally cuteee! Weee!

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XII) 1/2   Seg Dez 15, 2008 7:34 pm

Título: London Calling (Cap. XII)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.] + para a Becky Brown usei uma fotografia da modelo Thais, agência Models 1.

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XII

Bill entrou no pub num passo apressado, chamando a atenção de alguns olhares para si. Mas que dia! Ainda estavam em pleno Setembro e a chuva já ameaçava aparecer! Well, that’s London for you, lad.

Avistou de imediato o rapaz por quem procurava, não fosse ele dono de um cabelo escuro invejável e do par de olhos mais expressivo que Bill já tinha visto. Sim, aqueles olhos diziam muita coisa, se a verdade ou apenas o que o outro rapaz queria deixar passar, isso Bill ainda estava para descobrir. Sem hesitar caminhou em passos mesurados até à mesa para dois num canto bastante recatado, onde Camille estava sentado e já tinha notado a sua presença com um sorriso arrebatador.

“Olá outra vez.” E o tom provocador voltou! Bill tinha a certeza de que o outro rapaz estava empenhadíssimo em deixá-lo com uma erecção no meio daquela gente toda E, sem sequer lhe tocar! Felizmente, as suas susceptibilidades eram mais fortes que isso, e numa atitude amigável, Bill estendeu-lhe a mão. O que ele não estava à espera era de ser agarrado pela dita mão e puxado com uma delicadeza surpreendente até sentir lábios contra a sua bochecha. Se não tinha corado até aí, nesse momento não haviam dúvidas de que pela primeira vez em ANOS um rapaz tinha feito Bill Kaulitz Skinner corar.

E então e o Tom—oh, shut up. Não preciso de pensamentos desses agora. O Tom não é um rapaz. É o meu irmão. E isso faz dele um ser andrógeno que me faz corar porque simplesmente não tem qualquer censo de pudor. Right.

“Vieste a fugir à chuva?”

A pergunta tomou-o de surpresa, e o cérebro de Bill demorou uns segundos a produzir uma resposta. “Parece que sim.” Foram as suas palavras, que rematou com um sorriso enquanto se sentava com toda a elegância e dignidade que conseguiu naquele momento. Nem em sonhos um rapazinho com nome de menina o ia deixar nervoso!

Após uns dedos de conversa sobre o tempo – tão clichê que até dói – Bill e Camille foram atendidos por uma bela rapariga com um sorriso tão grande na cara que só podia ser sinónimo da sua notória falta de cérebro.

“Bill!”

“Becky.” Bill cumprimentou com um sorriso tão falso como a rica cor burgundy que cobria os cabelos dela, outrora um ruivo-acastanhado tão deslavado que Bill não teria dúvidas se lhe dissessem que ela o lavava com lixívia.

“Então, há tanto tempo que não te via por aqui!” ela comentou, ainda com um sorriso de orelha a orelha. Bill já não podia com aquele sorriso – quem conhecesse minimamente a Becky Brown saberia à partida que a rapariga só é capaz de duas expressões faciais: sorrir, ou fazer beicinho. Não que ela seja má pessoa, longe disso, mas... cansa. Literalmente. Uma pessoa só consegue aguentar tanta burrice por um determinado tempo limite, diga-se de passagem, a não ser que partilhe o mesmo Q.I. que ela.

“E quem é o teu amigo, hmm? A tua cara não me é estranha...” ela afirmou enquanto apontava um dedo à cara de Camille.

“Camille Coxon, enchanté.” o rapaz respondeu e ao mesmo tempo pegou na mão a que pertencia o dedo tão rudemente apontado à sua cara, beijando-a. Ok, Bill pensou enquanto se controlava para não fazer uma cara enojada, ele não é mesmo deste mundo. “Penso que frequentamos a mesma aula de Teatro.”

What the hell? Becky Brown numa disciplina de Artes Dramáticas? Que... adequado.

“Oh, pois é! Becky Brown, é um prazer falar contigo finalmente.” a rapariga respondeu, já a babar-se para cima do suposto acompanhante do Bill. God, mas ela era tapadinha mesmo, hein? “E então, o que vai ser?”

“Um bule de Earl Grey e duas chávenas, por favor. E traz também leite e umas rodelas de limão, sim?”

A rapariga pareceu espantada com tal pedido, provavelmente não habituada a preparar chá num Pub onde todos bebiam refrigerantes ou cerveja, mas surpreendentemente não teceu nenhum comentário. Quando ela finalmente se retirou, Bill e Camille voltaram a iniciar uma conversa.

“De onde é que a conhecias?” Camille perguntou enquanto observava a rapariga do outro lado do balcão, que parecia um pouco atarantada e confusa com tanta maquinaria à sua volta.

“Já fomos da mesma turma durante muito tempo. Ela era um pãozinho sem sal, mas há coisa de dois anos decidiu mudar de visual e transformou-se na beldade que é agora. Infelizmente,” Bill comentou num tom de voz mais baixo “o cérebro dela não acompanhou a evolução. Mas os garanhões lá da escola querem saber disso? É claro que não. Ela e a Guinevere Johnston passaram de melhores amigas a rivais quando essa mudança de visual aconteceu.”

“Guinevere Johnston?” Camille inquiriu com uma sobrancelha arqueada.

“Uma ex-amiga. Loira, cabelo um bocadinho acima dos ombros, bonita, popular... Já a deves ter visto pela escola. Digamos que o maior talento dela é perder amigos.” E que talento. Ele, a Cameron, depois a Becky... mas será que aquela rapariga só tem amor a si própria?

“Hmm...” Camille assentiu com a cabeça com um olhar distante até voltar a sua atenção a Bill. “Importas-te que fume?”

“Só se me deres um cigarro.” Bill respondeu com um sorrisinho provocador, estendendo o braço a frente do outro rapaz. Tal gesto fez com que a primeira noite em que ele e Tom partilharam um momento no parapeito da janela voltasse à sua memória, mas Bill não permitiu a sua mente traiçoeira de o deixar ficar mal. Agora não.

Alguns bons minutos e dois cigarros depois Becky chegou finalmente com o chá e todo o restante aparato, colocando uma chávena à frente de cada rapaz com um sorriso de orelha a orelha. Após ambos se terem servido e acendido mais um cigarro, Bill juntando açúcar a mais ao seu chá e ganhando uma sobrancelha arqueada do seu acompanhante, Camille quebrou o silêncio com uma pequena risada.

“Qual é a piada?” Bill perguntou com um sorriso, observando a face do outro rapaz parcialmente escondida pela chávena que levava aos lábios.

"Hmm nada de especial. É só que aqui estamos nós, num PUB, rodeados de pessoas a beber CERVEJA enquanto que nós tomamos o nosso Earl Grey e fumamos um cigarrinho. God, que... politicamente correcto." Camille revirou os olhos num acto de falso snobismo e voltou a rir, fazendo com que pequenas rugas se formassem a volta dos seus olhos tão perfeitamente emoldurados por sobrancelhas longas e pretas. Bill continuou a sorrir levemente enquanto que mexia o açúcar que teimava em não se dissolver.

"Podemos não ser politicamente correctos, mas somos absolutamente fabulosos(1)."

"Oh my god, eu adoro essa série!” Camille falou num tom de voz entusiasmado ao que Bill riu e assentiu com a cabeça. A Eddie e a Patsy eram definitivamente as suas divas a seguir à Róisín Murphy, claro(2). “Mas sim, realmente somos muito mais fabulosos que todos esses adolescentes que passam a vida enfiados no Starbucks a beber frappucinos."

"Hey!” Bill exclamou em ultrage, mas ainda assim com uma expressão sorridente. “Eu gosto dos frappucinos do Starbucks, sim?"

Camille bebeu um pouco do chá ao qual tinha acrescentado um pouco de leite e uma rodela de limão e de seguida torceu o nariz, olhando Bill de lado com uma expressão de desdém muito pouco credível. "Well, nem todos podem ter a minha classe não é?"

Bill soltou uma risada aguda que não deveria MESMO ter saído da sua boca e lançou-lhe um olhar incrédulo que também não tinha qualquer credibilidade. "Bitch."

"Bitch, please!"

O outro rapaz lançou-lhe um olhar provocador e Bill teve de se conter para não fixar o olhar no tampo da mesa ou outra coisa que não aqueles olhos. Eram intimidantes! Porém algo dentro de si puxou-o para não recuar e Bill manteve o olhar fixo no outro azul electrizante, como que um desafio para algo mais.

As coisas estavam a aquecer, definitivamente.


- - -


“Parabéns, tocas muito bem!”

Cameron estava sentada num lado do sofá com os pés apoiados na pequena mesa à sua frente enquanto que Tom tocava guitarra, ora em pé ora sentado. Há muito tempo que não tocava com tanto empenho e os acordes da “Whole Lotta Love” dos Led Zeppelin(3) não estavam a soar tão bem como sempre, mas Cameron pareceu gostar e até cantou um bocadinho. Quando Tom se encostou para trás e se fez silêncio, o único som a ressoar nas paredes avermelhadas da sala foi o da chuva forte que tinha começado a cair lá fora.

“Odeio este tempo.” Cameron comentou com um bocejo, olhando pela janela com uma expressão penosa. “E logo agora que tenho de voltar para casa!”

“Já vais?” Tom perguntou, abrindo os olhos com preguiça tapando-os logo de seguida com a pala do seu chapéu.

“Tem que ser. A minha mãe está para chegar e se ela vê o estado em que deixei o meu quarto... nem quero pensar!”

Mais uns segundos passaram enquanto que Cameron observava a medo a chuva lá fora, cada vez mais forte. “Por acaso não tens por aí um guarda-chuva que me emprestes?”

Tom voltou a arranjar o chapéu e levantou-se, caminhando em passadas indolentes até à dispensa onde já tinha visto uns guarda-chuvas.

“Pensando melhor... traz dois.” Cameron falou na direcção da dispensa. “O Bill não levou nenhum e já estou mesmo a ver os filmes que ele vai fazer por causa do cabelo... Eu passo por lá como quem não quer a coisa, deixo o guarda-chuva, e vou embora!”

Um longo silêncio se fez até que Tom reapareceu com dois guarda-chuvas na mão e uma expressão estranha na cara. “Eu... deixa estar, eu vou lá.”

Cameron arqueou uma sobrancelha e não foi preciso mais nada para Tom se começar a explicar, as suas bochechas enrubescidas não deixando réstias para dúvidas. “A tua casa fica antes do Deptford Arms, certo? Não ias andar por aí às voltas só porque a menina não pode molhar o cabelo! Deixa estar que eu levo-te a casa e depois vou lá entregar o guarda-chuva à madame.”

Cameron ia contestar que não era problema nenhum mas, por amor de Deus, se ela tivesse PENSADO tudo isto, não teria corrido tão bem. Tom estava a ser a criatura mais transparente do mundo, e só ele é que não conseguia ver que aquela preocupação toda mostrava mais do que devia. Mas quem seria ela para lutar contra o destino?

“Uh, ok. Vamos lá então.”

Tom foi buscar um casaco com capuz, e os dois amigos abandonaram a casa com uma única missão: salvar os belos cabelos do Bill.


CONTINUA...

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XII) 2/2   Seg Dez 15, 2008 7:37 pm

CAP. XII (Continuação 2/2)

As coisas tinham aquecido.

E enquanto que Bill teimava em beber do chá que já estava frio e definitivamente demasiado doce, Camille lançava-lhe olhares quase pornográficos que juntamente com as pernas de ambos que teimavam em roçar, deixavam Bill numa situação bastante comprometedora.

Bill não era fácil. Ele simplesmente não conseguia dizer que não a uma carinha bonita a partir do momento em que dita carinha bonita pertença a um membro do sexo masculino, ponto. E mesmo que Camille o intimidasse imenso e o deixasse sem jeito mais que uma vez, um rapaz tem as suas necessidades. Lá porque toda a gente pensa que ele é um virgenzinho inexperiente, não quer dizer que com a sugestão certa não o consigam atrair para a ‘toca do lobo’.

Ainda para mais um lobo com um olhar tão penetrante.

“Euuu... vou à casa de banho.” Ele disse quase sem pensar porque a única coisa que lhe vinha à cabeça sob a força daquele olhar perfurante era Eu tenho que sair daqui. Camille lançou-lhe um sorriso de predador e apenas assentiu com a cabeça.

Só depois de se fechar dentro do pequeno cubículo é que Bill realmente PENSOU e PERCEBEU o significado daquele sorriso. Uh-oh.

Knock, knock.

Bill arregalou os olhos e deu por si a respirar fundo para não entrar em pânico. O encontro não era suposto acabar assim! Chá das cinco com direito a queca rápida numa casa de banho pública? Será que alguma coisa não batia certo no meio daquilo tudo?

Ah. Claro. Bill não era rapaz de quecas rápidas em sítios públicos. Ou em qualquer sítio, ponto.

Knock, knock, knock.

“Eu não o posso deixar plantado à porta da casa de banho!” Bill murmurou para si mesmo e num acto completamente impensado, abriu a porta.

Os segundos que se seguiram passaram com uma rapidez tal que a única coisa que Bill se viria a lembrar é de num momento estar a olhar para a parede do outro lado da porta, no outro encostado à parede do cubículo com um corpo practicamente colado ao seu. Antes que pudesse escapar qualquer som, talvez um grito, uma boca quase desesperada cobriu a sua, e foi aí que qualquer pensamento racional abandonou o seu cérebro.

Camille beijava como quem já tem muita practica no assunto e gosta de o mostrar. Uma tricadela aqui, alguns movimentos de língua e Bill apenas respondia, tentando ser reciprocro mas ao mesmo tempo com vontade de se deixar levar enquanto que o outro fazia o trabalho todo. Normalmente era sempre assim, e nunca ninguém se queixou. Aliás, Camille parecia bastante entusiasmado com a posição dominante que Bill lhe tinha cedido.

De olhos fechados, Bill encostou-se ainda mais à parede atrás de si e agarrou os fortes e negros cabelos do outro rapaz, rendendo-se.


- - -


A caminhada até à casa da Cameron foi feita practicamente em silêncio. A chuva caía com cada vez mais força e quanto mais depressa chegassem ao seu destino, melhor.

“Ufa, chegamos.” Cameron abrigou-se rapidamente por baixo do alpendre da porta do prédio e deu um pequeno sorriso ao seu acompanhante. “Agora vai lá, oh cavaleiro andante.”

Tom corou um bocado sem notar, mas Cameron viu e preferiu não comentar. As despedidas foram feitas e o pobre do rapaz, já com as calças molhadas quase até ao joelho, seguiu o seu caminho até ao Deptford Arms. Nunca lá tinha entrado, mas se o seu sentido de orientação não o enganava, estava mais ou menos a 5 minutos de lá chegar. Suspirou, resignado, e continuou a caminhar com algum cuidado para não calcar alguma poça de água.

Durante a caminhada tentou não pensar porque raio é que estava a fazer aquilo pelo irmão. Com certeza nunca tinha feito nada do género, nem por uma miúda. Tentou ainda calar a voz da sua consciência que insistia que ele queria ir lá para ver como estava a correr o encontro, olhar para a cara daquele Camille que só podia ser uma florzinha de estufa com ar de—calma, Tom. Calma.

Mal entrou pela porta, Tom teve de controlar o impulso de não sair porta fora para confirmar se estava no sítio certo. Não estava lá ninguém, mas se o Bill disse que ia estar lá, é porque não podia estar longe. Talvez se tivessem desencontrado! Dirigiu-se então ao balcão em passos lentos, fazendo um som irritante com as sapatilhas molhadas contra o chão assoalhado, e chamou a empregada que estava a tirar uma cerveja.

“Uh, desculpa, por acaso não viste um rapaz de cabelos pretos, assim compridos, por aqui?”

A rapariga observou-o com um sorriso automático, e depois de ter olhado bem para ele o sorriso tornou-se ainda mais rasgado. “Olá!”

“Uh, olá.” Tom respondeu com um pequeno sorriso como resposta. Não lhe estava nos genes ser outra coisa que não um exemplo de simpatia com raparigas bonitas, por muito cabeça-de-vento que fossem. Ela não tinha ouvido a resposta, com certeza. Tom lançou-lhe um olhar e ela inclinou um pouco a cabeça.

“Desculpa, podias repetir a pergunta?”

“Eu... tinha-te perguntado se não tinhas visto um rapaz de cabelos pretos e compridos por aqui.” Tom falou com rapidez, já farto de estar ali à espera.

“Ah, sim!” a rapariga exclamou, como se tivesse sido atingida por um raio de inteligência. “Estás a falar do Bill não é?” Tom assentiu com a cabeça.

Mas este sítio é alguma aldeia ou quê?

“Ele está aqui, ainda não o vi sair.”

Tom olhou em volta, confuso. “Está?” ele perguntou com uma expressão um tanto céptica.

“Está, pois! Mas há uns minutos atrás foi assim todo cheio de pressa para a casa de banho e ainda não voltou. Se calhar sentiu-se mal, coitado! O Camille—”

Tom não deixou a rapariga acabar. Deu-lhe antes um sorriso grato e de seguida foi o mais depressa que pôde sem parecer demasiado desesperado até à casa de banho. Será que estava tudo bem?

Becky observou com um olhar confuso o rapaz tão simpático que tinha acabado de conhecer, até ser interrompida novamente por uma cara sorridente que já conhecia há muito tempo.

“Olá Miss Brown.” Cameron cumprimentou com o seu melhor sorriso de ‘se achas que és hetero é porque nunca experimentaste a Cameron Boynton’. Becky, o limiar da inocência como sempre, sorriu de volta e quase que saltou para cima do balcão para lhe dar um abraço.

“Cameron! Que surpresa! Já não falo contigo desde o ano passado, hmm? Mas hoje parece que o dia me está a correr bem! Primeiro o Bill, depois tu...”

“Ah, o Bill esteve aqui?” Cameron perguntou como quem não quer a coisa. Pormenores nunca são demais.

“Está! Aliás, neste momento a casa de banho dos homens deve estar a abarrotar. Primeiro o Bill foi para lá, depois o Camille, agora chegou um rapaz com umas rastas – totalmente fixes, por acaso – e também já se foi enfiar lá... E nem sequer comprou nada!” Becky comentou com cara de quem estava mortinha para sair de trás do balcão e ir lá dar uma espreitadela.

“Não me digas.” Cameron respondeu calmamente, já de olhos postos na porta que dava acesso às casas de banho. Mas nem ela nem a Becky iam interromper, oh não. Isto ainda ia ficar animado e ela não era menina de mexer com o destino.


- - -


A casa de banho era apenas uma pequena divisão com um lavatório, um pequeno espelho e um cubículo ao fundo. E o único cubículo estava fechado. Sem hesitar Tom bateu à porta e chamou pelo irmão.

“Bill? Estás aí?”

Segundos passaram e ninguém respondeu, algo de estranho se passava. Tom voltou a bater à porta.

“Bill, eu sei que estás aí, abre a porta.”

Sons que Tom não conseguiu identificar trespassaram a porta e ele soube que estava lá alguém. Pareciam vozes. Vozes? Será que—

O que foi?

Não será. Era mesmo. Bill não parecia nada feliz. De facto, ele parecia bastante chateado. Os seus dedos magros e delicados, que com certeza nunca tinham passado pelos cabos de uma guitarra ou pela dureza de uma bola de basquete, seguravam a porta com se lhe quisessem arrancar um pedaço e aquele olhar semi-serrado era definitivamente assustador. É claro que o cabelo despenteado e as roupas amarrotadas também ajudavam e—hey. Um momento, por favor.

“Bill,” Tom falou muito calmamente, tentando não desviar o olhar para o que se passava atrás do irmão, com medo do que fosse ver além da silhueta de um outro rapaz que teimava em invadir o seu campo de visão. “está tudo bem?”

Bill não estava bem. Aliás, Bill não estava nada bem. Ele estava lívido! Irritado! Com vontade de amaldiçoar a mãe natureza que lhe decidiu dar um irmão gémeo e... e por outro lado estava completamente aliviado porque aquilo já estava a descambar. Por amor de Deus e de todas as divindades, como é que ele, Bill Kaulitz Skinner, podia estar numa casa de banho, a... a cometer actos ilícitos? Mas o que é que o outro idiota pensava que ele era? Algo menos que um rapaz RESPEITÁVEL seria um completo ultraje!

“Tom,” ele retorquiu com igual calma, tentando ignorar uma mãozinha que definitivamente não devia estar a tocar no seu rabo. “está tudo óptimo. Ou estava. E contigo? Precisas de alguma coisa? Ficaste sem luz em casa? Acabaram-se as bolachas? Alguém MORREU? Sim, porque eu não estou a ver porque é que precisaste de vir AQUI, enquanto sabias perfeitamente que eu estava num ENCONTRO.”

Pronto. Estava tudo dito. Ele estava a mesmo, mesmo a pedi-las, sinceramente! Onde é que já se viu, interromper um encontro assim e...

Tom baixou um bocado a cabeça, algo que Bill nunca o tinha visto a fazer, e coçou o pescoço, parecendo realmente embaraçado. Camille, por graça do santíssimo, manteve-se calado o tempo todo, a observar aquela troca de palavras com muito interesse. Finalmente, Tom falou.

“Estava a chover e—eu só te vim trazer um guarda-chuva.”

Okay, aquilo soou estúpido. Tom já estava pronto para ouvir sermão e missa cantada, sinceramente. Também onde é que ele estava com a cabeça, interromper o encontro do irmão – E que belo local de desfeche para um encontro – só para lhe dar um guarda-chuva? Aquela Cameron! A culpa era toda dela e das minhocas que ela teimava em meter-lhe na cabeça e—

“Tu o quê?”

“Eu—”

“Não, não, eu ouvi bem!” Bill corrigiu-se, fechando a porta atrás de si e não dando nem uma nem duas para o outro rapaz que tinha deixado lá dentro. “É só que—esquece. Foi muito... atencioso da tua parte. A chuva ia estragar o meu cabelo!” ele disse com um sorriso gigante que definitivamente não deveria estar na cara dele. Foi só um gesto fraternal, Bill, não te ponhas com ideias... “Vamos para casa?”

Tom assentiu com a cabeça até se lembrar de uma coisa “E o...”

“O Camille?” Bill perguntou com uma sobrancelha arqueada. Rapidamente voltou para trás e abriu a porta, encontrando o outro rapaz encostado a uma das paredes com uma expressão tão presunçosa que só lhe apetecia fazê-la desaparecer com uma estalada.

“Eu vou andando. E vê se para a próxima arranjas um quarto, senão não levas nada daqui, entendido?”

A expressão de Camille mudou radicalmente e o ar de arrogância à sua volta era tão palpável que quase se podia cortar com uma navalha.

“Ah e suponho que o... cavalheiro do guarda-chuva te ia arranjar um?”

“Tenho a certeza que sim.” Bill respondeu, não muito ciente do que estava a dizer, porém certo de que Tom tinha muito mais carácter – ou educação – do que o rapaz à sua frente. “E pensando melhor... não vai haver próxima.”

Antes que pudesse ouvir uma resposta, Bill voltou a fechar a porta e agarrou o irmão pelo braço, que pareceu um pouco surpreendido, mas seguiu-o sem questões.

Quando saíram da casa de banho, a primeira coisa que viram foi Cameron, ao balcão, nunca conversa animada com a Becky Brown. As duas estavam tão distraídas que nem notaram a presença dos dois rapazes.

“—e então ela virou-se para mim e disse ‘Cameron, podias controlar esse tesão todo que tens por mim ou seria pedir muito?’ e eu basicamente parti-me a rir na cara dela, ok. Por favor, eu? Cameron Boynton? Com tesão por ela?”

“Ah, ah, ela sempre foi assim! Sempre a pensar que tem o mundo aos pés dela!”

O motivo de conversa não era difícil de adivinhar, sendo que o – aparente – ódio pela Guinevere Johnston sempre foi a única coisa em comum que aquelas duas tiveram. Bill tossiu uma vez, duas vezes. Tom por sua vez olhava Cameron com cara de poucos amigos.

“Cameron.”

“—claro que—Uh?” Cameron virou-se para trás e os seus olhos arregalaram. Uh-oh.

“Tom! Bill! Estava mesmo à vossa procura!”

Bill arqueou uma sobrancelha e lançou-lhe um olhar de poucos amigos. “Não me digas.”

“Digo, pois! Tenho aqui este... guarda-chuva para vos entregar! Obrigada! Agora vou andando, tchau Becky! Tchau rapazes!”

E em segundos Cameron estava fora do pub, deixando três jovens confusos para trás. Acabou por apanhar uma das maiores molhas da sua vida no caminho até a casa, mas os espirros que soltou durante o resto do dia valeram a pena. Enquanto que se tentava livrar das sapatilhas ensopadas de água, Cameron sorriu ao pensar na imagem dos seus dois amigos de braço dado, e na expressão de felicidade que nenhum dos dois conseguiu esconder.


1) Absolutamente Fabulosas ou Absolutely Fabulous, uma série da Britcom com as fantásticas Eddie e Patsy. They’re ab fab, sweetie darling, check them out!

2) toda a gente sabe que qualquer Diva tem a sua própria Diva Inspiradora, e como o meu Bill (as in o Bill desta fic) não é alemão de gema, logo a Nena (que eu ouvi outro dia numa disco e fiquei OMG 99 BALLOONS MUST DANCE!) não seria a escolha mais acertada, resolvi arranjar-lhe uma diva 100% Brit e 100% Fab! Qual americanadas, qual australianas, nada de Madonnas ou Kylies (apesar de eu gostar das duas just for the gayness of it), a diva do meu Bill é a fantástica Róisín Murphy. E EU, POSTERIORMENTE À MINHA DECISÃO, JÁ VI O BILL (sim o Bill Kaulitz, the one and only) NUM VÍDEO A OUVIR A LET ME KNOW DELA E A DANÇAR TODO FELIZ (ao 1:17 DESTE vídeo, mais ou menos) POR ISSO NÃO ESTOU MUITO LONGE DA VERDADE 8D eu devia ir jogar no euromilhões (L)

3) por amor da virgem, quem é que não conhece as guitarradas desta música?

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MensagemAssunto: London Calling (Cap. XIII) 1/2   Seg Dez 15, 2008 7:39 pm

Título: London Calling (Cap. XIII)
Tipo: por capítulos
Géneros: UA (Universo Alternativo), Romance, Slash
Pairings: Bill/Tom, referências a Bill/PO e Tom/PO
Avisos: -
Classificação: PG-13
Sumário: Bill Skinner e Tom Dekker nunca tiveram nada a ver um com o outro. Além de um evidentemente vasto oceano entre eles, as semelhanças à primeira vista seriam quase indecifráveis – em todos os sentidos. Mas o que acontece quando ambos descobrem que Kaulitz não se trata de um segundo nome, mas sim do único sinal mais visível da sua relação?
Disclaimer: [inserir conteúdo dos disclaimers anteriores.]

Fotos e descrição das personagens AQUI.


Cap. XIII

A chuva caía forte em cima do guarda-chuva que Bill e Tom partilhavam, mas não havia muito vento. A temperatura ambiente, porém, tinha já sido arrefecida pela chuva abundante, mas Bill não estava com frio. Aliás, ele tinha quase a certeza de que estava em brasa e que a única coisa que o prevenia de entrar em combustão era toda aquela água a molhar-lhe os pés. Tu não podes corar ou outra idiotice qualquer, Bill, ele é teu irmão, ele repetia vezes sem conta, já vinha a repetir desde que saíram da casa de banho do pub. Parecia estar a funcionar visto que Tom não tinha tecido nenhum comentário, ou se calhar o facto de que ele também não estava com muita vontade de estabelecer contacto visual ajudou. Mas também não interessava.

O que interessava naquele momento era que parecia tirado de um daqueles filmes lamechas que Bill costumava ver com a sua mãe, Eleanor, aos sábados à noite, quando era pequeno e ainda não tinha idade para sair à noite e a melhor coisa que lhe podiam dar nessas alturas era uma caixa de gelado só para si. No meio de uma rua quase deserta, à chuva, duas pessoas caminham juntas em silêncio e—

“Desculpa.”

Bem, não propriamente em silêncio.

“Vou-te desculpar de quê? Já te disse que chegaste na altura certa.” Bill respondeu num tom neutro, tentando não deixar passar nenhuma emoção. “E com o objecto certo!”

Tom sorriu vagamente e agarrou o guarda-chuva com mais força. Bill continuou agarrado ao braço que ainda não tinha largado e tentou apoiar a sua outra mão nele discretamente, com a maior casualidade possível. Por momentos pensou que tinha sentido o corpo colado ao seu a ficar mais tenso, mas poderia ter sido só impressão sua. De qualquer modo o calor que irradiava por debaixo daquelas roupas largas tornou-se ainda mais notório, e Bill estava a ver que lhe ia dar uma coisinha má, vestido naquele blusão que só lhe apetecia tirar e continuar agarrado ao irmão.

“E porque é que eu cheguei na altura certa?” Tom perguntou segundos depois, surpreendendo o irmão que demorou um pouco para encontrar uma resposta articulada.

“Oh, aquele cubículo não era sítio nenhum para estar a fazer... aquilo. E, além disso, o Monsieur Camille revelou-se um verdadeiro cabrão! Todo ‘bluh bluh bluh então e o cavalheiro do guarda-chuva arranjava-te um quarto?’ e eu ‘bluh bluh bluh tipo, ya!’ e ele ‘uuuh mim ser uma bicha super sarcástica’ e eu bué ‘vai-te foder, ok.’ e fui embora. Ele ficou todo chateadinho mas eu não podia estar menos preocupado com as frescuras dele, ok.”

Enquanto que Tom soltava gargalhadas que ecoavam por toda a rua, Bill amaldiçoava a sua tendência para falar demais quando sentia demasiada tensão. E aquele era definitivamente um desses momentos, daí o seu discurso completamente incoerente.

“Tens razão!” Tom exclamou quando finalmente parou de rir. “Eu ia definitivamente arranjar-te um quarto. Um assim bem grande, com cama de casal e tudo. Bem fixe, uh?”

“Ew! Na cama da mãe e do Gordon não!” Bill torceu o nariz e apoiou-se mais no braço do irmão enquanto caminhava. “E nem na minha, sim? Não quero que leves nenhuma gaja para o nosso quarto e que caias na primeira cama que te aparecer à frente, que obviamente será a minha—“

“Quem falou em gajas?” Tom perguntou, virando a cara para encarar o outro rapaz enquanto tentava não tropeçar na calçada escorregadia.

“Ah, ah, claro Mr. Gay McQueer.” Bill disse num tom sarcástico, mas cómico, mexendo violentamente a sua mão livre enquanto falava. “A próxima coisa que me vais dizer é que graças a mim descobriste que afinal temos mais em comum que a vagina de onde saímos e a data de nascimento, nomeadamente a tua homossexualidade que até agora tinhas reprimido nas entranhas da tua alma!”

“Wah, é claro que não! Eu estava a falar de ti, não de gajas.”

“De mim?”

“Sim, tipo, eu arranjava-te um quarto, percebes?”

E foi nesse momento que Bill perdeu toda a coerência que lhe restava pela segunda vez no mesmo dia. Porém, desta vez ficou apenas encabulado.

“Waa—” ele tentou falar, mas não saía nada. Ele não tinha acabado de receber uma proposta do seu próprio, irmão, tinha? Não, um momento, que se lixe o irmão, uma proposta do TOM. Tipo, do Tom dos ombros e das costas e do sorriso e—

“Ok, ‘tou a gozar, se o da Simone não serve então não te arranjava nenhum quarto de casal, mas podes usar o nosso quarto na boa desde que não faças nada com um gajo em cima da MINHA cama, claro.”

Ah. Esse tipo de ‘arranjar’.

“Pensavas que eu estava a falar do quê?” Oops, será que disse aquilo em voz alta? Não sei, não quero saber. [flirtforçadoparadisfarçar] mood on.

“Oh Tommy, isso não era uma proposta? E eu aqui a ficar com esperanças... tsk, tsk.” Bill comentou e continuou a andar, ainda mais agarrado ao irmão e a tentar ignorar a parte do seu cérebro que tinha ficado toda ‘yami perfume do Tommy’, concentrando-se antes em evitar calcar poças de água.

Tom por sua vez estava a tentar não levar aquele comentário muito a sério, visto que aquele dia definitivamente não podia ser mais estranho se Bill estivesse mesmo a ser sincero. Aquela expressãozinha de gato que andou a lamber a manteiga dizia SARCASMO, mas o bracinho e a mãozinha que mais um bocadinho e estava a fazer festinhas ao seu peito diziam outra coisa totalmente—NÃO.

“Oh, ah ah. Que piada. Não devias brincar com essas coisas, Billy boy, ainda me dás ideias!” Contra-ataque. Pagamento na mesma moeda. Estava a ser tremendamente infantil, sim, mas Tom simplesmente não conseguiu evitar. Melhor dizer parvoíces do que pensar qual era exactamente a razão pela qual tinha ficado nervoso com tal sugestão que não passava de uma brincadeira!

“Oh meu Deus, estou a morrer de medo, ok. Nem vou dormir esta noite com medo de ser violado!” Bill respondeu, não resistindo também a continuar aquela conversa ridícula. Mas onde é que o outro queria chegar? Já não lhe bastava ter sido um tremendo cavalheiro por uma coisa completamente insignificante, agora também tinha que o provocar com sarcasmo sexual?

“Cuidado! Nunca se sabe quando é que o Tommeister te pode atacaaaaar!” Tom falou num tom semi-assustador levando um dedo instintivamente à barriga do irmão. O que ele não estava à espera era do grito agudo que tal gesto produziu. “Aha, tu tens cócegas!” ele exclamou, triunfante, enquanto tentava fazer com que mais gritinhos e risos abandonassem a boca do rapaz que se contorcia e tentava fugir pela rua fora. Rapidamente o guarda-chuva foi esquecido na mão de Tom e ambos corriam, um a fugir, o outro a tentar atacar com o maior número de toques em locais estratégicos possível. Bill virava-se para trás, implorando por tréguas, mas Tom estava a divertir-se demais para isso. Ver o irmão a perder a compostura e a gritar aos sete ventos que estava a ficar com o cabelo molhado só o fazia correr ainda mais, guarda-chuva preso na sua mão, mas já virado do avesso com tanto movimento.

“Tom! Dá-me esse guarda chuva já! Se não posso salvar o meu cabelo ao menos deixa-me proteger a maquilhagem! Vou ficar a parecer um panda!”

“Tu já pareces um panda!” Tom respondeu com um sorriso fácil na cara, a única coisa que o preveniu de levar uma estalada na cara.

“Para de gozar com a minha cara e dá-me esse guarda-chuva.” Bill ordenou, batendo com o pé no chão de uma maneira que, juntamente com o seu visual ‘arruinado’, só o fazia parecer ainda mais petulante. Petulante e adorável, Tom tinha que admitir. Não que alguma vez fosse dizer isso em voz alta, claro.

“Nu-uh. Também já deve estar partido.”

“Não está nada!”

Bill já estava practicamente a fazer beicinho e Tom teve que se controlar para não sucumbir aos poderes daquela carinha e relembrá-lo de que ele tinha guardado o outro guarda-chuva na mala antes de saírem do pub. Talvez o devesse fazer...

Nah.

A chuva continuava a cair forte em cima dos dois e Bill estava a ficar irritado. Foi então que ele se lembrou de que podia pegar na mala e usá-la para proteger o pouco cabelo seco que tinha. E depois lembrou-se ainda que tinha um outro guarda-chuva na mala e que essa iria ser a sua salvação. Mas quando olhou para a expressão presunçosa do irmão que por momentos lhe recordou o sorrisinho idiota do Camille antes dele lhe ter dado com os pés, Bill mudou de ideias e aproximou-se do rapaz parado à sua frente, muito lentamente para não o assustar. Dessa vez teve a certeza de que conseguia sentir a tensão, mesmo que já não o estivesse a tocar. Quanto melhor, era essa a ideia.

“O q—que é que estás a fazer?” Tom perguntou baixinho quando sentiu duas mãos a agarrarem-no pelos braços e o rosto do outro tão próximo. Acompanhou a trajectória de uma gota que parou nos lábios tão próximos dos seus e foi recolhida por uma língua que quase o fez desviar o olhar, mas Tom foi forte. Quando sentiu a mão do irmão no seu queixo, a inclinar-lhe a cabeça para cima, voltou a falar. “Bill?”

Bill esperou uns momentos em silêncio, quase a tocar o queixo do irmão com os lábios, mas nunca chegando a fazê-lo. Quando finalmente sentiu respiração acelerada contra o seu nariz, Bill respondeu com um simples “Estou a proteger a minha maquilhagem da chuva. Os teus chapéus sempre servem para alguma coisa, hm?”

E foi nesse momento que Tom teve de usar todo o seu auto-controle para não se lançar para cima daquele provocadorzinho e fazê-lo cair redondo no chão. Com ele por cima. E provavelmente fazer-lhe coisas que definitivamente não deviam ser feitas no meio de uma rua, por muito deserta—

“Tens um guarda-chuva na mala.” ele acabou por dizer, porque a cabeça dele já o estava a trair outra vez. Bill sorriu um pouco, outra vez aquele sorrisinho irritante, mas extremamente adorável, e Tom teve que voltar a olhar para cima, ou coisas muito más iam acontecer.

“Ah tenho? Nem me lembrei.” Aquele tom de voz dizia exactamente o contrário, mas Tom não fez nenhum comentário. Apenas se deu por feliz por ter passado por aquele momento constrangedor sem sequer ter corado ou algo igualmente ridículo. Quando Bill finalmente recuou e abriu o outro guarda-chuva, Tom continuou parado no sítio onde estava, evitando fazer contacto visual. Bill deu-lhe um último sorriso e caminhou na direcção do prédio onde ambos moravam sem sequer olhar para trás.

“Hey!” Tom exclamou quando reparou que o guarda-chuva que levava na mão estava mesmo partido. “Espera por mim!”

Bill, porém, continuou a andar, sempre com um sorriso rompante estampado na cara, até sentir um braço a enlaçar-se no seu. “Dammit, Bill!”

“A vingança é um prato que se serve frio. E neste caso, molhado.”


- - -


“Vou buscar uma toalha. Também queres uma?”

Bill assentiu com a cabeça o melhor que pôde visto estar a tremer de frio e esperou ansiosamente pelo ‘click’ da porta para se livrar das roupas molhadas que ainda tinha no corpo. As sapatilhas já estavam a secar na lavandaria e os dois rapazes só não foram obrigados a tirar o resto da roupa na cozinha por sorte! Quando os viu a entrar pela porta, Simone ficou dividida entre um ataque de riso pelo estado dos seus dois filhos ou um ataque de pânico por lhe estarem a molhar o soalho. Mas o instinto maternal falou mais alto e ela deu por si de volta dos gémeos, dando ordens para se livrarem daquela roupa, já, antes que apanhassem uma constipação! Bill sorriu para si. Aquela tinha sido sem dúvida uma das tardes mais estranhas da sua vida, mas só a reacção do irmão a tudo já tinha valido a pena. Se a respiração acelerada era por medo ou antecipação, Bill ainda ia descobrir, mas a tensão estava instalada. Bill ainda conseguia sentir o arrepio provocado por um Tom de tronco nu há poucos minutos atrás...

“Aqui está.” Falou a voz de Tom, que entretanto já tinha entrado no quarto. Bill não tinha ouvido a porta, de tão distraído que estava com os seus pensamentos, mas virou-se rapidamente para pegar na toalha, sendo de novo assombrado pela visão que o deixava sempre alterado para além do que é racional. Rapidamente tentou disfarçar e definitivamente NÃO FICAR A OLHAR FEITO ESTÚPIDO, porque isso é tão não cool. Em vez disso pegou no monte de roupa molhada que ambos tinham deixado no chão e atirou-a para os braços do irmão.

“Leva isto à lavandaria, sim?” ele pediu, sorrindo, não fosse o rapaz achar que ele já estava a abusar. Tom apenas assentiu de modo brusco com a cabeça e nem disse palavra antes de sair do quarto rapidamente, fechando a porta atrás de si. Bill arqueou uma sobrancelha, mas decidiu não tentar ler entre as linhas das reacções daquele rapaz – com uma imaginação como a dele, tal coisa nunca poderia acabar bem. Caminhou antes em passos lentos até ao guarda-roupa espelhado, onde apreciou o seu reflexo. O cabelo não tinha emenda, definitivamente, e a maquilhagem estava espalhada pela cara, os olhos rodeados por dois borrões pretos. Mas mesmo com o visual arruinado e apenas um par de boxers pretos no corpo, Bill não pode evitar um sorrisinho coquete.

“Yummy.”


CONTINUA...

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